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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


POESIA GOIANA

  


HELVÉCIO GOULART

 

 

Em 12 de agosto de 1935, nasceu em Itajubá (MG), filho de Bráulio Goulart de Azevedo e de Elisa Capelo Goulart. Encontra-se em Goiânia desde 1956, e ele mesmo diz que Goiás lhe deu “o aprendizado das coisas, a lição do trabalho e o otimismo diante do futuro”. Formou-se em Direito pela Universidade de Goiás e, no serviço público, exerce cargos na administração estadual e municipal. É o fundador da televisão Brasil Central – Canal 13.

 

Fernando Mendes Vianna, ao analisar o livro Duração dos Dias, diz que que “Talvez a poesia brasileira nunca tenha chegado tão próxima da recuperação da essência do tempo da infância. E muito mais raramente ainda com tal depuração lírica...” E Domingos Carvalho da Silva, ao resenhar Memória das águas, antevia que o livro “nos devolve antes de tudo a convicção, a singela e linear verificação de que o mundo mecanizado, robotizado, cibernético, não alcança absorver o todo vivencial, deixando sempre interstícios luminosos e um campo ilimitado, propício às formulações do espírito, à realização da poesia como succés e não como échec.”

 

Bibliografia: A janela azul, Memória das águas, As palavras e Duração dos Dias.

 

 

 

LÍRICA VII

 

Passem a viver entre nós seus joelhos pensativos

A flor de seus cabelos na cinza da neblina

O seixo de sua voz que rola para a morte

Uma morte sem esquinas e sem olhos

A simples morte do desterro dos velhos

Passem a dormir em nossos ombros

As estrelas dos portos e das vilas

Esculpidas nos céus dos oprimidos

Nas bandeiras comoventes da Pátris

No antigo coração das lembranças  

 

 

 

INVERNO

 

Não se esquecerá no momento em que o frio

                pousar suas mãos de mármore na casa.

Os jardins quedarão entre a névoa

e passos chegarão de longe

                                               feito chuva.

Muitas palavras viajam solitárias.

Velhos livros se abrem onde flores morreram.

Na vidraça

                há mulheres que chegam

                                                               vestidas de pelúcia

e súbito

                o coração de queima

                                               num incêndio.

 

ESPERANÇA

 

Nada ficou das acácias

num dia de sol

na alta janela onde os crisântemos

                                               continuam em flor.

Uma coisa está morta, outra está viva.

Assim se continua a andar

                por um caminho sem começo

                                                               e sem fim.

Nos bancos dos jardins, feitos de névoa,

                               há mágicos sentados.

As cabras comem as últimas flores da Primavera

e a esperança é um rio velho atravessando a noite.

 

 

 

OS DIAS

  

Foram-se os jovens dias dos limoeiros em flor

Evadidos das mãos

E do corpo que esperava retê-los

                               Perfeitos

                               Para sempre

 

Foram-se as magnólias

                               Os chorões os ciprestes

Nas estações de ouro

O ninho das canções que os canários entregavam

Presos aos seus pés que cantavam

                                               Cantavam

 

 

PALÁCIOS

 

Alguém tirara o mundo do bolso do colete

E ficava a mostrá-lo aos que passavam

Um corvo veio vindo e pousou em seu ombro

Na hora das pessoas se beijarem na boca

Se amarem no asfalto nos telhados nas esquinas

Nos becos nas árvores nas águas de peixes inebriados

Alguém tirara o mundo de dentro de seu bolso

De um bolso enorme onde cabiam todos

As viúvas dos assassinados

Os que morriam sempre os que sempre matavam

Também os loucos os palhaços

Da cidade do país da terra inteira

Todos verdes da grama dos palácios

Das casas senhoriais em que moram as vespas as cobras as aranhas

Os pobres elefantes dos circos de arrabalde

 

E era assim que tinha de ser dizia-se

Tinha de ser assim para que morresse

A última esperança para que morresse

 

 

 Da Antologia Poética (Editora UFG), 1995

 

 

Sonetos de Amor (Sétimo)

 

Gastou-se o tempo em mim na busca inútil,
gastou-se o céu em meu olhar de apelo,
gastou-se o eterno em minhas mãos de barro
e a vida se gastou em libertar-me.

E preso a tudo e a todos e ao silêncio
que só deixara em mim rastro fortuito
eu fui, que primavera eu procurava
colher-te o rosto e as mãos de amada ausente.

Mas que distância em mim, que sangue e estrelas
não pisei com meus pés de sortilégio
e não perdi meu sonho e minha infância?

E após voltar, que trago em minhas vestes?

- uma idéia de ti, que é mais longínqua
e essa imagem de amor, que antes é morta.


 

 

Informações sobre o escritor Salomão Sousa

consultar o blog http://www.safraquebrada.blogspot.com/

 





 

 

 
 
 
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