Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



JOSÉ LINO GRÜNEWALD


Nasceu no Rio de Janeiro em 1931, advogado e jornalista e tradutor. Foi editor do Correio da Manhã durante muitos anos. Excelente crítico de cinema, foi um dos divulgadores da obra de Jean-Luc Godard no Brasil. Publicou poemas concretos desde a Noigandres 4. Livro publicado: Um e Dois (1958).     

O poema concreto da primeira fase do Concretismo  — vai e vem — é, imerecidamente, um dos menos conhecidos do movimento. Trata-se de um poema que pode ser lido normalmente, de trás  para frente e, também, de cima para baixo e de baixo para cima... ou seja, na mesma intenção de um palíndromo latino.  Salvo engano, é o primeiro autêntico palíndromo brasileiro, a menos que se reconheça o maneirismo do barroco  ANASTACYO AYRES DE PENHAFIEL (ver), acompanhando observação de Péricles Eugênio da Silva Ramos, no mesmo sentido, como assinalou o poeta e crítico Jayro Luna.    
Antonio Miranda

 

 Veja / Vea: RITO, DIRETO E CONCRETO, por José Lino Grünewald


------------------------------------------------------------------------------------------------------------

 

                   t  e  m  p  o  
                           p  a  s  a  t  e  m  p  o
                                            p  a  s  s  a

 

                                                 (1959)

 

   a       v  i  d  a 

   c  o  m  i  d  a

   a       v  i  d  a

    b  e  b  i  d  a

d  o  r  m  i  d  a

     a     v  i  d  a

               i  d  a
            

                 1 9 5 8

 

                                               s o l o    s o m b r a
                                         s o l     s o m b r a
                                        s ó    s o m b r a
                                              s o m b r a   s ó
                                           s o m b r a    s o l
                                         s o m b r a    s o l o

                                                           (1957)

 

 

O que José Lino Grunewald diz a respeito do cinema de Jean-Luc Godard vale para sua poesia: “O ato de filmar (poetar)é a experiência, e, por isso, viver  vida é viver o cinema (a poesia)”.  A busca de sentido existencial através da substantivação das palavras, num movimento circular de repetição, é que singulariza boa parte de sua poesia. O conflito do poeta com sua angústia se traduziu num tipo de composição que impediu seu fechamento no intimismo choramingas e possibilitou precoces experiências participantes por exemplo “petróleo”.

 

                            preto   
                    preto   um  jato
                    preto
                    preto   um  óleo
                    preto
                    preto   um  fato
                    preto    petróleo    nosso
                                                 nosso
                                                 nosso
                                                 nosso
                                                 nosso
                                                 nosso
                                                 nosso
                                                 nosso    petróleo

 

                                                          (1957)


Extraídos de POESIA CONCRETA / seleção de textos, notas, estudos biográficos e crítico e exercícios por Iumma Maria Simon e Vinicius Dantas.  São Paulo: Abril Educação, 1982.  112 p. (Literatura comentada)     

 

¿

v e r

t i   c e

d e   t e   v e r

r e    v e r     t e

d e    t i

a

m i m

¿

 

Extraído (e remontado) de LA ESCRITURA EN LIBERTAD – ANTOLOGÍA DE POESÍA EXPERIMENTAL.  Edic. De Fernando Millán y Jesús García Sánchez.  2 ed. Madrid: Visor Libros, 2005.

==================================================================================

1

2    2

3     3     3

4     4     4     4

c     i      n     c     o

 

De: José Lino Grunewald.  ESCREVIVER.  Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.

               

GRÜNEWALD, José Linotransas  traições traduções.  Salvador, Bahia: 1982.  40 f s/pag.  ilus. (CÓDIGO 7 ). Traduções de poemas de William Shakespeare, Ezra Pond, William Carlos Williams, T. S. Eliot, e. e. cummings, Dylan Thomas, Pierre de Ronsard, Charles Baudelaire, Stéphane Mallarmé, Guillaume Apolinaire, Guido Cavalcanti, e um poema (até então) inédito de José Lino Grünewald.   Ex. bibl. Antonio Miranda

 

         a ira por um fio

       no ar dedilha a ira
       fio de agulha ou dente
       não o que se sempre sente
       mas linha de unha em lira.

       da ira a lira é devassar
       o que trinca o que aperta
       é desfiar em tira certa
       um fio de um fio no ar.

       um rio que não para
       um comprimir sem estouro
       é tirar entre chifres de touro
       a exata linha contra cara.

       por fio entenda-se rio
       um afiar por fio de ira
       correr em cio de mira
       longe-longo sem ver desvio

       num porfiar dentro da fala
       sem sombra sem incerto
       presteza de canino aberto
       em paralelo ao som à bala

       do som que morrenasce
       nas estrias do assobio
       um raio ou arrepio
       luz e frio na face.

       da ira a crista é lírio
       lume de arco lacre
       um cheio hálito acre
       à forma e peso de círio.

       por forma de ira um copo
       um corpo sem cor um corte
       por face o vento a sorte
       a sorte de ser ar num copo.

       um copo sem face açor
       de açoite num lamber voa
       de lâmina a lábio coroa
       sem fim de curva flor.

       por flor de círio a pena
       a sina de inclinar o flanco
       à força de violar o branco
       em vazio de vácuo – hiena.

       por flor de ira de moinho
       por pétala pá de giro só
       em digerir nas mãos a mó
       e no ar o coração de pinho.

       por hiena leia-se língua
       e à guisa de lábio pedra
       no sal do sal que medra
       em laço à mágoa e míngua

       num fio de afã palma a palma
       por fino contorno de aço
       a pena de roer traço a traço
       o centro duro escuro da alma.

 

               (escrito em junho de 1959)
       

Página ampliada e republicada em novembro de 2008; ampliada e republicada em agosto 2010. Ampliada e republicada em agosto de 2017.



Voltar à página de Poesia Visual Voltar ao topo da página

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar