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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




Fonte: http://www.ubebr.com.br/


GILBERTO MENDONÇA TELES

 

Um dos primeiríssimos nomes da poesia de Goiás. Há tempos tento comunicar-me com ele, além das leituras de sua fértil poesia... Ambos temos residência temporária em Pirenópolis, mas a sorte ainda não nos colocou um diante do outro. Certamente já cruzamos pelas ruas empedradas da mágica cidade colonial de Goiás que nós tanto amamos...

Gilberto é um grande poeta, um grande ensaísta. Hoje começo com uns poucos de seus versos, da obra notável que é Plural de nuvens (Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1990). Em outra oportunidade, depois de um encontro que vai acontecer em algum momento, publicaremos outros poemas e a foto do autor...            Antonio Miranda

Convidado oficial da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, participa da antologia  POEMÁRIO da I BIP.

Veja também: GILBERTO MENDONÇA TELES  - EN ITALIANO     /     EN FRANÇAIS

See also: POEMS IN ENGLISH

O VISUAL DA ESCRITA –  por Gilberto Mendonça Teles – ENSAIOS

POESIA VISUAL DE Gilberto Mendonça Teles

. A POESIA PARA OS POETAS – sobre a poesia de OSWALD DE ANDRADE fragmento de ensaio de GILBERTO MENDONÇA TELES - ENSAIOS

Veja também: AS VOZES UNIVERSAIS DE SCHMIDT – por Gilberto Mendonça Teles

Veja também: O PRIMEIRO POETA GOIANO, por Gilberto Mendonça Teles

 

Veja também: QUERO QUE A ESTROFE SAIA SEM UM DEFEITO, por José Fernandes [sobre a poesia inicial de Gilberto Mendonça Teles]

O PLURIDIMENSIONALISMO E O HERMETISMO METAFÓRICO [ e a poesia de Gilberto Mendonça  Teles ] , por Carmelita de Melo Rossi

RAÍCES EUROPEAS DEL "PAU-BRASIL" Y DE LA "ANTROPOFAGIA" por Gilberto Mendonça Teles - ENSAIOS

Veja também: > UMA VOZ UNIVERSAL DA POESIA – AUGUSTO FREDERICO SCHMIDT – por GILBERTO MENDONÇA TELES - ENSAIO

 

. ALGUMAS DEFINIÇÕES DE POESIA - da Antiguidade à Idade Média –algumas contemporâneas, compiladas por GILBERTO MENDONÇA TELLES

CELEBRANDO OS 90 ANOS
DO POETA GILBERTO MENDONÇA TELES


 

Capa do convite para a cerimônia de outorga do título de DOUTOR HONORIS CAUSA
a Gilberto Mendonça Teles pela PUC- GOIÁS no dia 27\09\2014.

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS - TEXTOS EN ESPAÑOL

 

TELES, Gilberto Mendonça.  ESTRÊLA D´ALVA.  POEMAS.   Goiânia: Editora Brasil Central Ltda, 1956.   78 p.  13 x 17,5 cm.  
Ex. bibl. Antonio Miranda




ASPIRAÇÃO

Anseio pela perfeição suprema
Das ideias grandiosas que imagino
Nos acordes maviosos de um violino
Ou nas estrofes suaves de um poema.

Na cadência da vida encontro um hino
De glória e de louvor à Luz estrema,
Que coroa com um rútilo diadema
A harmonia do sonho cristalino.

No culto da alegria contagiante,
Que o sentimento encontra a cada instante
Na aparência feliz da natureza.

Seguindo o sol do Ideal e as normas da Arte,
Procuro descobrir por toda parte
Um raio indefinível de Beleza.   

 

 

 

EM CUMARI 

 

Em Cumari, escorrendo suavemente pela
Boca de ouro da esférula solar,
Cai lentamente (e eu me embriago ao vê-la)
A tristíssima luz crepuscular.

Soluça ao longe um sino. E, a soluçar,
Desce a tristeza.  Para recebê-la,
Vem, com um doce e feminino olhar,
Os trêmulos olhares de uma estrela.

Anda um gemido triste no ar enxuto.
Será talvez um sabiá que escuto
E em que, cismando o pensamento encerro?

E, enquanto o céu nos horizontes arde,
Rasga o silêncio do cair da tarde.
O grito gutural do trem-de-ferro.

 

       

N A D A

Para a contemplação radiosa do universo,
Subo na branca luz dos luares de alabastro,
E, na auréola do sol da fantasia imerso,
Instalo-me no sólio esplêndido de um astro.

Como estrela, a cair, deixo nos céus o rastro
De meu sonho a brilhar num luzeiro disperso;
E, do alto, como um Deus, majestoso, desnastro
Pelo espaço o fulgor das tranças do meu verso.

A sós com a imensidade etérea e luminosa,
Vendo girar milhões e milhões de outros mundos
Ao som da Grande Valsa eterna e silenciosa,

Tenho, por um momento, a sensação do nada,
E assisto, na carreira ignota dos segundos,
Ao trágico final da terra desolada.

 

ANTONIO ALMEIDA

BRITO, Elizabeth Caldeira, org.  Sublimes linguagens.  Goiânia, GO: Kelps, 2015.   244 p.  21,5x32 cm.  Capa e sobrecapa. Projeto gráfico e capa: Victor Marques.  ISBN 978-85-400-1248-6 BRITO, Elizabeth Caldeira, org.  Sublimes linguagens.  Goiânia, GO: Kelps, 2015.   244 p.  21,5x32 cm.  Capa e sobrecapa. Projeto gráfico e capa: Victor Marques.  ISBN 978-85-400-1248-6

Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

         G O I Á S

Só te vejo Goiás, quando me afasto
e, nas pontas dos pés, meio de banda,
jogo o perfil do tempo sobre o rastro
desse quarto-minguante na varanda.

De perto, não vejo nem sou visto.
O amor tem desses casos de cegueira,
quanto mais perto mais se torna misto,
ou e pó de caruncho na madeira.

De perto, as coisas vivem pelo ofício
do cotidiano — existem de passagem,
são formas de rotina, desperdício,
cintilações por fora da linguagem.

De longe, não, nem tudo está perdido.
Há contornos e sombras pelo teto.
E cada coisa encontra o seu sentido
na colcha de retalhos do alfabeto.

E, quanto mais te busco e mais me esforço,
de longe é que te vejo, em filigrana,
no clichê de algum livro ou no remorso
de uma extinta pureza drumondiana.

Só te vejo , Goiás, quando carrego
as tintas no teu mapa e, como um Jó,
um tanto encabulado e meio cego,
vou-me jogando em verso, em nome, em GO.

 

 

       MULHER DO CERRADO

Pegou a palavra e lhe puxou o cabelo
antes de sair correndo a contrapelo.
Elogiou a moda do cabelo solto
com as altas ondas do seu mar revolto.

Admirou-lhe a franja da vogal na testa
e entrou logo pelas trilhas da floresta:
muitas consoantes fricativas, hábeis,
escondiam todas as pronúncias lábeis.

O gesto da cabeça abria o seu coque
sem que exigisse um tom, um retoque,
nem imaginasse no cabelo curto
algum carinho pressentido a furto.

Deixou-me ficar ali sem esperança
desnastrando os fios dourados da trança
até perder o calor dos sentidos
e ficar amarrado aos cabelos compridos.

Foi aí que se viu o filão de prata
na terra morena, bilabial, na cara
de ouro e diamante, no desejo mudo
de ver a beleza ali antes de tudo.

No seu corpo se abria a flor do cerrado
presa no cabelo agora perfumado.

 

*

 

VEJA e LEIA outros poetas de GOIÁS em nosso Portal:

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/goias/goias.html


Página publicada em junho de 2021

 

 



XI COLETÂNEA SÉCULO XXI  Homenagem ao escritor Gilberto Mendonça Teles nos seus 90 anos. Editor Jean Carlos Gomes.  Textos sobre o autor por Anderson Braga Horta, Irany Innocente Telles, Euripedes Leôncio Carneiro, Maria de Fátima Gonçalves Lima, Flávia Souza Lima, Luiz Otávio Oliani, Ricardo Viana Lima, Vicente Melo, Raquel Naveira, Jean Carlos Gomes,  Reynaldo Valinho Alvarez, Rosemary Ferreira de Souza, Rosimeire Soares. Tanussi Cardoso,                                                                                                                      Vicente Melo, Antonio Miranda, Olga Savary e Alexei Bueno. Volta Redonda, RJ: Gráfica Drumond, 2021.  138 p.   

                                   POEMAS INÉDITOS
(2014-2020)

 

       CONCLUSÃO

Deus lhe deu a oportunidade de atravessar
as comportas do tempo e seus agentes
(doença, hospital e alguns minutos do além),
mesmo assim descobriu, meio intranquilo,
que a vida continuava na linha da ternura
desenhada no sem fim do horizonte.

E viu, claramente visto, o não do impossível
na possível convivência — a mão que prepara
o remédio, o café da manhã, o almoço, o lanche,
as palavras afetuosas trocadas no silêncio,
a forma de espantar o ruído entre neblinas
no espírito quase visível do momento.

E viu a vida contínua na música dos filhos,
no gosto pelos livros que ela escolhe para ficar
até o último instante e sua alcova rediviva.


ESPERANÇA

Ainda espero, espero mais ainda,
mais além do silêncio provisório,
onde uma voz extinta se articula
e não consegue me dizer mais nada.

Tudo rolou na tarde, sem auxílio
de sinais, surdo e mudo como um tempo
sem dia e calendário — voz exígua
que se articula sem dizer mais nada.

O que se espera agora, na ternura,
no jeito de viver, na curva ainda?
Talvez espere... e espero ainda
a voz que existe sem dizer mais nada.


VIAGEM PELO CORPO DE CALÍOPE

Tudo começou com um beijo na mão
e um forte bater de coração.
Depois, no abraço, no ombro, na nuca
na testa e, em progressão,
um beijo no fruto maduro da boca.

Pára aí — você diz, amedrontada
e eu não pude fazer mais nada.
Mas eu sei que o bem que não se alcança
vai ficando de vez e amadurece
no desejo maior, como se fosse
um novo fruto cada vez mais doce.

Um dia você mesma me dirá:
"Desce naus". "Mais ainda". "Estou carente."

       E a minha mão esquerda, de repente,
navegando no mar, buscando a ilha,
mergulha na maré da maravilha.


HORAS DO DIA

       Bom-dia — lá vem a moça
para o meu computador:
— Você é a peça de louça
guardada com muito amor.

Boa-tarde — sol de dentro,
sol de fora, plena luz:
— Em você encontro o centro
da vida que me conduz.

Boa-noite — luz de Sírius
no cão menor, que sou eu:
— Aí vão rosas e lírios
por tudo que Deus me deu.


À Gilberto Mendonça Teles 
Poema de ANGELA GUERRA – RJ 

Alma de poeta, crítico aguçado
exímio ensaísta, professor amado
um galanteador, comme il faut
sorriso maroto, de garoto travesso
Vida ao avesso, em 2020
Um acinte do destino, com muito tino
Diante do impasse, qual fênix nascente
Regozijam-se os amigos

Este poema a ele dirijo, relembrando um jantar
Que prazer sentar-me à sua frente
e de conversa sorver goles de sapiência
do Príncipe dos Poetas de Goiás
Prêmio Machado de Assis
da Academia Brasileira de Letras!

Tanto livros publicados
entre ensaios e poesia
Tantos prêmios recebidos
tantos cargos ocupados
no Brasil e exterior —
homenagem mais que merecida
aqui nesta antologia!
 

 

O PRISMA DE MUITAS CORES. Poesia de Amor portuguesa e brasileira.    Organização Victor Oliveira Mateus. Prefácio  Antônio Carlos Cortes.  Capa Julio Cunha.  Fafe:       Amarante: Labirinto, 2010  207 p.      Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

Tatilismo

 

Estou mesmo contíguo.

Temo e próximo,
tateio a densidade das paredes,
toco a força do barro e, digital,
vou apalpando o limo, o lodo, o gesso,
o que se faz de seda o signo alado
que ainda move o céu quase intangível
na sua consistência.

 

Algumas vezes,
tomo a forma de chuva: é quando sinto
o visco, o peso, o comichão da terra,
quando inteiro me planto, agarranhando
os pêlos da raiz e me aderindo
à substancia da imagem que te grava
no carbono da noite.

 

Unida ao gesto,
a mão que te copia e te faz cócegas
disfarça o movimento e te assinala,
te despe e te inicia o sentido
do mais puro e compacto o da matéria:
mármore, cobre, zinco, essas linguagens
granuladas nos poros e nas fibras
indóceis da manhã.

 

                Eu sempre tive
olhos nas pontas líricas dos dedos.
Sou dátilos, troqueus e muitos iambos
para escandir um dia os teus veludos
e por dentro alisar o teu mais íntimo
refugio de silêncio.

 

                                       Pele a pele,
conservo o teu desejo.

                                               Palmo a palmo,
manuseio teu ritmo, e no alvoroço,
viajamos na sombra o nosso impulso.

 

                        O amor vai-se fazendo corpo a corpo

                        na espessura da vida.

 

 

 

DE AMAR A AMOR. Org. Jorge Solé e Carlos Nejar.  Vitória, ES: Fundação Ceciliano Abel de      Almeida, 1992.    73 p.  ilus.  15x21 cm.   Ilustrações de Jorge Solé. Inclui poemas de Carlos Nejar, Gilberto Mendonça Telles, Lêdo Ivo, Marcus Accioly, Marien Calixto, Olga Savary, Oscar Gama Filho, Paulo Roberto do Carmo, Roberto Almada.
Ex. bibl. Antonio Miranda



SÁFICA

Sou aquele que te escutou e te viu
para ciúmes de Safo cuja voz
tinha a forma triste de uma alma talvez
trêmula demais.

Sou igual aos deuses, maior até: sou
que te lê nas dobras da língua, no som
deste carme feito para Lésbia, ao sol
deste amor tão só.

Sou também aquele que pôs nos braços
de Lídia ao mais vívido amor, aquele
que esqueceu a túnica belicosa
no auge da paixão.

E sou agora o signo desse cisne
cuja plumagem lírica sustenta
a vastidão do tempo.
Queira Apolo
dourar meu canto para além de mim.

(& cone de sombras, 1986)

 

 

 

                  POEMA ESDRÚXULO

Não quero mais saber de amor platônico
nem de amor pretônico ou postônico.
Prefiro o amor tônico
com acento de intensidade
na idade e na medida
como um elixir de longa vida.

Mas não quero também um amor crônico
que não ata nem desata
e maltrata
e esfola
quando não faz da tripa coração
ou corda de viola
ou violão.

Quero ante um amor amazônico
capaz de me dar a filha da rainha Luiza
um amor biônico
capaz de milhões de peripécias
um amor suspersônico
capaz de vencer as barreira dos ais
e não terminar nunca
nunca mais.

Um amor que seja daltônico
para confundir paixão e esperança
e trafegar livremente
na mudança da gente.
Que seja mnemônico
para guardar no coração e no ouvido
o acontecer acontecido.

E que seja lacônico
para dizer apenas veni vidi vici
ou qualquer outra tolice
em língua viva
em alfabeto rúnico.
Um amor irônico
e único.

(Plural de nuvens, 1990)


       PESCARIA

Minha vara de pescar espanhola
não é bem uma vara de pescar espanhola,
quando muito alguma brasileira,
meio arisca,
vem nadando, nadando e morde a isca.

É uma vara moderna, e telescópica:
capaz de ver a constelação dos Peixes,
a de Orion (que nunca se banha no mar)
e a da Virgem, que no banho se refresca
para a aventura da pesca.

À noite a minha vara cresce, cresce, cresce,
atravessa a Extremadura, Portugal, todo o oceano,
e vai pesca na 5ª. Avenida
uma sereia distraída.

Mas o grande problema,
o que me está enfernizando,
o que me abrasa,
não é fazer da vara algum poema
e sim como levar de contrabando
um rabo de sereia para casa.

                          
Madri, 29.11.91

 

 

                   O FILTRO

Gota a gota de bebo, e te articulo
como um fonema raro, mas sem língua:
um jeito no pescoço, mágoa e míngua,
forma de amor crescendo no casulo.

Gota a gota me perco, e é quase nulo
o temo do prazer: o meu cachimbo,
a rima recortada – nuvem, íngua,
o câncer de algum signo que acumulo.

Gota a gota, porém, tudo o que é lindo
deixa apenas memória, deixa o espaço
que não te prende nunca, nem te esgota.

Gota a gota de aceno, e vou saindo
de dentro de teu nome: levo um traço
uma coisa qualquer na mão canhota.

 
(Plural de nuvens, 1984)



TELLES, Gilberto Mendonça, organização, introdução e notas.  Defesa da poesia. Da Antiguidade à Idade Média.  Brasília, DF: Senado Federal, Conselho Editorial, 2017.  384 p.  (Edições do Senado Federal, vol. 241)  16x23 cm  ISBN 978—85-7018-831-1   Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

 

                                        DANTE ALIGHIERI

 

Traduções de Cristiano Martins.

 

 

        CANTO XXIV, versos 46-51

 

        “Eis, bradou-me o mestre, ergue-te e vem!
Adormecido à maciez da pluma
Jamais conquistará a fama alguém;

O que é rotina em glória se acostuma
não deixará de si na Terra traço
mais que a fumaça no ar e na água a espuma.

Suplanta, com denodo, o teu cansaço,
pela força interior, que na batalha
ao examine herói sustenta o braço.

 

        Mais alta, à frente, fica outra muralha;
Não nos basta esta aqui ter escalado.
Avante, pois: que a minha voz te vai guiar.

 

 

 

        CANTO XXIV, do Purgatório, versos 49-62

 

 

        Pois acaso não és o que a rigor
se dedicou à nova rima, entoando
Damas que tendes a intuição do amor?

 

        “Decerto”, respondi-lhe, “sou, e quando
o amor me inspira, tudo, exatamente,
transcrevo que em minha alma vai ditando.”

Falou-me: “Irmão, já vejo claramente
o que o Guittone e a mim nos impedia,
como ao Notário, o acesso à flama ardente.

Vejo que em vós a pena obedecia,
dócil e atenta, ao íntimo ditado,
o que, entretanto, a nossa não fazia.

 

        Quem quer que o estude a fundo, separado
nisto achará do vosso o nosso estilo.”
E, satisfeito, se quedou calado.

 

 

TELES, Gilberto MendonçaCaixa de fósforo II. Dedicatórias em Versos. Poemas circunstanciais. /De 1964-2019/   Organização,Montagem e Editoria Jean Carlos  Gomes. Volta Redonda, RJ: Gráfica Drummond, 2019.  86p.  15 x 21 cm.  Capa:  Eduardo Ávila.  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

METAPOESIA DE GILBERTO MENDONÇA TELES:

 

AS FACES DO POEMA

 

Da sintaxe visível à invisível

a enunciação se faz e se desfaz:

dois planos se entreabrem, dissipando-se

à espera de um leitor que não se basta.

No verão a raiz oculta o verbo

que inventa no cerrado o seu discurso:

e o que se fala cala-se no trânsito

à espera de um sinal talvez escuso.

O mais são flores: arte e manha — o poema

& a poesia do amor nas coisas findas:

uma jarra na mesa com seu bulbo

à espera da emoção, e mais ainda.

 

Nas faces e interfaces de outros signos
as vanguardas propagam as semi-ópticas,
ao passo que Sereno bem tranquilo
celebra o rimai das coisas órficas.

 

Rio de Janeiro, dezembro de 2018 

 

 

 

                   MELOPEIA 

Demorou a perceber que o poema

é feito de sons — a música da língua

aciona o intervalo da linguagem

que põe em jogo os seus acentos átonos

que mobilizam os tónicos os ictos os silábicos

que se juntam às rimas e às figuras sonoras

que repetem o silêncio do ritmo e do grande

e puro sentido da harmonia do concerto

da sinfonia que a flauta o violão a harpa-eólia

escalam na cromática dos números impossíveis.

 

O diapasão do sustenido e do bequadro trememfusam o solfejo do melífluo exalta o allegro o scherzo o pizzicato, a melodia no seu gran finale.

 

E assim conclui que o poema é uma forma de ver e ao mesmo tempo de ouvir o mais puro sentido — tato olfato e o gosto de falar e beijar a beleza do teu rosto. 

                                      Teresópolis, 2016

 

TELES, Gilberto Mendonça. O terra a terra da linguagem - seis livros de poesia. Rio de Janeiro, RJ: Editora Batel, 2017.  640 p.  15,5x23 cm.  ilus. foto. Capa: Julio Lapene. 
Inclui os livros: Saciologia goiana (1982), Plural de nuvens (1986), Cone de Sombras  (1995), Álibis (2000), Linear G (2010), Brumas do silêncio (2013), e sete poemas de Improvisuais  (2012) e alguma crítica sobre as obras e autor.   Ex. bibl. Antonio Miranda.
 

 

                   INTRÓITO  

Entre a língua e a linguagem
a concisão do estilo
o vigor da palavra
com sua força e timbre.
       

Na clareza da letra
o natural anúncio
de um caminho sem beira
no seu espaço obscuro.
 

Não apenas o terra
a terra— o plano, o liso,
o invisível da régua
no sol da superfície;
 

nem o escrito no quadro-
negro ou verde do tempo,
o resumido e exato
em explícito exemplo;
 

mas no magro da elipse,
na cócega da língua,
o que sempre se disse
e se repete ainda.
 

 

“Percebe-se que O terra a terra da linguagem continua o sentido de Hora aberta, saindo de dentro dele assim como a nova fruta de dentro da mesma árvore, o novo de dentro do velho, o moderno saindo da tradição que se deixa reinventar. Pode-se também perceber no título a montagem de o terra (masculino) como uma espécie emotiva de fio terra que elimina os excessos artísticos; a terra  como o fascínio feminino  da terra natal; enquanto o sistagma resultante das duas palavras — o terra a terra — quer mesmo significar “sem elevação ou grandeza, rasteiramente”, forma figurada de algum a imagem de modéstia e disfemismo na linguagem.” GILBERTO MENDONÇA TELES, na “NOTA DO AUTOR”. 

 

         IMPROVISO 

Encontro aqui, nesta vereda,
um fiapo de seda.
       

Como está neste e noutro nível
é matéria invisível
 

que só pode ser refletida
pelo espelho da vida,
       

onde a imagem, fazendo ioga,
me contempla e interroga:
 

Quem o deixou? quem o perdeu?
Foi ela ou fui eu?
 

Quem o perdeu? quem o deixou?
o amor que se acabou?
 

Guardo de cor outro fiapo
neste poema de trapo.

 

De
Gilberto Mendonça Teles 
Linear GPoemas 2002 – 2009
São Paulo: Hedra, 2010.  149 p.
ISBN 978-85-7715-194-3

Um novo livro de Gilberto Mendonça Telles é sempre um acontecimento literário. Com o propósito de celebrar e divulgar, nos limites estreitos de nossa lei do direito autoral (que está para ser reformada e tomara que adote o sentido do “fair use” para os efeitos da educação e da cultura, quando sem fins lucrativos), segue um dos poemas do livro:

 

PAIXÃO

— Quanto dura uma paixão?

Uma paixão não dura nada, apenas
a eternidade simples de um sorriso
que, por ser belo, e possuir antenas
capta constantemente o paraíso.

Uma paixão é sempre um peixe grande,
uma alegria que se torna amarga
quando se perde a noite e, na manhã
de sol, se perde o anzol na linha larga.

Nem adianta, aí, mudar de isca,
cevar o poço e procurar no fundo:
o peixe da paixão é sombra arisca
na melhor pescaria deste mundo.

Ela não dura muito e, por ser peixe,
não dura na emoção, não dura nada:
se se perde no fundo, é sempre um feixe
de luz
         — alguma escama nacarada,
caco de vidro, areia no sol quente
que cintila e se apaga, de repente.

***************************************************************************************

PLURAL DE NUVENS

 

Se há um plural de nuvens e se há sombras

projetadas no texto das cavernas,

por que não mergulhar, tentar nas ondas

a refração dos peixes e das pedras?

 

Há sempre alguma névoa, um lado obscuro

que atravessa o poema.  Há sempre um saldo

de formas laterais, um como escudo

que não resiste muito a teu assalto.

 

Se alguma luz na contraluz se esbate,

se há curso dos dias sole e vento,

talvez na foz do rio outra cidade

venha no teu olhar amanhecendo.

 

Importa é ler de perto a cavidade

das nuvens e espiar os seus não-ditos:

o mais são armas para teu combate,

falsos alarmes para os teus sentidos.

 

 

DECLINAÇÃO

 

O mar não me levou:

                                   o meus cuidados

(o que era ruim /o que era bom demais)

ficaram por aí, pelos cerrados,

à sombra dos paus-terras de Goiás.

 

O mar não me lavou:

                                   meu corpo todo

tem as marcas da terra – o sol, o chão,

os cheiros doces dos quintais, do lodo,

e a febre do meu T nesta sezão.

 

Eu sou quem sou. Não me mudei. Mudou-me

uma parte da vida, mas foi sem:

não me levou nem me lavou,

                                               livrou-me

da danação de todo mal, amém.

 

(Se houver louvor aqui, se alguma luva,

qualquer pessoa a pode usar por mim:

a minha história é como um guarda-chuva

que a gente esquece,

                                  quando chega ao fim.)

 

 

 

CHÁ DAS CINCO

                                para Jorge Amado

 

Chá de poejo para o teu desejo

chá de alfavaca já que a carne é fraca

chá de poaia e rabo de saia

chá de erva-cidreira se ela for solteira

chá de beldroega se ela foge ou nega

chá de panela para as coisas dela

chá de alecrim se ela for ruim

chá de losna se ela late ou rosna

chá de abacate se ela rosna ou late

chá de sabugueiro para ser ligeiro

chá funcho quando houver caruncho

chá de trepadeira para a noite inteira

chá de boldo se ela pedir soldo

chá de confrei se ela for de lei

chá de macela se não for donzela

chá de alho para um ato falho

chá de bico quando houve fuxico

chá de sumiço quando houver enguiço

chá de estrada se ela for casada

chá de marmelo quando houver duelo

chá de douradinha se ela for gordinha

chá de fedegoso pra mijar gostoso

chá de cadeira para a vez primeira

chá de jalapa quando for no tapa

chá de catuaba quando não se acaba

chá de jurema se exigir poema

chá de hortelã e até amanhã

chá de erva-doce e acabou-se

 

(pelo sim pelo não

                               chá de barbatimão)

 

 

ANÚNCIO

 

1

Troco urgentemente uma secretária

eletrônica, 22ov, bastante conservada

    (motivo mudança de amor e domicílio),

por uma secretária invisível,

dessas que fazem desaparecer

tudo de repente:

                           colóquio de alquimistas

                           congressos de bruxas

                            reuniões de catedráticos

                            e até o I simpósio

                            de mulheres jubilosas.

 

Que seja loirena e diligente,

que seja meiga, sobretudo quando visível.

Que não se esqueça dos pequenos aniversários

(uma semana disso, um mês daquilo)

e os saiba comemorar condignamente

nalgum lugar secreto:

                                   ilha ou limbo

                                   beira de mar

                                   quarto de hotel

                                   fumaça de cachimbo.

Que seja também multilíngüe

para entender-me em todos os sentidos.

E que não perca nunca o seu charme

para me seduzir ou raptar-me

nas horas mais incríveis de solidão.

 

(Cartas para esta redação.)

 

2

Preciso urgentemente encontrar

minha secretária invisível

que se perdeu sexta-feira

em reuniões e telefonemas

e me deixou a ver navios.

 

Melhor: um submarino atômico

que entrou pelo rio e bombardeou

toda a cidade, virando-a

pelo avesso, como um absurdo

e até remoto cataclismo.

 

(Gratifica-se bem quem der notícia

a esta redação. Ou à polícia.)

 

 

ELIPSE

 

Vim descobrir o que ficou de elipse

e precisão,

o que se fez sucinto e reticente,

o inacabado do cabo Não.

 

Vim recolher esta úmida sintaxe

que foi além

e não poupou a rigidez da língua

que ficou sem.

 

E vim, não para ver, deixar a meio

fala e raiz:

vim extrair de ti a própria essência

do que não fiz. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

Encontro de Antonio Miranda e Gilberto Mendonça Telles em Goiânia, 13 de junho de 2017, no I Colóquio de Poesia Goiana, na Universidade Federal de Goiás. Na mesa, uma exposição de livros do poeta goiano Gilberto Mendonça Teles.

 


 

Antonio Miranda e Gilberto Mendonça Teles no 1° festival de Poesia de Goyaz
fotos: Juvenildo Barbosa Moreira

 

De

ARTE DE ARMAR
Rio de Janeiro: Imago Editora, 1977

 

RECEITA

 

Tome a palavra suja,

"cabeluda" e com c'aspas,

essa que tem açúcar

no sangue, e sobretaxa.

 

Tome a que, sendo escrava

da tribo e do tributo,

mostra no corpo as marcas

de lacre, logro e lucro.

 

Pode ser a de baixo

calão, a manteúda,

como opção, como cágado,

essa que se disputa

 

nas feiras, que é falada,

que é falida e que gruda,

tome a palavra chata,

tome a palavra chula

 

e bote tudo às claras

e gema e até misture

coisas de corpo e alma,

de vida e de cultura

 

e leve ao forno e passe

a forma na gordura,

depois coma e disfarce

os bigodes da gula.

 

 

ANULAÇÃO

 

Ocupar o espaço

contido na sombra,

ser o pó do espesso,

o vão da penumbra,

 

o dó sem começo,

o nó sem vislumbre,

o invisível traço

do não-ser: escombro.

 

Ser zero, ou nem isso:

 

letra morta, timbre

do vazio no osso.

 

Ser aquém do nome

— o só do soluço

de coisa nenhuma.

 

De
Gilberto Mendonça Teles
FALAVRA
Antologia poética
Seleção e Organização do Autor
Apresentação de Arnaldo Saraiva

 

FALAVRA

        
ai une maladie: jevois le langage.
             ROLAND BARTHES

I

Ainda sei da fala e dei da lavra
e sei das pedras nas palavras ásperas.
E sei que o leito da linguagem leixa
pedregulhos na letra.
                             É como o logro
da poeira na louça ou como o liso
nos baldios do livro.

 Ainda sei da língua e sei da linha
do luxo e suas luvas, amaciando
os calos e os dedais.
                            E sei da fala
e do ato de lavrá-las na falavra.

II

Divido a minha dívida nas letras
dos mais diversos câmbios de expressão.
No espaço um tanto ambíguo do meu giro
se cruzam e se ofertam capitais
dicções, contradições e perdigotos.

Há lucros e aluguéis na agiotagem
das comissões sem câmera e sem nada.
Há moras e demoras no recinto
mais amplo da linguagem.
                                      (Cada gesto
continua medroso, nomeando
os contornos das coisas que se deixam
recortar no prazer de sua essência
e miragem.)

Agora sei do timbre e sei da cãibra,
sei dos ritmos impostos, sei das taxas
e dos juros pesados de infl®ações.

Alguém rescinde agora o seu contrato
e vai amortizando a derradeira
epifania do universo.

 

TELES, Gilberto Mendonça.  Pássaro de pedra.  5ª. edição.   (Coleção Clássicos Goianos) Goiânia: Pronto Editora Gráfica, 2012.   96 p.  15x21 cm.   ilus.  ISBN 978-85-400-0677-5  “Prêmio Álvares de Azevedo da Academia Paulista de Letras”.  Col. A.M.

 

ESTRANHO

 

Em qualquer tempo,

o corpo agitava um gesto trémulo

na eventualidade das manhãs.

 

A face adivinhava o segredo do acaso

e se refletia lúcida

no espelho da tarde interminável.

 

Sem que soubesse o limite da vida

uma árvore floriu na sua eternidade

e seu olhar pousou na beleza das coisas.

 

Nos olhos

leva agora a esquiva sombra das imagens

do pássaro sem rumo.

 

Limpa de mágoa,

a noite se concentra no silêncio

e apenas uma estrela

desliza suavemente na memória.

 

 

ETERNIDADE

 

Mesmo de longe, alcanças

a sombra que percorre

o limite impreciso

onde termina o mundo

e principia o instante

das coisas inestáveis.

 

Mas sempre a estrela,

                                  branca

e longe,

               sob o céu,

o mesmo céu contínuo

e surdo, acompanhando

a agitação dos homens. 

 

TELES, Gilberto Mendonça.  Saciologia goiana. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília: Instituto Nacional do Livro – INL, 1982. 153 p. (Coleção Poesia Hoje, v. 53)  14x21 cm.  “ Gilberto Mendonça Telles “ Ex. bibl. Antonio Miranda “

 

LIÇÃO DE MÚSICA

Primeiro, aquele olhar de amor, os sons
se desdobrando na imaginação.
As chaves de metal abrindo mundos
no branco da paleta
e o veludo da noite modulando
a forma negro-azul da clarineta.

Depois, o sopro, o pretendido encanto,
a sensibilidade nada artística
do dente cariado
e a tristeza de ver o conteúdo
da glória de ser músico
para sempre adiado.

 

EPITÁFIO

— Ele não foi inteligente:
foi apenas muito esforçado.

— Ele não teve o senso da medida:
teve apenas oportunidades.

— Ele não teve profundidade filosófica:
teve apenas facilidades retóricas.

— Ele não teve nenhum reconhecimento:
teve apenas alguns amigos
e muita sorte.

Requescat in pace
(Requeste-o e passe).

 

TELES, Gilberto Mendonça.   Caixa de Fósforos.  Dedicatórias em versos – poemas circunstanciais 1955-1999.   São Paulo: Editora Giordano, 1999.  110 p.  12x18 cm. Col. A.M.

 

SACIOLOGIA GOIANA, 1982.

[ MÁRIO DA SILVA BRITO ]

Quem parte do minuto,
da linha do infinito
procurando o absoluto?
— Mário da Silva Brito.

Quem tem salvo-conduto
para furar o escrito
na cinza do charuto?
— Mário da Silva Brito.

Quem conhece o reduto
não da história, do mito,
e vai além do produto?
— Mário da Silva Brito.

No mais, no anacoluto
resta o breve delito
de enquadrar no estatuto
— Mário da Silva Brito.

 

[DARCY FRANÇA DENÓFRIO ]

Para Darcy e seu plural de nuvens,
para Darcy e seu cordel diário,
para Darcy no seu abril de julho,
no azul do céu do seu aniversário.

                    Rio, 21-7-90

 

TELES, Gilberto Mendonça.  Hora aberta. Poemas reunidos. 4ª. ed.   Organização Eliane Vasconcellos.  Petrópolis: Vozes, 2002.  1113 p.  14,5X21,5 cm.  capa dura.     ISBN 85-326-2755-2   Inclui poemas de livros anteriores e um inédito: “Arabiscos”.  Inclui também o estudo “A casa de vidro da linguagem”, por  Ángel Marcos de Dios, e no Apêndice estão a Cronologia do autor, Iconografia, Fortuna crítica, Bibliografia de e sobre o autor e um Índice dos títulos e primeiros versos da antologia. Col. A.M.   

 

HORA ABERTA

 

     Á LiNHA DA ViDA

 

A que, vísível, se interrompe

na palma da mão, decisiva:

a ultrapassagem do horizonte

pelo lado avesso da escrita.

 

     Á LINHA DO UNIVERSO

 

A que, invisível, se deleita

no olho sensual da fechadura:

a letra (aleph) eseupentelho

no espaco-tempo que se enruga.

 

E, anjo ou demônio, pinta o sete
mas tão relativo e medroso
que o som azul logo se perde
na linha de fundo do esboço.

 

 

ARABISCOS

 

Vai do lugar ao não-lugar

a refração que há neste afresco:

a linha indócil como o infarto

nas turvas ondas do arabesco.

 

Antes o espaço se faz hirto

no azul da concha do molusco

para o rabisco perseguir

o bruxuleio, o lusco-fusco.

 

Sol de formas a descoberto

que às vezes levamos conosco,

dele não nos resta sequer

o arranhol de um vidro fosco.

 

Nem a ocasião de um leve furo

(a malagueta no seu frasco)

disfarça o tom de calembour

na face neutra do fiasco.

 

No vário ritmo só a cor

disfarça o além do gesto arisco:

o mais é sombra, o corpo a corpo

no arabesco do arabisco.

 

 

TELES, Gilberto Mendonça.   Alvorada.  Goiânia: Asa Editora Gráfica Ltda, s.d.   109 p. 13,5x18,5 cm.  Inclui, ao final, uma “fortuna crítica”.  Edição fac-similar.  “ Gilberto Mendonça Telles “ Ex. bibl. Antonio Miranda “

 

flamboyants

 

Eu não cantei ainda os flamboyants floridos,

          Alegres, majestosos, multicores,

          Que, ao vir da primavera, embevecidos,

Policromos, sensuais, adornam-se de flores.

 

E, enfileirados, vão, floridos e felizes,

          Balouçando a ramagem espontânea,

 Como saudando, a rir, em rútilos matizes,

          As amplas avenidas de Goiânia.

 

E nas quentes manhas de setembro c. de outubro,

          Quando o vento lhes beija as franças, no alto,

Sussurram, musicais, despetalando o rubro

          Véu de flores vermelhas pelo asfalto.

 

Uma a uma, gozando os afagos eóleos,

          Oscilai e treme, e cai serenamente.

Em breve, o asfalto está como manchado de óleos,

—Atapetado aprimoradamente.

 

......................................................................

 

Mas eu vos canto agora, ó flamboyants floridos!

          Pois vejo que os meus sonhos e ilusões

          São como as flores tuas - coloridos,

Vão murchando, e caindo, ao vir das estações.

 

 

TELES, Gilberto MendonçaPlural de nuvens.  Rio de Janeiro: José Olympio Editora,  1990. V94 p.  14x21 cm.   Bibliografia de e sobre o autor.   Capa: Joatan Souza da Silva.  ISBN 85-03-00331-7   Gilberto Mendonça Teles “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

TELES, Gilberto Mendonça.  Plural de nuvens.  Porto, Portugal: Gota de água. 1984.  110 p.  14x20 cm.  Contracapa com apresentação de Tristão de Athayde, texto extraído do Jornal do Brasil, 22-6-78. “ Gilberto Mendonça Teles “ Ex. bibl. Antonio Miranda.


HISTÓRIA

Toda história tem seu texto,
tem seu pretexto e pronúncia.
Tem seu remorso, seu sexto
sentido de arte e denúncia.

Tem um sujeito que a escolhe,
que se encolhe e se confunde:
um lugar que sempre a tolhe,
qui tollis peccata mundi.

Tem sua forma em processo,
tem seu recesso e cansaço,
e tem seu topo de excesso
no ponto extremo do escasso.

Tem sua língua felpuda,
a voz aguda e afetada.
E tem a essência que muda
e permanece, calada.

Toda história tem seu preço,
tem seu começo e seu dito.
É só virar apelo avesso,
ler o que está subscrito.
 

  

TELES, Gilberto MendonçaNo escuro da pronúncia.  Goiânia, GO: Instituto Centro-Brasileiro de Cultura, 2009.  66 p.  14x21 cm.  O livro está revestido por um envelope (capa dura) contendo um CD com a gravação da voz do poeta lendo 55 poemas, feita em 2008. Patrocínio da Agência Goiana de Cultura/ Governo do Estado de Goiás. “ Gilberto Mendonça Teles “ Ex. bibl. Antonio Miranda.


A DURAÇÃO

Durar é madurar uma forma
de vida inconclusa no ventre
da fruta: é a fruta roída
por si mesma,
                     constante.

O duro somente dura
seu minério e ferrugem:
no êxito de ser se esteriliza
todo sinal de permanência.

Todo corpo se limita
no seu círculo de lendas
e toda sombra apenas resiste
à travessia da memória.

É pela duração das coisas
que o tempo mais se desvia
para dentro do nome:
só o nome se transmite
e se enlaça,
                  durante.

 

TELES, Gilberto Mendonça.  Poemas reunidos.  Prefácio de Emanuel de Moraes. Rio de Janeiro, RJ: Livraria José Olympio Editora; Brasília, DF: Instituto Nacional do Livro – INL, 1978.   307 p.  cm.   Frontispício: bico de pena de Amaury Menezes [retrato].  Capa: Eugênio Hirsch.  “ Gilberto Mendonça Teles “ Ex. bibl. Antonio Miranda  


HORA ABERTA

Sou pontual assim como quem joga
uma pedra no mar.

Assim como quem bate na janela
e espera no jardim o acontecer.

Sou pontual assim como quem lança
uma canção no rosto desdobrado
de quem chega.

No mais, sou pontual na complacência
de um deus oculto que boceja
na hora aberta a sussurros e prodígios
da vida acontecendo.
                               E que não basta.

            

O SINAL

Unidas às palavras, as coisas
nos agridem pelo seu lado neutro
e se ocultam sob formas espessas
reunidas no oco da noite.

Por impreciso, cada gesto se repete
e se adensa, concreto. Cada sopro
divulga na planície seus volumes
de nada. E cada timbre enuncia
um esmeril no lingote da fala.

Ambíguo e transparente, o sinal
emerge da raiz e se crava nos lábios,
conciso: prego nas quinas do tempo
ou refração no verde da piscina
onde a luz se distrai,
                              porosa e livre.

 

TELES, Gilberto Mendonça. & Cone de sombras.  São Paulo, SP: Massao Ohno Editor, 1995.  141 p.   cm.  Capa: Escrita, gravura de Selma Dalfre.“ Gilberto Mendonça Teles “ Ex. bibl. Antonio Miranda


EXERCÍCIO PARA MÃO ESQUERDA

                    Para Iva Moreinos

          Um dia descobri que a mão esquerda
          era mais emotiva e mais ausente:
          dedilhava por dentro o que era perda
          e sondava por fora o inexistente.

          E descobriu que quanto mais isento
          o acorde se tornava, e delicado,
          tanto mais se ordenava o movimento
          da música de fundo no teclado.

          E viu-se de repente entretecido
          no mais difícil, no desvão do espaço,
          quando as notas colhiam se sentido
          nas formas invisíveis do compasso.

          Sentiu-se solidário na partida
          e chorou solitário na aventura,
          como se em cada coisa a própria vida
          se lhe escapasse numa partitura.

          E foi aí que se sentiu restrito,
          que se fez de silêncio e de resvalo:
          a mão esquerda desdobrava o mito
          e dedilhava as sombras do intervalo.

 

TELES, Gilberto MendonçaNominais. Poemas.  Guarapari, ES: Nejarim, 1993.  117 p.  cm.   “ Gilberto Mendonça Teles “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

SINTAGMAS

 

Língua de boi

língua de vaca

língua de todos

os animais.

 

Língua de sogra

língua de sabre

língua de sobra

língua de mais.

 

Língua de menos

língua de palmo

língua de extremos

universais

 

Língua de ouro

língua de prata

língua de forças

eventuais.

 

Língua de trapos

línguas de tropos

língua de loucos

originais.

 

Língua de igreja

língua do língua

língua de trava

língua geral.

 

Língua do tempo

língua do exílio

língua do exemplo

língua da vida

 

Língua do poema

duro como íngua

que só lateja

enquanto míngua

 

na fala e lambe

a língua oca

que pende

                    langue

do céu da boca.

 

 

TELES, Gilberto MendonçaHora Aberta.          Rio de Janeiro: José Olimpio Editora; Pró-Memória-INL, 1986.   589 p.  “Gilberto Mendonça Telles “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

ENTRE O SER E O NOME

 

Não há poesia fora do nome e do ser

que o condensa e contorna silencioso.

Até o timbre de uma sílaba me excita

à sensação da trajetória interior.

 

Há memórias noturnas que comandam

a dádiva das coisas. Há sortilégios

esvoaçantes e horas que acumulam

o inteiro lusco-fusco da linguagem.

 

E aí tudo é possível. E se entrelaçam

o gesto de conter-se e o trasladar-se

para além da paisagem, no castelo

em que te faz rainha, em que te deixas

 

penetrar como um signo e seu desígnio.

sua lição de força e majestade,

ressonâncias de flautas nos cabelos,

perfume violentrando a sombra do papel.

 

 


TELES, Gilberto Mendonça.   Teologia de bolso.  Seleção e posfácio de José Fernandes.   2ª edição aumentada.  Goiânia, Editoral Kelps. Editora UCG, 2009.   142 p.   15x21 cm.   

 

PITORESCO

 

A Dulce

 

Pitoresco é tudo isso: 

o ribeirão Suçuapara banhando os quintais

o cheiro do São José nas macegas das várzeas

o rumor dos buritis seguindo o curso d'água

o nome da cidade escandindo os horizontes

e o alfabeto das borboletas inventando

uma escrita de amor no pé de jabuticaba.

 

Bem perto, os cavalos pastavam

alguns segundos da eternidade.

Mas os olhos azuis da prima

continuam nesta rima.

 

 

DE BICO

 

            Para Milda e Telles

 

Por sorte ou por azar

é minha vez de jogar:

 

Preparo o taco, negaceio.

e canto o jogo num segundo:

— Bola 7 na caçapa do meio.

— Bola 5 na caçapa do fundo.

 

Sou o artista que lança o verossímil

da jogada mais rara e mais difícil.

 

Mas quanto mais entusiasmado fico

mais me vejo na arapuca

de uma sinuca

de bico.

 

TUDO de e sobre Gilberto Mendonça Teles está neste volume de 811 páginas, contendo seus poemas, teses, textos críticos e também a vasta “fortuna crítica” sobre o autor. Lógico, “tudo” até 2007, celebrando os 50 anos de sua produção literária, mas ele continua ativo e sempre atualizado:


TELES, Gilberto Mendonça.  A Plumagem dos nomes: Gilberto 50 anos de literatura / Eliane Vasconcellos, org.  Goiânia: Kelps, 2007.  812 p.   ilus.  p&b  capa dura sobrecapa 
“ Gilberto Mendonça Teles “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

O Prof. Dr. José Fernandes, da Universidade Federal de Goiás, é autor de vários livros sobre o poeta, sendo este um dos últimos:

[ TELES, Gilberto Mendonça ] FERNANDES, José.  O Selo do poeta.  Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2005.  351 p. 
“ Gilberto Mendonça Teles “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

SISTEROLLI, Maria Luzia dos SantosDa Lira ao Ludus: travessia: leitura da poética de Gilberto Mendonça Teles.  São Paulo: Ammablume, 1998.  230 p.  ISBN 85-85596-98-8  10,5X18 cm.  Ex. bibl. Antonio Miranda

GILBERTO: 40 ANOS DE POESIA.  Org. Joaquim Francisco Coelho et. al.  Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 1999.  24l8 p.  14x21 cm.   Exposição e Seminário sobre a obra de Gilberto Mendonça Teles realizados pelo Centro Acadêmico do Departamento de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, em dezembro de 1995.  Ex. bibl. Antonio Miranda

DENÓFRIO, Darcy França.  O Redemoinho do lírico. Estudos sobre a poesia de Gilberto Mendonça Teles.  Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2005.   ISBN 85-326.3174-6  Ex. bibl. Antonio Miranda

DENÓFRIO, Darcy França.  Poesia contemporânea – G.M.T. – o regresso às origens. Prefácio de José Fernandes.  Porto Alegre: Acadêmica, 1987.  96 p.  11x20,5 cm.  Capa: Maurício.  “ Gilberto Mendonça Teles “ Ex. bibl. Antonio Miranda

DIAS, Valdeides Cabral de Araújo.  O corpo erótico na poesia de Gilberto Mendonça Teles.  Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2009.  108 p.  14x21 cm.  ISBN 978-85-7749-058-5  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

XAVIER, Therezinha Mucci, org.  Fortuna crítica de Saciologia goiana. Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2011.  168 p. (Coleção “Ensaio” volume 150   14x21 cm.  ISBN 978-85-7749-110-0   “ Gilberto Mendonça Teles “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

DIAS, Valdeides Cabral de Araújo.  O retórico silêncio. Natal, RN: EDUFRN, 2013.  132 p.  15x22 cm.    ISBN 978-85-425-0065-3  Pesquisa acadêmica (dissertação de mestrado) sobre a obra do poeta goiano Gilberto Mendonça Teles. Ex. bibl. Antonio Miranda

 

NÚBILE, Marília.  A Carnavalização da poesia (Estudo da poesia de Gilberto Mendonça Teles). São Gonçalo, RJ: Universo – Universidade Salgado de Olivieira, 1998.    140 p.  14x20 cm.  “Prêmio”José Décio Filho”, da União Brasileira de Escritores, Seção de Goiás, em 1993”.  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

Imagem extraída  de

DIAS-PINO, Wlademir.  A lisa escolha do carinho (Rio de Janeiro: Edição Europa, s.d.  
20,5x20,5 cm.  33 f. ilustradas  (Coleção Enciclopédia Visual).   Inclui versos de  poetas brasileiros


TEXTOS EN ESPAÑOL

 

TELES, Gilberto Mendonça.  La palabra perdida.  Selección y traducción de Gaston Figueira.  Montevideo: Barreiro y Ramos S.A., 1967.  96 p. (Colección Equinoccio)   11,5x18 cm.   N. 06 452

 

CANCIÓN DE DIFUNTOS

 

No seremos inútiles.

                                Un día

conduciremos lenguas de fuego

y por las calles yermas, en los árboles

y muros impedidos de carteles,

dejaremos grabado otro mensaje

que nunca osamos descifrar.

 

No seremos inútiles.

  Un gesto

conducirá millares de criaturas

a la tierra de nadie, prometida.

Los hombres, de rodillas, inventarán

posibles pastorales para el campo

naciendo como dádiva futura

de la mañana ahora irreverente.

 

No seremos inútiles.

                                Seremos

así como pasaran nuestros padres:

manos abiertas, a pedir, mas dando;

ojos cerrados, a llorar, mas riendo.

Y dejaremos sueños y simientes

y un canto de alegría en los diarios.

 

 

 

SONETOS DEL INCONTENTADO

 

                     I

 

No conozco tu nombre. Sé que existes

fuera de mí, en algún lugar extraño,

donde no llegan los clamores tristes

de quien perdió en el tiempo su rebano.

 

Te presiento en el ritmo de la vida,

te veo en el abismo de mi duelo.

Mas la luz del amor no fue extinguida

en el diluvio en que perdí mi anhelo.

 

Y vives en las tardes, tras los montes,

incendiando los ríos de horizontes

y ampliando frustración en frustración.

 

Sólo yo y el amor te conocemos

en esta larga angustia, en los extremos

de la espera sin viento y dirección.

 

 

 

LOS ARROZALES

 

Los arrozales gritan sus instantes

de pájaros

                    y ondulan

                                       el oro vivo de sus racimos.

 

¿Tienen alma los arrozales

o habitan en el paisaje

cual un viento bien manso,

o perro ovejero

esciente de su olfato

y ondulación?

 

¿Son plantas o son piedras en el terreno?

¿Son gestos de quien manda o provisorias

manos desprendiéndose?

 

¿Qué saben del silencio de los que mueren

y de la lengua de los huérfanos,

tan secreta y seca?

 

¿Acaso se molestan en enmohecerse

en las trojes o perderse como restos

de familias hacendadas?

 

Los arrozales son cuerpos de niño

creciendo.

                    Tienen espinas y huesos

y cabellos en el viento.

                                       Y sobre todo

tienen la belleza viva de sus racimos

y el tiempo que promete sus instantes

de pájaro.

 

TELES, Gilberto Mendonça.  Aprendizagem de um romântico inveterado. Goiânia:
Editora Kelps, Editora PUC Goiás, 2011.  “ Gilberto Mendonça Teles “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

EXERCÍCIO

 

Yo me acuerdo de ti cuando los vientos

moven sus alas, como el ave ai cielo,

me ensenândo con músico consuelo

a descarte en todos los momentos.

 

Y cuando, ante mis ojos sonolientos,

abre Ia soledad su blanco velo,

yo te miro lucir, alma de hielo,

entre Ias nóches de mis pensamientos.

 

Te siento junto a mi, junto a mi vida,

cantando una cancion enternecida,

hablándome de amor com tal carino,

 

que olvido mis pesares y mi pecho

transfórmase en sonrisa y, satisfecho,

juega feliz como se fuera un nino.

 

CAMPINAS, 7.4.1954.

 

 

Salomão Sousa, Goiandira Ortiz de Camargo , Gilberto Mendonça Teles e Antonio Miranda no evento I Colóquio de Poesia Goiana, Junho de 2017.

 

 

BIBLIOGRAFIA DE
GILBERTO MENDONÇA TELES

 

 

TELES, Gilberto Mendonça.  Ágora – De pensamento e arte.  s.l.: 2009.  30 p.  Folheto
feito em impresso digital , relativa a evento na Casa de Cultura Laura Alvim, Rio de
Janeiro, em 19 de março de 2009, contendo um texto de Ricardo (“A escrita poética
de Gilberto Mendonça Teles”), organizador, a “Bibliografia de GMT” e uma seleção de
poemas do autor. Edição restrita, limitada.  N. 06 416
TELES, Gilberto Mendonça.  Os Álibis do Amor: A tradução de alguns poemas de
Gilberto Mendonça Teles.
  Edição bilíngue Português-Inglês. Organização e
tradução de William Valentine Redmond.
The Alibis of Love: the translation of some
poems …Bilingual edition Portugues – English.
Organização e tradução de William
Valentine Redmond.  Juiz de Fora, MG: Editar Editora Associada Ltda, 2017.  260 p. 
15x22 cm.  ISBN 978-85-7851-163-0   N. 09 3396
TELES, Gilberto Mendonça.   Alvorada.  Goiânia: Asa Editora Gráfica Ltda, s.d.   109 p.
Edição fac-similar.  N. 02 873
TELES, Gilberto Mendonça.  Amor e Poesia.  Antologia Poética.   Ver: Poemas
reunidos..
TELES, Gilberto Mendonça.  Aprendizagem de um romântico inveterado. Goiânia:
Editora Kelps, Editora PUC Goiás, 2011.  N. 03 315
TELES, Gilberto Mendonça.  Arte de Armar.  2ª. Edição.  Rio de Janeiro: Imago Editora,
1977.  91 p.   (Série Poesia Imago. Direção Jaime Salomão). Posfácio: “Anotações
sobre A arte de Armar, por Jayme Paviani.  N. 08 396
TELES, Gilberto Mendonça.   Caixa de Fósforos.  Dedicatórias em versos – poemas
circunstanciais 1955-1999.   São Paulo: Editora Giordano, 1999.  110 p.  12x18 cm.
N. 06 414
TELES, Gilberto Mendonça.  Caixa de fósforo II. Dedicatórias em Versos. Poemas
circunstanciais. /De 1964-2019/   Organização,Montagem e Editoria Jean Carlos
Gomes
. Volta Redonda, RJ: Gráfica Drummond, 2019.  86p.  15 x 21 cm.  Capa: 
Eduardo Ávila.  N. 09 864
TELES, Gilberto Mendonça.  Camões e a poesia brasileira.  2ª ed.  São Paulo: Quíron;         
Brasília: INL, 1976.  315 p.  13x22,5 cm.   Inclui bibliografia. N. 04 546
TELES, Gilberto Mendonça.  50 Poemas escolhidos pelo autor.  Rio de Janeiro: Edições
Galo Branco, 115 p.    autografado.  N. 02 874
TELES, Gilberto Mendonça.  Contramargem – II. Estudos de Literatura.  Goiânia: Edit.
da UCG, 2009.   532 p.  ilus.   N. 02 920
TELES, Gilberto Mendonça.  Discursos paralelos: a crítica dos prefácios.   Goiânia:
Instituto Brasil de Cultura, 2010.   708 p.   N. 02 858
TELES, Gilberto Mendonça.  Drummond -  a estilística da repetição.  Prefácio do Prof. Otho
Moacyr Garcia.  Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1970.  209 p.  N. 04 547
TELES, Gilberto Mendonça. & Cone de sombras.  São Paulo, SP: Massao Ohno Editor, 1995. 
141 p.   cm.  Capa: Escrita, gravura de Selma Dalfre.  N.  08 410

TELLES, Gilberto Mendonça, organização, introdução e notas.  Defesa da poesia. Da
Antiguidade à Idade Média.
  Brasília, DF: Senado Federal, Conselho Editorial,
2017.  384 p.  (Edições do Senado Federal, vol. 241)  16x23 cm 
ISBN 978—85-7018-831-1   N. 09 470

TELES, Gilberto Mendonça.  ESTRÊLA D´ALVA.  POEMAS.   Goiânia: Editora Brasil Central Ltda, 1956.   78 p.  13 x 17,5 cm.  


TELES, Gilberto Mendonça.  Estudos de Poesia brasileira.  Coimbra: Livraria Almeida,
1985.  382  N. 02 882
TELES, Gilberto Mendonça.  Estudos goianos II:  A crítica e o princípio do prazer. 
Goiânia: Editora da UFG, 1995.   V. 1,  444 p.   (Col. Documentos goianos, 27)  N. 02 914
TELES, Gilberto Mendonça.  Falavra. Antologia poética.  Lisboa:  Dinalivro,  148 p. 
(Autores brasileiros)  N. 02 877)
[ TELES, Gilberto Mendonça ] GILBERTO: 40 ANOS DE POESIA.  Org. Joaquim Francisco
Coelho et. al.  Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 1999.  24l8 p.  14x21 cm.  
Exposição e Seminário sobre a obra de Gilberto Mendonça Teles realizados pelo
Centro Acadêmico do Departamento de Letras da Pontificia Universidade Católica do
Rio de Janeiro, em dezembro de 1995.  N. 02 915 
TELES, Gilberto Mendonça.  Hora Aberta.             Rio de Janeiro: José Olimpio Editora; Pró-   Memória-INL, 1986.   589 p.  Autografo  p/autor.   R$ 27,      N. 00 078
TELES, Gilberto Mendonça.  Hora aberta. Poemas reunidos. 4ª. ed.   Organização Eliane
Vasconcellos.  Petrópolis: Vozes, 2003.  1113 p.  14,5X21,5 cm.  capa dura.   ISBN
85-326-2755-2  N. 06 415
TELES, Gilberto Mendonça.  & Cone de Sombras.   São Paulo: Massao Ohno, 1995.   141 p.    R$ 8,60    N.  00 814
TELES, Gilberto Mendonça.   Improvisuais.  Goiânia: PUC=GO, 2012.   150 p.  ilus.
(Coleção Goiana em Prosa e Verso)   22x20 cm.  Capa dura.   ISBN  978-85-8106-
286-0 Capa: Laerte de Araújo Pereira.  Projeto editorial: Vinicius Duque Estrada
Vargas, Pedro Breda.  N. 06 197

TELES, Giberto Mendonça. Improvisuais: poemas visuais. Goiania, PUC-GO; Kelps2012. 150 p. ilus. col. (Coleção Goiana em Prosa e Versos) ISSN 978-85-8106-286-0 CDU 821-134-3(81)-1. No. 10 121
TELES, Gilberto Mendonça.   Linear GPoemas 2002 – 2009. São Paulo: Hedra, 2010. 
149 p.   autografado   N. 02 850
TELES, Gilberto Mendonça.  Lirismo rural. O Sereno do Cerrado. Rural lyricism. Our
Sereno from Cerrado. 
Tradução e notas Carol Piva. Translated from the
Portuguese and with note by Carol Piva.  Rio de Janeiro: Batel, 2017.   216 p. 
12,5 x 19,5 cm. Capa Mariana BarbosaISBN 978-85-99508-88-6   N. 09 441
TELES, Gilberto Mendonça.  Lugares imaginários.  Antologia poética bilíngue. Seleção e
prefácio Petar Petrov.  [Sofia: 2005]  174 p. Texto em português e búlgaro.  N. 02 881

TELES, Gilberto Mendonça.  Os melhores poemas de Gilberto Mendonça Teles.  Seleção
de Luiz Busatto.  3ª edição. São Paulo, SP: Global Editora, 2001,  189 p. (Os
melhores poemas, 27. Direção Edla van Steen)    cm.  ISBN 978-85-260-0326-7 
N.  08 408
TELES, Gilberto Mendonça.  No Escuro da pronúncia.   Goiânia: Instituto Centro Brasilieiro     de Cultura/Casa Brasil, 2009.  65 p.  Inclui livro & CD com voz do autor. R$13,50 
N. 01 468
TELES, Gilberto Mendonça.  Nominais. Poemas.  Guarapari, ES: Nejarim, 1933. 
120 p.
N. 02 875
TELES, Gilberto Mendonça.  La palabra perdida.  Selección y traducción de Gaston
Figueira.  Montevideo: Barreiro y Ramos S.A., 1967.  96 p. (Colección Equinoccio)  
11,5x18 cm.  
N. 06 452
TELES, Gilberto Mendonça.  Pássaro de pedra.  5ª. edição.   (Coleção Clássicos Goianos)
Goiânia: Pronto Editora Gráfica, 2012.   96 p.  15x21 cm.   ilus.  ISBN 978-85-400-
0677-5  “Prêmio Ávares de Azevedo da Academia Paulista de Letras”.  N.06 453
TELES, Gilberto Mendonça.  A Plumagem dos nomes: Gilberto 50 anos de literatura /
Eliane Vasconcellos, org.  Goiânia: Kelps, 2007.  812 p.   ilus.  p&b  capa dura
sobrecapa  N. 02 886

TELES, Gilberto Mendonça.  Plural de nuvens.  Rio de Janeiro: José Olympio Editora,
1990. V94 p.  14x21 cm.   Bibliografia de e sobre o autor.   Capa: Joatan Souza da
Silva.  ISBN 85-03-00331-7   N. 08 415
TELES, Gilberto Mendonça.  Plural de nuvens.  Porto, Portugal: Gota de água.
1984.  110 p.  14x20 cm.  Contracapa com apresentação de Tristão de
Athayde, texto extraído do Jornal do Brasil, 22-6-78. N.   08 407
TELES, Gilberto Mendonça.  Plurale di nuvole. Antologia poetica a cura di Giovanni
Ricciardi. Traduzione e note Carmen Pugliuca.   Plural de nuvens. Antologia
poética
.  Napoli: Liguori, 2006.  25 p.  11X19 CM.  ISBN 88-207-3934-8   N. 06 422
TELES, Gilberto Mendonça.  Poemas reunidos.  Prefácio de Emanuel de Moraes. Rio de
Janeiro, RJ: Livraria José Olympio Editora; Brasília, DF: Instituto Nacional do Livro –
INL, 1978.   307 p.  cm.   Frontispício: bico de pena de Amaury Menezes [retrato].
Capa: Eugênio Hirsch.  N. 08 409
TELES, Gilberto Mendonça.  Poemas reunidos.   2ª ed.  Rio de Janeiro: Livraria José
Olympio Editora, 1979. 
306 p.   N. 02 721
TELES, Gilberto Mendonça.  La Poesia brasileña en la actualidad. 
Montevideo: Editorial      Letras, 1969.   131 p.    N. 01 633
TELES, Gilberto Mendonça.  Retórica do silêncio, I: teoria e prática do texto literário.       Rio de Janeiro: José Olympio, 1989.   394 p   N. 02 916
TELES, Gilberto Mendonça.  Saciologia goiana. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira;
Brasília: Instituto Nacional do Livro – INL, 1982. 153 p. (Coleção Poesia Hoje, v. 53)
N. 08 397
TELES, Gilberto Mendonça.  Saciologia goiana.  4ª ed. revista e aumentada. Goiânia:
AGEPEL, 2001.  193 p.  (Col. José J. Veiga)   N. 02 876
TELES, Gilberto Mendonça.  Saciologia goiana. 7ª. edição.  Goiânia: Kelps, 2013.  180 p. 
ilus. (Coleção Anápolis em Prosa e Verso)  ISBN  978-85-400-0773-4 n. 06 233
TELES, Gilberto Mendonça.  No Santuário de Cora Coralina.  3 ed.  Goiânia: Kelps, 2003.      112 p.  N. 01 732
TELES, Gilberto Mendonça.  Sortilégios da criação.  Rio de Janeiro: Edições Galo Branco,
2005.  76 p. 
14x21 cm.   ISBN 85-86276-78-2  N. 06 451
TELES, Gilberto Mendonça.  La Syntaxe invisible e L´Animal.   Trad. Catherine Dumas et
Christine Choffey. 
Paris: Éditions Caractères, 2006.   120 p.   N. 02 853
TELES, Gilberto Mendonça.   Teologia de bolso.   2ª edição aumentada.  Goiânia, Editoral
Kelps. Editora UCG, 2009.   142 p.   N. 02 883
TELES, Gilberto Mendonça. O terra a terra da linguagem - seis livros de poesia. Rio de      Janeiro, RJ: Editora Batel, 2017.  640 p.  15,5x23 cm.  ilus. foto. Capa: Julio Lapene. 
Inclui os livros: Saciologia goiana (1982), Plural de nuvens (1986), Cone de Sombras
(1995), Álibis
(2000), Linear G (2010), Brumas do silêncio (2013), e sete poemas de
Improvisuais  (2012) e alguma crítica sobre as obras e autor.   N. 09 447
TELES, Gilberto Mendonça.  Vanguarda européia e modernismo brasileiro.           Apresentação crítica dos principais manifestos vanguardistas.  5a. ed.  Petrópolis: 
Vozes, 1978.  384 p.  N. 01 325
TELES, Gilberto Mendonça.  Vanguarda europeia & Modernismo brasileiro.
Apresentação e crítica dos principais manifestos vanguardistas, de 1857 a 1972.
19ª. ed. rev. e aumentada.  Petrópolis, RJ: Editora Vozes,2009.   638 p.

TELES, Gillberto Mendonça; MÜELLER-BERGH, Klaus.  Vanguardia latinoamericana.
Tomo I, México y América Central. 
Madrid: Iberoamericana, 2000.  359 p  
15 x 22 cm.   No. 10 054

TELES, Gillberto Mendonça; MÜELLER-BERGH, Klaus.  Vanguardia latinoamericana. Tomo II, Caribe, Antillas Mayores y Menores.  Madrid: Vervuert             Iberoamericana, 2002.  285 p.    ISBN 978-84-8489-044-9   
TELES, Gilberto Mendonça;  MÜLLER-BERGH, Klaus.  Vanguardia latino-americana –
Historia, crítica y documentos.
Tomo VI, Brasil. 
Madrid, España: 
Iberoamericana; Frankfurt am Main: Vervuert, 2015.  321 p.  N, 09 388
[ TELES, Gilberto Mendonça ] DENÓFRIO, Darcy França.  O Redemoinho do lírico. Estudos
sobre a poesia de Gilberto Mendonça Teles. 
Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.  369 p.
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[ TELES, Gilberto Mendonça ] DIAS, Valdeides Cabral de Araújo.  O corpo erótico na
poesia de Gilberto Mendonça Teles.
  Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2009.
108 p.  14x21 cm.  ISBN 978-85-7749-058-5  N. 06 419
[ TELES, Gilberto Mendonça ] DIAS, Valdeides Cabral de Araújo.  O retórico silêncio.
Natal,   RN: EDUFRN, 2013.  132 p.  15x22 cm.    ISBN 978-85-425-0065-3
Pesquisa acadêmica sobre a obra do poeta goiano. N. 06 379
[ TELES, Gilberto Mendonça ] FERNANDES, José.  A linear do ponto G.   Goiânia, GO:
Kelps, 2011.   44 p.  Capa: Carlos Augusto Tavares.   N. 02 880 
[ TELES, Gilberto Mendonça ] FERNANDES, José.  A Linear do Ponto G.  Goiânia: Editoral
Kelps, 2001.   42 p.   N. 02 880
[ TELES, Gilberto Mendonça ] FERNANDES, José.  O Poeta da Linguagem.  Rio de Janeiro:     Presença, 1983.   157 p.   R$ 9,    N. 01 878
[ TELES, Gilberto Mendonça ] FERNANDES, José.  O Selo do poeta.  Rio de Janeiro: Edições
Galo Branco, 2005.  351 p.  n. 08 382
[ TELES, Gilberto Mendonça ]  GALLI, Ubirajara, org.  ANTOLOGIA Prêmio Nacional de
Poesia Gilberto Mendonça Teles.
  Goiânia: PUC/GO; Kelps, 2012.  102 p. (Coleção
Goiânia em Prosa e Verso)  ISBN 978-85-8106-274-7  Inclui os vencedores do
concurso. N. 06 418       
[ TELES, Gilberto Mendonça ]  Gilberto: 40 anos de poesia / Joaquim Francisco Coelho, et.
al.  Rio de Janeiro: Galo Branco, 1999.  248 p.  ilus.    N. 02 015
[ TELES, Gilberto Mendonça ]  Hommage à Gilberto Mendonça Teles. Poète, universitaire,
essayiste.  Sarau póetico. Conférence par Eliane Vasconcellos.  Lille, France: Centre
José Saramago, Centre de Langue Portugaise, 2008. s.p.  15x21 cm.   Inclui discurso
de Olinda Kleiman e uma selação de poemas do homenageado em português e
traduções ao francês.   Impressão digital, folheto grampeado, circulação restrita.
(EA)  N. 06 424
[ TELES, Gilberto Mendonça ] NÚBILE, Marília.   A Carnavalilização na Poesia.  (Estudo
da poesia de     Gilberto Mendonça Teles).
  NÚBILE, Marília.  Goiânia: Universo,
1998.   140 p. N. 02 878
[ TELES, Gilberto Mendonça. ] RICCIARDI,  Giovanni, org.  Biografia e Criação literária.
Vol. 4
: Entrevistas com  escritores de Goiás.  Org. José Fernandes.  Goiânia:
Kelps,  2009.   542 p.   c/CD    N. 01 828
[ TELES, Gilberto Mendonça ]  SOUZA, Rosemary Ferreira de. Poesia e crítica: Trilogia
poética de Gilberto Mendonça Teles.
   Goiânia, GO:  Kelps, 2015.  217 p. 
15x21 cm.  N. 08 913
[ TELES, Gilberto Mendonça ]   VI SEMANA POÉTICA:  Gilberto Mendonça Teles. 
Carlisle, PA: Dickinson College, s.d.   s.p.  14x21 cm.  Inclui uma selação de poemas
do homenageado em português e traduções ao inglês por William V. Rendom.
Impressão digital, exemplar grampeado, edição limitada.  (EA)  N. 06 425
[ TELES, Gilberto Mendonça. ]  SISTEROLLI, Maria Luzia.  Os álibis da Hora Aberta.
Intertextualidades.
 Rio de Janeiro: Edições Galo Branco,  2005.  224 p. (Coleção
“Ensaio”, v. 9)   14x21 cm.  ISBN  85-86276-76-6  N. 06 241
[ TELES, Gilberto Mendonça ] TURCHI, Maria Zaira.   Homengem - Gilberto Mendonça
Teles: 80 anos de vida e de poesia.
   Goiânia: Rede Goiana de Pesquisa em
Leitura e Ensino de Poesia; Rede Goiana de Pesquisa em Leitura: Imaginários
Sociais, Formação de Leitor e Cidadania; Cátedra UNESCO de Leitura da PUC-Rio,
2011.   12 p.  12,5x21 cm..   folheto grampeado, edição limitada, duante o
Seminário Internacional de Políticas e Práticas de Leitura; V Encontro Internacional
da Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio, Goiânia, 13-16 setembro 2011. N. 06 426
[ TELES, Gilberto Mendonça. ]  XAVIER, Therezinha Mucci, org.  Fortuna crítica de
Saciologia goiana
. Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2011.  168 p. (Coleção
“Ensaio” volume 150   14x21 cm.  ISBN 978-85-7749-110-0   n. 06 420

TELES, Gillberto Mendonça; MÜELLER-BERGH, Klaus.  Vanguardia latinoamericana. Tomo I, México y América Central.  Madrid: Iberoamericana, 2000.  359 p   15 x 22 cm


Dedicatória e autógrafo de GILBERTO MENDONÇA TELES:

 

 

 

 

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Página ampliada e republicada em outubro de 2020; Página ampliada e republicada em janeiro de 2021
                          


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