Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


ADEMIR ASSUNÇÃO

Fonte: www.revistaetcetera.com.br

 

ADEMIR ASSUNÇÃO


 

Poeta e jornalista, nasceu em Araraquara (SP), em 1961.

Publicou as coletâneas de poesia LSD Nó (Iluminuras,1994) e Zona branca (Altana, 2001), além de dois livros de prosa experimental, A máquina peluda (Ateliê Editorial, 1997) e Cinemitologias (Ciência do Acidente, 1999). Participou da antologia bilíngue Outras praias (Iluminuras, 1998) e foi co-editor da revista de poesia

e arte Medusa.

 

Participou de exposições de poesia visual em Sydney, Lisboa e Paris. Como letrista de música popular, tem parcerias com os compositores Itamar

Assunção e Edvaldo Santana. Com o violonista Madan e o percussionista Ricardo Garcia, montou o show-recital Psicoléríco. Como jornalista, trabalhou na Folha de Londrina, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Folha, da Tarde e na revista Mane Claire. Atualmente, edita a revista literária Coyote, junto com Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes.

 

Acaba de sair, com boa receptividade da crítica: “A Musa Chapada”, poemas de Ademir Assunção e d de Antonio V. S. PIetroforte, desenhos de Carlos Carah (SP: Demônio Negro, 2008).
blog do autor:  http://zonabranca.blog.uol.com.br/

 

Veja também a resenha: A MUSA DROGADA, O CANTO VICIADO : A MUSA CHAPADA, por Ademir Assunção e Antonio Vicente Seraphim Pitroforte – resenha do livro

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS    /    TEXTOS EM ESPAÑOL

 

 

 

5 DIAS PARA MORRER

 

       para Hector Babenco

 

morreremos loucos, Ana

 

os sapatos

novos

em cima da mala

mala notte

o dia, a pior

foto: olhos úmidos

no vídeo

flashbacks:

a virilha imunda

do marinheiro

os eletrodos frios

nas têmporas

as pílulas coloridas

peixes

num aquário

cujo vidro

quase se quebra

toda vez

que o tocamos

 

sim, Ana

morreremos loucos

mas

esta noite

dormiremos

juntos

 

 

GIRASSÓIS EM CHAMAS

 

dorso de touro, tigre

listas camufladas:

 

um salto súbito e o sangue jorra

vinho na relva, patas em convulsão

 

carcaça, deserto

chifres contra o fundo

 

de uma moldura árida

 

mas a brisa, mesmo seca,

sibila algo, escute:

 

ali se travou uma batalha.

 

pior a serpente

com seu veneno diário

 

gota a gota, amortecendo

 

a fúria, a força

o roçar de pétalas

 

até que reste só

o girassol em chamas

 

no fundo do quintal

 

OLHOS ELETR1COS

 

ponta de pedra aguda

faces rasgadas, bétulas amargas

 

você me diz psiu, violência

no jeito de piscar as pálpebras

 

pássaros tristes entre cães aprisionados

enfim vivemos num cenário

 

onde crianças com olhos elétricos

vasculham os bolsos de lady solidão

 

musas sádicas me acariciam

com unhas de gilete

 

lábios em came-viva, mil beijos

de medusa — strippers que após a roupa

arrancam a própria pele

 

e você vira as costas, arrasta-se

como um mamute pelo corredor

 

arremessando um "boa noite"
que me acerta em cheio na testa

 

 

A LÁGRIMA DE VAN GOGH

 

o ar da tarde reflete

as flores do arco-íris

 

mudas, as cores giram

lisérgica dança de Shiva

sobre o campo de girassóis

 

centeio embolorado

: auto-retrato da Loucura

nas pupilas em chamas

 

& uma única lágrima

guardada

na caixinha de jóias

 

 

Poemas extraídos de NA VIRADA DO SÉCULO: poesia de invenção no Brasil, organização de Claudio Daniel e Frederico Barbosa.  São Paulo: Landy, 2002.  348 p. 

 ISBN 85-87731-63-7

Página publicada em janeiro de 2009

 

 

ESCRITO A SANGUE

ruas escuras

         atravessado

eu atravesso

         reviro o avesso

nele me meço

         olho de lince

encaro a face da fera

         espelhos se estilhaçam

rasgam minha cara

         cai a neblina do vazio

frio na barriga

         pago o preço

erva, bola, cogumelo

         volto al começo

escapo com vida

         desconverso

verso escrito a sangue

         desapareço

quanto mais

         menos

me pareço

         eco de bicho homem

ego sem endereço

 

 

SATORI

 

Sentado, distraído, na pedra

                                ao lado da cachoeira

- eu sou um Buda

              de cabelos nublados

                                     e dedos de borracha.

 

A água fria

                     franze a pele das costas,

A samambaia sorri

                        com suas folhas

                                        crispadas pelo vento.

 

Nada fora de lugar.

                      Nenhum caos mental.

 

Pelado, pêlos eriçados

                       - secando ao sol

sou apenas

                  mais uma

                                  espécie de vida

                                                         entre muitas –

viajando pelo tempo

                                 - que nunca existiu

 

==================================================================================

ZONA BRANCA. 2 ed.

De
Ademir Assunção
ZONA BRANCA. 2 ed.
Curitiba: Travessa dos Editores, 2006
188p. ISBN  85-89485-65-X

“Nesta nova fornada de poemas temos bom sortimento dessa polivalência: diálogos oníricos e fragmentários entre ancestralidades e modernidades, entre urbanidades  e mundanidades, entre formalismos e inconformismos, entre clarividências e alucinações. Como todo poeta, Ademir tem seus fetiches, entre eles os animais, escravos e deuses da raça humana, signos de nossas emoções abjetas e sublimes. O poeta os alimenta em seu zoológico e se amamenta neles em seu zodíaco, numa cumplicidade primata, inata e abstrata. Assunção é uma canibal mamífero e onívoro. Poeta pleno, portanto.”  Glauco Mattoso

 

                                escrito na pele

        
        
a pele          o melhor papel
                            para uma escrita de vertigens

         poros                    piras acesas
                            ao roçar das línguas

         papiro de delícias                     onde se grafam
                                                        carícias, ideogramas

                            numa linguagem de líquidos
         :
         suores         sêmem                 nanquim
                            sem rasuras

         escrita que se renova              na passagem dos dias
                                                        mas também se apaga

                            nada de rastros
                            dessas páginas de prazeres

                            marés, luas cheias
                            ventos varrem as pegadas

         de tantos pés pisados:                      traços delicados
         palavras                que eriçaram os pêlos
         risadas                 loucuras               fúria animal

         sem vírgulas                                     reticências
                                                                  ou ponto final


            sampa, 19.12.96 – floripa, 02.01.97

 

 

         peixes de luz

        
pessoas
         fossem peixes de luz

         fosforecessem
         sob algas invisíveis

         no mel do outono

         nenhum anzol
         ousasse fisgá-las

         palavra alguma
         profanasse
         a voz do silêncio

         apenas arrepio de pele
         eriçar de pêlos
         crispas d´água

         lua mínima ardendo
         na fase pálida do papel


         pele contra pele

         então a brisa nos brinda
         com sua auréola de nadas

         & a vida se resume
         ao agora:

          veja, meu amor
         palavras no vapor do ar

          — a vidraça se embaça

         vento frio no rosto, olha
         é inverno
         (nenhuma flor no orvalho)

         pele contra pele:
         nosso melhor agasalho


         vir              como quem
                            se despe

         ver             como quem
                            se esquece

         ir               
como quem
                            agradece

                            outra vez
                            se houvesse

 

ASSUNÇÃO, Ademir Cinematologias.   Londrina, PR: Atrito Art Editorial, 2002.   66 p.   12x18 cm.  Col. A.M. 

07.07
Estremecimentos, terremotos, ondas gigantes,
vendavais. Que raios estou pressentindo?
 

 

18.08
Percepção infravermelha, experiências ultrasônicas,
tambores para curar mães.  Um xamã nos templos
de cimento e vidro fumê. Gira, gira, gira no terreiro
meu amô, gira, gira, gira que o santo já bashô.


02.04
Morcegos com asas de cristal negro se espatifam
na janela. Lua de cacos cubistas mirando-se no
espelho. Pânico no olho do cavalo.

 

18.11
Caco de vidro rasgando a superfície da água. Um
peixe-miragem mergulha no espelho, crispa as
escamas em seu próprio reflexo, engole-se a si mesmo,
desaparece no lago profundo do seu avesso.

 



===============================================================================================

TEXTOS EM ESPAÑOL

Ademir Assunção nació en Araraquara, São Paulo, en 1961. Esperiodista. Publicó los libros LSD Nô (1994), A máquina peluda (1997) y Cinemitologias (1998). Como letrista, há trabajado con los músicos Itamar Assumpção, Edvaldo Santana Madan. Tiene en preparación el libro Zona Branca. Integra el consejo editor de la revista Medusa. [Traducciones de R.J., revisadas por A.A.]

Textos incluídos na revista tsé=tsé 7/8 - otoño 2000, Buenos Aires, Argentina, de onde extraímos alguns poemas de alguns poetas,. A revista inclui 30 poetas.  


ESCRITO CON SANGRE

 

Calles oscuras

         atravessado

yo atravieso

         al revés vuelvo

en él me mido

         ojo de lince

encaro la faz de fiera

         espejos se astillan

rasgan mi cara

         cae la neblina del vacío

frío en la barriga

         pago el precio

hierba, pasta, hongo

         vuelto al comienzo

escapo con vida

         desconverso

verso escrito en sangre

         desaparezco

cuanto más

         menos

me parazco

         eco de bicho hombre

ego sin dirección

 

 

SATORI

 

Sentado, distraído, en la piedra

                               al lado de la cascada

- yo soy un Buda

             de cabellos nublados

                                      y dedos de hule.

 

El agua fria

                    eriza la piel de las costas.

El helecho sonríe

                   con sus hojas

                                crispadas por el vento

 

Nada fuera de lugar

                       Ningún caos mental

 

Pelado, pelos erizados

                       - secando ao sol

soy apenas

                entre muchas

                                      una forma

                                                        más de vida –

viajando por el tiempo

                                 - que nunca existió

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

 

 


Voltar para a página de São Paulo Voltar para o topo da página

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar