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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
POESIA PARNASIANA – PARNASIANISMO

LEONTINO FILHO


(R. Leontino Filho, Aracati, Ceará, Nordeste del Brasil, 1961). Obra poética: Amor — Uma palavra de consolo (1982), Imagens (1984), Cidade ìntima (1987), Entressafras (1988), Sagrações ao Meio (1993).

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS   -  TEXTOS EN ESPAÑOL

 

 

LEONTINO FILHO,  R.  Cidade íntima.   Mossoró, RN :Queima-Bucha, 1987  Raimundo Leontino Leite Gondim Filho (R. Leontino Filho)  Col. A.M.  (EA)

 

HAI KAIS



borboleta abatida
flutua
tarda ausência tua

 

vontade fugaz
quis a doce volúpia
todo canto jazz

 

preso à aurora
o casulo
até a paixão devora

 

LEONTINO FILHO,  R.  Cinquenta Poemas.  Jaboatão de Guararapes: Editora Guararapes EGM, 2011.   52 p.  15X20,5 cm.   páginas encorpadas.  Ex. col. Antonio Miranda

 

quadrante

 

sob o clorão

hesitei

estonteante crepúsculo

apanhei

sobre o círculo

soltei

inebriante mal

estranhei

o meu pródigo espanto

dobrei

a recíproco precaução

soltei

brando caricio

o nos desbotar

escuridão

 

 

 

panorama

morno

 

 

lá longe

lugares

léguas ligeiros

tristemente possam

tardezinha

e ainda nem choveu 

 

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Extraídos de
ANTOLOGÍA DE POESÍA BRASILEÑA
Org. de Floriano Martins y José Geraldo Neres
Selección de Jaime B. Rosa
Valencia, España: Huerga & Fierro Editores, 2006

 

 

DENTRO DA NOITE, PENSO EM TI

 

Volta e meia

sigo rumo à ilha do amor

coisas antigas que ficaram

nau perdida no porto abandonado

barco sem vela

que persiste no desenho

formado pelas águas dos rios.

 

Volta e meia

o fluxo de imagens paira sobre as águas

e sigo devorando

a cauda dos sonhos

retornando ao chão descontínuo da ilusória

estrada do bem querer:

uma outra história.

 

Volta e meia

o amor perturba o sono descontente das estrelas

e o luar embaraçado

por tantos murmúrios

arma a provisória tenda da paixão:

o meu olhar de neblina

costurado na memória

tece a infância medieval

do teu corpo.

 

 

DENTRO DE LA NOCHE, PIENSO EN 77

 

De vez en cuando

sigo rumbo a la isla del amor

cosas antiguas que quedaron

nave perdida en el puerto abandonado

barco sin vela

que persiste en el diseño

formado por las aguas de los ríos.

 

De vez en cuando

el flujo de imágenes para sobre las aguas

y sigo devorando

Ia cauda de los sueños

retornando ai piso discontinuo de la ilusoria

carretera dli bien querer:

otra historia.

 

De vez en cuando

el amor perturba el sueño descontento de las estrellas

y el claro de luna embarazado

de tantos murmullos

arma la provisoria tienda de la pasión:

y mi mirada de neblina

cosida en la memoria

teje la infancia medieval

de tu cuerpo.

 

                   [Trad. Carlos Osório]

 

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TRISTEZA

 

as sombras ressecadas da noite

com a ágil visão do corpo

ou o aflito caminho inscrito na pedra

lembram

este exílio:

 

pergaminhos da alma

ao sol

nos loucos ofícios da vida

a palavra vence

e a morte do tempo

transborda neste azul feito de saudade:

o retraio da despedida

mais

um coração sem versos

vencido pelo cansaço do silêncio

exílios

do único corpo desossado

na taciturna neblina

da alma:

 

mãos que não suportam

a claridade dos céus

pensamentos

dos amantes enfurecidos

 

 

 

 

TRISTEZA

 

las sombras resecas de la noche

con la visión ágil del cuerpo

o el afligido camino inscrito en la piedra

recuerdan

este exílio:

pergaminos del alma

al sol

en los locos ofícios de la vida

la palabra vence

y la muerte del tiempo

transborda en este azul hecho de saudade;

el retrato de Ia despedida

más

un corazón sin versos

vencido por el cansancio dei silencio

exilios

dei único cuerpo deshuesado

en la taciturna neblina

dei alma;

manos que no soportan

la claridad de los cielos

pensamientos

de los amantes enfurecidos

 

 

                   [Trad. Carlos Osório]

 

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QUERER-TE

 

ouço a plástica dramaticidade do teu pavor

corte nostálgico meu contraponto

ouço o tranquilo efeito do teu susto

clássico bouquet meu contra-senso

aguento a tua ingenuidade — picante tristeza

dos nossos encontros oculta leveza

aguento a sensual intensidade do teu balo

fenece em mim o inteiro bálsamo

das nossas expressões laterais

desvendo ousadas saídas conheço vestígios

atravesso contigo imaginárias paixões

apago o candeeiro das breves mudanças

irreverências artifícios contrastes

como estímulos que partem errantes

 

 

QUERERTE

 

oigo el plástico dramatismo de tu pavor

corte nostálgico mi contrapunto

oigo el tranquilo efecto de tu susto

clásico bouquet mío contra-sentido

aguanto tu ingenuidad - picante tristeza

de nuestros encuentros oculta levedad

aguanto la sensual intensidad de tu halo

fenece en mi el entero bálsamo

de nuestras expresiones laterales

desvelo osadas salidas conozco vestígios

atravieso contigo imaginarias pasiones

borro el candelero de los breves cambios

irreverencias artifícios contrastes

como estímulos que parten errantes

 

alejo las novedades
frenado en mí
no niego
mi desequilibrio
es estar lleno de ti



                  (Trad. Floriano Martins)

 

 






Arte gráfica: Edson Guedes de Moraes
– Editora Guararapes – PE - 2016

 

 

 

Página publicada em setembro de 2010; ampliada e reeublicada em jan. 2013; ampliada em outubro de 2016

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