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Sobre Antonio Miranda
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



WAGNER BARJA

(1)

Brasil

 

 

Veja também: WAGNER BARJA (2)

 

 

DEITADO ETERNAMENTE

(1986)

 

“...Barja não renuncia ao objeto visual solto no espaço, nem tampouco à dimensão lingüística do processo artístico. “OBRANOME”, sem dúvida, anula totalmente as distâncias entre o nome e a obra, como numa fita de Moebius, não há inverso e reverso, mas continuidade. Por exemplo, possivelmente aqui seja pertinente recordar a formulação que realizou Ferreira Gullar nos anos sessenta do não-objeto como presença, imanência, transparência absoluta.

 

O não objeto, segundo o crítico, renunciava ao nome das coisas, ou seja, a sua opacidade: “só pelas conotações que o nome e o uso estabelecem entre o objeto e o mundo do sujeito pode o objeto ser apreendido e assimilado pelo sujeito. É, pois, o objeto, um ser híbrido, composto de nome e coisa... o não-objeto, pelo contrário, é uno, íntegro, franco. A relação que mantém com o sujeito dispensa intermediário. Ele possui uma significação, também, mas essa significação é imanente a sua própria forma, que é pura significação também, mas essa significação é imanente a sua própria forma, que é pura significação”.(Gullar, 1959). Na minha opinião, o conceito de obranome que propõe Barja participa de todas as características que assinala Ferreira Gullar para a definição dele no objeto:imanência, significadas que se deriva da própria forma, unidade, sem por ele, significativamente, renunciar ao nome.

O conceito de obranome, literalmente é transparente porque incorpora definitivamente o nome à coisa.”  MERCEDES REPLIGER

 

“O artista torna-se criador quando explorador de conceitos, materializados através da construção da imagem, não ilustrativamente, pois aí a imagem fica submissa ao texto, mas exatamente naquele equilíbrio sutil e insubstituível da visualidade, no limite da idéia visual mas sem reduzir-se à ela, em que a palavra surge como instrumento de uma intervenção cultural (v.Manet).”  RICARDO BASBAUM, 1985

 

 

 

DE BARJA PARA GULLAR

(uma instalação)

 

 

Recentemente, em casa de Wagner Barja, o curador e mentor do Museu Nacional do Conjunto Cultural da República (localizado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília), descobri o leitmotiv ou a origem desta imagem acima. Trata-se de uma “instalação de arte” em resposta a uma “provocação” de Ferreira Gullar, naquela fase em que ele criticava certos “excessos” da arte contemporânea. Teria dito que atualmente qualquer coisa colocada em exposição em museu é considerada uma obra de arte. Por exemplo, alguém dependura um tijolo com um arame e “aquilo” (não garanto que Gullar tenha usado exatamente esta expressão...)  seria  considerada um obra de arte. Seria o morte da arte...  A resposta de Barja foi muito criativa e convincente. Vejam que aparece, bem no centro, um tijolo dependurado... em baixo aparece uma espécie de tumba. O texto contrapõe, à esquerda e à direita, um “SIM” e um “Não”, colocados em questão. E no centro lê-se “AO GULLAR”, em forma de resposta ao poeta e crítico de arte, agora membro da Academia Brasileira de Letras.  Para culminar o processo da instalação, bem no centro, vê-se um espelho. Nele aparece, para quem presencia a peça de Barja, a imagem reflexa do tijolo pendurado, no caso, metaforicamente “enterrado”, vale dizer, como a “morte da arte”... Genial”! Uma “narrativa” convincente, afirmativa da sobrevivência da arte numa peça contemporânea. Vale também ressaltar o hibridismo na concepção e construção da peça animaverbivocovisual, amalgamando vários elementos físicos e simbólicos. Mais notoriamente o verbal e o visual, mas presentes também, na memória do espectador, o som das palavras e a “anima” tanto no processo criativo (poiesis) quando na tridimensionalidade e interação de elementos da concepção da obra de arte.

 

ANTONIO MIRANDA
(27 nov 2014)

 

 

[ BARJA, Wagner ] EXPERIÊNCIA TUMULTO III: antologia da obra de Wagner Barja.  Maria Gorette de Oliveira Azevedo Barja et al. Fotografia: João Carlos Israel de  Lima.    Brasília: Ave Promoção e Produção Cultural, 2015.  228 p.  ilus. col.     ISBN 978-85-65010-07-8  Inclui texto de Antonio Miranda sobre a obra de Wagner Barja e a animaverbivocovisualidade. 

 

 

 

ANIMAVERBIVOCOVISUALIDADE NA INTALAÇÃO “JONAS”
(na exposição ESPERIÊNCIA TUMULTO III,
de Wagner Barja,


no Centro Cultural Banco do Brasil –Brasília, fev./março 2015)


 

Comentário de Antonio Miranda

 

 

                   A animaverbivococovisualiade – AV3 (*) é invocada no processo de registro do conhecimento objetivo — conforme a teoria de Karl R. Popper — e segundo os propósitos de cada autor/criador em diversas áreas do conhecimento.  Consequentemente, um cientista utiliza, além de textos (discursos analíticos, citações, epígrafes, etc.), ou recurso “voco” da tríade verbivocovisual dos concretistas Haroldo e Agusto de Campos/Décio Pignatari) em registro textual direto e/ou indireto (por hipertextualidade); amplia com imagens estáticas ou dinâmicas (“visual” e animação) para ilustrar a apresentação, seja de gráficos, fórmulas matemáticas, nuvens de tags, vídeos, entrevistas, etc.). Não há limites na utilização desses recursos em ação de somatória de elementos ou de transformação em estado exclusivamente digital, valendo-se da amálgama própria da composição virtual.

                   Metáforas, apelações audiovisuais, multimídia e qualquer elemento imposto pela criatividade do(s) autore(s) fazem parte da anima, no duplo sentido de poiesis (criação) e dos meios tecnológicos próprios utilizados no processo.

                   “Jonas” é uma instalação artística numa curadoria museológica, em sala própria para ambientar a proposta do poeta multimídia Wagner Barja. Começa com a exposição de textos de especialista  Marisa Florido Cesar e Antonio Miranda, na antessala e na entrada da sala da exposição  — em português e em inglês, para informar o público sobre os propósitos e recursos técnicos e teóricos da montagem.  Muita gente lê antes, outros depois da visita, outros duas vezes e até há quem não leia nada. Sem problema. A verdadeira “leitura”, ou melhor dizendo, “interpretação” do interpretante , no ritual semiótico se dá no estilo triádico peirceano seguinte:

 

 

 

 

 

                   O diagrama triangular (conforme C.K. Ogden e I. A. Richard) pretende traduzir a relação semiótica explicitada por Charles Sanders Pierce como imperativo no entendimento da signific-ação. Não cabe aqui apresentar todos os desdobramentos dessa relação interpretante—objeto—signo, apenas frisar que o interpretante atua a partir de sua própria experiência, memória, visão de Mundo, capacidade interpretativa, ontológica ou sensorial, dependendo da anima que anima este “olhar”. No caso de “Jonas” aqui referenciado, além dos textos de apresentação da obra, existe a possível evocação (“vocal”, subjetiva) do personagem bíblico engolido pela baleia, que inspirou o trabalho do artista.
                  

                   A “baleia” é representada objetualmente mediante “vértebras” dependuradas, não em sequência, mas em conjunto expositivo, contendo dispositivos eletrônicos mostrando imagens de ondas marinhas (luminosas), formando um conjunto impressionante e impactante, mas poético. Visual, mas combinando objetos e imagens em movimento, completado com a projeção de um vídeo com as mesmas ondas sobre as peças “vertebras” no chão da sala.  E também pelo recurso sonoro (“voco”) do barulho das ondas, formando uma visão animaverbivocovisual na instalação.
                  
                   Como já frisamos, as interpretações podem ser muitas, algumas surpreendentes. Alguém contava, no dia da inauguração, que em vez de vertebras, via asas e que tudo aquilo configurava um delírio, uma evocação onírica (poética) da lenda de Jonas, por que não? Outra pessoa lamentava não poder penetrar, fazer uma imersão na instalação, entre as vértebras dependuradas, em vez de apenas contemplá-la. A obra deixa de ser do autor para ser dos diversos e eventuais interpretantes.  

 

 

 

 

 

(*) Mais detalhes sobre o tema da ANIMAVERBIVOCOVISUALIDADE em:

 

http://www.antoniomiranda.com.br/em_destaque/feira_do_livro_de_foz_do_iguacu.html

 

 

 

 

COMENTÁRIO DE

 

ZENILTON GAYOSO:

 

Li o texto e creio que estas relações se completam mais na consideração dos seus contrários que na circularidade de esquemas totalizantes. Considerados segundo a possibilidade de antagonismo radical  linearidade ou circularidade de qualquer esquema interpretativo triádico. Neste caso, o antisígnico,   o assincrônico, e mesmo o deontológico, considerando que interpretar é fazer escolhas segundo o cabedal que suporta a nossa largueza (ou estreiteza) perceptiva, deveriam se imiscuir na referida tríade pierceana, a formar um contexto amplo do "fenômeno" a se considerar. Ora, se toda interpretação é contextual, e toda declaração "pretextual" (no sentido da imprescindibilidade de um pretexto), toda concretude ou objetivação de ideias, só pode ser incompleta ou total... Quais serão os contrários subjacentes à animaverbivocovisualidade?

 


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