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PEDRO LYRA

 

 

Nasceu em Fortaleza, em 1945. Na atualidade é referência de grande valor na literatura brasileira pós-modernista. Os seus poemas têm sido publicados em vários países. Poeta, crítico, ensaísta, antologista de poesia e professor de poética na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Coordenador da coleção “Nossos Clássicos”. Membro da Comissão Editorial da revista “Tempo Brasileiro”.  

Página do autor na web: http://www.almadepoeta.com/pedrolyra.htm

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS   /  TEXTOS EN ESPAÑOL

 

Veja também: PEDRO LYRA en FRANÇAIS et PORTUGUÊS

 

 

 

LYRA, Pedro.  Ideações. 30 sonetos conceptuais.   Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2012.  48p.  11x16 cm.  Ex. Biblioteca Nacional de Brasília, doação Aricy Curvello.

 

 

         NOSSA AVENTURA
 
        (SONETO DA CONSTATAÇÃO)

 

         Nossa aventura é só decepção:

         primeiro
                      retiraram-nos do centro
         nos largando
                              aos subúrbios do universo;
         depois
                    negaram a filiação divina
         mostrando uma ascendência
                                                     de antropoides;
         logo após
                        golpearam a liberdade
         provando que se pensa
                                            tal se vive;
         no final
                    subjugaram a consciência
         submetendo a vontade
                                             a uma pulsão.
         Quebramos nosso espelho
                                                 sem ressalvas
         pois ainda
                          restava-nos
                                             o Amor.
         Porém
                   na hora-vida
                                        rompe o outro
         e corta o último fio
                                       ao constatar-nos

 

 

CONTRA O DESTINO
(SONETO DE CONSTATAÇÃO – VIII)

 

Nasce um homem.
                            Quando ele se percebe
joga contra o destino a sua vontade:
quer luzir
              quer voar
                              quer transcender
para provar que a vida tem sentido.

Trabalha:
              cada fruto desse esforço
lhe torna o mundo em forma de desfrute.

Combate:
               cada etapa ultrapassada
acrescenta-lhe forças para outras.

Pesquisa:
              cada pedra lapidada
lhe confirma o triunfo sobre o tempo.

Mas na bora mais densa
                                    opaca
                                              íntima
em que um espelho cego cobra a prova
nem riqueza
                    nem glória
                                      nem poder
— só interessa mesmo o que lhe falta.

 

 

 

LYRA, Pedro. Decisão. Poemas dialéticos.  Rio de Janeiro: Tempo brasileiro, 1983.   148 p. 14x21 cm.  Capa: Normanda “ Pedro Lyra “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

 

DA FELICIDADE

 

Não há ninguém feliz

não há

         — a paz —

                            que guarda o ser

(sem medo, sem carência)

ninguém provou

                            — a liberdade —

                                                    que solta o tempo

(sem peia, sem limite)

ninguém teve

                   — o amor —

                                      que encanta o mundo

(sem mágoa, sem lacuna)

ninguém viveu.

 

É guerra, opressão, egoísmo:

—como responder ao apelo da terra?

—como realizar o destino do ser?

 

Não há ninguém feliz.

 

(Pelo menos até hoje).

 

            (Decisão, 1985)

 

 

 

LYRA, PedroDesafio: uma poética do amor.  3ª ed. Fortaleza, CE: Topboos/Editora UFC, 2002.  338 p.  14x21 cm.  ISBN 85-0025-6  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

 

SONETO DE CONFISSÃO – IX

 

Eu reconheço, amigo, esta miséria:

nunca soube fundir poesia e amor.

Era apenas contato

                            —sem paixão

ou era apenas chama

                            —sem suporte.

 

Nunca a musa mais plena fez-se carne:

—quando ensaiava

                            a fonte se esvaía.

Nunca a parceria ia além do ato:

—faltava sempre o impulso

                                      para o vôo.

Entre o real e o avesso

                                      desvivi-me:

nem subia do chão um só degrau

nem descia da nuvem para a rua.

 

E afinal sublimaste este fracasso

mais amada no sonho

                               que na vida

mais viva no poema

                               que na cama.

 

 

            (Desafio, 1991)

 

 

APENAS UMA LEMBRANÇA

 

Passa na madruada

a lembrança de um desejo.

 

Nenhum ressentimento.

Nenhum sentimento, também.

 

Apenas a lembrança.

 

E era belo o tempo

—aquele tempo em que o amor justificava a nossa vida

com uma troca de vivências.

 

Passou.

 

Como esta madrugada

que te despertou por um momento.

 

Agora é dia.

 

E já não vejo teu olhar

no sol que surge.

 

 

            Contágio (1995)

 

 

A NOSSA CULTURA CORRIGIRIA A NOSSA NATUREZA

 

E que apenas abertos os caminhos da Terra

estariam abertos os caminhos das estrelas.

 

                   Hoje

                   esse futuro

                                      e já

                                      e só

                                               passado.

 

SERÁ QUE ESTA ESPERANÇA

                                      VOLTA

                                               NO PRÓXIMO MILÊNIO?

 

Eu espero:

quem já sofreu alguns deles

pode esperar mais alguns.

 

 

            Errância (1996) 

 

 

 

PEDRO LYRA

Do livro Argumento – Poemythos globais

(Rio de Janeiro, Ibis Libris, 2006)

 

 

O GRANDE EFEITO

 

O efeito pior

do Neo-Liberalismo

não foi sobre a economia,

coisa de ricos – uma condenada minoria;

nem sobre a cultura – coisa de sonhadores;

nem sobre essa política – coisa de porcos.

 

Foi sobre a própria vida:

– sobre o amor.

 

Não se aceita a impureza

na água que nos limpa,

no prato que nos salva,

no coração do amigo com quem compartilhamos o drama ou o triunfo.

 

E temos de aceitá-la

no peito da pessoa

que se ama?

 

O Neo-Liberalismo estragou tudo

– até o amor.

 

Adeus, amor!

Não há mais sentimento:

só sensação – sem mais a chama que encanta

quem o desperta,

quem a provoca.

 

Ficou banal

sexar – com qualquer um;

ficou patético

amar – a qualquer um.

 

E não cabe perdão:

– ninguém re-ama.

 

O Neo-Liberalismo revirou pelo avesso as relações humanas:

privatizou o de-todos – o que tem de ser de todos;

publicizou o de-um – o que só pode ser de um.

 

E estragou tudo

– até o amor.

 

Adeus, amor!

(Inauguramos a Era

da solidão coletiva.)

 

 

A GRANDE MEDIDA

 

Os juristas não concordam.

O congresso, também não.

O povo, muito menos.

 

(Concordam

os banqueiros.)

 

A imprensa desmascara tudo

mas o governo impõe.

 

Honra de governo consiste em impor

como a de bandido em matar.

 

(São dois monstros

em ação.)

 

 

A LENDA DA ÉTICA

 

Chovem denúncias

contra o governo.

 

Os energúmenos ostentam os fatos

nas expressões com que os negam.

 

Mas o Suserano flana tranqüilo:

– ainda não exibiram provas.

 

(O país está todo enlameado

e ele insiste que não choveu.

 

E que a lama não tem

prova da chuva.)

 


O GRANDE PAÍS

 

A maior concentração de renda do mundo.

A maior taxa de juro do mundo.

A maior tributação do mundo.

 

E a menor taxa de escolaridade do mundo.

O menor consumo de proteína do mundo.

A menor expectativa de vida do mundo.

 

E, no entanto,

com uma natureza tão fecunda

e uma gente tão criativa,

podia ser o contrário.

 

Podia!

 

Mas vige a lei do Mercado

contra as da civilização.

 

 

O VALOR DA VIDA

 

Adeus, privacidade!

Um olho eletrônico nos vigia

até em nosso sono.

 

Prerrogativas, adeus!

Um tribunal bloqueia a porta

por onde teríamos de entrar (ou de sair).

 

Adeus, segurança!

Uma bala nos espreita

na esquina onde vamos passar daqui a pouco.

                                 

Antes, inocentes até prova em contrário;

agora, suspeitos até mesmo sem indício algum.

(Só um jeito diferente de olhar

– coisa de apaixonado.)

 

É o terror, a conta-gotas.

 

Adeus, direitos humanos!

Adeus, democracia!

Adeus, amor!

 

(A vida vale um enterro.)

 

 

 

 

LYRA, Pedro.  Musa lusa. Sonetos de amor.  Lisboa: Limiar, 1988.   119 p.   (Col. Os Olhos e a Memória, 43)  12,5x20,5 cm.  Desenho de José Rodrigues. Capa protegida por papel manteiga.   Col. A.M. 

 

SONETO DO AMOR FATAL

 

Ele assoma

                 insinua-se

                                  imiscui-se

com malícia e blandície de serpente:

ensaia um paraíso antes do golpe

e escancara um inferno após um beijo.

 

E seta

          e farpa

                     e dardo

                                 e bala

                                          e míssil

destrói só à visão

                            à ideia

                                       ao nome

dourando na ilusão do desamado

seu bobo sonho de romper limites.

 

Promete e falha.

                         Dá e toma.

                                           E enleia

na envenenada teia dos caprichos

a mente e o coração de quem lhe creia.

 

Aquilo que ele acresce não faz falta:

 

melhor é seguir livre sem prová-lo

do que prová-lo e nunca mais ser livre.

 

 

SONETO DO AMOR INSATISFEITO

 

Toda a tola visão de um paraíso

que se foi construindo no desejo

em vez de se cumprir

                                  se esfaz no encontro

pra mostrar o vazio do suposto

de ver no alvo o que está só no foco

preso na fonte

                       e que não passa pleno

não jorra livre

                        estanca antes do ponto

e

   no seu quase

                        nunca nos contenta

excepto se bastasse o amor ao ego.

 

Contra a satisfação

                              —a frustração

de amar a si pensando amar a outro

buscar um outro e sempre achar um mesmo.

 

E nessa sensação de incompletude

cruzar consigo

                        só

                             com quem que fosse.

 

 

 

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TEXTOS EN ESPAÑOL

 

Extraídos de la

ANTOLOGÍA DE LA POESÍA BRASILEÑA

Org. y traducción de Xosé Lois García

Santiago de Compostela: Ediciones Laiovento, 2001

(con la autorización del traductor)

 

 

DE LA FELICIDAD

 

No existe nadie feliz

no existe

         — la paz —

                            que guarda el ser

(sin miedo, sin privación)

nadie probó

                            — la liberdad —

                                                    que desata el tiempo

(sin obstáculos, sin límite)

nadie tuvo

                  — el amor —

                                      que encanta al mundo

(sin pena, sin vacío)

nadie vivió.

 

Es guerra, opresión egoísmo:

—¿Cómo responder al reclamo de la tierra?

—¿Cómo realizar el destino del ser?

 

Não há ninguém feliz.

 

(Por lo menos hasta hoy).

 

            (Decisão, 1985)

 

 

SONETO DE CONFESIÓN – IX

 

Yo reconozco, amiga, esta miseria:

nunca supe conjugar poesía y amor.

Era sólo contacto

                            —sin pasión

o era sólo llama

                            —sin base.

 

Nunca la musa más plena se hizo carne:

—cuando ensayaba

                            la fuente se desvanecia.

Nunca ala compañera iba más allá de la acción:

—siempre faltaba el impulso

                                      para el vuelo.

Entre lo real y lo opuestoo

                                      Me desviví:

ni subía um sólo peldaño del suelo

ni descendia de la nube hacia la calle.

 

Y al final sublimaste este fracaso

más amada en el sueño

                               que en la vida

más viva en el poema

                               que en la cama.

 

 

            (Desafio, 1991)

 

 

 

APENAS UM RECUERDO

 

Pasa en la madrugada

el recuerdo de un deseo.

 

Ningún resentimiento.

Ningún sentimiento, tampoco.

 

Apenas el recuerdo.

 

Y era bello el tiempo

aquel tiempo en el que el amor justificaba nuestra vida

con un intercambio de vivencias.

 

Pasó.

 

Como esta madrugada

que te desperto por un momento.

 

Ahora es día.

 

Y ya no veo tu mirada

en el sol que surge.

 

 

            Contágio (1995)

 

 

NUESTRA CULTURA CORRIGIRÍA NUESTRA NATURALEZA

 

Y que sólo una vez abiertos los caminos de la Tierra

estarían abiertos los caminos de las estrellas.

 

                   Hoy

                   ese futuro

                                      es ya

                                      y sólo

                                               pasado.

 

¿ ESTA ESPERANÇA

                            VOLVERÁ

                                            EN  PRÓXIMO MILENIO?

 

Yo  espero:

quien ya surfrió algunos de ellos

puede esperar algunos más.

 

 

            Errância (1996)

 

 

 

PEDRO LYRA

Do livro Argumento – Poemythos globais

(Rio de Janeiro, Ibis Libris, 2006)

A sair em breve em espanhol.

Tradução de Stephanie White

 

 

EL GRAN EFECTO

 

El efecto peor
del Neoliberalismo
no fue sobre la economía,
cosa de ricos – una condenada minoría;
ni sobre la cultura – cosa de soñadores;
ni sobre esa política – cosa de cerdos.

Fue sobre la propia vida:
– sobre el amor.

No se acepta la impureza
en el agua que nos limpia,
en el plato que nos salva,
en el corazón del amigo con quien compartimos el drama o el triunfo.

 

¿Y tenemos de aceptarla
en el pecho de la persona
que se ama?

El Neoliberalismo estropeó todo
– hasta el amor.

 

¡Adiós, amor!
No hay más sentimiento.
Sólo sensaciones – ya sin la llama que encanta
quien lo despierta,
quien la provoca.

Ya es todo banal
sexar – con cualquiera;
Ya es patético
amar – a cualquiera.

Y no cabe el perdón:
– nadie re-ama.

El Neoliberalismo reviró por al revés las relaciones humanas:
se hizo privado el de-todos – lo que tiene que ser de todos;
se hizo público el de-uno – lo que solo puede ser de uno.

Y estropeó todo
– hasta el amor.

 

¡Adiós, amor!

(Inauguramos la Era

de la solitud colectiva.)

 

 

LA GRAN MEDIDA

 

Los juristas no están de acuerdo.
El congreso, tampoco.
El pueblo, mucho menos.

(Están de acuerdo
los banqueros.)

La imprenta desenmascara todo
pero el gobierno impone.

Honor de gobierno consiste en imponer
como la de bandido en matar.

(Son dos monstruos
en acción.)

 

 

LA LEYENDA DE LA ÉTICA

 

Llueven denuncias
contra el gobierno.

Los energúmenos ostentan los hechos
en las expresiones con que los niegan.

Pero el Suserano vaguea tranquilo:
– todavía no exibieron pruebas.

(El país está todo enlamado
y el insiste que no llovió.

Y que la lama no tiene
prueba de la lluvia.)

 

 

EL GRAN PAÍS

 

La mayor concentración de la renta del mundo.
La mayor tasa de interés del mundo.
La mayor tributación del mundo.

Y la menor tasa de escolaridad del mundo.
El menor consumo de proteína del mundo.
La menor expectativa de vida del mundo.

Y, sin embargo,
con una naturaleza tan fecunda
y una gente tan creativa,
podría ser al contrario.

 

¡Podría!

Pero está en vigor la Ley del Mercado
contra las de la civilización.

 

 

EL VALOR DE LA VIDA

 

¡Adiós, privacidad!
Un ojo electrónico nos vigila
hasta en nuestro sueño.

Prerrogativas, ¡Adiós!
Un tribunal bloquea la puerta
por donde tendríamos de entrar (o de salir).

 

¡Adiós, seguridad!
Una bala nos acecha
en la esquina donde vamos a pasar en un rato.

Antes, inocentes hasta prueba en contra;
ahora, sospechosos hasta mismo sin indicio alguno.
(Solo una manera diferente de mirar
– cosa de apasionado.)

Es el terror, a cuentagotas.

¡Adiós, derechos humanos!
¡Adiós, democracia!
¡Adiós, amor!

(La vida vale un entierro.)

 

 

 

 

 

Página publicada em dezembro de 2007. ampliada e republicada em setembro de 2011.



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