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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Fonte: www.abi.org.br

CLÁUDIO MURILO LEAL

Nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1937. Doutor em Letras e Mestre em Literatura Brasileira pela UFRJ. Professor da UFRJ; da Universidade de Essex, Inglaterra; da Universidade Toulouse-Le-Mirail, França; da Universidade de Brasília (1971/79, período em que colaborou com os jornais Correio Braziliense e Jornal de Brasília); diretor do “Colegio Mayor Universitario” Casa do Brasil, em Madrid. Atual presidente do PEN Club do Brasil.

Bibliografia: Poemas; Novos Poemas; Fonte; Gesto Solidário; As Doze Horas; A Rosa Prática; A Musa Alienada; Poemas de Amor; Caderno de Proust (Prêmio Nacional de Poesia do Instituto Nacional do Livro, 1981); A Velhice de Ezra Pound; O Poeta Versus Maniqueu; Escrito en la Carne; Reflets; As Quatro Estações; Catarse; As Guerras Púnicas; Treze Bilhetes Suicidas; Módulos (antologia, Sette Letras); e Cinelândia. Tradutor da Antologia Poética, Carlos Drummond de Andrade, Espanha (1986); e organizador de Toda a Poesia de Machado de Assis, Record (2008).

C.M. como o verdadeiro jovem poeta de que fala W. H. Auden “gosta de vagabundear com as palavras e ficar escutando o que elas dizem”. As principais qualidades  positivas de C.M. são esse genuíno encantamento pelas palavras e conotações e, mais, uma certa saúde, uma certa coragem, um certa alegria criadoras que são raras nos poetas de agora”. Mário Faustino

A dicção poética de C.M. que já nos espantara em outro pequeno e anterior volume, se confirma em economia e vigor nos poemas de Novos Poemas.”  Walmir Ayala

TEXTOS EM PORTUGUÊS    /   TEXTO EN ESPAÑOL /  

 

EN FRANÇAIS

 

 

FEDERICO GARCÍA LORCA

Água com farolitos

a água

Federico.

 

Lua nos olivais

a lua

Federico.

 

Laranjas de ouro

laranjas

Federico.

 

Gitanos que cantan

gitanos

Federico.

 

Tua alma traída

a tua alma

Federico.

 

II

Federico, aonde vais?

-— a Granada.

 

E a tua voz de jasmins?

— amordaçada

E tua fronte cigana

— assassinada.

 

III

Ante a lua comovida,

cobre-se a cela de nardos,

sexta-feira da Paixão,

véspera de teu Calvário.

Um tremor de inquietos pássaros

paira em teus olhos cerrados

e um lençol de pesadelos

sobre teu corpo deitado.

O pensamento repousa

num romanceiro gitano

mas nas ruas de Granada

percorre um frêmito estranho.

 

Um sino sem esperança

anuncia a madrugada.

Uma hora

(angústias e solidão)

duas horas

(as estrelas se escondem)

três horas

(cravos martirizados)

quatro horas

(a Morte afia os seus punhais)

cinco horas

(chora o regato e o rouxinol).

Levam-te por uma estrada

de espinhos e crocodilos

como uma pomba aprisionada,

às cinco horas da madrugada.

As Bestas galopando

às cinco horas da madrugada

em seu tropel de espantos

às cinco horas da madrugada.

E quando por ti perpassa

às cinco horas da madrugada

um calafrio de lâminas,

descerram-se todos os sudários

e os lírios se enrubescem

às cinco horas da madrugada.

Às cinco horas da madrugada!

Eram as cinco em todos relógios!

Eram as cinco nos campos de Granada!

 

VI

Federico assassinado

na branca arei de Espanha

é uma rosa andaluza

sobre lençóis de Holanda.

Seu sangue espalha no ar

Um leve olor de lavanda,

seus ossos se pulverizam

em estrelinhas de nácar

e um pranto entre os ciprestes,

poesia inacabada,

soluça os versos mozárabes

de um romance fantasma.

La guardia civil caminera

a Federico levava:

ela, fome de pantera,

ele, orgulho de prata,

ela, veias insensíveis

e olhos frios, sem alma,

apaga a luz das estrelas

no sangue da madrugada.

Mil pandeirinhos sossegam

os seus murmúrios de água.

Um anjo deita a cabeça

sobre uma alva almofada

e a Morte com dedos finos

toca a sua velha guitarra.

Por Málaga ou Córdoba,

ou por Sevilha ou Granada,

 

vagueia como sonâmbula

uma voz assassinada.

 

Extraídos da antologia 41 POETAS DO RIO, org. de Moacyr Félix. Rio de Janeiro: Funarte, 1998.  512 p. 

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VAMPIROS

Asas de vampiro que morcegais
docemente meus negros ais,
vós, juntos, os dentes jamais

libertaram minh’alma da amargura,
o meu coração, a selva escura
em que ele vive. Sei que dura

pouco sermos, assim, humanos,
mas não é com o passar dos anos
que se apagam vozes e desenganos.

O consolo vem do verso antigo,
que me lambe como um cão amigo
e parece querer dialogar comigo.

Ainda bem há cães e morcegos,
uns velam-me os sonhos e os sossegos,
outros são inimigos: alados e cegos.


ETERNIDADE

Passem os anos, os dias, os minutos,
os segundos, os terceiros, os quartos,
cães, poetas, reis, madres e putos,
os planetas de gelo, lavas e quartzos.
Passem milagres de cristos, os escorbutos,
que limparam e mancharam os corpos fartos
de tanto pecar, comer, lançar eructos
na mesa redonda para mortes e partos.
Passem as paixões, as artes, os esconjuros,
e fique no pó dos incunábulos, lácteo,
apenas o pacto das promessas e dos juros
eternos, assim como o inferno e o látego.
Para todos os hojes, sempres e futuros,
a eternidade espera a ordem: “mateo-o”.


INFINITO

Algo que fosse essencial e íntimo,
o âmago, o cerne, a medula:
o sidéreo campo, imenso e ínfimo.
Filósofo que cria e especula
o sentir e os saberes, lídimo
representante do Gênio e da Azêmola.
Uns riem e dançam, acompanham o ritmo
do Teatro do Mundo, onde espetacula
a trupe de anões, sacristãos e cambonos.
Outros lêem Nobre e Anjos, Só e Eu,
feitos de ácido amniótico e carbonos.
Infinita ascese, recolhido gineceu,
mantido com drágeas e sonos,
espaço uterino sem o meu e o seu.


LOUCURA

O pão que o diabo amassou também se come,
nem tudo é hóstia, carne ou peixe;
o jejum alegra o faquir sempre que deixe
em suas entranhas o frenesi da fome;
quando seu corpo se torna um magro feixe
de ossos, uma louca vertigem consome
o sonho que vem e volta, vai e some,
sem que o peripatético quixote se queixe
do seu destino de cavaleiro andante.
O farnel é parco, a utopia é farta,
as visões simbólicas são as de Dante.
Na viagem, sem astrolábio ou carta,
o que era depois passa a ser antes
e o naipe do desvario não se descarta.


ANGÚSTIA

A floresta que na sibéria arde,
combustão expontânea, lenta agonia,
é o carvão com que escreve kirkegaard
a página cotidiana que vangloria
a vitória do sol negro, naquela tarde,
em que a angústia veio, e ele não sabia.
Veio do pó, pé ante pé, sem alarde,
e apagou o texto que se imprimia
no livro noruego. Os necrológios,
últimos remorsos e quimeras,
revertem as hastes de vãos relógios,
buscando as frias, subterrâneas eras,
onde estão guardados os despojos
que resistiram ao sortilégio e às feras.
]

 

De
Cláudio Murilo Leal
As guerras púnicas. 
Prefácio de Carlos Nejar.
São Paulo: Massao  Ohno Editor, 1990.  
111 p.  Capa de Arcâgelo Ianelli.

 

 

SONETO ATLÂNTICO

 

A vulva de mar que me envolve,

válvula maré que mexe e goza,

leva meu sémen limpo e devolve

detritos de água ferruginosa.

 

No ventre atlântico se dissolve

o ritmo vai-e-vem de nossas vidas,

amor que sempre foge e sempre volve

às mesmas chegadas e partidas.

 

Beber, beber, beber, fel oceânico,

em meu corpo de volúpia e pânico,

sorver tuas espumas de ressaca.

 

Onda. Linfa. Aquática hemorragia.

Engolfas  meu corpo, suja baía:

e sou o braço de mar que te ataca.

 

 

 

CORPO E ALMA

 

Como uma pevide,

áspera matéria.

Mas seu duplo é luz,

forma única e etérea.

 

O corpo vai tranquilo,

a alma com medo.

Um terá seu asilo

a outra o segredo.

 

Incógnito cemitério
dúvida de fogo e céu.
Sou aquele que vai.
O que fica: sou eu?


LEAL, Cláudio Murilo.  A Rosa prática.  sl.: Aldeia editôra, 1966.  69 p.  14x18 cm.  “ Cláudio Murilo Leal “  Ex. bibl. Antonio Miranda


ESTE POEMA

Este poema é solidão,
É um vôo de ave no azul.
Este poema é saudade
Mansa, e corre pra o nada

Este poema é a lembrança
De um amor feito de bruma
E de tudo que resta dele:
 Um trigal de cinzas desoladas.

Este poema não é feito
De alegria, nem de aleluias.
Esse poema é um noturno canto:
Perde na manhã o seu encanto.

 

ANTIPOEMA DO ESQUECIMENTO

O longe se refrata
No espelho.

Um estilhaço
Rompe a bruma.

O esquecimento
É límpida manhã.



MÓBILE


Nas nuvens — desejos —
Pássaros outonais
Azuis azulejos
Em finos metais

No vento o mistério
Caminha mais e mais
Alguém leva a sério
Os meus madrigais?

Na rosa dos ventos
Nos pontos cardiais
Meus pobres inventos
São seres reais.



LUDUS DO AMOR IMPOSSÍVEL

Este amor
Não e sim
Enterrou-se
No jardim

Este amor
Sim e não
Abre em flor
De ilusão

Este amor
Não e não
Como chuva
De verão.


POETA, CANTA

O poema é ócio?
Perdida e puma
Em mar no cio?
Ou será alguma

Flor inodora,
Sonho, fastio?
Ou será agora
A fome e o frio?

Poeta, canta
O estrito mundo
Que te espanta,
Mesmo imundo.

O poema hoje
É guerra e grito.
Prepara na forja
Um canto infinito.

De
Cláudio Murilo Leal
13 bilhetes suicidas.  2 ed. 
Rio de Janeiro: Batel, 2009.  
47 p. ilus.  ISBN978-85-99508-15-2

 

De um ponto de vista estritamente formal ou mesmo estilístico, os 13 bilhetes relevam por sua economia e concisão seja do prisma da linguagem, seja do ângulo das imagens e metáforas, às quais o autor recorre com notável parcimônia e senso de propriedade. Não há sobra nem abuso nesses poemas que se pretendem, acima de tudo, austeros e talvez algo lacônicos.” IVAN JUNQUEIRA

 

I

Riscar o fósforo:
o banho de gasolina
         sob chuveiro fatal.
Recordar a palavra,
flor de espinhos preservada
         entre recibos e entradas
de teatro.
Recordar o exato momento
         quando o telefone tocou
o minuto estagnado
         sem ponteiros no relógio.
Ninguém impede
a mão que acende o fogo;.
Depois, a notícia no jornal.


II

O áspero fio da faca
         não serve
para os seus desígnios.
Será gilete, estilete,
         o frio das agulhas.
Resgatar com o suicídio
         a palavra de cânfora
que oxidou todos os sóis
         da infância.
É preciso executar
         o rito terminal.
A luz, a lâmina,
nuvens sonolentas de mercúrio,
a pia, a privada, o bidê,
a banheira ensanguentada.

(...)

 

Os 13 bilhetes de Cláudio Murilo Leal formam um continuum dramático, dilacerante, numa economia de palavras contradizendo a vertiginosa profusão de imagens e sensações que levam o leitor ao (próprio) suicídio. Emocionante. Quem não suicidou alguma vez?”  ANTONIO MIRANDA

 

De
Cláudio Murilo Leal
MÓDULOS 
Rio de Janeiro: Sette Letras, 1998.  299 p

 

20 de abril

 

No princípio, a vida, o pólen,

espermatozóides kamikazes,

corações ao alto, orai, orai.

Aqui, no asfalto, as fezes.

 

Renascer das cinzas, da droga,

dos chopes elétricos, fénix.

Sair desse hospício, da noite,

sol em catarse, em zênit.

 

Ver a luz, a folha, Sábado

de Aleluia, céu ( vermelho).

Subir como um zeppelin,

longe do alcance das baterias

antiaéreas. A vida: primavera.

Gérmens, bactérias, genes

embalsamam o Corpo.


Vida morta

Alameda sem fim,
beco sem saída,
caminho de mim a mim
mas não descubro a vida.

Apesar de querer, não consigo,
o presente já é passado
e nunca encontro comigo
na esquina, no espelho quebrado.

Se fujo, carrego-me junto,
se enfrento, me abandono,
a ficção não serve de assunto,
a realidade morre de sono.

 

De
Cláudio Murilo Leal
Cinelândia
Rio de Janeiro: Sette Letras, 2002. 61 p. 

De Antonio Miranda para Cláudio Murilo Leal:      
a Cinelândia foi também o cenário de boa parte de minha juventude. Antes e depois da demolição do Monroe, e de minhas crenças e convicções políticas... Comecei meus estudos universitários nos porões da Biblioteca Nacional e voltei a ela, na condição de assessor, depois de andar, tal como você, meu caro poeta, por muitos países. Antes de recolher-me, uma vez mais, nas alturas planaltinas de Brasília.

Agradeço o envio de seus livros, e celebro esta peça onírica e memorialista, entre verdades e invenções, com personagens que assistimos nos escombros. E aqui vai um fragmento de seu livro para os nossos internautas:

 

GRAN FINALE

 O dia vinha chegando  ao seu ocaso de cores,
a púrpura do sol em tons de aquarela
se esvaía, como veias abertas, nas dores
das lâminas rubras e amarelas.
Os cadáveres desafiavam a eternidade,
esperando que alguém viesse recolhê-los.
Fevereiro incendiava o vento
que fustigava as fantasias, as armas, os cabelos
ensanguentados dos pretendentes.
                            Memento moris.

Alguns foliões vão se aproximando
e espiam, curiosos, pela porta,
enquanto os ritmistas estão chorando,
despedindo-se da quarta-feira morta.

 

 

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TEXTO EN ESPAÑOL

 

 

LLANTO POR MI PATRIA

 

         Traducción de Saúl Ibargoyen
         y Jorge Boccanera

 

Tierra del apocalipsis,

almas calcinadas,

venas abiertas y desesperación,

aliento perdido en los caminos,

 

Noches negras y niebla

de los días deshechos.

¿Dónde está la luz,

los cielos luminosos?

 

Sólo te resia sufrir

mi país desvaiido,

Y a los poetas les resta el canto

estéril, la queja inútil.

 

 

]====================================================================

EN FRANÇAIS

 

 

LEAL, Cláudio Murilo.  Reflets.  Traduits par Yves Gervaise.  Rio de Janeiro: Antares, s.d.   33 p.  14x21 cn,  Edição bilíngue português – français.  

 

 

 

(TELE)SPECTATEUR

 

Je ne vis pas dans une tour d'ivoire, élevant

des oiseaux chanteurs ou des scarabées.

Mais je n'ai pas non plus d'arme à feu,

seulement l'arme blanche du papier.

Je contemple des batailles sur des photos de journaux,

le monde explose, les hommes s'assassinent

dans le vidéo en couleurs, vallée de larmes:

tout est fiché pour l'Apocalypse.

J'écris, j'efface, je rature sur la feuille muette,

le bras impuissant pour le mot Paix.

Je regarde, je scrute; j'imagine alors des astres

inhabités, au paysage solitaire, gelé,

désert, et je subis de lugubres pensées.

Je déesir l'ivoire froid de la lune. Loin.

 

 

 

(TELE) ESPECTADOR

 

Não vivo em torre de marfim , criando

pássaros canoros ou escaravelhos.

Mas também não tenho arma de fogo,

somente a arma branca do papel.

Contemplo batalhas em fotografia de jornal,

o mundo explode, os homens se assassinam

no vídeo colorido, vale de lágrimas:

tudo documentado para o Apocalipse.

Escrevo , risco , rabisco a calada folha,

o braço impotente para a palavra Paz.

Miro, perscruto; imagino então astros

desabitados, de paisagem erma, gélida,

desértica , e sofro lúgubres pensamentos.

Anseio pelo frio marfim da lua. Longe.

 

 

 

RECHERCHE

 

Le stalactite

          pleure

une goutte

tous les mille ans.

 

Cherche son antipode

le stalagmite

qui croît

un millimètre

tous les mille ans.

 

Des années lumières les séparent

dans l'obscurité

de cette grotte

perdue

dans la préhistoire.

 

Le dévoué stalactite

le patient

stalagmite

un jour (nuit)

se rencontreront.

 

 

 

PROCURA

 

A estalactite

chora

uma gota

a cada mil anos.

 

Busca sua antípoda

estalagmite

que cresce

um milímetro

a cada mil anos.

 

Anos-luz as distanciam

no escuro

desta cave

perdida

na pré-história.

 

A abnegada estalactite

a paciente

estalagmite

um dia (noite)

se encontrarão.

 

 

 

A HERACLITE

 

Oh Tamise, oh Pomba

en quels extrêmes

ma vie s'enfuit.

 

Il s'écoule, hier,

eaux et macules meuvent

le moulin. Aujourd'hui.

 

Nous ne sommes qu'une fois.

Songes non réalisés.

Après: se répète le Néant.

 

 

 

          A HERÁCLITO

 

Ó Thames, ó rio Pomba

em que extremos

minha vida esvai.

 

Flui ontem,

águas e máculas movem

o moinho. Hoje.

 

Só uma vez somos.

Sonhos irrealizados.

Depois: repete-se o Nada,

 

 

 

SEANCE 1

 

Mon père me battait

ma mère jetait des fleurs sur ma sépulture

ma soeur souffrait

je courrais, courrais, courrais.

Le paysage n'étais pas au bout:

il était dedans, la rue, mon monde.

Cavaliers et cow-boys de mon âge

je les fouettais

et les tuais

et poussais des cris de victoire.

Mon coeur était sans fiel

mais mon père me battait

et moi aussi je frappais,

frappais, frappais.

 

 

SESSÃO I

 

Meu pai me batia

minha mãe jogava flores sobre a minha sepultura

minha irmã sofria

eu corria , corria , corria.

A paisagem não era ao fundo:

era dentro , a rua , o meu mundo.

Cavaleiros e cow-boys de minha idade

eu açoitava

e matava

e urrava gritos de vitória.

Meu coração era sem fel

mas meu pai me batia

e eu também batia

batia, batia.

Página ampliada por Sebastião Sousa e republicada em abril 2008; novamente ampliada em setembro de 2008; ampliada e republicada em setembro de 2009; ampliada e republicada em setembro 2011. aMPLIADA E REPUBLICADA EM JAN. 2013.

Metadados: metapoema



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