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OLAVO BILAC

OLAVO BILAC 
(1865-1918
)

TEXTOS EM PORTUGUÊS   /  TEXTOS EN ESPAÑOL
POEMS IN PORTUGUESE & ENGLISH

TEXTOS EN ITALIANO

Veja mais adiante, nesta página: OLAVO BILAC – SÁTIRAS

 

Ver também: POEMAS INFANTIS



ÚLTIMA PÁGINA

 

Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos

Numa palpitação de flores e de ninhos.

Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos

(Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.

 

Verão. (Lembras-te, Dulce?) À beira-mar, sozinhos

Tentou-nos o pecado: olhaste-me... e pecamos;

E o outono desfolhava os roseirais vizinhos,

Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos...

 

Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos,

Nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos,

(Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor...

 

Carne, que queres mais? Coração, que mais queres?

Passam as estações e passam as mulheres...

E eu tenho amado tanto! e não conheço o Amor!

 

ÚLTIMA PÁGINA

 

Trad. de Jaime Tello

 

Primavera. Sonrisa abierta en todo. Ramos

Con palpitar de nidos, de flores y de trinos.

Doraba el sol de octubre la arena en los caminos.

(¿Te acuerdas, Rosa?) al sol de octubre nos amamos.

 

Estío. (¿Te acuerdas, Dulce?) Entre efluvios marinos

Tentónos el pecado: me miraste, y…pecamos;

Y otoño deshojaba los rosales vecinos,

Laura, la vez primera en que nos abrazamos.

 

¡Tu boca entre mis labios! Y ante el invierno crudo

Ardió en dorados vinos tu albo cuerpo desnudo…

(¿Te acuerdas, Branca?) ardía toda tu carne en flor…

 

¿Qué más anhelas, carne? Corazón, ¿qué más quieres?

Pasan las estaciones y pasan las mujeres,

Y yo, que he amado tanto, ¡no conocí el amor!

 

 

(Extraído de Cuatro siglos de poesía brasileña. Caracas: Centro Abreu e Lima de Estudios Brasileños/ Instituto de Altos Estúdios de América Latina/Universidad Simon Bolívar, 1983.)

 

Existem muitas edições das obras completas de Olavo Bilac, sendo que esta é considerada a 1a. edição definitiva, de 1902, da célebre casa publicadora  H. Garnier (com sede em Paris e no Rio de Janeiro) com encadernação esmerada, incluindo as obras "Panoplias", "Via Láctea",  "Sarças de Fogo", "Alma Inquieta", "As Viagens" e "O Caçador de Esmeraldas".  Reproduzimos aqui a folha de rosto e a foto do "Príncipe dos Poetas Brasileiros" que aparece no  frontispício.

 


 

          SAHARA VITAE

Lá vão eles, lá vão! O céu se arqueia

Como um teto de bronze infindo e quente,

E o sol fuzila e, fuzilando, ardent

Criva de flechas de aço o mar de areia...

 

Lá vão, com os olhos onde a sede ateia

Um fogo estranho, procurando em frente

Esse oásis do amor que, claramente,

Além, belo e falaz, se delineia.

 

Mas o simum de morte sopra: a tromba

Convulsa envolve-os, prostra-os; e aplacada

Sobre si mesma roda e exausta tomba...

 

E o sol de novo no ígneo céu fuzila...

E sobre a geração exterminada

A areia dorme plácida e tranqüila.

 

 

SAHARA VITAE

 

Trad. de Jaime Tello

 

¡Allá van! Se arque el cielo en comba plana,

Techo de bronce infinito y caliente,

Y el sol dispara y parando ardiente

Flechas de acero clava en mar de arena.

 

Allá van, la mirada de sed llena

Y un fuego extraño, oteando al frente

Ese oasis de amor que claramente

Bello y falaz promete agua serena.

 

Sopla el simún de muerte, tromba infausta

Convulsa los aplasta, y aplacada

Sobre sí misma rueda y cae exhausta.

 

Y el sol de nuevo el ámbito aniquila;

Y sobre esta raza exterminada

El área duerme plácida y tranquila.

 

 

  (Extraído de Cuatro siglos de poesía brasileña. Caracas: Centro Abreu e Lima de Estudios Brasileños/ Instituto de Altos Estúdios de América Latina/Universidad Simon Bolívar, 1983.)   

 

UM BEIJO

Foste o beijo melhor da minha vida,
Ou talvez o pior ... Glória e tormento,
Contigo à luz subi do firmamento,
Contigo fui pela infernal descida! 

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
Queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
E do teu gosto amargo me alimento,
E rolo-te na boca malferida.  

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
Batismo e extrema-unção, naquele instante
Por que, feliz, eu não morri contigo?  

Sinto-te o ardor, e o crepitar te escuto,
Beijo divino! e anseio, delirante,
Na perpétua saudade de um minuto ...  


UM BESO

 

Trad. de Jaime Tello

 

El mejor beso fuiste de mi vida

O tal vez el peor: gloria y tormento

Contigo hallé la luz del firmamento

Y hallé contigo la infernal caída.

 

Moriste y mi deseo no te olvida:

Mi sangre quemas y mi pensamiento;

De tu sabor amargo me alimento

Y te exprime mi boca malherida.

 

Beso extremo, mi premio y mi castigo,

Bautismo, extremaunción. En ese instante

¿Por qué no moriría entonces contigo?

 

Siento arder, crepitar tu acerbo fruto,

Beso divino, anhelo delirante

¡En la saudade eterna de un minuto! 

 

(Extraído de Cuatro siglos de poesía brasileña. Caracas: Centro Abreu e Lima de Estudios Brasileños/ Instituto de Altos Estúdios de América Latina/Universidad Simon Bolívar, 1983.)  

 

TERCETOS

 

I

 

Noite ainda, quando ela me pedia

Entre dois beijos que me fosse embora,

Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:

 

"Espera ao menos que desponte a aurora!

Tua alcova é cheirosa como um ninho...

E olha que escuridão há lá por fora!

 

Como queres que eu vá, triste e sozinho,

Casando a treva e o frio de meu peito

Ao frio e à treva que há pelo caminho?!

 

Ouves? é o vento! é um temporal desfeito!

Não me arrojes à chuva e à tempestade!

Não me exiles do vale do teu leito!

 

Morrerei de aflição e de saudade...

Espera! até que o dia resplandeça,

Aquece-me com a tua mocidade!

 

Sobre o teu colo deixa-me a cabeça

Repousar, como há pouco repousava...

Espera um pouco! deixa que amanheça!"

 

— E ela abria-me os braços. E eu ficava. 

 

II

 

E, já manhã, quando ela me pedia

Que de seu claro corpo me afastasse,

Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:

 

"Não pode ser! não vês que o dia nasce?

A aurora, em fogo e sangue, as nuvens corta...

Que diria de ti quem me encontrasse?

 

Ah! nem me digas que isso pouco importa!...

Que pensariam, vendo-me, apressado,

Tão cedo assim, saindo a tua porta,

 

Vendo-me exausto, pálido, cansado,

E todo pelo aroma de teu beijo

Escandalosamente perfumado?

 

O amor, querida, não exclui o pejo.

Espera! até que o sol desapareça,

Beija-me a boca! mata-me o desejo!

 

Sobre o teu colo deixa-me a cabeça

Repousar, como há pouco repousava!

Espera um pouco! deixa que anoiteça!"

 

 

- E ela abria-me os braços. E eu ficava.

  

            TERCETOS

 
                   Trad. de Ángel Crespo


         I

         De noche aún, cuando ella me pedia
         Entre dos besos que marchar quisiera,
         Yo, con los ojos húmedos, decía:

         “¡ A que la aurora raye, un poco espera!
         Tu alcoba como un nido es de olorosa...
         ¡ Y cuán oscura está la noche fuera!

 

¿ Cómo quieres que, triste, la espantosa

Tiniebla junte y frio de mi pecho

Al frio y la tiniebla tan miedosa?!

 

¿ 0yes? ¡ El viento en temporal deshecho!

¡ No me arrojes así a la tempestad!

¡ No me exilies del valle de tu lecho!

 

Moriré de aflicción y soledad.

¡ Espera! hasta que el día resplandezca

¡ Deme calor tu hermosa mocedad!

 

En tu regazo deja que adormezca

Mi cabeza, que ha poco reposaba...

¡ Espera un poço! j deja que amanezca!»

 

—Y los brazos me abría. Y me quedaba.

 

II

 

Ya de mañana, cuando me pedía

Que de su claro cuerpo me apartase,

Yo, con los ojos húmedos, decía:

 

¡ No puede ser! ¿ No ves que el día nace?

El cielo corta, sangre y luz, la aurora...

í Que diría de tí quien me encontrase?

 

l Ah! i No me digas que no importa ahora!

¿ Que pensarían viéndome, afanado,

Saliendo de tu casa en esta hora,

 

Viéndome exhausto, pálido, cansado,

Y con todo el aroma de tu amor

Escandalosamente perfumado?

 

Quererte no me libra del rubor...

 

i Espera! hasta que el sol desaparezca.

i Besa mis lábios! ¡ Mátales su ardor!

 

¡ En tu regazo deja que adormezca

Mi cabeza, que ha poco reposaba...!

¡ Espera un poço! ¡ Deja que anochezca!»

 

—Y los brazos me abria. Y me quedaba.

 

 

 

OLAVO BILAC

Fonte da imagem: www.brasilcult.pro.br/estudos/literatura/poesia_brasil08.htm

 

VITA NUOVA

 

Se ao mesmo gozo antigo me convidas,
Com esses mesmos olhos abrasados,
Mata a recordação das horas idas,
Das horas que vivemos apartados!

Não me fales das lágrimas perdidas,
Não me fales dos beijos dissipados!
Há numa vida humana cem mil vidas,
Cabem num coração cem mil pecados!

Amo-te! A febre, que supunhas morta,
Revive. Esquece o meu passado, louca!
Que importa a vida que passou? que importa,

Se inda te amo, depois de amores tantos,
E inda tenho, nos olhos e na boca,
Novas fontes de beijos e de prantos?!

 

 

VITA NUEVA

 


                   Trad. de Ángel Crespo

 

Si al mismo gozo antiguo me convidas

Con esos mismos ojos abrasados,

Mata el recuerdo de las horas idas,

De aquellas que vivimos separados.

 

No me hables de las lágrimas perdidas,

No me hables de los besos disipados.

En cada vida humana hay cien mil vidas,

Aloja un corazón cien mil pecados.

 

Te amo. La fiebre no murió, y está

Despierta. Olvida mi pasado, loca,

? Qéê más da lo pasado, qué más da?

 

i ? Si aún te amo, después de amores tantos,

Y tengo aún en los ojos y en la boca

Nuevas fuentes de besos y de llantos?! .

 

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PÁTRIA

 

Olavo Bilac

 

Pátria, latejo em ti, no teu lenho, por onde

circulo! E sou perfume, e sombra, e sol e orvalho!

E, em seiva, ao teu clamor a minha voz responde,

e subo do teu cerne ao céu de galho em galho!

 

Dos teus liquens, dos teus cipós, da tua fronde,

do ninho que gorjeia em teu doce agasalho,

do fruto a amadurar que em teu seio se esconde,

de ti, - rebento em luz e em cânticos me espalho!

 

Vivo, choro em teu pranto; e, em teus dias felizes,

no alto, como uma flor, em ti, pompeio e exulto!

E eu, morto, - sendo tu cheia de cicatrizes,

 

tu golpeada e insultada, ­ eu tremerei sepulto:

e os meus ossos no chão, como as tuas raízes,

se estorcerão de dor, sofrendo o golpe e o insulto!

 

 

LÍNGUA PORTUGUESA

 

Olavo Bilac

 

 

Última flor do Lácio, inculta e bela,

és, a um tempo, esplendor e sepultura:

ouro nativo, que na ganga impura

a bruta mina entre os cascalhos vela...

 

amo-te assim, desconhecida e obscura,

tuba de alto clangor, lira singela

que tens o trom e o silvo da procela,

e o arrolo da saudade e da ternura!

 

Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceano largo!

Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

 

em que da voz materna ouvi: “meu filho”,

E em que Camões chorou no exílio amargo,

­o gênio sem ventura e o amor sem brilho!

 

 

 

OLAVO BILAC – SÁTIRAS

 

( poesia satírica )

 

 

SIMÕES JÚNIOR, Alvaro SantosA  Sátira do Parnaso.  Estudo da Poesia satírica de Olavo Bilac publicada em periódicos de 1894 a 1904.   São Paulo: Unesp, 2007.    335 p.   ilus.  ISBN 978-85-7139-762-0  /Baseado numa tese de doutoramento, orientada por Luis Roberto Velloso Cairo./  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

"Passou ontem, na Câmara, em 2ª. Discussão, o projeto abrindo o crédito de 10.ooo$ para despesas imediatas com o serviço de limpeza do canal do Mangue", no Rio de Janeiro. A seguir o poema de Bilac publicado na Gazeta de Notícias, 9 dez. 1900, p.1:

 

         "Dez contos? Isso é dinheiro!
         Vocês, com isso, talvez
         Possam limpar um chiqueiro,
         Limpar as ruas de Fez,
         Todo o golfo de Biscaia.
         O vasto oceano sem fim,
         A ilha de Sapucaia;
         Os cortiços de Pequim...
         Porém, o canal do Mangue?
         Ora, não sejam ratões!
         Nem com coco! nem com sangue!
         Nem com quinhentos milhões.

 

"O ceticismo do poeta quanto à possibilidade de saneamento do Canal do Mangue não desapareceria nem mesmo com as reformas empreendidas por Pereira Passos, pois defendia uma solução mais radical." (p. 193)

***

"Em janeiro de 1901, mês em que a cidade enfrentou uma greve dos cocheiros, correu pela capita da República o boato de que, no dia 23, haveria um grande levante monarquista apoiado por forças de terra e ar. Dada a falsidade do alarme, Bilac aproveitou a oportunidade para zombar dos que ainda sonhavam com a restauração monárquica." (p. 195)

 

A CONSPIRAÇÃO

 

Temos a casa vazia!
Toda esta população
Saiu daqui, no outro dia,
Para uma conspiração...

Todos, um moço, outro velho,
Mas todos, sem exceção.
Uns com carta de conselho,
Outros com tocha na mão;

Estes, com eira e com beira,
Aqueles, sem um tostão,
Mas todos (que pagodeira!)
Amando a conspiração...

Malucos! voltai à casa!
Para quê tanta ilusão?
Tendes o cérebro em brasa?
Quereis uma ducha, não?

Voltai! a casa vazia
Chora tanta ingratidão...
Não nos deixeis mais um dia
Por uma conspiração!

Voltai à tranquilidade!
Aqui, na antiga mansão,
Vós matareis a saudade
De El-Rei Dom Sebastião!

 

Publicado na Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 27 jan. 1901.

 

"A veia satírica do poeta manifestou-se uma única vez nas páginas d´A Cigarra, quando, em 10 de outubro de 1895, expressou seu desconsolo com o panorama teatral da cidade do Rio de Janeiro."  A Cigarra, Rio de Janeiro, n. 23, 10 out. 1895.

 

Musa! Por que inda vais ao largo do Rocio
Bocejar, de teatro em teatro vazio?
Foi-se o Frégoli! Foi-se a Tiozzo! A Fúller (Ida)
Foi-se! E, em largo tropel, aos trambolhões, fugida,
Foi-se a troupe do Frank, - cavalos e palhaços...
A que triste plateia hás de levar os passos,
Musa? Restam-te agora apóstrofes e prantos:
Ou a Emília Adelaide, ou a Ismênia dos Santos...

 

Nem sequer ouvirás Palmira n'A Cigarra;
Souza Bastos de novo ao trololó se agarra:
E, para restaurar as enchentes que tinha,
Ressuscita o Tintim e Os dias de Clarinha...

 

Musa! a noite melhor, a noite que me chama
É a do beijo, a do amor, a do sono, a da cama!"

 

Mais poemas satíricos e os comentários doutos só mesmo no livro...

 

Imagem extraída  de

DIAS-PINO, WlademirA lisa escolha do carinho (Rio de Janeiro: Edição Europa, s.d. 
20,5x20,5 cm.  33 f. ilustradas  (Coleção Enciclopédia Visual).   Inclui versos de
poetas brasileiros

 

Página ampliada e republicada em agosto de 2008; página ampliada em novembro de 2017. página ampliada em junho de 2018

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