Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Brazilian Poetry

 

GILBERTO MENDONÇA TELES


Gilberto Mendonca Teles was born in Goiàs, Brazil. He is an expert in Neo-Latin literature, holds a PhD in literature and teaches Brazilian Literature. He has published fourteen books of poetry andten on literary criticism. He has received numerous prestigious literary prizes, among them, in 1989, for his complete work, the Machado de Assis award, given by the Academy of Brazilian Letters.

 

All translations into English by William V. Rendom

 

[ TELES, Gilberto Mendonça ]   VI SEMANA POÉTICA:  Gilberto Mendonça Teles.  Carlisle, PA: Dickinson College, s.d.   s.p.  14x21 cm.  Inclui uma selação de poemas do homenageado em português e traduções ao inglês por William V. Rendom. Impressão digital, exemplar grampeado, edição limitada.  (EA) 

 

 

TEORIA

A Heloísa de Campos Borges

 

1

 

Minha paixão teórica

é muito mais que paixão;

não está longe nem próxima,

está no ar e no chão.

 

Tem seu real, mas é órfica

como o sim, como o não;

sua antena parabólica

capta só distração.

 

Nunca exibe o seu código

livre na palma da mão,

embora sempre erótica

no seu tempo e viração.

 

Minha paixão teórica

segue o exemplo da inflação:

sobe e desce sem órbita,

é mais que bala — é balão.

 

2

 

Deixe que venha o poema

como um telefonema.

 

Deixe que o poema venha,

mas ponha fogo e lenha.

 

Que o poema venha, deixe,

mas com molho no peixe.

 

De lenha e telefonema,

de peixe e algum dendê,

 

pode-se ter um poema,

dependendo de você,

 

que é capaz de ver anjo

voando de mini-saia,

 

sem se dar conta do arranjo

ou do rabo-de-arraia.

 

 

3

 

Eu não sei se sou leigo ou laico,

sei que este poema é prosaico.

E sei que em matéria de poema

melhor é não criar problema.

 

Cada um escreve o que pode:

este aqui tem barba e bigode

e pode até não ter cabelo,

mas não é preciso dizê-lo.

 

O leitor, que hoje está na moda,

é que deve fazer a poda

e colher o que mais lhe agrade,

mesmo que seja tempestade.

 

Mas se eu não for laico, for leigo?

E se o meu poema for meigo?

Onde é que fica o meu conceito,

se ainda não matei o sujeito?

 

E adio mesmo que além de tudo

um poema, mesmo sisudo,

pode até ser (tecer faz mal?)

um poema sentimental.


THEORY

 

For Heloisa de Campos Barges

 

1

There is more to my passion for theory

than just a passion profound;

it is never far or close or dreary,

it is in the air and on the ground.

 

It is real, orphic, not secretarial

like the yes and like the negation;

its parabolic aerial

only picks up distraction.

 

It never shows its code semioric

in the palm of the hand, it is free;

although it is always erode,

in its time and frequent variety.

 

My passion for theory is a rarebit,

follows the example of inflation tune:

it goes up and down without an orbit,
it is more that a bullet, it is a balloon.

 

2

Let the poem come to you all

like a telephone call

 

Let the poem come from my lyre,

but first put wood on tile fire.

 

Let the poem come, make it a dish,

seasoned like the dressing for fish.

 

With word and a telephone call,

with fish and some Bahia spice,

you can get a poem to recall,

that for yourself will suffice

 

which is able to see the gold dust

of an angel flying to pray,

without worrying about how to adjust

this beam of the sun ray.

 

3
I do not know if I am a secular or lay,

but I know this poem is prosaic in a way.

And I know that on the subject of a poem

it is better not to create any problem.

 

For each one writes as best he can:

this has a moustache and a beard

and it can even seen as bald man,

but there is no need to confess it's weird.

 

The reader, who today is in fashion,

must perform the trimming with compassion

and pick what is most agreeable

even if it is a tempest unforeseeable.

 

But if I am not secular, I am layman?

And if my poem is not that of a craftsman?

Where is my reputation and fame,

if to the killing of my subject, I lay is no claim?

 

And I think, besides all this styling,

a poem, even unsmiling,

can weave words masterly

and make a good poem eagerly.

 

 

ORIGEM

 

I

Agarro o azul do poema pelo fio

mais delgado da lã de seu discurso

e vou trançando as linhas do relâm-

pago no vidro opaco da janela.

 

Seu novelo de nuvens reduplica

a concreta visão desse animal

que se enreda em si mesmo, toureando

a púrpura do mito e se exibindo

diante da minha astúcia de momento.

 

Sou cheio de improviso. Sou portátil.

E sou noite e falácia. Sou impulso

e excesso de acidentes. Sou prodígios.

E agora que há sinais de ressonância

sou milícia verbal configurando

a subversão na zona do silêncio.

 

II

Todo inicio é noturno. Todo início

é maior que seu tempo e sua agenda

de imprevistos. Mas todo início aguarda

a visita dos deuses e demónios.

 

Há fórmulas polidas nos subúrbios

da fala. Há densidades nos recintos

desprovidos de margens. E nos mínimos

detalhes de ruptura existe um sopro

de solidão que soa nesta vértebra

de audácia e persistência.

                                       Alguém perturba

o horário de recreio das palavras.

 

 

ORIGINS

 

I

Grab the blue of the poem with the thread

of the thinnest wool of your discourse

and plait the threads into the light-

ning of the opaque glass of the window.

 

Your roll of clouds will double

the concrete vision of this animal

which gets tangled in itself, rushing

at the purple of the myth, and showing

its expertise of the moment.

 

I am fed up with improvisation. I am portable.

And I am night and fallacy. I am impulse

and excess of accidents. I am prodigies.

And now with the signals of resonance,

I am a verbal militiaman configuring

the subversion in the zone of silence.

 

II

Everything begins at night. All beginning

is greater tlian the time and the agenda

of the foreseen. Every beginning awaits

the visit of the gods and the demons.

 

There are polished formulas of speech

In the suburbs. There is density in the precincts

of the empty margins.

And the minimum

details of rupture exist in the whistle

of solitude that sounds in the vertebrae

of audacity and persistence.

                                         Some one has to disturb

the playtime of words

 

 

 

EXEGESE

 

Você quer se esconder, então sé mostre.

Diga tudo que sabe sobre a vida.

Conte a sua experiência nos negócios,

proclame seu valor de parasita

e deixe que discutam nas casernas

o seu bendito fruto entre as melhores

famílias desta terra.

 

Depois esconda tudo num poema

e fique descansado: ninguém lê.

Se ler, começam logo a ver navios

e achar que tudo é poetagem, símbolos,

desejos reprimidos,

                              psicanálises,

o diabo a quatro.

 

O poema não é uma caverna

sigilosa, com sombras tautológicas

nas paredes.

 

                    O poema é simplesmente

a sombra sem caverna, o vulto espesso

de si mesmo, a parábola mais reta

de quem escreve torto,

                                    como um deus

canhoto de nascença.

 

 

EXEGESIS

 

If you want to hide , then show yourself.

Say everything you know about life.

Tell about your experience in business,

proclaim your value as a parasite

and let them discuss in the barracks

your blessed fruit as among the best

families of this land.

 

Then hide it all in a poem

and relax, no one will read it.

And even if they do, they will see a smoke screen,

and think that it is all poetic fog, symbols

repressed desire,

                           psychoanalysis,

a devilish confusion.

 

A poem is no cavern

                    secretive, with tautological shadows

written on the walls.

                               The poem is simply

                  the shadow with no cavern, the thick face

of one's self, the straiglitest parable

of one wlio writes on crocked lines

                    like a god,

                left handed from birth.

 

 

LITER-ATURA

 

Que seria dos congressos e seminários de literatura

se não houvesse os colóquios dos dias livres,

se não houvesse as horas neutras dos intervalos,

os interstícios ocasionais, as interrupções,

quando todas as gatas são realmente pardas

e a comunicação se torna livre e táctil

como um aperto de mão?

 

Que seria da vida e da poesia

se não houvesse os apartes femininos

humanizando o contexto dos linguólogos,

se não houvesse na primeira fila

aquele olhar que flerta e que sonha

diante da voz que fala fala fala

                                               tagarela

sobre os direitos e avessos

da mulher latino-americana?

 

Tudo o mais são penugens, conversas interrompidas,

fragmentos de sorrisos discretos na continuidade

do amor que viaja para lugares distantes

(Aquidauana

                    Montes Claros,

                                          uma rua em Brás de Pina)

e deixa no ar promessas de beijos e de cartas

para serem discutidas e transcritas

nos anais do próximo congresso.

 

 

LITERA-TOUR

 

What would be tlie conferences and seminars

of literature without the daily chatting when free?

If there were no neutral intervals for talk,

for the occasional breaks, and interruptions,

when at dusk all the ladies are appealingly equal

and communications are free and tactile

like the warm handshake?.

 

What would be of life and poetry

without the interventions oftlie ladies

humanising the contexts of the arid linguist?

If there were not in that front row

that eye that flirts you and dreams

beyond that voice that goes on and on

                                                           gabbling away

about the rights and ins and outs

ofthe Latin American woman?

 

All the rest is soft hair, interrupted chats,

fragments of discreet smiles in the continuity

of love which travels to distant places

(Auckland

                Manchester

                                    A back street in Chelsea)

and leaves in the air promises of kisses and letters

to be discussed and transcribed

in die annals of the next congress.

 

 

 

RITUAL

Para Laila e Erley

 

O mormaço envelhecia as folhas

da mamoneira e punha brilho de foice

nas árvores do quintal.

                                    Era o princípio

de setembro, o sufocado estio,

o pressentido medo de se ficar sem ar

na tarde ressequida, no ermo

das ruas marginais do povoado.

 

Em breve, a chuva apagaria

as cinzas das coivaras. Os aceiros

se cobririam de formigas

e os cupins ressurgiriam festivos

no cheiro sensual da terra molhada.

 

Em breve o pai abriria as primeiras covas

para a canção do milho,

                                       E em breve

eu me deitaria no chão para escutar

o silêncio da plantinha crescendo,

crescendo mais alto que a personagem

nos confins de outra estória.

 

 

RITUAL

For Laila and Erley

 

The stifling heat dries up the leaves

on the fruit tree and puts a scythe like shininess

on the trees of the back garden.

                                                It is the beginning

of September, die suffocating passage

out of the period with fear of being breathless,

on tile dry afternoon, in the loneliness

of the side streets in the little village.

 

Shortly, the rain will wash out

the ashes of the bonfires. The clearings

will become full of ants

and the termites appear in feast

at the sensual scent of the damp earth.

 

Shortly, father will open the first trenches

for die song of the maize.

                                       And shordy

I will lie on the ground to hear

the silence of the plants growing,

growing taller than people

in the confinement of another story.

 

 

 

TERRA À TERRA

 

Uma cantiga de gafanhotos

caiu de repente sobre a certeza

das árvores

e rolou pelos campos confundindo

a linguagem dos ventos.

 

E foi sugando o mel,

o alimento,

                 a força,

                              o imã

e a solidão do musgo entrincheirado

na fratura indiscreta de uma pedra.

 

E foi pondo a nu a nuvem

e foi pondo à terra a terra

e foi ensinando aos homens

o segredo da terra.

 

Mas foi preciso primeiro colher

o espanto dos miosótis.

Foi preciso primeiro velar

os olhos violáceos que indagavam

sobre a exatidão perfeita

dos crepúsculos.

 

E foi preciso sobretudo que se destruísse

a paciência dos homens.

 

 

EARTH TO EARTH

 

The song of the grasshoppers

fell suddenly on the certainty

of the trees

and spread over the fields, bewildering

the language of the winds.

 

And sucked up the honey,

the food,

             die energy,

the magnetism

and the solitude of the moss, entrenched

in the indiscreet opening of the stone.

 

And it placed naked the cloud

and it set earth to earth

and taught men

the secret of the earth.

 

But it was necessary first to harvest

the fright of the primroses.

It was necessary first to watch

the violet eyes that souglit

the perfect exactitude

of twilight.

 

And it was necessary above all

to destroy the patience of man.

 

 

 

A CASA DE VIDRO

A Celuta Mendonça Teles

 

No sonho e na poesia

vai-se elaborando a essência

do que não se perde nem se altera

na língua comum dos homens.

 

Anterior às circunstâncias,

filtrada de si mesma e seu refúgio,

a imagem não conheceu ainda nem o remorso

nem a fuligem mais precária da vida.

 

E pode assim surgir na transparência

de uma casa de vidro, onde a figura

real de minha mãe, iluminada,

me sorria e acenava,

                                 deslizando-se

pelo perfil das portas invisíveis.

 

Aí o seu espírito sereno

foi-se igualando à pura densidade

da luz, quando o seu nome, rarefeito,

de repente ecoou no mais extremo,

no sem-fim da fala absoluta.

 

 

THE GLASS HOUSE

For Celuta Mendoiifa Teles

 

In dreams and in poetry

the essence of that which is not lost

or changed is elaborated

in tlie common language of mankind.

 

Before the circumstances,

filtered by itself and its refuge,

tlie image does not know yet remorse

nor the most precarious soot of life.

 

And so it can rise in the transparency

of a glass house, where the real figure

of my mother, illuminated,

smiled at me and waved,

                                       gliding along

through the profiles of invisible doors.

 

There her serene spirit

reached pure density of light,

when her rarified name

suddenly echoed in the furthest space,

of the unending of absolute speech.

 

Página publicada em janeiro de 2014.

 

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar