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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



REYNALDO JARDIM
Foto: Zeka Araújo, Rio de Janeiro

 

 

REYNALDO JARDIM

 

 

Reynaldo Jardim nasceu em São Paulo no dia 13 de dezembro de 1926 e faleceu em Brasília no dia 1 de fevereiro de 2011.

 

Entre outras atividades profissionais, participou, nos anos 50, da Reforma do Jornal do Brasil - onde criou e editou o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, o Caderno de Domingo e o Caderno B. Ainda no mesmo grupo, dirigiu a Radio Jornal do Brasil

O Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, o SDJB, passou de páginas de receitas de bolo ao mais importante suplemento literário de poesia concreta do Brasil, por onde passaram crí­ticos e escritores de grande nome, como Oliveira Bastos, Mário Faustino, entre outros. Antes disso, fora redator das revistas O Cruzeiro e Manchete, exerceu cargos de chefia na Rádio Clube do Brasil, na Rádio Mauá, na Rádio Globo e na Rádio Nacional, todas no Rio de Janeiro, e na Rádio Excelsior de São Paulo.

 

Ao se demitir do JB, em 1964, Reynaldo Jardim continuou a exercer atividades de grande destaque na imprensa do Rio de Janeiro: foi diretor da revista Senhor e diretor de telejornalismo da recém-inaugurada TV Globo. Já em 1967, criou o jornal-escola O Sol, sem dúvida um marco na história da imprensa brasileira, com textos criativos e projeto gráfico inovador. Dirigiu o Correio da Manhã no período de 1967 a 1972. Trabalhou em diversas capitais brasileiras até chegar a Brasí­lia, em 1988.

 

Realizou, também, reformas gráficas em jornais de diversas capitais do Brasil, como A Crí­tica (Manaus, Amazonas), O Liberal (Belém, Pará), Gazeta do Povo (Curitiba, Paraná), Jornal de Brasília (Brasí­lia, DF) e Diário da Manhã (Goiânia, Goiás). Em Brasí­lia, foi editor do caderno Aparte, do Correio Braziliense e diretor executivo da Fundação Cultural do Distrito Federal.

 

Tem doze livros de poesia publicados, entre eles Joana em Flor e Maria Bethânia, Guerreira, Guerrilha, A Lagartixa Escorregante na Parede de Domingo, Cantares Prazeres, Sangrada escritura e Íntima grafite. Como poeta compulsivo, Reynaldo Jardim manteve a única coluna diária de poesia em jornal, no Caderno B do Jornal do Brasil de 2004 a 2006, quando a coluna passou a semanal. Em 1968 havia tido a mesma experiência, de um poema por dia, no Jornal de Vanguarda, exibido pela TV Rio quando, ao vivo, comentava em versos o acontecimento mais importante do dia.

 

Um testemunho  e um reconhecimento: quem primeiro publicou meus ensaios sobre poesia foi o Reynaldo Jardim no SDJB... Já havia publicado dois, quando o grande jornalista e poeta quis saber se eu era de família rica... Garanti que não, vivia nas beiradas de uma favela em formação, na Tijuca... É que eu nunca havia passado pelo caixa do Jornal do Brasil para receber os meus cheques pelas colaborações... Foram as primeiras de minha carreira literária, eu meninão de 21 anos... Glorioso!!!  

ANTONIO MIRANDA

 

 

REYNALDO JARDIM deixou-nos no dia 1 de fevereiro de 2011, vítima de um problema cardíaco fulminante. Eu havia estado com ele quatro dias antes, num jantar em casa dele, com a família, quando me mostrou seus últimos desenhos, suas pedras pintadas e acertamos que projetaríamos um filme sobre ele na II Bienal Internacional de Poesia de Brasília. Quando Eliane, a esposa do poeta, me ligou anunciando o falecimento, entrei em estado de choque. Liguei em seguida para Ferreira Gullar, que já havia sido informado, e estivemos relembrando o tempo em que nos conhecemos na redação do SDJB, o lendário Suplemento Dominical de Brasil, que exerceu uma influência determinante em nossa geração. Depois fui ao foyer do Teatro Nacional de Brasília, onde velamos o corpo do amigo querido. Muitos admiradores dele levaram seu adeus e as condolências à esposa Eliane e filhos. Que difícil é a despedida de um ser que continua em nós por seus ensinamentos e por seu exemplo de inventividade e alegria de vida!!!!  A. M.

 

Veja também POESIA VISUAL de Reynaldo Jardim

 

 

Peça da série “Beijo” na exposição “Revanguarda” de Reynaldo Jardim, durante a I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, de 3 a 23 de setembro de 2008, no 3º andar da Biblioteca Nacional de Brasília.

 

 

SOL: CAMINHANDO CONTRA O VENTO... um filme de Tetê Moraes e Martha Alencar, dirigido e produzido por Tetê Moraes.

 

 

Sinopse do filme: um jornal, uma geração, uma época. 1967/68. Brasil pós golpe militar de 1964 e pré AI- 5. Passeatas estudantis, festivais de música, uma geração caminhando contra o vento. No coração do Rio de Janeiro nasce o jornal-escola O SOL, uma experiência única no jornalismo e na cultura brasileira.  Teve vida curta porém intensa e simbolizou o espírito de  uma época. Através das páginas do SOL, de encontros e conversas com pessoas que participaram daquela experiência, de material de arquivo e músicas da época, resgatamos a história da chamada "geração 68".

 

Veja o trailer e outras informações em: http://www.osolfilme.com

  

O som embutido na matéria  

O Som se oculta no

Lenho da madeira,

Cordas de piano,mesa

De bar,corpo de cristal

Ou vidro ordinário,

Se esconde,o Som ,nos

Másculos do corpo,couro

Do tamborim, no

Stradivarius, ossário

Dos animais carnívoros

Ou não.

Em silêncio o Som

Aguarda que o libertem

Da matéria bruta ou

Manufaturada, para

Expressar sua angústia,

Melodia, ruído ,linguagem

Áspera, doce , requintada ,

Basta um leve toque

No atabaque, da baqueta

Na pele tensionada

Do surdo para que

Ele,o Som,rompa a

Mortalha e vibre no ar

O ritmo do samba sincopado.

Ele ,o Som,grita quando

A porta bate forte no

Batente e se desespera

Quando mãos desajeitadas

Foram, dele o irritante

Arranhar de lixa polindo

A ferrugem das cascos

Dos navios.

O Som implora que

Todos o tratem com

A delicadeza de um

João Gilberto.

 

 

Maternal

 

Ela se deita,

Diz que não se importa

E deixa a porta

Escancarada e nua

Ela projeta

Uma sombra torta,

Iluminada pela luz da rua.

A lua bate e ela

se comporta

Como se a lua fosse

Seu cachorro

que amestrado

Lhe beijasse a boca,

que sensitivo

Lhe aplacasse o choro.

E esse quarto

vira uma loucura

de bocas,de cachorro

de ternuras

de luas espalhadas

Água em chamas.

No incêndio dourado

de seus pêlos

queimam-se desvarios

e desvelos.

O mel de leite

Brota em suas mamas. 

(Matéria publicada em 23 de agosto de 2006,
 a partir de material cedido gentilmente por Jalila Arab).

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De

CANTARES

PRAZERES

Brasília: Artway, 1986.

 

DESAMORES

4   Quero me despojar

     de tudo o que não tenho.

     Limpar meus horizontes

     de artes e de engenho.

     Quero me desfazer

     de tudo o que não tive.

     A certeza certeira

     de quem viveu não vive.

     Quero me entristecer

     de alegria e calma.

     Olhar no espelho e ver

     a cara de minha alma.

     E quero dessofrer

     o que nunca sofri.

     O gosto do prazer:

     sumo de sapoti.

 

 

SONETO TRAVADO

 

O que será que ela me ama,

se a impudência da ternura,

o quando vou, a volta escura,

esse parir quando me chama?

 

O que terá que assim me odeia,

por que se faz de alegre e raiva,

sendo a distância que desmaia,

por que me aranha em sua teia?

 

O que faria se me esquece

e já me fere da esquivança,

senão me erra o que padece:

 

a manhã cedo em cada prece,

a fúria azul dessa lembrança,

o calendário que enlouquece.

 

 

BETA

 

Ora que não se dá,

ora que não se deu.

Posto que não se é

aquilo que se perdeu.

Visto ser como fica:

figo, água, leite, aço,

perde se corporifica

as auras  de seu espaço.

Mas se libera, excitada,

suas vergonhas de sede,

o gosto da vida embala,

range o balanço da rede.

E ao perfume do incenso,

a maresia salgada,

soma seus cheiros de argila

o ar da manhã molhada.

 

 

ESPONJA

 

Um átimo de vida

que flor se repartisse

e vivo quanto fosse

em dor se refizesse

para depois repor

em flor se reflorisse

num átimo de tempo

a vida nova cresce

na forma original

que assim reaparece

e tudo volta igual

qual tudo nada fosse

o mesmo que não fora

a esponja nem percebe

a forma que estoura

a sua própria norma

e volta a constelar

o que contém a forma.

 

 

De

coleção de poeta
apresenta
Reynaldo Jardim


(folheto e CD)
Círculo de Brasilia Editora, 2008
(Editor: Alex Cojorian)

SE EU QUISER falar com deus

Se eu quiser falar
com Deus,
tenho que abaixar a crista,
tenho que seguir à risca
o que o Gil me ensinou.
Tenho que aguardar na lista
minha vez, minha
audiência.
Uma vaca de paciência,
ruminando meus pecados.
Quando chegar a minha vez,
tenho que soltar o grito.
Pois daqui ao infinito,
Deus não vai me escutar.
Ele está ficando surdo,
já não enxerga direito,
constrangido e contrafeito
com o mundo que criou.
Antes de falar com Deus,
eu arrumo um pistolão.
Pode ser Antonio ou João,
qualquer santo de prestígio.
Tenho que levar presentes,
minha alma, meu delírio,
a luz acesa de um círio
que ele está na escuridão.
Se eu quiser, mas eu

não quero,
que esse Deus é prepotente.
Ele é onipresente,
só não está onde eu estou.
Se quiser falar comigo,
não atendo ao celular.
Não deixo a mesa do bar,
que esse chope está demais.
Eu só vou falar com Deus,
quando ele matar a fome
dessa criança sem nome,
que não pára de chorar.
Quando ele descer do céu
e vir que cada menino,
sem presente, sem destino,
precisa de um beijo seu.

O silêncio é sórdido

Deus criou o ruído, o marulhar,
o estrondo, canto de pássaros,
som cosmogônico, gemer do vento,
farfalhar das folhas, sonora eloqüência da vida.
Deus sempre foi ruidoso.
O demônio inventou o silêncio
letárgico, letal.
Punhal insensível cravado em si mesmo.


Da Pele

O que está na pele
que a pele não entende:
a suave canção
que outra pele acende.
Alguma ilusão
de ser limite e casca.
O campo onde o ar
tangencia, ultrapassa,
perfura para dentro,
transiciona para fora,
acende no suor
a fauna de sua flora.
Os fios de estanho
em eletricidade.
Algum rubor estranho,
essa motricidade.
Não entende as aberturas
para dentro do soma.
O sim de seu avesso,
o pão de seu aroma.
A peneira dos poros,
a poeira dos talcos.
A proteína achatada
dançante sem seu palco.
Nem porque está morta
se é de vida seu dia.
Ou porque num repente
sob o sol se arrepia.


PaSSaporte falso

Você escondeu de mim a minha imagem,
você marcou em mim o desespero.
Você buscou em mim sua coragem,
você deixou em mim seu desmazelo.

Minha imagem ficou no seu espelho,
o desespero gravou-se na rotina.
Minha coragem é um escaravelho
devorando o refugo na surdina.

O que eu fiz de mim foi crueldade,
deixei meu corpo aberto à sua sanha.
Sou um produto já sem validade
estrangeira de mim em terra estranha.

Você  me deu um passaporte falso,
me desembarcaram no primeiro porto.
Pego carona no próximo barco,
e faço o parto do meu próprio corpo.

Tenho que renascer urgentemente,
esquecer que você foi o meu vício.
De hoje em diante a busca do prazer,
vai ser, por toda a vida, meu ofício.


Brilhos

A palavra brilha
(repentina brilha)
onde repentina
fulgurante brilha?
Na boca do estômago,
na garganta seca,
no ar respirado,
na vulva, na teta.
Onde dá o bote
e sacode o guizo?
Na fronte, na mente,
lábios ou juízo?
É a castanhola?
Cascavel safada?
— Crótalo!
E a sua faca
já está cravada.


Guerra na gruta

— Vronsq! Artevesq berra entrando na gruta
— Escri! Responde o bárbaro do fundo
Quem pode soluçar no grascorundo
Grishar income dieritar-se em bruta

Vronsq de crisq ferra o matrimônio
Frinca o quetar enda o pirone
Salca o Critillo em cataloscópio
Frinca a gratera: entertelapo

Ongra! Vrens! Grisf! Vortobendo
Sim finilong sinfinilong sinfinilong

Ara de gretas fricat incortelura
A gresta fita e poduratavis
Gronsqu e Vronsq se derramara

 

Antonio Miranda na casa de Reinaldo Jardim

 

Hino Nacional Alternativo

(1988)

 

Música- Jorge Antunes

 

Letra- Reynaldo Jardim

 

Da paisagem ferida,

da criança lesada,

da mulher soluçando,

homem triste na estrada,

desta terra traída,

pobre gente humilhada,

há de bela explodir

a nação libertada.

 

Seja o choro incontido

um clamor de alegria,

seja o tempo sofrido

as raízes do dia.

 

Seja o canto emotivo

a paixão rebeldia,

no trabalho do povo

é que o povo confia,

há de o povo cantar

o Brasil renasceu,

nossa pátria é você,

minha pátria sou eu.

 

 

 

JARDIM, Reynaldo.  Joaquim e outros meninos. Desenhos de Júlio Braga.  Rio de Janeiro: Oficinas Gráficas do Jornal do Brasil, 1955.  16 p.  ilus.  23,5x32 cm.  grampeado Tiragem: 10.000 exs.  Col. A.M.

 


Primeira lição

 

Algo é preciso dar

e não reter, não mentir,

não trair, não subornar

o próprio coração.

(Mas dar pela razão)

 

Algo é preciso dar:

mesmo a terra de uso.

Mais que o sangue ao banco,

O coração a quem menos queremos

ou desejamos.

Mais que o corpo morto

ao bisturi dos estudantes.

 

Algo de nós:

mais que o essencial.

O sol da madrugada.

O sal do sono.

A bandeira de trégua.

O salário da greve.

 

(Sementes para o trigo de amanhã).

Algo de nós:

Não o gesto de luta,

mas a luta.

Não a caridade piedosa

e nossa floração de ouro e rosa.

 

Algo é preciso dar, Sebastião.

Algo de amar, algo de pão.

Hoje é o verbo dar

a primeira lição,

Pois assim amanhã todos terão.

 


 

Descrição de gravuras


Eu vejo uma gravura

de Kathe Kollwits.

Crianças feitas em dor

que me comovem.

Varadas de amargor

chorando fome.

Estendendo os braços

para os homens.

Suas cuias de barro

alevantadas.

 

Pelo braço sem forças

sustentadas.

Nesse gesto de pão

para suas bocas.

Ou de carne animal

pra alguma sopa.

Têm águas nos olhos

suplicantes.

 

E magreza nas mãos

feitas de cera.

Que é preciso amar

essas crianças

Como odiou sua fome

Kathe Kollwits.

 


 

TRÊS ENCONTROS EM UM DEPOIMENTO


OTO DIAS BECKER REIFSCHNEIDER*

ESPECIAL PARA O CORREIO

 

 

         Cheio de vida, cheio de ideias, faleceu Reynaldo Jardim.Meu conhecimento do poeta e jornalista se deu no fim de 2007, pela compra de livros seus num sebo em Brasília que havia arrematado a biblioteca do artista Rubem Valentim—uma das tantas tristes histórias de descaso com nossa cultura. Conversei exatamente três vezes com ele:

 

         – em 2008, na 1ª Bienal de Poesia, organizada pelo prof. Antonio Miranda na Biblioteca Nacional de Brasília, onde Reynaldo foi homenageado. Levei, para a inauguração, o livro Particípio presente, editado em 1954 numa tiragem de apenas 120 exemplares, que eu comprara num golpe de sorte em São Paulo. Reynaldo ficou surpreso ao ver o livro, me disse que não possuía cópia, chamando os filhos para conhecerem a obra. Eu procurava um outro trabalho seu, um livro de poesia concreta de 1959 intitulado Science fiction — ele disse que tinha um exemplar para

me dar. Peguei o contato de um de seus filhos para combinarmos um encontro, mas a coisa não deu certo, não me lembro se perdi o telefone ou o que aconteceu.

 

         — Nosso segundo encontro foi na comercial da 302 Norte. Vi Reynaldo atravessando  a rua, corri atrás. Conversamos rapidamente e, dessa vez, foi ele quem pegou meu contato (acho). De qualquer forma, a segunda vez também não deu em nada. Eu, depois de nossa conversa, saí correndo para buscar o Joana em Flor, para que ele autografasse para mim, mas quando desci já era tarde.

 

         — Como dizemos americanos, the third time’s the charm. Consegui seus contatos, telefonei para ele. Marcamos para omesmo dia, de manhãzinha, em sua casa — foi em novembro do ano passado. Assim que cheguei à sua casa,me aguardava uma pilha de livros seus, com os quais me presenteou — hoje tenho suas obras completas, em livro. O mérito, aliás, de ter conseguido o livrinho de 1959 é de sua esposa, Elaina, que ao longo dos anos garimpou e guardou com carinho essas raridades.

 

         Não digo que passei a manhã toda com ele, poisetade do tempo estava ocupado ao telefone, sendo requisitado para questões dasais variadas, como foram diversas as temáticas de nossa conversa. Lá pelas tantas, Reynaldo parou, olhou para a mesa, para o bufê (cheio de livros), tateou entre os papéis e proferiu: “Acabou o combustível! ”  Não havia mais cigarros, charutos ou cigarrilhas; saímos para comprá-los.

 

         Estava trabalhando com desenhos e recortes para um próximo livro de poesias e tratando de sua ida a São Paulo, para receber o Jabuti—segundo colocado com seu Sangradas escrituras, verdadeira bíblia da poesia de Reynaldo. Iria para a capital paulista de carro, fazia décadas não entrava num avião. Contou-me que inicialmente não tinha problema algum em voar, mas sua primeira esposa era tão apavorada que o medo o acabou contaminando. Pensou mesmo em recusar o

prêmio, ou aprontar alguma durante a premiação,mas, por apelo da família e de amigos, resolveu não contrariar — o amor, tão cantado po rReynaldo em sua poesia, venceu a irreverência.

 

 

*Oto Dias Becker Reifschneider, 31 anos,

brasiliense, é bibliófilo, graduado em

história e doutorando embiblioteconomia.

 

 

JARDIM, ReynaldoParticipio presente: poemas de Reynaldo Jardim.  Rio de Janeiro?: Edições Arte Viva, 1954.  s.p.   23,5x32 cm. capa dura revestida de tecido. Gravuras e orientação gráfica de André Long.  Tiragem: 125 ex. Exemplar n. 44 assinado por Reynaldo Jardim.     “ Reynaldo Jardim “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

                     

         

                            OCIDENTAL

 

          Convulso torto                   Concha de ira
          Mundo                              Fundo
          Dentro do mundo estouro   Côncavo de escuro
          Mundo                              Povo

          Onde absorto                    Dentro do mundo estouro
          Tonto                               Fonte de dor e fome
          Fonte de dor e fome                    Côncavo de escuro
          Mundo                              Imundo

 

 


 

[ JARDIM, Reynaldo ]  Xilos Elvo Benito Damo. Textos Reynaldo Jardim. [Florianópolis, SC: 1979] Apresentação de Silvio Coelho dos Santos. Livro inconsútil (folhas soltas) em sobrecapa de papelão duro, incluindo xilogravuras e poemas. Formato: 22x34.5 cm.   Tiragem: 500 exs., numerados e assinados pelo artista.  Ex. col. Zenilton Gayoso.

 

(fragmento)

 

Da ferocidade impenitente.

Da artimanha amarga, gorda e azeda.

Da cerimónia fúnebre e martírio.

Da sanha que em sendas se envereda.

Da massacrada gente e seu delírio.

Da pele recortada a golpe frio.

Da solidão perdida dessas matas.

Da vida que o bugreiro desbarata.

Da mortandade calculada em planos.

Da moeda que paga os assassínios.

Da aldeia queimada, palha e panos.

Da genocídio guerra contra os índios.

Da criminosa história que não honra.

Da mentirosa gente que difama.

Da tribo trucidada enquanto é sombra.

Da noite que amanhece em sol de lama.

Da lama que mistura sangue e gritos.

Da inclemência que aflige o aflito.

Da gente que acorda em sobressalto.

Da fúria que cai sobre essa gente.

Da criança abatida em pleno salto.

Da aflição, mil vezes da aflição.

Da lâmina ladrando do facão.

 

(...)

 

 

 

MOSTRUÁRIO EM HOMENAGEM A REYNALDO JARDIM

 

 

O jornalista e poeta Reynaldo Jardim viveu os últimos anos de sua vida numa casa na região do Lago Paranoá, em Brasília.  Um mostruário de vidro contendo obras do autor e uma escultura com sua imagem está exposto, em forma permanente, na entrada da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, no prédio do Teatro Nacional de Brasília.

 

 

Página ampliada e republicada em abril de 2008. Ampaldaa em setembro de 2013. Ampliada em dezembro de 2015. Ampliada em julho de 2016.

 

 

 



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