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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




(Fotos de Juvenildo Barbosa Moreira)

FERNANDO MENDES VIANNA
(1933-2006)

Nasceu no Rio de Janeiro. Poeta e tradutor de poesia. Estreou em 1958 com Marinheiro no Tempo e Construção no Caos (Rio de Janeiro, ed. Simões). Seguiram-se A Chave e a Pedra (Rio de Janeiro: São José, 1960), Proclamação do Barro (Rio de Janeiro: José Álvaro, 1964). O Silfo-Hipogrifo (Rio de Janeiro: José Olylmpio/ MEC) mereceu o Prêmio Literário do INL de 1972, na categoria de inéditos; Embarcado em Seco (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira/MEC, 1978); Marinheiro no Tempo: antologia (Brasília: Thesaurus, 1986) – Prêmio Literário Nacional do INL na categoria obra bublicada); Ah, Último Paraiso (Zaragoza, 1998); Antologia Pessoal (Brasília: Thesaurus, 2001); A Rosa Anfractuosa (Brasília: Thesaurus, 2004). Traduziu Quevedo e os clássicos espanhóis em geral assim também Victor Hugo.

 

Fernando Mendes Vianna faleceu subitamente, deixando-nos fisicamente, dia 10 de setembro de  2006. Recebo de Anderson Braga Horta os derradeiros versos do grande poeta amigo nosso... de despedida, de libertação. Escolho este como homenagem e preito de saudade:

 

 

EXÉQUIAS

 

EXIT. FUI.

ENFIM, FUI-ME.

REINTEGREI-ME NO FLUME

DE LUME – A ETERNIDADE.

 

ENFIM O FIM DA BUSCA

DA DIFERENÇA ENTRE

MENTIRA E VERDADE.

TUDO AGORA É ETERNIDADE.

 

TEL QUEL, ENFIN, L’ETERNITÉ

EN LUI MÊME LE CHANGE.

 

NEM HUMANO, NEM DEMÔNIO

NEM UM SONHO DE ANJO.

 

PLENITUDE TOTAL,

SEM BEM , NEM MAL.

ENFIM A PLENITUDE

DO HOMEM-ANIMAL.

 

DE VOLTA À MINHA

VERDADEIRA CONDIÇÃO

DE ELEMENTO ÍGNEO

DO INDÍGNO

SIGNO TERRÁQUEO.

 

ALELUIA! ALELUIA!

NÃO ETERNO

DE MALA E CUIA!

 

(09 de agosto de 2006)  

 

 

 

VIANNA, Fernando Mendes. Proclamação do barro.  Rio de Janeiro: José Álvaro, editor, 1964.  187 p.  13,5X20,5 cm.  “ Fernando Mendes Vianna “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 



Em Português:                                  En Español


EMBARCADO EM SECO

 

Embarcado,

emborcado

- embarcadiço

sediço no beco -,

no muro viço,

entre muros viço.

 

Quando seco,

o sol ameaça

abrir-me em túnel

sem saída.

Mas a vida

- ave de aço –

vara o funil.

 

E continuo

contínuo barco

no verso onde zarpo

e fico ao largo

- embora seco.

 

PEIXE-VOADOR

 

Alo-me, embora em remos

de bote – meu peixe

voador. Apesar de galé

com amarras em terra,

lá vou eu, aos pulos e tombos,

aquático bailarino maluco,

subindo, caindo, subindo,

funâmbulo peixe de circo,

fugindo em vão à função.

De tanto pulo, encalho

e na areia sucumbo

entre piche e refugos.

E não existe fuga.

Apodrecidas escamas

- ainda há pouco asas –

já lixo de urubu.

Engolido, sou devolvido ao ar.

 

 

POÉTICA

 

Nas quatro paredes do meu quarto

               crucificado no crepúsculo

em trêmulos reflexos nos muros,

               o mar sorri

um sorriso enigmático e oblíquo.

 

 

O MIGRANTE

 

Emigrante e imigrante de mim mesmo,

sem passaporte sigo nos mares e ares.

Não me atrapalha o mundo e seus lindes,

e cruzo qualquer pátria clandestino.

 

Limites impressos em códigos e mapas

não são fronteiras, não, para um poeta.

Inferno é o mundo máximo. O resto,

pegadas vãs – pó e pó, barro no barro.

 

Vou e volto dentro do eu-planeta,

ao sopro do poema – vento no velame

do barco da carne. O corpo voa!

 

Não me detém o mundo: suas alfândegas,

feitas de mofo, o vento as leva

- enquanto chego e parto a qualquer hora.
 

   

SETE AUTO-RETRATOS

 

I

Delicadas escamas

de finíssima platina

recobrem minha guelras

                       roxas.

Cota de malha de lua

nesta arena rubra.

 

II

Cada copa de árvore

é um balão verde

na mão de um morto

              menino

- menino oculto

nas raízes.

 

III

A nuvem é meu talismã,

               minha tatuagem,

minha única ruga,

minha fotografia azul

                de tuareg.

 

IV

De cada veia cortada

jorram rosas,

rosas brancas, azuis, amarelas, malvas

- nunca rubras.

As rosas escarlates,

essas uivam ocultas

nas vísceras...

petisco do abutre.

 

V

Minha elegante roupa burocrática,

                 meu terno

é um vil disfarce medieval

                 de servo.

                 A gravata,

fútil corda de enforcado

                 fauno.

 

VI

O turbante é real:

Príncipe do Nepal

meditando nos píncaros

              do Tibé

o vazio das trombetas,

o cadáver anatômico

dos cavalos e das bailarinas

o sepulcro de seda amarela

 

              do vale no outono.

 

VII

Não fosse a ração de azul

              o areal seria total,

total a sede

nestas andanças

nas areias e areias

do convívio.

 

Meu absinto é o sol.

 

 

SONATA CREPUSCULAR SEM VENTO

 

Olhando-se num espelho de prata,

o vento está parado. Sua face é halo.

Seu som, hálito do silêncio.

Tudo flutua, flauta em penumbra,

alta, alada, alva garça

que volta devagar à árvore

oculta na distância e na sombra.

Bóia na água, na terra e no ar

uma vaga lembrança violácea

e áurea, lenço de adeus do sol.

Na água plácida, um barco

parece levitar, peixe num aquário.

 

 

A GRANDE LUA

 

A luz não se acaba. Porque a lua

antrebrilha num crepúsculo sem nexo.

 

Será lua ou uma flauta que imobiliza

e apascenta a luz no céu carnal?

 

Até as águas salgadas hipnotiza.

 

Não rimo sua face de sacerdotisa

com vaticínio, nem paz, nem martírio.

 

O luar é um estátua de hidrargírio

e tem um olho de mitológico animal.

 

Zarpa, nave, passa a barra!

Maldição, maldição é a amarra!

 

Escuto os coros sacros do crepúsculo,

e não me apraz movimentar um músculo:

 

tenho medo da lua e sua garra.

 

 

O MARINHEIRO

 

Corpo.

O corpo ignoto.

Sempre novo.

O corpo é mar.

 

Navegante

e cartógrafo

avanço, descubro

e tomo posse

de um corpo

em nome

do meu corpo.

 

Recorto as costas,

os braços, as baías,

apalpo as praias.

Tudo anseia ver

a vela.

 

Todo corpo é mar,

é ar, é terra.

Viaja-lo.

 

Marujo,

viajar o corpo

é ofício,

é recreio.

 

Vê-lo,

amá-lo,

mapeá-lo

- esse o roteiro.

 

Corpo:

terramareamr!

 

Visto, amado, mapeado

o corpo,

levantar âncora!

 

Prossigo,

perseguindo

nas ondas do corpo

outro corpo,

o corpo.

 

 

PRAIA DE BÚZIOS

 

Dos búzios restam fantasmas que murmuram

no marulho da orla.

 

Era ainda mais mansa esta praia,

suave a linha d´água

no papel branco, areia lisa.

Era limpa.

Não havia ossos de sereias.

Nem caricaturas magras de biquíni.

 

Foi antes dos veranistas.

Foi antes mesmo da existência das traineiras.

 

Nesta praia só restaram relíquias

- pó dourado que se soltou das escamas

                das deusas.

 

Mar,

rompe os restos dos quebrados búzios!

Para que haja silêncio.  

 

 

ESTATUTO

 

Um severo estatuto

preside esta procura:

dizer o sol e o luto

em carne e ossatura.

 

Poluto ou impoluto,

água do poço ou da altura,

a flor do canto não dura

sem o caroço do fruto.

 

   

O HIPOGRIFO

 

Este é o animal da minha sina,

mais que Pégaso minha montaria:

cascos de vento, garras de agonia.

 

Seu bico recurvo me examina.

Em seu dorso nada me alivia.

Do Alto sua gula me desvia.

Seu galope na terra me alucina.

 

Este animal é toda a minha sina.

Ele me devora, ele me recria.

 

 

ANTES DE TEMPESTADE

 

O mar, uma lâmina fria.

 

Todos o pensavam manso,

todos o pensavam frio...

 

O mar, lâmina dura,

de aço.

 

O mar, num ácido escuro

se consumia.

 

 

O POETA

 

Movendo-se em vida submarina,

soletrando palavras submarinas,

o poeta – esqualo e esquadro –

lúcido e feroz, busca o auto-quadro.

 

 

Sua meta é o fundo. O mundo

é a morte sob mil formas. Por isso

ele próprio se transforma, insubmisso.

 

Nas gestações do retrato,

nenhum trato com assombrações,

nem pacto com neblinas.

Turvo por si, o núcleo

-submarino – quer antenas, tato

concreto. Nada de penas. Peixe,

cria barbatana e um corpo em feixe.

Para o mar

não lhe servem asas de voar.

 

Busca o íntimo fato. O adro claro

ofusca o cego respirar. Seu templo, gruta

segregada como concha, cresce como fruta

em torno da semente do seu faro

sem ar. A superfície é um luxo

e pode ser nefasto, se o bruxo

tardar no mergulho. O repasto geral

- a beleza, o calor e a luz do natural –

assassina, indiferente, seu orgulho.

 

Lúcido e feroz, seu dente mina

o corpo do que existe.  Dói. Insiste.

Sem loucura. Corrói e se corrói

para não ruir:

reconstruir sempre a sua procura.

 

 

CREPÚSCULO

 

Andorinhas viram a parda luz

pelo avesso, num giro tão veloz

que reluz na tarde, fulcro em vôo.

 

Álacre, seu pio.  Triste, minha voz

anoitecida

- gesto mudo que eu meço e não desfiro.

 

Aves, minha vida se reduz...

 

 

CANÇONETA

 

Somos o leito de um rio,

somo o leito do Tempo.

Um oceano já fomos?

Um oceano seremos?

 

Depois da morte, morremos?

 

Ai! Prefiro não ser mar,

rolar em pedras, chorar.

 

   

PESADELO

 

Mugen os bois de salsugem,

fuçando um arenoso estrume.

 

O vento, velha cadela,

uiva na estepe amarela.

 

Meu grito se corta no gume

de um ávido e ácido lume.

 

Como terra-a-dentro: viela,

rosto de um muro sem janela.

 

Não há socorro neste beco.

Morro semente

                         em solo seco.

 

 

PAISAGEM JUNTO AO MAR

 

O salitre se infiltra e medra

na pedra azeda, suada, sitiada

pelo salgado pêndulo do Mar.

Este aríete nunca se esfuma.

Não o abranda nenhuma prece,

nem alvas carícias de seda.

 

O suor da pedra é sua messe.

 

Na pedra a onda nidifica,

e o dente puro da espuma

na pedra fica.  O tempo

dói sem pressa: eterno rói,

dia após dia, o elemento

humano e sua inútil penedia.

 

Até que a roca seja só

uma praia indefesa – pó.

 

   

OFÍCIO MANUAL

 

Percorrer teu corpo com as mãos

como se mãos fossem pés de criança correndo na relva,

como se mãos fossem pés de lavrador percorrendo o campo.

 

Percorrer teu corpo

como as asas das garças percorrem o céu,

como as nadadeiras dos peixes percorrem a água.

 

Percorrer teu corpo

com o olhar de uma criança percorrendo um brinquedo

antes de segurá-lo,

com a risada de uma criança segurando o brinquedo.

 

Percorrer teu corpo

como o olhar percorre o vinho ainda na videira

e apoja de sumo nossa boca.

 

Percorrer teu corpo

como um pomar carregado e um jardim florido,

colhendo flores e colhendo frutos.

 

Percorrer teu corpo

como um rio espalhando o humo na terra.

 

 

Extraído da antologia Marinheiro no Tempo.  Brasília: Thesaurus, 1986. 280 p.


Extraído de:
2011 CALENDÁRIO   poetas     antologia
Jaboatão dos Guararapes, PE: Editora Guararapes EGM, 2010.
Editor: Edson Guedes de Morais

 

/ Caixa de cartão duro com 12 conjuntos de poemas, um para cada mês do ano. Os poetas incluídos pelo mês de seu aniversário. Inclui efígie e um poema de cada poeta, escolhidos entre os clássicos e os contemporâneos do Brasil, e alguns de Portugal. Produção artesanal.

 

 

 

 

VIANNA, Fernando Mendes.  Poemas do antigo Egito.  Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, Serviço de Documentação, 1965.  54 p.  14x19,5 cm.

 

 

DÍSTICO INSCRITO NUMA BACIA

 

LAVA teu rosto na alegria e na saúde

enquanto gozares a felicidade.

 

 

 

DE UM HINO A OSIRIS, DEUS DOS MORTOS

 

Os milhões e milhões que vêm ao mundo

acabam perto de ti.

Aqueles que ainda estão no ventre materno

já têm o rosto voltado para ti.

 

Ninguém permanece na terra.

Vê, todos vêm a ti:

 

os grandes e os pequenos te pertencem.

Os que vivem na terra, todos, se apressam em direção a ti.

 

Tu és seu senhor, não há outro além de ti.

Todos os que sobem ou descem a corrente da existência breve,

no dia seguinte já estão diante de ti.

O que é e o que não é caminha atrás de ti.

 

 

 

 

(Fotos de Juvenildo Barbosa Moreira)

Poetas Fernando Mendes Vianna e Antonio Miranda. (Brasilia,set. 2005)

FERNANDO MENDES VIANNA

Traduções de Manuel Moreno Jimeno y Ricardo González Vigil.

Extraídos de Marly de Oliveira – Fernando Mendes Vianna  Poemas.  
Introducción de Ricardo González Vigil.  Lima: Centro de Estudos Brasileños, 1979.



EMBARCADO EN SECO

 

Emborcado,

trastrocado

  1. -          marinero
  2. -          sedicioso en el encierro-,

en el muro medro,

entre muros medro.

 

Cuando seco,

el sol amenaza

abrirme en túnel

sin salida.

Pero la vida

  1. -          ave de acero –

perfora el embudo.

 

Y continúo

continuo barco

en el verso de donde zarpo

y quedo embarcado

- aunque en seco.

 

 

PEZ VOLADOR

 

Hálome, aunque con remos

de bote – mi pez

volador. A pesar de galeras

con amarras en tierra,

allá voy, dando saltos y tumbos,

acuático bailarín demente,

subiendo, cayendo, subiendo

volatinero pez de circo,

huyendo en vano de la función.

De tanto salto, encallo

y en la arena sucumbo

entre brea y desechos.

Y no hay escape.

Podridas escamas

  1. -          hasta hace poco alas –

hoy carroña para gallinazos.

Tragado, soy devuelto al aire.

 

 

POÉTICA

 

En las cuatro paredes de mi cuarto

            crucificado en el crepúsculo

entre trémulos reflejos en los muros,

            el mar sonríe

una sonrisa enigmática y oblicua.

 

 

EL MIGRANTE

 

 Emigrante e inmigrante de mi mismo,

sin pasaporte sigo en los mares y aires.

No me detiene el mundo ni sus lindes,

y cruzo cualquier patria clandestino

 

Límites impresos en códigos y mapas

no son fronteras, no, para un poeta.

Interior es el mundo máximo. Lo demás,

pisadas vanas -= polvo en el polvo, barro en el barro.

 

Voy y vuelvo dentro del yo-planeta,

al soplo del poema – viento en el velamen

del barco de la carne. ¡El cuerpo vuela!

 

No me detiene el mundo: sus aduanas,

hechas de moho, el viento se las lleva

  1. -          mientras arribo y parto a cualquier hora.

 

SIETE AUTORRETRATOS

 

I

Delicadas escamas

de finísima platina

recubren mis branquias

              violetas.

Cota de malla de luna

en esta arena rubra.

 

II

Cada copa de árbol

es un globo verde

en la mano de un muerto

             infante

  1. -          infante oculto

en las raíces.

 

III

La nube es mi talismán,

            mi tatuaje,

mi única arruga,

mi fotografía azul

            de tuareg.

 

IV

De cada cortada

manan rosas,

rosas blancas, azules, amarillas, malvas

  1. -          nunca rubras.

Las rosas escarlatas,

éstas aúllan ocultas

en las vísceras…

manjar de buitre.

 

V

Mi elegante ropa burocrática,

              mi terno

es un vil disfraz medieval

              de siervo.

              La corbata,

fútil cuerda de ahorcado

              fauno.

 

VI

El turbante es real:

Príncipe de Nepal

meditando en la cumbres

              del Tibet

el vacío de las trompetas,

el cadáver anatómico

de los caballos y las bailarinas,

el sepulcro de seda amarilla

 

              del valle en el otoño.

 

VII

Si no fuese la ración de azul

              el arenal sería total,

total la sed

en las andanzas

entre las arenas y arenas

de la convivencia.

 

Mi absinto es el  sol.

 

 

SONATA CREPUSCULAR SIN VIENTO

 

Mirándose en un espejo de plata,

el viento está parado. Su rostro es halo.

Su sonido, hálito del silencio.

Todo fluctúa, flauta en la penumbra,

alta, alada, alba garza

que vuelve lentamente al árbol

oculta en la distancia y en la sombra.

Flota en el agua, en la tierra y en el aire

un vago recuerdo violáceo

y áureo, pañuelo de adiós del sol.

En el agua plácida, un barco

parece levitar, pez en un acuario.

 

 

LA LUNA GRANDE

 

La luz no se acaba. Porque la luna

antebrilla en un crepúsculo sin nexo.

 

¿Será la luna o una flauta que inmoviliza

y apacienta la luz en el cielo carnal?

 

Hasta las aguas saladas hipnotiza.

 

No rimo su rostro de sacerdotisa

con vaticinio, ni paz, ni martirio.

 

El claro de luna es una estatua de hidrargirio

y tiene un ojo de animal mitológico.

 

¡Zarpa, nave, ingresa a altamar!

!Maldición, maldición es la amarra!

 

Escucho los coros sagrados del crepúsculo,

y no me place mover un músculo:

 

tengo miedo de la luna y de su garra.

 

   

EL MARINERO

 

Cuerpo.

El cuerpo ignoto.

Siempre nuevo.

El cuerpo es mar.

 

Navegante

y cartógrafo

avanzo, descubro

y tomo posesión

de un cuerpo

en nombre

de mi cuerpo.

 

Bordeo las costas,

los brazos, las bahías,

palpo las playas.

Todo ansía ver

la vela.

 

Todo cuerpo es mar,

es aire, es tierra.

¡Viajarlo!

 

Marino,

viajar el cuerpo

es oficio,

es recreo.

 

Verlo,

amarlo,

recorrerlo

  1. -          ése el derrotero.

 

Cuerpo:

¡tierrmaryaire!

 

Visto, amado, recorrido

el cuerpo,

¡levar anclas!

 

Prosigo,

persiguiendo

en las olas del cuerpo

otro cuerpo,

el cuerpo.

 

 

Traducciones de Manuel Moreno Jimeno y Ricardo González Vigil. Extraídos de Marly de Oliveira – Fernando Mendes Vianna  Poemas. Introducción de Ricardo González Vigil  Lima: Centro de Estudos Brasileños, 1979.

 

 

 

ESTATUTO

 

Un severo estatuto

determina esta tienta:

decir el sol y el luto

en carne y osamenta.

 

Poluto o impoluto,

agua de pozo o de altura,

la flor del canto no dura

si no tiene hueso el fruto.

 

 

EL HIPOGRIFO

 

Este es el animal de mi insignia,

más que Pégaso, mi montería:

cascos de viento, garras de agonía.

 

Su pico recurvo me examina.

En su dorso nada me alivia.

De lo Alto su gula me desvía.

 

Su galope en la tierra me alucina.

Este animal es mi única insignia,

él me devora, él me recría.

 

 

ANTES DE LA TEMPESTAD

 

El mar, una lámina fría.

Todos lo creían manso,

todos lo creían frío…

 

El mar, lámina dura,

de acero.

El mar, en ácido oscuro

se consumía.

 

 

EL POETA

 

Moviéndose en vida submarina,

deletreando palabras submarinas,

el poeta – escualo y escuadra –

lúcido y feroz, busca el autocuadro.

 

Su meta es lo profundo. El mundo

es muerte bajo mil formas. Por eso

él propio se transforma, insurrecto.

 

En las gestaciones del retrato,

ningún trato con el terror,

ni pacto con neblinas.

Turbio de por sí, el núcleo

  1. -          submarino – precisa antenas, tacto

concreto. Nada de penas. Pez

cría aletas y un cuerpo en haz.

Para el mar

no le sirven las alas de volar.

Busca el íntimo hecho. El atrio claro

ofusca el ciego respirar. Su templo, gruta

segregada cual concha, crece como la fruta

en torno a la simiente de su faro

sin aire. La superficie es un lujo

y puede ser nefasto, si el brujo

tarda en hundirse.  El pasto general

  1. -          la belleza, el calor y la luz natural –

asesina su orgullo, indiferente.

 

Lúcido y feroz, su diente mina

el cuerpo de lo que existe. Duele. Insiste.

Sin locura. Corroe y se corroe

para no derruirse:

reconstruir siempre su búsqueda.

 

 

CREPÚSCULO

 

Las golondrinas vuelven la parda luz

del revés, en un giro tan veloz

que reluce en la tarde, fulcro en vuelo.

 

Alacre, su piar. Triste, mi voz

anochecida:

gesto mudo que agito y me despliego.

 

Aves, mi vida se reduce…

 

 

CANCIONCILLA

 

Somos el lecho de un río,

somos el lecho del Tiempo.

¿Un océano ya fuimos?

¿Un océano seremos?

 

Tras de la muerte, ¿morimos?

 

¡Ay! Prefiero no ser el mar,

rodar en piedras, llorar. 

 

 

PESADILLA

 

Mugen los bueyes del lodo

hozando estiércol arenoso.

 

El viento, vieja perra,

aulla en la amarilla estepa.

 

Mi grito se corta en el filo

de un ávido y ácido brillo.

 

Corro tierra adentro: callejón,

rostro de un muro sin balcón.

 

No hallo socorro en tal calleja.

Muero simiente

                          en tierra seca.

 

 

PAISAJE JUNTO AL MAR

 

El salitre se infiltra y medra

en la piedra aceda, sudada, sitiada

por el salado péndulo del Mar.

Este ariete nunca se esfuma.

No lo ablanda ninguna súplica,

ni albas caricias de seda.

El sudor de la piedra es su siega.

 

En la piedra la onda nidifica,

y el diente puro de la espuma

en la piedra se queda. El Tiempo

duele sin prisa: eterno róe,

día tras día, el elemento

humano y su inútil roqueda.

Hasta que la roca sea sólo

una playa indefensa: polvo.

   

 

Traducciones de Ángel Crespo. Publicadas originalmente en la Revista de Cultura Brasileña, Tomo III, número 10, octubre 1964.  Madrid, Embajada del Brasil.

 

 

OFICIO MANUAL

 

Recorrer tu cuerpo con las manos

cual si las manos fuese pies de niño corriendo por la grama,

cual si las manos fuesen pies de labrador recorriendo el campo.

 

Recorrer tu cuerpo

las mismas manos con que escribo un poema,

con las mismas manos que aseguran a mi hijo.

 

Recorrer tu cuerpo

con las mismas manos que plantan un árbol,

con las mismas manos que acarician una bestia.

 

Recorrer tu cuerpo

como la lengua de la yegua lamiendo la cría,

cual la lengua del toro lamiendo la vaca.

 

Recorrer tu cuerpo

como las alas de las garzas recorren el cielo,

como las aletas de los peces recorren el agua.

 

Recorrer tu cuerpo

cual la mirada de un niño recorre un salto antes de asegurarlo,

como la risa de un niño asegurando el salto.

 

Recorrer tu cuerpo

como el mirar recorre el vino aún en el viñedo

e hinche de zumo nuestra boca.

 

Recorrer tu cuerpo

cual un pomar cargado y un jardín florido,

cogiendo flores y cogiendo frutos.

 

Recorrer tu cuerpo

como un río dispersando el humus en la tierra.

 

 

Traducción de Jaime Tello.

Extraído de Cuatro siglos de poesía brasileña.   Caracas: Centro Abreu e Lima de Estudios Brasileños; Instituto de Altos Estudios de América Latina- Universidad Simón Bolívar, 1983.

 

 

VIANNA, Fernando Mendes
  Ah!
 Zaragoza, España: El último parnaso, 1998.  125 p.   
(Colección El último Parnaso, 18)  formato  “15,3x11 cm. 
 “Traducción a cuatro manos de Ferndo Mendes y Ângela Ibáñez”.
Desenho e projeto gráfico de Juan Fo. Nevado y Ana Torres.  
Colección dirigida por Javier Tenias y Raúl Herrero “Claudio”,
tiragem limitada e circulação dirigida.   ISBN  84-95049-07-4

 

 

POÉTICA DE LO COTIDIANO

 

EI dibujo distraído ai telefono,

el juguete a tiza en Ia acera,

las pintadas en el muro,

el corazón a cuchillo en el árbol,

el garabateo en Ia pizarra,

el nombre en el urinário,

en el banco, en el portal de Ia iglesia,

la estrella del tatuaje marítimo,

la hembra desnuda para siempre en Ia piel,

el juego de tres en el cuaderno de Ia escuela,

(mientras el maestro perorata

como un cura en un púlpito),

las palabrotas en Ia estatua ecuestre,

 

Y la lápida

sin ninguna inscripción

- epitafio, nombre de família, fechas

vacío total, metáfora cabal,
mano de mármol y adiós callado

a toda y cualquier palabra

y a cualquier faro en la mar.

 

 

MI PEGASO

 

¡Ave, alado caballo! Penipotente Pegaso,

relincho de mito en el pentagrama.

Sea tu falus el plenipotenciário

emisario de Ia fábula dei magma.

 

Fecunda tu casco la tierra árida

del cuerpo sin amor, el arenal vacío

de agua, de celo, de flor.

De tu patada en la piedra

 

medre en el muro de miedo y asco

el canto del surtidor que canta alto

el sémen, la savia, simiente cósmica.

 

Y tu ala sea la brasa, la casa,

 

el hogar, la lumbre, el vital palco

de la losa donde posas para un nuevo salto.

 

 

 

 

 
 
 
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