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AFFONSO AVILA

Fonte: www.germinaliteratura.com.br

 

 

AFFONSO AVILA

 

 

Affonso Celso Ávila (Belo Horizonte MG, 1928). Publicou seu primeiro livro de poesia, O Açude. Sonetos da Descoberta, em 1953. Na época, trabalhava como auxiliar de gabinete do então governador Juscelino Kubitschek e como colaborador dos periódicos Diário de Minas, Tendência e Estado de Minas. Nos anos seguintes, participaria da campanha de JK para presidente e se aproximaria dos poetas concretistas de São Paulo. Em 1961, saiu seu livro Carta do Solo; em 1963, era a vez de Frases-feitas. Em 1967, tornou-se colaborador da revista Invenção, do grupo concretista. Sua identificação com a poesia de vanguarda o levaria a retirar sua participação na I Bienal Nestlé de Literatura, em protesto aos ataques às vanguardas dos anos 60.

 

 Em 1991 recebeu o Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro O Visto e o Imaginado (1990). Sua poesia, bastante influenciada pelo concretismo, caracteriza-se pela experimentação linguística e pela forte presença temática do erotismo e do engajamento ideológico.

                                      Fonte: www.itaucultural.org.br

 

Crítico e jornalista, fundador com Fábio Lucas, Rui Mourão e Fritz Teixeira de Salles, da revista Tendência. Organizador, por encargo da Reitoria da Universidade de Minas Gerais, da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, realizada em 1963.

AFFONSO AVILA

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS / TEXTO EN ESPAÑOL

  

Veja também>>> POÈMES EN FRANÇAIS

 

Veja também POESIA VISUAL DE AFFONSO ÁVILA

 

AFFONSO AVILA - A MANEIRA TEXTUAL DE VER
Ensaio - Por Antonio Miranda

 

 

ÁVILA, AffonsoÉgloga da maçã.   São Paulo: Ateliê Editorial, 2012. 
88 p.  Editor: Plinio Martins Filhos.  14x21 cm. Capa dura de  cartão.  Imagem na página 87, em -&b: “O Filho do Homem” de René Magritte. Vinhetas de Sérgio Luz.

 


Affonso Ávila continua produtivo e criativo como nunca. “´Égogla da maçã” — que o autor, na dedicatória que me enviou, diz ser uma saga — inclui 40 poemas de dez versos, em que continua barroco e pós-moderno (valha o oximoro!!!), sem renunciar às rimas. Moderno com raízes. Começa evocando “A maçã no escuro” em epígrafe de Clarice Lispector. Inclui imagens da maçã em diferentes, vinhetas de Sérgio Luz. E completa com uma reprodução, em p&b do célebre óleo de René Magritte “Filho do Homem”, com a maçã no rosto.  Maçã, “primevo vegetal andrógino”. “duto botânico de seiva e humo”; “lugar e espaço ao guloso de hausto”. 

 

 

 

e vinde vede a casca rubra

recamando o alvéolo a que cubra

de sabor degustante a cio

alfa de gozo ou precipício

a uma trasmontante demanda

de apetite e escapante vianda

que foge fugaz ao algo assédio

e refuga o dente ou intermédio

enquanto não madura a tez

e do agora assezonou a vez

 

(...)

 

 

e deglutido o sumo leve

derrotada a ternura breve

impostada de voz de orgasmo

ácido de eflúvio e de pasmo

descartar os grãos ao delírio

ao ai ai rumor de cacto e lírio

e deixá-los brotar semeados

ao acaso do campo e dos fados

indecifrável imagem mítica

genes barro de insídia ofídica

 

(...)

 

 

impúbere ou lasso o sentimento

traz ao nervo o impulso momento

do é agora é sorvê-lo clareira

iniciatória ou derradeira

consumo do mudo do belo

do que o vídeo espalha em espelho

dimanado gozo em convite

de ter ou querer apetite

do beijo do abraço sobejo

de carícias sonhadas sem pejo

 

 

 

 

Affonso Ávila

De
Affonso Ávila
poeta poente
Ilus. Sérgio Luz

São Paulo: Perspectiva, 2010.
230 p. ilus. ISBN978-85-273-0895-3

 

Quando estivemos na casa de Affonso Ávila no início do ano, o poeta informou sobre a edição de seu novo livro. Agora já está disponível nas livrarias, para a alegria de seus admiradores. Cada livro de Affonso é uma surpresa, uma proposta original, diferenciada. Poeta Poente é mais lírico, mais prosaico, mas nada de discurso convencional. Linguagem sintética, entre aforística e de invenção, com aquela fluência do palavra-puxa-palavra, ou melhor, sentido-puxa-sentido conforme um ritmo próprio para cada poema. Vale a pena conferir. E tem ainda as ilustrações leves e sugestivas de Sérgio Luz, e a capa projetada pelo artista: um achado! Aliás, que brota do próprio título, como um poema visual... as três últimas letras da primeira palavra e as duas letras da segunda formam " eta po ", bem no sentido onomatopaico da inversão de sentido frasal do Affonso... Certamente que ele, intuitivamente, chegou a esta composição que o artista revelou... "êta po eta"!!!  Antonio Miranda

 

 

gaia ciência

 

sábio círculo em torno do nada

do além do aquém

de que é que de quem é quem

lição de cor do ardor do amor

signo perseguido em guia de dor

manifesta confusa desvairada

desvario ou alegria de trâmite curtido

palavra de real gozo de conceituai

léxico anverso controverso

capturado mel da defensiva abelha em sua colmeia

dispersivo pescar na convulsão da ideia

rio de acima de abaixo confluência de águas

e quem mais o quis menos o teve

breve perene sempiterno

nascente de prazer ou de frágua

o que ficou desse riso siso

retórico ressaibo

 

 

insólito

 

contato é impudicícia ou carência de tato

gesto que sai do corpo como um salto de gato

suave rude ardil ou busca de gozo

rei dos sentidos empós do amor ou do afeto

sondagem de quem sonhou e argui de fato

a empáfia escondida entre haustos do só

não temer o impacto da astúcia

colher a rosa no ramo propício enquanto é vermelha

e saborear o odor a cor o íntimo calor

é tarde é breve mas intensa de brilho

signo de infinito clamor

que não calou no estamento do tempo

e rói fundo o apetite que resta

via possível na corrosão do palor

e usá-la a furto oculto

imponderada lapela

fim ou princípio

sorte lançada

defasado cupido

 

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OUTROS POEMAS

 

SONETO

Não vos traga tristeza a chuva fria
a se esgueirar nas tardes sem corola.
Sobe o chumbo (o sem cor) das coisas vivas
sufocando o clamor das vossas horas.

Sobre o ontem deitastes. Neve amiga
da pegada os sinais na terra afoga
(vede o exemplo da nuvem que destila
o fel de si na gota que se evola).

Sede o espelho, não mais.  O próprio nervo
se desfaça no plano de cristal
onde a imagem enfim se compreende.

Plenitude da origem e do termo
o nimbo vos ensine o largo mar.
Sereis então o grande indiferente.

 

                                                           De “O Açude e os Sonetos da Descoberta”, 1953

 

 

CASTRAÇÃO

Com suas iníquas
máquinas de tédio
aprende o degredo
com seus chãos reversos

— com suas escumas
de vinagre e pasmo
celebra os opróbrios
com seu desamparo

— com suas sezões
de pejo e salsugem
arqueja os verões
com seus gozos rudes

— com suas ilhargas
de fuligem e asco
deslembra as novilhas
com seus curvos favos

— com suas obesas
barbelas de adorno
ostenta a vergonha
com seu grão roncolho

 

De “Carta do Solo”, 1961

 

                                   IMPROVISO

 

                            A palavra justa

                            a mim não pertence,

                            busco-a nessa luta

                            em que não se vence,

                            trabalho diário,

                            pelo amor de sempre.

 

                            A palavra triste

                            a mim não pertence,

                            perco-a numa lide

                            cujo amor me vence,

                            trabalho diário

                            pelo amor de sempre.

 

                            A palavra louca

                            a mim não pertence,

                            bebo-a noutra boca

                            e ela me convence,

                            trabalho diário

                            pelo amor de sempre.

 

 

                            De Carta do Solo, "Tendência",

                                   Belo Horizonte, 1961.

 

 

                                   APARTAÇÃO

 

                            (parte do poema Bezerro de Ferro e Sinal)

 

                            Com suas rações

                            de clareira e frondes

                            rompe o latifúndio

                            com seus horizontes

 

                            — Com suas savanas

                            de relva e flagelo

                            demanda os retiros

                            com seus céus de inverno

 

                            — Com sua aventura

                            de surpresa e faina

                            deslumbra as nascentes

                            com seus sais de lama

 

                            — Com suas ciladas

                            de febre e malogro

                            caminha as vazantes

                            com seus bebedouros

 

                            — Com sua forragem

                            de perda e silêncio

                            remorde a distância

                            com seus nós de tempo.

 

                                      * * *

 

 

                   (O ócio campeia seus rebanhos

                   e unge-os no couro com seus óleos

 

                   — Onde em agouro a erva floresce

                   e mofa e o ressaibo do feno

                            curte o bojo de seus alforjes

 

                   — Onde as cautas feras embuçam

                   as garras e a indústria do assédio

                            grava os emblemas de seus coldres

 

                   — Onde as esquivas estações

                   fundam o código do saque

                            cinge a usura de suas bolsas

 

                   — Onde os rijos cardos aguçam

                   a crista e a penugem da morte

                            talha o espesso de seus gibões   

 

                   — Onde errastes tramam as reses

                   os vãos e os desterros da fuga

                            move o curso de seus sapatos

 

                   — Onde pasce os afãs do vôo

                   o tempo liba seu cristal

 

 

                        ANTI-SONETOS OUROPRETANOS

                        I


                   da vila rica de ouro preto o ouro
                   do preito o ouro do pilar o ouro
                   do pórtico o ouro do púlpito o ouro
                   do paramento o ouro do pálio o ouro

                   do panteão o ouro do pacto o ouro
                   do percalço o ouro do perjúrio o ouro
                   do patíbulo o ouro do proscrito o ouro
                   do prêmio o ouro do palimpsesto o ouro

                   do pedágio o ouro do pecado o ouro

                   do pulha o ouro do podre o ouro
                   do polvo o ouro do puro o ouro

                   do pobre o ouro do povo o ouro
                   do poeta o ouro do peito o ouro
                   da rima rica de outro preto o ouro

                        II

                   a cidade da hera e de idade
                   a antiguidade de édito e de idade
                   a posteridade de efígie e de idade
                   a eternidade de essência e de idade

                   a majestade de espírito e de idade
                   a gravidade de espectro e de idade
                   a dignidade de ênfase e de idade
                   a imobilidade de enlevo e de idade

                   a obliquidade de eflúvio e de idade
                   a soledade de exílio e de idade
                   a fatalidade de exaustão e de idade

                   a castidade de espera e de idade
                   a carnalidade de efêmero e de idade
                   a cidade de eros e de idade


                            De: Código de Minas & Poesia anterior.

                            Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. 

 

 

 

ARTE DE FURTAR

 

O poeta declarou que toda criação é tributária de outras

criações no permanente processo de linguagem da poesia

 

O poeta afirmou que todo criador é tributário de outros no

processo de linguagem da poesia

 

O poeta se confessou um criador tributário de outros na

linguagem de sua poesia

 

O poeta não esconde que sua poesia é tributária da linguagem

de outros criadores

 

O poeta não esconde que sua poesia é influenciada pela

linguagem de outros criadores

 

O poeta não faz segredo de que se utiliza da linguagem de

outros poetas

 

O poeta fala abertamente que se apropria da linguagem de

outros poetas

 

O poeta é um deslavado apropriador de linguagens

 

O POETA É UM PLAGIÁRIO

 

 

De  O discurso da difamação do poeta.

São Paulo: Summus Editorial, 1978]  

 

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De

O VISTO E O IMAGINADO

São Paulo: Perspectiva; EdUsp, 1990

 

 

“Affonso Ávila é um mestre. Em Minas, é o cara que consegue fundir a tradição, a cabeça no ano 2 mil. Barroco-ficção científica. Ele mistura futurismo com necrofilia, numa forma única. Ele é dessa geração fantástica que o Brasil produziu neste século.”  Paulo Leminsky

 

 

patrulha ideológica

 

te alerta poeta que a p/i te espreita

         desestruturou o discurso e embaralhou as letras

te aleart paeto que o pc te recrimina

         barroquizou a linguagem e descurou da doutrina

te alaert peota que o sni te investiga

                   parodiou o sistema e ironizou a política

te alaret poate que o women´slib te corta o genitálio

         glosou o objetou sexual e teve orgasmo solitário

te alerat peato que a puc te escanteia

         foi tema de mestrado e não quis compor  mesa

te areta petoa que a cb não te reedita

         gastou muito papel e ouço sangue na tinta

te alrate petao que a abl te indexa

                   fez enxertos de inglês e sujou a água léxica

te arealt patoe que a cnbb te exorciza

         macarronizou o latim e não aprendeu a nova missa

te alatre potae que o esquadrão te desova

                   traficou palavrinha e não destruiu a prova

te atrela ptoea que o doicodi te herzoga

         suspeito sem suspeição e enforcado sem corda

 

i must be gone and live                          or stay and die

 

 

 

BARRACOLAGENS

 

                            AA (José Felippe de Gusmão / Antonio Dias

                                   Cordeiro / Simão Ferreira Machado  /  Nuno

                                   Marques Pereira  /  Diogo de Vasconcellos  /

                                   Antonil  /  Mathis Antônio Salgado)

 

1

SALTAM OS MONTES DAS MINAS NESTA HORA

VÊ SUA ÁUREA IDADE A ÁUREAS TERRA

A GRANDEZA DA FORTUNA CIFRADA EM BREVE ESPERA DE MAÉRIA E DE TEMPO

 

2

VI PELAS RUS DESTAS VILAS A UNS HOMENS PENDENCIANDO COM OUTROS

E VI A OUTROS HOMENS ARRASTANO SACOS E CANASTRAS PELAS RUAS E

            ESTRADAS

VI A OUTROS CORRENDO ATRÁS DE MULHERES E AS MULHERES CORRENDO ATRÁS

         DE HOMENS

VI A OUTROS COMO LOUCOS SALTANDO E MORDENDO A SI PRÓPRIOS

VI A OUTROS ASSENTADOS EM MESS DE MUITOS MANJARES COM AS BOCAS E AS

            MÃOS CHEIAS

E OUTROS COM FRASCOS E GARRAFAS POSTOS À BOCA

VI A OUTROS ARREPELANDO-SE PUXANDO PELOS CABELOS E BARBAS

VI A OUTROS EM VARANDAS E OUTROS DEBAIXO DE SOMBRAS DE ÁRVORES

            DORMINDO A SONO SOLTO

ESSES HOMENS E MULHERES QUE TENDES VISTOS

NESTAS PARTES DAS MINAS DO OUTRO EM TÃO DIVERSAS FORMAS

FICAI ENTENDENDO QUE SÃO OS SETE PECADOS MORTAIS

 

3

AS MINAS COMO A CÓLQUIDA TIVERAM O SEU VELO DE OURO

DEFENDIDO PELO DRAGÃO QUE NÃO DORMIA

E POR TOUROS QUE VOMITAVAM CHAMAS

 

4

CAMINHOS TÃO ÁSPEROS COMO SÃO OS DAS MINAS

AI DE NÓS!    AI DO REINO!    AI DE MINAS GERAIS! 

 

AA (Antonio Vieira / Luis de Góngora / Juan  de la Cruz / Garcilaso de la Veja  /  Oswald de Andrade)

 

1

OS REMÉDIOS DO AMOR E O AMOR SEM REMÉDIO SÃO AS

QUATRO COISAS E UMA SÓ

O PIRMEIRO REMÉDIO É O TEMPO

TUDO CURA O TEMPO, TUDO FAZ ESQUECER, TUDO GASTA,

TUDO DIGERE, TUDO ACABA,

ATREVE-SE O TEMPO A COLUNAS DE MÁRMORE, QUANTO

MAIS A CORAÇÕES DE CERA?

SÃO AS AFEIÇÕES COMO AS VIDAS, QUE NÃO HÁ MAIS CERTO

SINAL DE HAVEREM DE DURAR POUCO, QUE TEREM DURADO MUITO

SÃO COMO AS LINHAS QUE PARTEM DO CENTRO PARA A

CIRCUNFERÊNCIA, QUE QUANTO MAIS CONTINUADAS,

TANTO MENOS UNIDAS

POR ISSO OS ANTIGOS SABIAMENTE PINTARAM O AMOR

MENINO, PORQUE NÃO HÁ AMOR TÃO  ROBUSTO QUE

CHEGUE A SER VELHO

DE TODOS OS INSTRUMENTOS COM QUE O ARMOU A

NATUREZA, O DESARMA O TEMPO

AFROUXA-HE O ARCO, COM QUE JÁ NÃO TIRA

EMBOTA-LHE AS SETAS, COM QUE JÁ NÃO FERE

ABRE-LHE OS OLHOS, COM QUE VÊ O QUE NÃO VIA

E FAZ-LHE CESCER AS ASAS, COMQ EU VOA E FOGE

Y SOL DE EL AMOR QUEDA EL VENENO

 

2

O SEGUNDO REMÉDIO DO AMRO É A AUSÊNCIA

MUITAS ENFERMIDADES SE CURAM SÓ COM A MUDANÇA

DO AR,  AMOR COM A DA TERRA

É O AMOR COMO A LUA, QUE EM HAVENDO TERRA EM MEIO,

DAIO-O POR ELIPSADO

E QUE TERRA HÁ QUE NÃO SEJA A TERRA DO ESQUECIMENTO,

SE VOS PASSASTES A OUTRA TERRA?

SE OS MORTOS SÃO TÃO ESQUECIDOS, HAVENDO TÃO POUCA

TERRA ENTRE ELES E OS VIVOS, QUE PODEM ESPERAR E

QUE SE PODE ESPERAR DOS AUSENTES?

SE QUATRO PALMEOS DE TERRA CAUSAM TAIS EFEITOS,

TANTAS LÉGUAS QUE FARÃO?

EM OS LONGES PASSANDO DE GIRO DE ETA, NÃO CHEGAM

LÁ AS FORÇAS DO AMOR

ESTES PODERES TEM A VICE-MORTE, A AUSÊNCIA

OS QUE MUITOS SE AMARAM APARTARAM-SE ENFIM: E SE

TOMARDES LOGO O PULSO AO MAIS ENTERNECIDO,

ACHAREIS QUE PALPITAM NO CORAÇÃO AS SAUDADES,

QUE REBENTAM NOS OLHOS AS LÁGRIMAS E QUE SAEM

DA BOCA ALGUNS SUSPIROS QUE SÃO AS ÚLTIMAS

RESPIRAÇÕES DO AMOR

MAS SE TOMARDES DEPOIS DESTES OFÍCIOS DE CORPO

PRESENTE QUE ACHAREIS?

OS OLHOS ENXUTOS, A BOCA MUDA, O CORAÇÃO SOSSEGADO

Y LA MÁS FUERTE CONQUISTA

EM ESCURO SE HACIA

 

3

O TERCEIRO REMÉDIO DO AMOR É A INGRATIDÃO

E FERIDO O AMOR NO CÉREBRO E FERIDO NO CORAÇÃO,

COMO PODE VIVER?

QUEM SUFRIRA TAN ÁSPERA MUDANÇA

DEL BIEN AL MAL? O CORAÇON CANSADO!

 

4

É POIS O QUARTO E ÚLTIMO REMÉDIO DO AMOR E COM O

QUAL NINGUÉM DEIXOU DE SARAR O MELHORAR

DE OBJETO

DIZEM QUE UM AMOR COM OUTRO SE PAGA E MAIS CERTO

E QUE UM AMOR COM OUTRO SE APAGA

GRANDE COISA DEVE SR O AMOR, POIS SENDO ASSIM QUE

NÃO BASTAM A ENCHER UM CORAÇÃO MIL MUNDOS

NÃO CABEM EM UM CORAÇÃO DOIS AMORES

SE ACASO SE ENCONTRAM E PLEITEAM SOBRE O LUGAR,

SEMPRE FICA A VITÓRIA PEL MELHOR OBJETO

O MAIOR CONTRÁRIO DE UMA LUZ E OUTRA LUZ MAIOR

AS ESTRELAS NO MEIO DAS TREVAS LUZEM E RESPLANDECEM

MAIS, MAS EM APARECENDO O SOL QUE É LUZ MAIOR

DESAPARECEM AS ESTRELAS

O MESMO LHE SUCEDE AO AMOR POR GARANDE E EXTREMADO

QUE SEJA

EM APARECENDO O MAIOR E MELHOR OBJETO, LOGO SE

DESAMOU O MENOR

AMOR

                                                                  HUMOR

                                                        (V E i, P. 147-148)

 

                                               (de Barrocolagens, 1981)

 

 

O AÇUDE

 

Há neste açude lendas afogadas,

deuses dormindo o sono que os transcende.

Nenhuma sede irá buscá-lo incauta.

Nele, porém, dois cães vigiam sempre.

 

Não há peixes no açude, nem há vagas.

A seu apelo mudo na atende

O vento viajor das madrugadas.

O açude é um cemitério diferente.

 

Os mesmos cães na ladram. Pelo afã

Soment é que parecem-nos dois cães.

O açude é um muro longo, erguido em gelo,

 

Que por castigo os deuses sem destino

tornaram mausoléu, doando ao limo

o segredo final para rompê-lo.

 

                            (De O AÇUDE e Sonetos da Descoberta, 1953)

 

 

Recomendamos:

 

 

OLIVEIRA, Anelito de.  A aurora das dobras: introdução à barroquidade poética de Affonso Ávila.  Montes Claros, MG: Inmensa, 2013.  179 p.  ilus.  21x30 cm.  ISBN 978-85-6460605-0   Texto a partir da tese de doutorado do autor.  “Anelito de Oliveira” Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

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TEXTO EN ESPAÑOL

 

TEORÍA DE LAS PURETAS

         Trad. de Juan Tello

la realidad es la de los puretos
la real edad es la de los puretos
la hilaridad es la de los puretos

         (su filosofia es el civismo
         su filosofia es el cinismo
         su filosofia es el si mismo
)

el credo es el dinero
el cristo es el dinero
el critério es el dinero

         (su verdad es la cia
         su verdad es la cifra
         su verdad es el cifrado
)

el estadista es el usurero
la estadística es el userero
la estatua ecuestre es el usurero

         (su paisaje es el blanco
         su paisaje es el banco
         su paisaje es el balance
)

el hombre puro es el paladino
el hombre público es el paladino
el hombre pútrido es el paladino

         (su política es la del bendecido
          su política es la del beneficio
         su política es la del bien nacido
)

 

el herrete es la libertad
la herrumbre es la libertad
la herradura es la libertad

         (su retórica es el rui
         su retórica es el ruido
         su retórica es la ruina)

el hábito es la familia
el hálito es la familia
el alibi es la familia

         (su moral es la fachada
         su moral es la fe ciega
         su moral es la fiesta cierta
)

el patrón es la mediocridad
el padrón es la mediocridad
el panteón es la mediocridad

         (su cátedra es la maña
         su cátedra es el trivio
         su cátedra es lo trivial
)

el tema tierno es la sensibilidad
el tierra-a-tierra es la sensibilidad
la terratenencia es la sensibilidad

         (su poesía es la de bilac
         su poesía es la del vivac
         su poesía es la del destajo
)

el mito es la desconfianza
la mística es la desconfianza
la mistificacación es la desconfianza

         (su ideología es la forma
         su ideología es la fuerza
         su ideología es la horca)

Extraído de CUATRO SIGLOS DE POESÍA BRASILEÑA. Introducción, traducción y notas de Juan Tello.  Caracas: Centro Abreu e Lima de Estudios Brasileños; Instituto de Altos Estudios de América Latina, Universidad Simón Bolivar, 1983.
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ELECCIÓN  DEL USURERO

 

El oso si se carona

 con su lisonja

         (los cortesanos escriben sus edictos) .

 

El oso si se corona

 con su ungüento

         fios cortesanos insertan su engaño)

 

El oso si se carona

         con su incienso

         (los cortesanos entonan sus coros)

 

El oso si se carona

         con su ponzoña

         (los cortesanos conspiran en sus sufragios)

 

El oso si se carona

         con sus esponjas

         (los cortesanos decíden su sanción)

 

El oso si se carona

         con su ombligo

         (los cortesanos disponen su casaca)

 

El oso si se corona

         con su joroba

         (los cortesanos aprontan sus mujeres)

 

El oso si se carona

         con su calvície

         (los cortesanos adornan su palacio)

 

El oso si se carona

         con su oro

         (los cortesanos sirven su banquete)

 

El oso si se carona

         con su usura

         (los corfesanos recogen sus ofrendas)

 

 

POESÍA TESTIMONIAL LATINOAMERICANA.Org. y traducción: Saúl Ibargoyen; Jorge Boccanera.  México, DF: Editores Mexicanos Unidos, 1999.  347 p 

 

Poetas Antonio Miranda e Affonso Ávila,


Poetas Antonio Miranda e Affonso Ávila,
encontro em Belo Horizonte, fev. 2010.


 

Página ampliada e republicada em abril de 2008; republicada em fevereiro de 2009

 

 



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