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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




RUBENIO MARCELO

 

 

 

Rubenio Marcelo nasceu em Aracati/CE, cresceu em Fortaleza (onde concluiu seus estudos). Escritor, poeta, compositor, crítico cultural e revisor. É membro efetivo da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (Cadeira nº 35), e membro correspondente da Academia Mato-Grossense de Letras. Autor de onze livros publicados e dois CDs, sua obra mais recente é o livro de poemas 'Vias do Infinito Ser' (Ed. Letra Livre). Destacam-se também em sua produção, dentre outros, os livros autorais: "Graal das Metáforas", "Horizontes D'versos",  "Voo de Polens", e "Veleiros da Essência". Filiado à UBE-MS, foi Conselheiro Estadual de Cultura de MS. Participou a convite da I Bienal Internacional de Poesia (I BIP - Brasília), da Feira Literária Internacional de Tocantins (FLIT-2012), e recentemente da Feira Literária de Bonito (MS) e Feira do Livro de Brasília, dentre outras. É Advogado e reside em Campo Grande/MS.  -  (maio/2017)

 

 

 

MARCELO, Rubenio. Vias do Infinito Ser.  Editora Letra Livre, 2017. Apresentação de Paulo Nolasco. Prefácio de José Fernandes.

 

O poeta e membro da Academia Brasileira de Letras, Antonio Carlos Secchin, timbra na orelha/aba do livro: "Na poesia de Rubenio Marcelo, em vez de o ser humano habitar o cosmo, é o universo que reside no homem. Tudo emana da força da poesia, e é com essa luz de dentro, deflagrada pelo poder do verbo, que subitamente as coisas ganham forma e novo sentido. Como se lê em um de seus poemas, "palavras saltam muralhas e viram estrelas".

 

 

 

Veleiros da Essência

 

vêm de horizontes nunca vistos

e trazem à proa

o mapa das messes inabituais

num tempo infinito

de invictas bandeiras e constelações...

trazem o lábio astral e o astrolábio

das meditações azuis

que tecem sublimes mareações...

têm adriças de sol e cordoalhas de mitos

que atesam a fruição

de transcendentes singraduras...

 

chegam altivos e sem defensas

traçando itinerários

coesos

afinados com insólitas conhecenças...

transportam sagas ancestrais

e trazem nas gáveas

núncios de auroras ressurgentes...

 

com místicos galhardetes

mirando os destinos cor de nuvens

afagam elísios

que sibilam prelúdios e vilancetes

e sabem dos seus timoneiros

trajados de brim

em brancas manhãs...

 

planam em silêncio na crista do verbo

|atentos ao mínimo aceno|

ao barlavento da criação

entre códigos, gaivotas e plenilúnios...

singram íntimas dádivas

para ampliar as escotilhas do sonho

e plenificar faróis nos

e s t a i s

da vaguidade...

 

vêm do estro

para nos desancorar das ilhas perdidas

vêm para fecundar correntes

no estio das vigílias

e para nos (e)levar

à paz das alvíssimas florações

dos portos longínquos...

 

 

Sal da existência

 

I.

no latente diário de bordo

da estação das verdes aragens

desadormecem

revelações e sagas desveladas...

sangram clepsidras

e flutuam pontiagudos espasmos...

[antigas inquietudes avivam

o ventre nu da memória].

 

II.

há ilusões, tesouros e querubins

nas rotas dos albatrozes

perdidos

há sortilégios e salmos esquecidos

em tardes carmins...

há pendões de segredos brotando

das lanças fincadas no tempo

demarcando ilhas

arenas e praças ressurgentes...

 

III.

inexiste a justificativa

do eco azul que excita o penhasco...

é inútil o penhor

do asco que foi volúpia

sem cópia pelos divãs...

não há nenhuma razão no empenho

e nas reprocuras

que perecem no tombadilho sombrio das maresias...

não há rimas e romãs

nem travessias.

 

IV.

infindas esperas | em fendas | em eras |

já não reaprendem o que era

o cio das íntimas expectações

nas quilhas dos dias...

entre o cenho do devenir e a lividez do silêncio

um terçado espreita as horas...

|faz-se estio o entressonho

 

V.

no aguardo da caravana do crepúsculo

a certeza medonha

de anúncios e desolação.

em cristais transfigurados

vem a brisa que edifica a lágrima

vêm os dardos que demarcam

o sol da resistência

o sal da existência.

 

 

 

Uma antecipação do livro:

 

 

SINAL DE SI *

 

entre a cruz 
e a encruzilhada da palavra
[sem talvez e sem dar vez 
à morte cerebral da ideia]
um poema dá sinal de vida
– quase no vermelho de si
celebra um sinal verde
em destino vicinal...

por sinal

às vezes 
 produto da dúvida
trafega ao final da luz...

vezes outras
puto da vida
renega o sinal da cruz.

 

___________ ® Rubenio Marcelo

.

* poema inédito do meu novo livro "Vias do Infinito Ser", que se encontra(va) no prelo, pela Ed. Letra Livre. Traz prefácio do mestre José Fernandes e apresentação de Paulo Nolasco, além de posfácio de Olga Maria Castrillon Mendes. Na 'orelha': Antonio Carlos Secchin, Gilberto Mendonça Teles e Henrique de Medeiros.

 

 

 





TEXTOS EM PORTUGUÊS TEXTOS EN ESPAÑOL

 

 

 

MARCELO, Rubenio.  Veleiros da essência. 80 poemas escolhidos pelo autor.  Campo Grande, MS: Life Editora, 2014.  192 p.  15x21 cm.  Capa: Endrigo Valadão.   ISBN  978-85-8150-155-0.   Ex. col. Antonio Miranda

 

Vem de largos horizontes a poesia de Rubenio Marcelo, portando transcendentes singraduras. Tal como os veleiros de seus poemas, sua essência são mitos, alimentados por sagas ancestrais e auroras ressurgentes”.  CARLOS RIBEIRO, da Academia de Letras da Bahia.

 

Gaivotas

 

I.

 

Na barca veleira

dos meus sentimentos

gaivotas pousam cansadas,

como a procurar as luzes efêmeras

das pálpebras do tempo...

Em revoadas, tecem auroras

no vértice das chegadas e partidas

que me eternizam lembranças...

 

II.

 

Estas gaivotas

me ardem palavras matinais

e, à noite,

confundem-se

com as estrelas irrequietas

do meu espaço mental...

 

III.

 

Deixam-me insone

para vigiar

as minhas intenções

e o sarcástico segredo

do fogo dos desejos

ante as dádivas

das direções anunciadas

pelos anjos sem trombetas...

 

VI.

 

Estas gaivotas

emprestam-me suas asas

para que eu sinta

[por entre as sombras das realidades caolhas]

a leveza de um novo olhar

no claro-azul

das mutações circundantes...

 

V.

 

Estas gaivotas

reinventam rotas

nas minhas retinas...
Adornam a minha solitude:

entendem as certezas

dos meus desalentos

e equilibram o voo

das minhas incertezas...

 

 

 

Infausta criatura de rua

 

Ali, naquela esquina ensombreada,

uma senhora idosa estende a mão...

Sem forças, leva a vida na calçada,

haurindo os coquetéis da servidão...

 

O sistema da vã encruzilhada

do mundo deu-lhe a tal obrigação.

Assim, poucos têm tudo; e muitos, nada;

uns repousam em luxo, outros no chão.

 

Certamente, queria esta senhora

estar em sua casa a esta hora,

descansando ao sabor de um bom lençol..,

 

Porém, sem condições, vive ao relento,

aceitando, passiva, o sofrimento,

pois este é o país do futebol.

 

 

 

DE ONDE VEM A POESIA...

 

(para Manoel de Barros)

 

de um ponto infindo

vindo e indo

em contraluz

ou de uma infinita mira

que gira e gera

estações de neve e fogo...

vem do instante vertical

da ausência e da urgência

perto-distante da espera

vestida de manhãs...

vem em silêncio

sobrepaira

e vira pássaro

celebra horizontes...

 

 

Mesa rendida

 

MesA

Mesa  aseM

Redonda  adnodeR

Mesa redonda  adnodeR aseM

Mesma mesa redonda  adnodeR aseM amseM

Mesmíssima mesa redonda  adnodeR aseM amissímseM

Mesma mesa redonda  adnodeR aseM amseM

Mesa redonda  adnodeR aseM

Redonda  adnodeR

Mesa  aseM

AméM

 

 

 

MARCELO, Rubenio.  Voo de polens. 100 sonetos e outros rebentos poéticos.  Campo  Grande. MS:  Life Editora, 2012.  192 p. 

 

 

VOO DE POLENS

 

Que se fecundem corações e mentes

e fortemente pulsem horizontes

em novas fontes grávidas de voos

buscando os ventos ou os flamboyants...

 

Em tons vibrantes, ritos plasmam céus,

descobrem véus e polinizam flamas:

são anagramas dos meus ideais

e os madrigais que flertam minha voz...

 

De fora em foz, os meus diversos portos

vislumbram hortos, saem das vindimas

em férteis ímãs de sublimações...

 

Que as florações insones sejam cantos

e que estes tantos versos resolutos

concebam frutos doces como o sonho!

 

 

 

 

NOSSO (DES)CASO

 

Não por acaso, o nosso caso está perdido:

Dele fizemos pouco-caso e – assim, de fato –

A essência da emoção perdeu seu arrebato

E o nosso casuísmo ornou todo o sentido...

 

Se em nós não mais existe o lume prometido,

Constate, por favor, agora o que eu constato:

Nosso próprio descaso, em seu anonimato,

Deixou o nosso caso assim desvanecido...

 

Em todo caso, a vida segue e, sem pesar,

é preciso entender, com natural pulsar,

que o nosso caso está curtindo o seu ocaso...

 

Caso me encontre, assim num lance casual,

Nem tente relembrar motivos do final,

Pois sei que o nosso caso já não vem ao caso!

 

 

 





GRAAL DAS METÁFORAS

Sonetos e outros Poemas

Santa Cruz do Rio Pardo, SP: Editora Viena, 2007.

 

 

 Rubenio Marcelo é um polígrafo prolífero... Vai do soneto mais tradicional ao verso livre, do cordel de fundo popular aos poemas de cunho social, com um vocabulário que deve entusiasmar os lexicógrafos de nossa poesia. Graal das Metáforas é um belo livro: pela generosidade do conteúdo e pela qualidade gráfica de sua feitura.                Antonio Miranda

 

 

Graal das Metáforas

 

Nestas cálidas tardes peregrinas,

Se estiveres já sem inspiração,

Ante espelhas da desfiguração.

Que perverte a céu das tuas retinas ...

 

Se estas haras infaustas de rotinas

Demudarem teu ser, tua alegria;

E se vires fugir a primazia,

Devida - deste mundo. - à avareza ...

 

Vem saciar tua sede de beleza

Nas sagradas águas da poesia! ...

 

Na devir deste cetro venerando,

Um clarão logo exclui as ignotos.

Na rota das indômitos pilotos,

Os mistérios azuis vão rebrotando ...

 

O graal das metáforas vai doirando

Os brasões da Verbo, com sutileza;

E a Arte, esta divina alquimia,

Vai transfazendo sanha em realeza.

 

Nas sagradas águas da poesia,

Vem saciar tua sede de beleza! ...

-------------------------------------------------------------------------------------------------

 

Rubenio Marcelo

De
Rubenio Marcelo
Horizonte d´Versos
Poesia Reunida & Inéditos

Campo Grande, MS: Editora Life, 2009
440 p.   ISBN  978-85-62660-04-7

 

Colibri

versos pairam
sobre o poema que eu sonhei
mas não escrevi

minhas palavras
carregam aos ombros
um verde colibri

a plumagem brilhante
da poesia
passeia ao sol
da pele fecunda
da criação

hoje
estio e frieza,
aspereza, estéril espinho

amanhã
quero flores, jardins
e néctares para o meu cuitelinho...

 

Palmilhando o mundo hipócrita

Com pé atrás, tomei a decisão:
bati o pé, botei o pé no mundo...
E eu, que sempre tive os pés no chão,
de pé pra mão, não perdi um segundo.

Pé ante pé, num mundo em pé de guerra,
notei que, aos poucos, fui perdendo a fé...
Aí pensei voltar os pés pra terra,
mas era tarde... E já não dava pé.

Hoje, de orelha em pé, eu aprofundo
a minha condição de ser no mundo...
Num mundo que taxa aquilo que é crime.

... Este tal mundo é o mesmo mundo imundo
que pisoteia os fracos (e os oprime),
mas lambe os pés dos trastes do regime


 

 

 

A Arte Maior de Rubenio Marcelo & Jorge Sales

O novo CD de Rubenio com seu parceiro capixaba Jorge Sales está circulando, com as vozes de Cecitônio Coelho, Mara Veloso, Barbosa Lima, Johnny Paz, Marcão, Rubenio Marcelo e músicos. Lançamento do selo ZUADA.  

 

JORGE SALES:             http://jorgesales.com.br/category/musicas 

RUBENIO MARCELO:  http://www.acletrasms.com.br/membro.asp?IDMCad=8  

 

 

MARCELO, Rubenio.  Reticências... Sonetos, cordéis & outros poemas.  Campo Grande, MS: 2003.  124 p.  16x21,5 cm.  Capa: Lennon Godoi.  Prefácio: Antônio Cunha Lacerda Leite.  Impressão e acabamento: Editora Pantanal.   .  “ Rubenio Marcelo “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

Fragmentos

 

Tarde brumosa sem crepúsculo,

Sem encantamento no infinito...

Tal qual esse contido grito

Que há tanto tempo acumulo.

 

Navalhas cortam o meu músculo,

Dilacerando um peito aflito.

Na minha cabeça, um monolito

Esmaga um corpo sem estímulo.

 

... E a tarde morre, lentamente,

Ao som de um sino condolente

Em badaladas de cilício...

 

E eu, em cisalhas de tormentos,

Tento juntar meus fragmentos

 

 

 

MARCELO, Rubenio.  Estigmas do tempo.  Campo Grande, MS:  2001.  119 p.  16x22 cm.   Capa: Agilitá Propaganda.  “Orelhas” do livro por Francisco Xavier Fontenele Nete e Raquel Naveira.  Prefácio: Geraldo Ramon Pereira.  “ Rubenio Marcelo “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

 


MARCELO, Rubenio; LIMA, Fernando Cunha; MILANEZ, Odir.  A Odisseia de Xexéu, Xana e Xibina – Uma saga do cotidiano.  Campo Grande, MS: Editora Life, 2009.  128 p.15x21 cm.  Capa: Endrigo Valadão. Orelha por Daudeth Bandeira.  “Prefácio” em versos por Ronaldo Cunha Lima.  ISBN 978-85-62660-00-9 “ Rubenio Marcelo “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

 



MAIS POEMAS DE RUBENIO MARCELO



Miscigenação

 

Está na cara

  que a minha cara

   é nhambiquara,

    é sarará,

     é potiguara,

       sempre será

        assim mulata,

         branca, pacata,

          tupinambá,

          cor de alfena,

          negra, morena,

         alvissareira,

        parda, trigueira,

      feição cafuza,

     tez mameluca,

    em paz profusa,

  enfim brazuca!...

 Eu sou pardo, ameríndio, sou mulato,

 sou caboclo, moreno, sou castiço,

 sou tupi, sou do mar, sou joão-do-mato,

 eu sou branco, sou negro, sou mestiço.

 

                                          ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

A palavra guardada

 

É preciso nutrir o segredo cristalino

daquela palavra guardada

no núcleo do nosso ser...

 

Calada, ela pode nos mostrar o veleiro

que nos espera em sóbrias antemanhãs...

A escalada da palavra

precisamente guardada

sublinha a sensatez das conjeturas,

agasalha a previdente chama

das profundezas da alma,

renova as pétalas do porvir...

 

É necessário florir o desvelo

que doura e apascenta os imperceptíveis

tesouros da essência...

 

É preciso saber suprir,

em regulares aconchegos do desejo,

a intimidade lúcida do silêncio.

 

A palavra bem guardada

avigora-se, resguardada,

 

            aguardada,

 

da aridez trasladada

para a estação das messes...

 

                               ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

ALVOS VERSOS OU RIMAS CARMESINS


a mira procura o alvo
o verso mira o eterno
o alvo eterniza a pira
o éter inspira a brisa
que adorna a cor da manhã

amanhã
sol dourado ou nuvens de cinza
flamboyants floridos
ou horizontes carmesins...
o homem tem a fórmula
desta aquarela

universo rima com eterno
e terno rima com verso

a lira ruma pro sonho
a sanha assanha o afã...

quimera é espera vã
alvo rima com mira

verso rima com ira?

                    ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

VOO DO BESOURO

 

Uma flauta sibila

movendo os meus sentidos

e me envolvendo...

 

Qual um rio cristalino

a serpentear pelas minhas entranhas,

cenários-zumbidos

passam de repente.... em cores

fecundantes de prazer.

 

Aceno pra tudo,

tudo se faz cena e expectações

no painel surreal do sobretempo.

 

Sou menino desajeitado

transformando compactos élitros

em asas de horizontes...

 

Sorrio e flutuo

na transversalidade melódica

deste voo-besouro...

 

                           ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

ESTAÇÕES DOS VERSOS MEUS

 

Diversos destinos adormecem

nas estações dos versos

que atravessam

as pontes do meu olhar.

 

Meus olhos sabem de cor

as trilhas inalcançadas

que se escondem

em paisagens de solidão.

 

Os versos que me percorrem

voam nas brancas asas

dos pássaros da manhã...

E retornam no gorjear de um sonho

que eu fecundo

na face do horizonte...

 

Ah... estes versos insones

trazem segredos de nuvens

e olores de lírios transitórios...

Abrem novos caminhos,

bailam na chuva, colorem jardins

entre brisas marinhas

e girassóis de pedra...

 

Ah... estes versos versáteis

que enxugam o pranto da primavera,

vencem os ofícios dos vendavais

e seduzem o silêncio

das noites outonais.

 

                    ® Rubenio Marcelo     

 

 

 

 

 

         LUZ...

 

A luz àquele ser que, iniciado
nos princípios sublimes da existência,
renova a floração da sua essência
e renasce esquecido do passado.

A luz àquele que contempla o fado
no cetro apostolar da providência
e segue em natural obediência
ao rito perenal do aprendizado...

A luz àquele que busca a verdade
na paz transcendental da claridade
gerada da virtude que seduz...

A luz àquele ser que se prepara
pra conceber pra sempre a aura clara...
A luz àquele que sabe ser luz!

 

                                            ® Rubenio Marcelo   

 

 

 

 

GLOBO DA MORTE

 

No ziguezaguear estrepitante
de suas colossais motocicletas,
em alta adrenalina, os cinco estetas
vão imortalizando aquele instante...

Num habitáculo esférico, eletrizante,
marchetado de luzes inquietas,
estrugem máquinas, em loucas roletas,
aos olhos da plateia vigilante.

Alfim, de súbito, cessam os fragores:
os alazões de ferro e seus senhores
voltam às posições iniciais.

Do globo, abre-se uma portinhola...
Os acrobatas saem da gaiola
e novamente são meros mortais...

 

                                  ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

GENUFLEXÃO

(Ou: "Uma pecadora e sua cruz")

 

A noite esmaecendo em leniência...
O templo inda fechado. E a meretriz,
assaz despudorada e tão beliz,
entanto busca a paz da sua essência.

Por um instante, queda-se em latência,
com sua consciência por um triz...
Porém, bem devagar, curva a cerviz
e, genuflexa, faz grã penitência...

Contrita, ante a friagem da calçada,
ressonha amanhecendo aliviada
chorando os seus pecados pra Jesus...

Deixa-se pela fé ser carregada;
pede perdão a Deus, compenetrada,
e parte carregando a sua cruz...

 

                                          ® Rubenio Marcelo  

 

                   

 

 

 

          RELENTO

 

Mais uma noite chega de repente...

E uma imagem trêfega, franzina,

Procura o seu descanso de rotina

Na rispidez do chão indiligente.

 

Logo adormece na calçada ardente,

Cumprindo a compulsão da sua sina;

Mas sonha que uma chuva repentina

Está molhando o seu corpo indolente...

 

Acorda e vê que o sonho é verdadeiro;

Levanta-se, buscando um paradeiro,

E sai cambaleando em desalento...

 

Jogada ao léu na rua da amargura,

Aquela desditosa criatura

Sabe de cor as leis do sofrimento.

 

                                         ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

 BUSCA INSENSATA

 

Plena segunda... Depois da rotina,
Sai do batente, pensando na vida...
“Esta semana vai ser bem comprida!”,
Reflete e tenta fugir da neblina...

Contempla o caos e buzina e buzina...
Olha pros lados e não vê saída.
Querendo a paz num troféu de bebida,
Para e adentra o boteco da esquina.

... Umas e outras – ‘saideira’ e tal –
Causam surpresas, deixam vistas turvas,
Entortam mais as arriscadas curvas...

No fim da noite... Na reta final...
Uma sirena de dor se aquieta:
Tudo termina no final da reta.

 

                                        ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

     PARCELA

   1.
   no azul do poema
   a luz da canção
   agora um clarão
   antes tão pequena
   não mais quarentena
   que se encastela
   agora eu e ela
   no leme do dia
   rumo à escadaria
   cantando parcela...

   2.
   assim, infinito
   nessa plenitude
   meus pés, amiúde,
   procuram o grito
   perpassam o mito
   ardente aquarela
   aurora e estrela
   que já predestinam
   sazões que sublimam
   à luz da parcela...

   3.
   oh tempo-verdade
   gravando o eterno
   já não mais hiberno
   a outra metade
   oh fertilidade
   que tudo revela
   com justa cautela
   quero ressurgir
   para refletir
   cantando parcela...

   4.
   no bico do corvo
   deixei o meu múnus
   e os importunos
   punhais do estorvo
   agora não sorvo
   profana querela
   há porta, há cancela
   colunas, mansão
   adeus solidão
   no tom da parcela!

   5.
   permanentemente
   honrarei o rito
   quesito a quesito
   manhã, sol-poente
   se dente é por dente
   ardente é aquela
   retina que zela
   o perfeito instinto
   no áureo recinto
   do canto-parcela!

                       ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

TAVERNA

 

Na inquietude do vazio,

na existência do vulnerável,
há uma taverna
repleta de ébrios
consumidos pelo vício
dos impulsos pontilhados...


Às vezes, quase desacordados,
balbuciam, jogam dados...

Inocentes,
mastigam alardes
em insípidos matizes...

Recordam amores impressentidos,

pressentem  dores e diretrizes

nas torres da solidão...


Nas esquinas do nada,
esfarrapados, vagueiam...
Dançam, sorriem,

aplaudem-se
e - assim - são vãs cervizes...
E, assim, vão

aos
 

    d
 e
    s
       l
    i
 z
    e
 s
  .
  .
  .

   f e l i z e s . . .

 

 

                       ® Rubenio Marcelo 

 

 

 

 

 

Antonio Miranda e Rubenio Marcelo no lançamanto da pedra fundamental da nova sede da Academia Sul-mato-grossense de Letras, em Campo Grande, MS, dia 12/12/2011

 

 

Vejam o texto e as fotos do:

 

REENCONTRO DE RUBENIO MARCELO E ANTONIO MIRANDA

 

REENCONTRO DE RUBENIO MARCELO E ANTONIO MIRANDA

 

  

Encontro com o Diretor da Biblioteca Nacional de Brasília, o poetíssimo Antonio Miranda (também Professor Emérito da UnB e um dos maiores nomes da poesia nacional contemporânea). Na pauta nossa de duas horas (na BNB) tratamos de vários assuntos referentes à Literatura (especialmente a do nosso centro-oeste), falamos acerca da valorização do Livro, da poesia como ato de leitura e exercício crítico, das feiras literárias e bienais (ele que coordenou a inesquecível BIP - Bienal Internacional da Poesia, 2008; e que está indo agora para Lima/Peru, onde a sua obra e o seu espetáculo poético musical “Tu País está Feliz” serão apresentados).

Poeta de vanguarda por essência e autor de dezenas de obras, Antonio Miranda contou-me de seus projetos atuais (e da BNB) e, ao final, permutamos os nossos livros mais recentes.

Viva a Literatura! (Via Facebook, 15/08/2016)

 

 

TEXTOS EN ESPAÑOL

RUBENIO MARCELO


RUBENIO MARCELO


 

 

 

PARTIDA Y AÑORANZA

I.
Era mañana, brisa mansa,
Cuando dejé Fortaleza,
Con un mixto de tristeza,
Tranquila, fe y esperanza...
Trago todo en el recuerdo,
Jamás yo pude borrar
Tres faces a gesticular:
Mi padre, mi madre, mi hermano.
Fue con dolor en el corazón
Que dejé mi lugar!

II.
Dejé mi hogar, mi calle,
Mi guitarra trovador
Que acunó mi amor
En tantas noches de luna!
Salid con el alma desnuda
Y, en mi pecho, una congoja,
Acordando mi suelo, mi mar
Y subiendo en el avión...
Fue con dolor en el corazón
Que dejé mi lugar!

III.

Desde arriba, pude ver
Mi Playa del Futuro.
En aquel instante, perdí interés,
Me dio ganas de descender.
Pero como iría a hacer?
Si no aprendí volar;
Si no podía quedar
Ni cambiar mi decisión.
Fue con dolor en el corazón
Que dejé mi lugar!

IV.
Y en el frío aeroplano,
Veloz y cortando los aires,
Vi yendo mis verdes mares
Y los cocotales soberanos...
Vi mis miles de planes
Y las brumas de mi soñar
Suman, queden allá
En el puerto de la soledad.
Fue con dolor en el corazón
Que dejé mi lugar!

V.
La gente crece sin ver
Que el mañana es oculto;
La gente queda adulto,
Hace mil cosas sin querer...
Parte en un amanecer,
Aún queriendo quedar;
Finge sonreír, no llorar,
En un largo ahogo de mano...
Fue con dolor en el corazón
Que dejé mi lugar!

VI.
Todo pasó, estoy cambiado,
Lejos del terruño natal.
Sólo la añoranza es igual,
Con ella estoy codo con codo...
Cuando me acuerdo del pasado
Y quedo a meditar,
Ella viene a acunarme;
Sin ella, yo no vivo no...
Fue con dolor en el corazón
Que dejé mi lugar!

 

 

Página republicada em dezembro de 2007; ampliada e republicada em janeiro de 2010 e em dezembro de 2011. Atualizada em janeiro de 2012. Atualizada em junho de 2017.

 



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