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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


ARNALDO ANTUNES

Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho nasce no dia 2 de setembro de 1960, em São Paulo, SP, Brasil. Estudou Letras na Universidade de São Paulo e na PUC-RJ. Poeta, músico e compositor, artista multifacético em todos os sentidos. Conferir na página do autor:

www.arnaldoantunes.com.br  

Participou da mostra e do catálogo da exposição de poesia visual OBRANOME 2, parte da programação da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília.

Veja também: POESIA VISUAL de Arnaldo Antunes


TEXTOS EM PORTUGUÊS     /     TEXTOS EN ESPAÑOL

 

Olho o olho do outro,
penso o que ele pensa.

Voltar a mim é a minha
diferença.

Olho o olho até turvá-lo,
penso que ele não pensa.
Ir com a água é a minha
recompensa.

 

         De Psia (1986)

 

Os   sapatos   ficam   entre  os pés

e  o  chão, no  que  são   como   as

palavras.   As meias  entre  os  pés

e os sapatos, como   os   adjetivos.

Os verbos, passos. Cadarços, lagos.

Os   pés  caminham  lado   a   lado,

calcados.    Sapatos  são  calcados.

Porque  são  e  porque são  usados.

Palavras   são   pedaços.    Os   pés

descalços     caminham      calados.

 

                   De 2 ou + carpos no mesmo espaço (1997)

 

 

De

as coisas

8ª. São Paulo: Iluminuras, 2002.

 

 

As coisas têm peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posição, textura, duração, densidade, cheiro, valor, consistência, profundidade, contorno, temperatura, função, aparência, preço, destino, idade, sentido. As coisas não têm paz.

***

A vista daqui é linda. Ainda. Que não seja. Linda para outra.  Vista que a. Avista. Daqui é linda. Se não for vista a vista. Daqui ainda é. Linda. Ainda que não seja. Vista ainda. Que não se veja. Talvez assim seja. Mais linda. Ainda.

***

Eu coberto de pele coberta de pano coberto de ar e debaixo do cimento terra sob a terra petróleo correndo e o lento apagamento do sol por cima de tudo e depois do sol outras estrelas se apagando mais rapidamente que a chegada de sua luz até aqui.

***

Todas as coisas do mundo não cabem numa idéia. Mas tudo cabe numa palavra, nesta palavra tudo.

***

Todos eles traziam sacolas, que pareciam muito pesadas. Amarraram bem seus cavalos e um deles adiantou-se em direção a uma rocha e gritou: “Abre-te, cérebro!

Foto dos poetas Arnaldo Antunes e Antonio Miranda em Brasilia, janeiro 2008.

 

De

TUDOS

São Paulo: Iluminuras, 1993

 

 

 

Estou cego a todas as músicas

Não ouvi mais o cantar da musa.

A dúvida cobriu a minha vida

Como o eito que me cobre a blusa.

Já a mim nenhuma cena soa

Nem o céu se me desabotoa.

A dúvida cobriu a minha vida

Como a língua cobre de saliva

Cada dente que sai da gengiva.

A dúvida cobriu a minha vida

Como o sangue cobre a carne crua,

Como a pele cobre a carne viva,

Como a roupa cobre a pele nua.

Estou cego a todas as músicas.

E se eu canto é como um som que sua.

 

 

 

ANTUNES, Arnaldoagora aqui ninguém precisa de si. São Paulo? Companhia das Letras, 205. 145 p.  14x21 cm. Capa e projeto gráfico: Arnaldo Antunes.  ISBN 978-85-359-2596-8  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

Sua boca,

arma

dilha

sem desejo,

castiga

a presa

com mais

um bocejo.

 

No exílio

de sua

bolha

de embaraço,

embaça

o olhar

alheio

e aperta o passo.

 

*

 

XIS:

matriz:

peça chave: porta

: eixo: encruzilhada:

olho-d'água: nascente

: calcanhar de aquiles

: terceiro olho:

bifurcação

da língua da serpente:

poro: polo

: cerne: alvo:

óvulo: semente:

ponto

central: nervo

: trevo:

trave:

triz

 

 

 

ANTUNES, ArnaldoPacote de poesia.  Curitiba, PR: Paço da Liberdade – SESC PARANÁ, 2009.  Envelope pardo contendo folhas soltas impressas com os poemas.   Ex. bibl. Antonio Miranda



 

 

 

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TEXTOS EN ESPAÑOL
Tradução de Adolfo Montejo Navas

 

ARNALDO ANTUNES

 

(Sao Paulo, 1960)Poeta multi-media por excelencia (ex-miembro del grupo de pop/rock Titas, letrista, compositor, poeta visual, videoartista), su obra específicamente poética es un best-selfer en Brasil. Su experimentación plástico-verbal del lenguaje y de la palabra caligráfica, le entronca con la poesía visual. Sus poemas aglutinan una gran variedad de elementos de la realidad, que tiliza y genera como un movimiento caleidoscópico. Se podría decir que es un pop-concreto de finales/comienzos de siglo xx-xxi. Haroldo de Campos lo valora como artista benjaminiano, icónico e intersemiótico. Tiene publicado en España un libro de poemas y letras de canciones, bajo el título de Doble/Dupio.

 

OBRA POÉTICA: OU E, 1983; Psia, 1986; Tudos, 1990; As coisas, 1992;

2 ou + corpos no mesmo espaço, 1997.

 

 

Ojeo el ojo del otro,

pienso lo que él piensa.

Volver a mí es mi

diferencia.

 

Ojeo el filtro hasta turbarlo,

pienso que él no piensa.

Ir con el agua es mi

recompensa.

 

                            De Psia (1986)

 

 

Estoy ciego a todas las músicas,

No escuché más el cantar de la musa.

         La duda cubrió mi vida

Como el pecho que me cubre la blusa.

A mí ya ninguna escena me suena

Ni el cielo se me desabotona.

La duda cubrió mi vida

Como la lengua cubre de saliva

Cada diente que sale de la encía.

La duda cubrió mi vida

Como la sangre cubre la carne caída,

Como la piel cubre la carne viva,

Como la ropa cubre la piel desnuda.

         Estoy ciego a todas las músicas.

Y si yo canto es como un sonido que suda.

 

                   De Tudos (1990)

 

 

Las cosas  tienen  peso,

masa, volumen,   tama-

ño, tiempo, forma, color,

posición, textura,   dura-

ción,     densidad,   olor,

valor,  consistencia, pro-

fundidad,        contorno,

temperatura,    función,

apariencia, precio, desti-

no, edad,   sentido.  Las

cosas  no  tienen    paz.

 

 

                                               De As coisas (1992)

 

 

 

Los   zapatos  quedan   entre  los pies

y    el   suelo, en  eso  son  como   las

palabras. Los calcetines entre los pies

y  los   zapatos,   como   los adjetivos.

Los v erbos,  pasos.  Cordones,  lazos.

Los    pies   caminan    lado   a   l ado,

calzados.     Zapatos    son   calzados.

Porque  son   y   porque   son usados.

Palabras     son   pedazos.     Los pies

descalzos        caminan         callados.

 

                          De 2 ou + carpos no mesmo espaço (1997)

 

 

*De Correspondencia celeste. Nueva poesía brasileña (1960-2000). Introducción, traducción y notas de Adolfo Montejo Navas.  Madrid: Árdora Ediciones, 2001 – Obra publicada com o apoio do Ministério da Culta do Brasil.

 

*Nota: o tradutor Adolfo Montejo Navas é amigo comum nosso com Wagner Barja, e o convidamos a participar da exposição OBRANOME 2 no Museu Nacional de Brasília, durante a I Bienal Internacional de Poesia de Brasília 2009. Montejo Navas prometeu-nos suas traduções ao castelhano e só na Espanha, em viagem, é que conseguimos os originais que estamos divulgando parcialmente no nosso Portal de Poesia Ibeoramericana, com os agradecimentos.

ANTUNES, Arnaldo.  Palabra desorden: antologia bilíngue. Selección y traducción: Reynaldo Jiménez, Ivana Vollaro. Prólogo: Gonzalo Aguilar.  Buenos Aires: Caja Negra Editora, 2014.  208 p.   14x19,5 cm.   ISBN 978-987-1622-25-2    “ Arnaldo Antunes “   Ex. bibl. Antonio Miranda


 

Página publicada em fevereiro de 2008, com a devida autorização do autor. Ampliada e republicada em junho de 2009; ampliada e republicada em novembro de 2014.

 

 


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