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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

TASSO DA SILVEIRA

(1895-1968)

 

 

Poeta e escitor curitibano (Paraná, Brasil). Formado em Direito,  no Rio de Janeiro. Considerado um dos representantes da ala espiritualista do modernismo, ao lado de Cecília Meireles e Tristão de Ataíde. Pertenceu ao grupo da Revista Festa, da qual foi um dos fundadores. Estreou como poeta com Fio d'Água, em 1918. Somente a partir do terceiro livro — Alegorias do Homem Novo—, em 1926  é que adere ao verso livre.

 

 

RIBEIRO, JoaquimItinerário lírico de Tasso da Silveira.  Rio de Janeiro: Alba Oficinas Gráficas, 1939.  79 p.  13x18,5 cm.

[fragmento]

          I

          A evolução estética da poesia de Tasso da Silveira pode se definir nesta fórmula: diluição dos valores de forma á medida que se dilata a intensidade da essência poética.  
          Essa variabilidade, todavia, se processou harmonicamente sem nenhum salto nem mutação brusca.
          O transformismo poético de sua obra desconhece traumatismos extranhos, que o desviassem de uma evolução uniforme, serena, olímpica, admirável.
          Justamente por isso a curva de sua genética espiritual obedece a uma linha ascendente sem nenhuma depressão anormal.
          Raros poetas no mundo inteiro revelam esse
desenrolar suavíssimo e tranquilo. É como planta, que viceja em terreno fértil, de clima propício, sem catástrofes mesológicas.
          É curioso notar, todavia, que enquanto se descobre essa harmonia na poética, lavra no espírito de Tasso da Silveira uma inquietação demoníaca.
          A sua poesia é antes uma compensação para a sua personalidade, do que uma projeção desta.
          Tasso — o inquieto interior — plasma o seu ritmo como se fosse Tasso, de serenidade olímpica. Supre com a Arte, o que a sua Filosofia não pode dar.
          Todos os seus livros de poemas, que são marcos de sua caminhada estética, confirmam essa teoria e demonstram ainda que, cada vez mais, o interior avassala e domina o exterior, do mesmo modo que, cada vez mais, o inquieto vai procurando se aperfeiçoar na serenidade, treinando todas as energias poéticas, num exercício espiritual, que tem tanto de superior quanto de renúncias ornamentais.
          A essência, por fim, irá dominar a forma.

 

 

Veja também: poema de TASSO DA SILVEIRA EM ITALIANO

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS  /  TEXTOS EN ESPAÑOL

 

TEXTOS EM INGLÊS – TEXTS IN ENGLISH

 

 

         EFEITO DE LUZ

 

         Sob o silêncio que flutua,

         no crepúsculo

         a angra é um espelho de cristal.

         De súbito, porém, rompendo a superfície polida,

         como um brusco

         reflexo,

         o peixe prateado e liso

         pula no ar

         em esplêndido, caracoleia no crepúsculo

         e retomba no seio da água adormecida,

         que, sonhando, o supõe numa chispa de luar...

 

 

                   (As Imagens Acesas, 1928)

 

 

Comentário: “Uma visão impressionista da realidade predomina no poema, onde o autor procura captar imagens de luz e cor. A velocidade rítmico-expressional dos versos se ajusta bem à temática, em estrofes livres e rimos variados, apesar do alexandrino que aparece no final do poema.” Leodegário A. De Azevedo Filho

 

         TORRE

 

         Os ventos altos

         vindos das distâncias perdidas

         bateram a torre do meu corpo.

         Bateram a torre esguia e longa

         e puíram-lhe os ornamentos raros,

         desfiguraram-lhe a feição de beleza,

         como o mar milenário

         desastou as arestas vivas dos rochedos

         imemoriais.

         Não apagaram, porém, a lâmpada

         solitária e serena

         que ardia no silêncio...

         e os meus olhos, rosáceas claras, abertas

         para a paisagem

         do teu ser,

         ficaram coando sempre o clarão suave e leve,

         ficaram adolescentes

         para sempre...

 

                   (Alegria do Mundo, 1940)

 

Comentário: “O tema da torre é freqüente na poesia de Tasso da Silveira, simbolizando um movimento em direção ao infinito. (...) Como se percebe, mesmo nos poemas em que o amor carnal se transforma em tema básico, o influxo espiritualista é sempre a seiva dos versos. Como no resto de sua poesia, o pensador não domina o poeta, apesar das raízes filosóficas e religiosas de sua motivação estética.” Leodegário A. De Azevedo Filho

 

 

SILVEIRA, Tasso da.  Contemplação do eterno. Poemas.  Rio de Janeiro: Edição da “Organização Simões”m 1952.  168 p.  12x18 cm.  “ Tasso da Silveira “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 


II   CANÇÕES DA TREMENDA GUERRA

 

I

 

Esta noite, o mistério

 

voltou de novo a ser o senhor absoluto

de todos os destinos.

Já começaram a soprar os ventos cataclísmicos

que crestarão as imensas searas humanas,

e arrancarão do húmus fundo

com todas as suas raízes

a árvore trémula do espírito.

Ah, ninguém sabe como vão ficar as paisagens,

nem ninguém adivinha

as fisionomias diferentes

das almas que virão.

Esta noite, o mistério

voltou a ser o senhor absoluto

de todos os destinos.

As paisagens vão ser outra vez reconstruídas por ele.

As almas novas vão ser modeladas por ele.

E aqueles de nós que, porventura,

transpuserem o abismo

da hora tremenda

encontrar-se-ão, possivelmente,

em face de um mundo de exílio,

diante de paisagens e seres

infinitamente

incompreensíveis e incomunicáveis...

 

 

 

 

 ------------------------------------------------------------

 

         SEM TÍTULO

 

         Do fundo do crepúsculo,

         O vento tombou como uma ave ferida

         Sobre os tufos e as palmas verdes

         do dormente jardim.

 

         Bateu, raivoso, as possantes asas,

         rodopiou exasperado

         entre as frondes em pânico.

         E miraculosamente recompondo

         o perdido equilíbrio,

         em brusco, violento arranco

         ergueu vôo outra vez para o espaço sem fim...

 

                   (Contemplação do Eterno, 1952)

 

Comentário:Na utilização estética do sistema lingüístico, Tasso da Silveira sabe tirar efeito artístico adequado à temática de seus poemas. São múltiplos os recurso de estilística fônica, mórfica, sintática e semântica aí existentes. O efeito de essência profunda, espécie de temática central em sua poesia, logo transparece no primeiro verso, quando o vento vem do fundo do crepúsculo.(...) Toda a idéia dinâmica de uma movimentação brusca e violena nos é sugerida pela própria linguagem.” Leodegário A. De Azevedo Filho

 

        

SEM TÍTULO

 

         O fogo é pura adoração.

 

         Quando mãos insidiosas

         o ateiam

         na seara florescente

         ou na choupana humilde

         ou no palácio fastigioso

         ou no flanco da montanha,

         ele ignora o gesto de pecado

         de que nasceu.

 

         E se ergue límpido e inocente

         para Deus.

 

 

                   (Contemplação do Eterno, 1952)

 

Comentário: “O tema da purificação pelo fogo aparece algumas vezes na poesia de Tasso da Silveira. Do mesmomodo que o tema da torre, subindo para o céu, exprime um anseio de espiritualidade, o tema do fogo também revela a busca de Deus. O fogo é sinônimo de adoração e se ergue, límpido e inocene, para o infinito.” Leodegário A. De Azevedo Filho

 

        

CANÇÃO

 

         Quando a alta onda de poesia

         veio do arcano profundo,

         no pobre e efêmero mundo

         o eterno pôs-se a pulsar.

         Vidas se transfiguraram,

         permutaram-lhe destinos.

         O azul se fez mais etéreo,

         Estradas mais se alongaram,

         silêncio cantou na aldeia

         sino ficou a escutar,

         moeu trigo a lua cheia,

         lampião de rua deu luar,

         a água mansa da lagoa

         ergueu-se em repuxo límpido

         e se esqueceu de tombar,

         alvas estrelas em bando

         desceram lentas pousando

         sobre a terra e sobre o mar.

 

 

                   (Regresso à Origem, 1960)

 

 

         Comentário: “Em versos de redondilha maior, os mais espontâneos de nossa língua, nesta canção o poeta se transforma em receptor de poesia eterna. Logo nos primeiros versos, o efeito de essência profunda se exprime através da alta onda de poesia que vem do arcano profundo, pulsando de vida espiritual.” .” Leodegário A. De Azevedo Filho

 

        

         OS CAVALOS DO TEMPO

 

         Os cavalos do tempo são de vento.

         Têm músculos de vento,

         nervos de vento, patas de vento, crinas de vento.

 

         Perenemente em surda galopada,

         passam brancos e puros

         por estradas de sonho e esquecimento.

 

         Os cavalos do tempo vão correndo.

         Vêm correndo de origens insondáveis,

         e a um abismo absoluto vão rumando.

 

         Passam puros e brancos, livres, límpidos,

         no indescontínuo imemorial esforço.

         Ah! são o eterno atravessando o efêmero:

         levam sombras divinas sobre o dorso...

 

 

                   (Regresso à Origem, 1960)

 

Comentário: “A problemática do tempo se refleta na poesia de Tasso da Silveira como resultante de uma ação divina. Assim, o tempo é uma espécie de fluir contínuo do seio da eternidade. Poesia do eterno no efêmero, os cavalos do tempo levam sombras divinas sobre o dorso, em sua perene e surda galopada.” Leodegário A. De Azevedo Filho

 

Poemas e textos extraídos da obra POETAS DO MODERNISMO, vol. 4.  Edição comemorativa dos 50 anos da Semana de Arte Moderna de 1922. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1972. 

 

 

SILVEIRA, Tasso da.  O Canto absoluto  seguido  Alegria do mundo. Poemas.  Rio de  Janeiro: Edição dos Cadernos da Hora Presente, 1940. 143 P.  15X21 cm.  “ Tasso da Silveira “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

(ortografia atualizada nesta página)

 

O    ÚLTIMO    SONETO

 

AINDA hoje a Vida, a carcereira,

deu-me, por entre as grades da prisão,

a minha bilha de água verdadeira

e o meu pedaço humílimo de pão.

 

A fome fez da minha boca mendigueira

uma cítara, e a sede deu-lhe a afinação

que têm as folhas outoniças da amendoeira

para os dedos sutis da viração.

 

Assim, cada bocado de centeio

que trituro nos dentes, sabe-me, antes,

a um manjar esquisito e sem igual.

 

E cada sorvo de água, fresco e cheio,

vibra em meu paladar cordas ressoantes

de secreta lascívia espiritual.

 

 

 

LIBERTAÇÃO

 

NOSSOS desejos se purificaram

e o nosso pensamento

foi subindo, ascendendo, serenando...

 

Nossas paixões se altearam

como o vento,

que, depois de varrer o pó do chão,

para as estrelas tremulas se eleva,

e, mais alto que a sombra, além da treva,

fica ressoando,

longe e livre, na ignota solidão...

 

SILVEIRA, Tasso da.   Poemas.  Organização e seleção de Ildásio Tavares.  Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras; São Paulo: Edições GRD, 2002.  Xviii, 286 p.  16x23 cm.  ISBN 85-7085-035-2.  Capra: fotografia do autor.  “ Tasso da Silveira “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

JARDIM FECHADO

 

          A Curvelo de Mendonça

 

Quem tem um jardim fechado

pode esconder-se do mundo,

para o repouso profundo

do coração torturado.

 

Quem tem um jardim fechado,

tem santo recolhimento,

tem pensamentos divinos,

tem o silêncio sagrado,

e o tempo a escoar-se tão lento,

tão leve, tão deslumbrado,

que só batem hora os sinos

da torre do Esquecimento.

 

Num jardim fechado, a vida

pulsa mais funda e secreta.

Nele, a calma apetecida
vem para o desesperado,
os sonhos vêm para o poeta,
a Amada vem para o amado.

Quem tem um jardim fechado
pode, num gesto profundo,
(se a alma é nobre, não pequena)
dele trazer para o mundo
este bálsamo sagrado:

Um pouco de paz serena
do coração sossegado.

 

          (Regresso à Origem, 1960)

 

FEIRA

 

Nos tabuleiros retangulares

as hortaliças úmidas

acabaram de nascer neste instante:

ainda palpitam do milagre da criação.

E ao seu mágico influxo

a multidão, em torno,

vibra numa alegria iluminada.

 

Vibra numa alegria

radiosa e plena,

como devem ter sido

as alegrias inaugurais

das primeiras manhãs do mundo.

 

(As Imagens acesas, 1928)

 

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TEXTOS EN ESPAÑOL

 

De

9 POETAS DEL BRASIL
una antología de Enrique Bustamante y Ballivian.
Lima: Centro de Estudios Brasileños,  1978
109 p.

 

 

 

PIEDAD

No pienses: "Nunca hice bien

a nadie,

ni di al mundo el más fugitivo instante de belleza".

Acaso, cuando en tu miseria profunda
atravesabas la floresta densa, por la noche,
no encendiste una hoguera?

Pues a esa hora todos los astros se inclinaron sobre la llama perdida
y los árboles tuvieron un palpitar largo y conmovido, y soñaron ...

... Y, a la distancia, quién sabe si algún caminante cansado no sonrió
de alegría al ver iluminada dentro de la noche densa, la pequeñita lámpara distante.

 

LA LLAMA

El día todo,
como una llama,
la urbe convulsa ardió.
Ardió como una gran llama trémula al viento.

Ardió de sueño y de deseo,
de ambición y de agonía,
al ritmo brusco y trepidante
de la lucha heroica y vana . . .
Y, cuando vino la noche, exhausta
adormeció . . .
Y ahora, de su gran cuerpo abatido
se desprende el silencio hacia la altura.
El infinito silencio . . .
El silencio infinito,
pero todavía tan lleno
de fluidos vivos de pasión
y de cansancio y desesperanza,
que más parece, erguida hacia la altura.
una invisible llama,
una llama de sombra y de aflicción.

 

NOCTURNO

Como el puerto quedó vacío, bajo la noche,

los vientos lo abandonaron
y fueron a buscar a lo lejos las velas trémulas.
Y las lámparas del muelle se inclinaron conmovidas.
para ver a las estrellas deslumbrantes
que cayeron todas dentro del mar . . .

 

 

EL MOMENTO DIVINO

Cuando el crepúsculo cayó
fue que notaste que las cosas todas son infinitas.
Cuando el silencio te envolvió,
fue que sentiste las pulsaciones todas de tu ser . . .
Soñaste entonces
que la sangre te batía en las arterias
aun bajo el impulso primordial
del Instante de la Creación . . .
Y que tu pecho jadeaba
aun bajo el cansancio
de las migraciones de los pueblos ancestrales . . .
Y te pareció que llegabas del fondo de los tiempos
como un esplendor de las generaciones innumerables
que viniese explorando la senda indefinida,
y al fin de la jornada
trajese, todavía, en los ojos,
la misma interrogación ansiada
de la partida . . .
Y te pareció que respirabas
al ritmo de las mareas crecientes.y vaciantes,
al ritmo de las montañas,
al ritmo del palpitar de la Tierra toda,
cuando más pesa en ella por la noche
la mudez del cielo ardiendo en astros! . . .

 

     

TEXTOS EM INGLÊS – TEXTS IN ENGLISH

 

 

AN INTRODUCTION TO MODERN BRAZILIAN POETRY. Verse translations by Leonard S. Downes.  [São Paulo]: Clube de Poesia do Brasil, 1954.  84 p.   14x20 cm.  “ Leonard S. Downes “ Ex. Biblioteca Nacional de Brasília.

 

THE MIRROR

 

I threw the window wide...

 

And the singing, jocund air,

the flowing, sonorous light

and the clean, translucid sky

of morning,

dancing a happy round outside,

swept into my room in a boistrerous wave

of everlasting youth.

 

They were gone in an instant, slipping out

through the mirror opposite,

slipping out lightly through the lucid glass

still dancing,

 

and went and hid behind,

there in the inaccessible distance
of the unreal.

 

 

 

Página publicada em dezembro de 2007; ampliada e republicada em janeiro de 2011. Ampliada e republicada em abril de 2015; ampliada e republicada em agosto de 2015.



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