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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

SÉRGIO DE CASTRO PINTO

 

Livros de poesia: Gestos lúcidos (1967), A ilha na ostra (1970), Domicílio em trânsito e outros poemas (1983),  O cerco da memória (1993), A quatro mãos (1996) e Zôo imaginário (2005). Participou de muitas antologias e é autor também de ensaios. Vive em João Pessoa, Paraíba, Brasil.

 

“É epigramático, sem ser enigmático.” José Nêumanne

 

“Digo “epigramática” não tanto no sentido de “satírica”, antes no de “lapidar” (...), referindo-se às composições curtas, cheias de humour, de ironia, aguçadas com a lâmina de imagens-relâmpago, como Aerofobia: “dou duas voltas / na chave / da porta / e trancafio / a paisagem / lá fora”.” Anderson Braga Horta

 

 

Veja também: 7 POEMAS DE SÉRGIO DE CASTRO PINTO S/ FUTEBOL

 

 

 

PINTO, Sérgio de Castro.  O Cristal dos verões. Poemas escolhidos40 anos de poesia (1967-2007).  São Paulo: Escrituras Editora, 2007. 159 p.  14x21 cm.  Capa e aberturas: Herbert Junior.  ISBN 978-85-7531-252-0  “ Sérgio de Castro Pinto “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

as cigarras

 

são guitarras trágicas.

 

plugam-se/se/se/se

nas árvores

em dós sustenidos.

 

kipling recitam a plenos pulmões.

 

gargarejam

vidros

moídos.

 

o cristal dos verões.

 

 

a girafa (V)

 

da terra antípoda.

 

és um gajeiro

que só nuvens

avista.

 

sarapintado mastro

de uma nau

à deriva.

 

 

atos falhos

 

sequer os ensaio.

 

mas os meus atos

falhos

encenam-se assim:

 

eles já no palco

e eu ainda

                no camarim.

 

 

diário

 

no guarda-roupa

(imóvel de jacarandá),

os dias antigos

suspensos em cabides

em ritos de abraçar.

 

sobre imóveis roupas

(diário colorido)

o pássaro distingo:

o pó dos sábados,

memória dos domingos!

 

 

 

 

 

PINTO, Sérgio de Castro.  A Quatro mãos.   Sérgio de Castro Pinto: poemas. Flávio Tavares: desenhos.  João Pessoa, PB: anpoll; Editora Universitária, 1996. 
58 p.  19x 25 cm.   

 

 

 

        noturnos

 

a) nas fronhas da infância

ensaquei meus sonhos.

 

hoje, ensaco pesadelos.

 

e a cada noite

 

- mais do que a cabeça •

 

pesa-me o travesseiro.

 

 

 

 



poeta x poema

 

nem sempre o poeta

ronda o poema

como uma fera à presa.

 

às vezes, fera presa e acuada

entre as grades do poema-jaula,

 

doma-o o chicote das palavras.

 

 

a coruja

 

são todo ouvidos

os teus olhos

de vigília

 

olhos acesos,

luzeiros

de sabedoria.

 

olhos atentos

à geografia

do dentro,

 

és uma concha.

 

um encorujado

caramujo.

 

monja em voto de silêncio.

 

 

as cigarras

 

são guitarras trágicas.

 

plugam-se/se/se/se/se

nas árvores

em dós sustenidos.

 

kipling recitam a plenos pulmões.

 

gargarejam

vidros

moídos.

 

o cristal dos verões.

 

 

a garça

 

na tarde gris,

a garça

encolhe a perna:

 

ariano saci

                        entre

                        vitórias-régias?

 

 

o pavão

 

são tantos olhos abertos

sobre a cauda polvilhados

 

que em leque entreaberto

há sempre quem o enxergue

 

qual um indiscreto voyeur

em um narciso disfarçado

 

           

                        noturnos

 

  1. nenhuma ovelha

pula a cerca

de minha insônia

 

abato a todas.

 

e quanto à lã,

serve de enchimento

para o travesseiro.

 

serve

- a cada manhã –

para travestir-me

de cordeiro.

 

 

as frações do boi

 

  1. o boi

nos chifres pressente:

armações futuras,

construções de pentes.

 

o pente

(mudo e capilar)

na cabeça pasta

sem ruminar. 

 

Poemas extraídos do livro ZOO IMAGINÁRIO. Ilustrações de Flávio Tavares.  São Paulo: Escrituras, 2005. 64 p.

 

 

 

PINTO, Sérgio de Castro.  A flor do gol.  São Paulo: Escrituras Editora, 2014. 96 p.  14x20,3 cm.    ISBN 978-85-7531-625-2  Capa: Milton Nóbrega “Sérgio de Castro Pinto”  Ex. na bibl. Antonio Miranda

 

 

O BODE

 

      Ao amigo Wills Leal, que encomendou este poema.

 

o que escrever sobre o bode?

compor-lhe uma ode?

 

dizer que o^seus chifres

despontam na testa

como duas raízes

brotando da terra?

 

que é irmão siamês

dos seixos, da poeira,

das pedras?

 

que é duro na queda?

que o bode é antes de tudo um forte?

 

ou que, quando bale,

é todo ternura,

torrão de açúcar

desmanchando-se em candura?

 

 

ANIVERSARIO

 

são 56 verões

são 56 invernos

outonos nem se fala

muito menos primaveras

 

até que um dia

descarrilharei

numa dessas estações

 

e nunca mais verei

um verão como este

 

 

CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS

 

não me comovem

as insepultas carcaças

dos automóveis,

 

mas quão céleres

os passageiros

se precipitam

no despenhadeiro

 

dos breves dias sem freio.

 

 

PINTO, Sérgio de CastroDomicílio em trânsito e outros poemas. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira; Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1983.   83 p. (Coleção Poesia hoje, vol. 72)  14X21 cm.  ”Orelha!” do livro por Moacyr Félix.

 

 

dois poemas 3 x 4

  1. a máquina da manhã espoca
    e aciona o seu (dia)fragma:
    o sol é um flash que me flagra
    e após me revela
    às negativas do dia.

 

  1. entro na fotografia
    como quem do mundo
    se homizia.

 

sem livrar o flagrante.

 

(instantâneo eu sei que sou
neste mundo lambe-lambe).

 

museu do trem

(a joão cabral de melo neto
e para ser lido em ritmo quase ferroviário)


    
1. ao museu do trem emprestaram
         tão estranha alquimia
              que o tempo ali residente
              sofre de cenofobia

           2. ao tempo que ali habita
               sequer desperta o amoníaco
               e o trem é o próprio tempo
               que se estanca nos trilhos.

            3. um trem tão sem memória
                que não lembra o maquinista
                deportado numa estação
                da qual não se tem notícia.

             4. no museu do trem o tempo
                 se faz coagulado
                 que logo quem o visita
                 pensando-se locomotiva
                 do tempo ali empoçado.

 

cigarras

 

     mal engarrafam o canto
     logo o explodem:
     coquetel molotov
    
de encontro à tarde
     moída em vidro.

 

 

 

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Extraídos de

ANTOLOGÍA DE LA POESÍA BRASILEÑA

Org. y Trad.  Xosé Lois García

Edicións Laiovento

Santiago de Compostela, 2001 

 

 

NÔMADE

acha que atritas,

o meu falo queima.

 

somos trogloditas

descobrindo o fogo.

 

crescem labaredas.

 

sob a braguilha

armo uma tenda

com a minha glande.

 

e o meu falto nômade

rumo à tua tenda

levanta campamento.

 

 

A PEDRO NAVA

 

se a linguagem da nava

é um bisturi afiado

 

que extirpa o presente

pra restaurar o passado,

 

pedro rola as pedras

dos seus dias.

 

e da base ao cume

de cada segundo,

 

Pedro suporta o peso do mundo.

 

 

O PAVÃO

 

são tantos olhos abertos

sobre a cauda polvilhados

 

que em leque entreaberto

há sempre quem o enxergue

 

qual um indiscreto voyeur

         em um narciso disfarçado.

 

 

         SOBRE O MEDO

 

         o medo

         se aloja na medula

         como um cubo

         de gelo.

 

          o medo

         se infiltra no tinteiro

         e o congela.

 

         o medo

se instala na palavra

e a enregela.

 

com o medo

aprendi o ofício

de armazenar as palavras

como num frigorífico

 

com o medo conservo:

dez mil palavras

abaixo de zero.

 

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TEXTOS EN ESPAÑOL

 

 

Extraídos de

ANTOLOGÍA DE LA POESÍA BRASILEÑA

Org. y Trad.  Xosé Lois García

Edicións Laiovento

Santiago de Compostela, 2001 

 

 

NÔMADA

 

cree que aflige

mi falo quema.

 

somos trogloditas

descubriendo el fuego.

 

crecen llamaradas.

 

bajo la bragueta

monto na tienda

con mi glande.

 

y mi falo nómada

rumbo a tu grieta

levanta campamento.

 

 

A PEDRO NAVA

 

si el lenguaje de nava

es un bisturi afilado

 

que extirpa el presente

para restaurar el pasado,

 

pedro arrulla la piedras

de sus dias.

 

y desde la base hasta la cumbre

de cada segundo,

 

pedro soporta el peso del mundo.

 

 

EL PAVO REAL

 

son tantos ojos abiertos

sobre la cola polvoraizados

 

que en abanico entreabierto

hay siempre quién lo observe

 

cual un indiscreto voyeur

en un narciso disfrazado.

 

 

SOBRE EL MIEDO

 

el miedo

se aloja en la medula

como un cubo

de hielo.

 

el miedo

se infiltra em el tintero

y lo congela.

 

el miedo

se instala en la palabra

y la congela.

 

con el miedo

aprendi el oficio

de almacenar lãs palabras

como en un frigorífico.

 

con el miedo conservo:

diez mil palabras

bajo cero.

 

 

Página ampliada e republicada em dezembro de 2007.  Página ampliada e republicada em maio de 2008

 

 

 

 

 

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