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MARCUS ACCIOLY


Marcus Accioly na Fliporto 2009 /
Foto Nildo Barbosa Moreira


MARCUS ACCIOLY

 

 

Marcus Moraes Accioly nasceu no Engenho Laureano, município de Aliança, Pernambuco, a 21 de janeiro de 1943.

Formou-se em Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco, concluído em 1969. Tem o curso de mestrado em Letras, da Universidade Federal de Pernambuco (1980).

Foi vice-presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), seção Pernambuco e professor de Teoria Literária e Literatura Brasileira da Universidade Federal de Pernambuco.

 

Obra:  Cancioneiro (1968); Nordestinados – poemas-canção (1971); Xilografia (1974) ; Sísifo (1976); Poética (1977); Ó(de)Itabira (1980); Narciso (1984);

Íxion (1986); Guriatã (1986); Para(ti)nação (1986); Poética-Popular ; Érato

Latinoamérica; Louvação & Incelença; O Exílio da Canção.  

Trata-se dum domador de palavras, dum fascinado de todos os jogos que a boa Retórica, antiga e moderna, oferece aos artífices do encantamento por meio da expressão verbal. Marcus Accioly faz a coreografia de todos os ritmos, pratica as convenções e as audácias de todos os tempos.”   Fábio Lucas

Veja também: POESIA ERÓTICA de Marcus Accioly

Veja também: POESIA INFANTIL - CORDEL

Leia também:

UM VENTRÍLOQUO COMENTA A POESIA OCIDENTAL — SÍSIFO, DE MARCUS ACCIOLY, por AFFONSO ROMANO DE SANT´ANNA

 


De

Ó(DE)ITABIRA

Rio de Janeiro: Livraria José Olimpio Editora/ INL, 1980.

 

 

VI

 

Ergui tua Torres

para o nunca mais:

pedra sobre pedra

(pedras e metais)

jaspe / lápis-lázuli

quartzos / cristais

         ó

água-marinha

pérolas / corais

         ó

ônix / sardônix

ametista / ágata

topázio / turquesa

turmalina / opala

cinábrio / crisólita

safira / granada

brilhante / berilo

         ó

platina e prata

 

ergui tua Torre

para o nunca mais

 

(minas preciosas

de Minas Gerais)

 

Ouro Preto  /  ouro

pobre nos quintais

 

(galo sobre os quatro

pontos cardeais)

 

ergui tua Torre

onde não supus:

         ó

jardins-Nordeste

que o areal produz:

xiquexiques / cactos

palmas / mulungus

cipós / caatanduvas

(mar de ouriços nus)

quipá  / macambiras

(sói8s de espinhos crus)

coroas-de-frade

         e

mandacarus

 

ergui tua Torre

onde não supus

 

(espelho de pedra

que cega e reluz)

 

há um Olho acima

do teu olho-luz

 

(para o olhar redondo

desce o Olhar-em-Cruz)

 

 

VIII

 

Ninguém não vê

o Carlos invisível

que atravessa montanhas              invisível/mente

escreve em árvores

decifra esfinges

sobe nas pirâmides

escala o Empírio

desce ao fundo Tártaro

cruza desertos

constrói labirintos

voa sem asas

apaga a cor das léguas

percorre séculos

pesar grãos de areia

lava o rosto na luz

 

veste a roupa dos ventos

calça as pedras

curva as ondas do mar

mede o horizonte

roda o sol do equinócio

apressa o dia

guia estrelas e lua

inventa a noite

conversa com animais

imita os pássaros

bebe o orvalho e sereno

come flores

(ninguém não vê

o invisível Carlos)

 

ninguém não vê

o Carlos nunca visto

(pero um porteño peluquero

         sabe

do seu retrato a óleo

ainda moço)

         sabe

um carteiro

do seu domicílio

um alfaiate

das sua medidas

um vendedor-de-livros

do seu gosto

um gerente-de-Banco

do seu crédito

um moço-de-recado

do seu jeito

de mandar um bilhete

ou um poema

“na curva perigosa

                            d

                                o

 

                                      setenta

ao amor que derrapa

em dor e pétala

(ninguém não vê

o nunca visto Carlos)

 

 

X

 

Era uma vez o mundo

                            de Carlinhos

que            cresceu e está rapaz          multinfância

                 mas vive nos caminhos

                            porque

                nas rosas

          sem memória e sem fragrância~

         eppur si muove a infância

 

                   2º

 

NAQUELE ESPAÇO ANTIGO

         AGORA JÁ

TÃO DISTANTE

                   DE ITABIRA             FAZ

TANTO TEMPO                   QUE OS ESPINHOS

CRESCERAM

NO CORAÇÃO

 

                   3º

 

Era uma vez o mundo E HAVIA PAZ

NAQUELE ESPAÇO ANTIGO de Carlitos

que AGORA JÁ cresceu e está rapaz

TÃO DISTANTE mas vive nos caminhos

de pedra DE ITABIRA porque FAZ

TANTO TEMPO nas rosas QUE OS ESPINHOS

CRESCERAM sem memória e sem fragrância

NO CORAÇÃO eppur si muove  a infância.

 

 

XII

 

Aprendeste a poética dos pássaros

ou o ritmo elementar das folhas

e das ondas                                           idade

nos cabelos do tempo?                         Andrade

 

Foi preciso Itabira (a necessária

infância)  o teu país de sete cores

                                      arcos-íris

                                         pavão

                                 rosa-dos-ventos

(que em tua face estava colorida)

 

cão-cavalo-carneiro-cabra

                                      e boi

aparando o capim à flor da água

ou ruminando o sono em pedra-viva

 

foi preciso o passado (o embuá

com mil pernas de anos

ou a serpente

arrastando na língua

o pó da idade)

 

foi preciso a esperança-fazendeira

onde o espelho do rio

(a sombra-imagem

dos avós e dos pais

era o teu rosto)

 

 

 

Há um peixe

que diz teu nome

Carlos                             nomenágua

na guelra trespassada

e pronuncia

o silêncio de sílabas

dos rios

e o ruído de números

nas pedras

 

existe um tronco

escrito

com teu nome

rolando ao lodo-verde

do oceano

e imprimindo na espuma

as suas bolhas

de ar e luz

suspensas pela água.

 

 

ACCIOLY, Marcus. Xilografia.  Poesia de Marcus Accioly. Gravada por José Costa Leite.   Recife, PE: CEPE – Companhia Editora de Pernambuco,1974.  s.p.   32,5x20,5 cm.  Apresentação de Ariano Suassuna.  Capa de Geber Accioly.  “ Marcus Accioly “ Ex. bibl. Antonio Miranda. 



 

Publicado em fevereiro de 2008

 


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