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POESIA PARNASIANA – PARNASIANISMO

LEONTINO FILHO


(R. Leontino Filho, Aracati, Ceará, Nordeste del Brasil, 1961). Obra poética: Amor — Uma palavra de consolo (1982), Imagens (1984), Cidade ìntima (1987), Entressafras (1988), Sagrações ao Meio (1993).

Veja também: LEONTINO FILHO - Português e Espanhol

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS   -  TEXTOS EN ESPAÑOL

 

 

LEONTINO FILHO,  R.  Cidade íntima.   Mossoró, RN :Queima-Bucha, 1987  Raimundo Leontino Leite Gondim Filho (R. Leontino Filho)  Col. A.M.  (EA)

 

HAI KAIS



borboleta abatida
flutua
tarda ausência tua

 

vontade fugaz
quis a doce volúpia
todo canto jazz

 

preso à aurora
o casulo
até a paixão devora

 

LEONTINO FILHO,  R.  Cinquenta Poemas.  Jaboatão de Guararapes: Editora Guararapes EGM, 2011.   52 p.  15X20,5 cm.   páginas encorpadas.  Ex. col. Antonio Miranda

 

quadrante

 

sob o clorão

hesitei

estonteante crepúsculo

apanhei

sobre o círculo

soltei

inebriante mal

estranhei

o meu pródigo espanto

dobrei

a recíproco precaução

soltei

brando caricio

o nos desbotar

escuridão

 

 

 

panorama

morno

 

 

lá longe

lugares

léguas ligeiros

tristemente possam

tardezinha

e ainda nem choveu 

 

===============================

Extraídos de
ANTOLOGÍA DE POESÍA BRASILEÑA
Org. de Floriano Martins y José Geraldo Neres
Selección de Jaime B. Rosa
Valencia, España: Huerga & Fierro Editores, 2006

 

 

DENTRO DA NOITE, PENSO EM TI

 

Volta e meia

sigo rumo à ilha do amor

coisas antigas que ficaram

nau perdida no porto abandonado

barco sem vela

que persiste no desenho

formado pelas águas dos rios.

 

Volta e meia

o fluxo de imagens paira sobre as águas

e sigo devorando

a cauda dos sonhos

retornando ao chão descontínuo da ilusória

estrada do bem querer:

uma outra história.

 

Volta e meia

o amor perturba o sono descontente das estrelas

e o luar embaraçado

por tantos murmúrios

arma a provisória tenda da paixão:

o meu olhar de neblina

costurado na memória

tece a infância medieval

do teu corpo.

 

 

DENTRO DE LA NOCHE, PIENSO EN 77

 

De vez en cuando

sigo rumbo a la isla del amor

cosas antiguas que quedaron

nave perdida en el puerto abandonado

barco sin vela

que persiste en el diseño

formado por las aguas de los ríos.

 

De vez en cuando

el flujo de imágenes para sobre las aguas

y sigo devorando

Ia cauda de los sueños

retornando ai piso discontinuo de la ilusoria

carretera dli bien querer:

otra historia.

 

De vez en cuando

el amor perturba el sueño descontento de las estrellas

y el claro de luna embarazado

de tantos murmullos

arma la provisoria tienda de la pasión:

y mi mirada de neblina

cosida en la memoria

teje la infancia medieval

de tu cuerpo.

 

                   [Trad. Carlos Osório]

 

==============================================

 

TRISTEZA

 

as sombras ressecadas da noite

com a ágil visão do corpo

ou o aflito caminho inscrito na pedra

lembram

este exílio:

 

pergaminhos da alma

ao sol

nos loucos ofícios da vida

a palavra vence

e a morte do tempo

transborda neste azul feito de saudade:

o retraio da despedida

mais

um coração sem versos

vencido pelo cansaço do silêncio

exílios

do único corpo desossado

na taciturna neblina

da alma:

 

mãos que não suportam

a claridade dos céus

pensamentos

dos amantes enfurecidos

 

 

 

 

TRISTEZA

 

las sombras resecas de la noche

con la visión ágil del cuerpo

o el afligido camino inscrito en la piedra

recuerdan

este exílio:

pergaminos del alma

al sol

en los locos ofícios de la vida

la palabra vence

y la muerte del tiempo

transborda en este azul hecho de saudade;

el retrato de Ia despedida

más

un corazón sin versos

vencido por el cansancio dei silencio

exilios

dei único cuerpo deshuesado

en la taciturna neblina

dei alma;

manos que no soportan

la claridad de los cielos

pensamientos

de los amantes enfurecidos

 

 

                   [Trad. Carlos Osório]

 

============================================

 

QUERER-TE

 

ouço a plástica dramaticidade do teu pavor

corte nostálgico meu contraponto

ouço o tranquilo efeito do teu susto

clássico bouquet meu contra-senso

aguento a tua ingenuidade — picante tristeza

dos nossos encontros oculta leveza

aguento a sensual intensidade do teu balo

fenece em mim o inteiro bálsamo

das nossas expressões laterais

desvendo ousadas saídas conheço vestígios

atravesso contigo imaginárias paixões

apago o candeeiro das breves mudanças

irreverências artifícios contrastes

como estímulos que partem errantes

 

 

QUERERTE

 

oigo el plástico dramatismo de tu pavor

corte nostálgico mi contrapunto

oigo el tranquilo efecto de tu susto

clásico bouquet mío contra-sentido

aguanto tu ingenuidad - picante tristeza

de nuestros encuentros oculta levedad

aguanto la sensual intensidad de tu halo

fenece en mi el entero bálsamo

de nuestras expresiones laterales

desvelo osadas salidas conozco vestígios

atravieso contigo imaginarias pasiones

borro el candelero de los breves cambios

irreverencias artifícios contrastes

como estímulos que parten errantes

 

alejo las novedades
frenado en mí
no niego
mi desequilibrio
es estar lleno de ti



                  (Trad. Floriano Martins)

 

 






Arte gráfica: Edson Guedes de Moraes
– Editora Guararapes – PE - 2016

 

 

LEONTINO FILHO, R. Cicatriz.   Jaboatão dos Guararapes, PE: Editora Guararapes       EGM, 2014  28 p.  Edição artesanal, poucos exemplares. Ilus. col. 20x13 cm.          Ex. bibl. Antonio Miranda -   Poesia brasileira

 https://issuu.com/antoniomiranda/docs/r._leontino_filho

 

 

LEONTINO FILHO, R. Anatomia do ócio.  Poemas 2018.  Fortaleza, CE: ARC Edições; Mossoró, RN: Queima-Bucha, 2018.  144 p.   14x21 cm.  Prefácio e ilustrações internas  de Floriano Martins.  Capa dura. ISBN 978-85-8112-171-O  Ex. bibl. Antonio Miranda

Conforme Floriano Martins, no prefácio, do livro: “O avanço da tecnologia promoveu uma confusão entre expressão e recurso. “ ! “instalou na criação artística (...) a ruptura dos gêneros.” “Este poema, ao avançar na armação narrativa de sua poética, não seria suficientemente astuto caso fosse tratar de outro assunto que não a Fruição dos signos, título do quarto capítulo de Anatomia do ócio. Trata aqui o poeta de averiguar a intenção por trás dos salmos, das profecias, das frustrações expelidas à abeira do fogo, das penumbras dissonsantes, e o faz com sua relevante clareza: minha alma vai/ sem pressa / ao encontro da perdição”(...) “o que existe das coisas / é o percurso.”

 

 

         PEDRA, AINDA CHÃO
        
(a Foed Castro Chamma)

         III

         Por detrás das máscaras, a multidão
        em disparada — ira acesa.

        Por detrás dos estigmas, o mistério
        em peregrinação — simetria amorosa.

        Dos contornos luminosos, clama
        o herói, canto e perdição.

        Por detrás das consciências, o veneno
        da ciência, engrenagens sofisticadas da mentira.
        Por detrás do tempo, a manhã
        arrasta-se, pássaro sem céu.

 

        ESTIO

        a asa comprida das horas
        fossiliza
        o espanto inútil das coisas

        o tempo incendiado pelo despudor
        enferruja
        o estio cativo da agonia

        o olho tempo
        (único deus
        verbo imprevisto)
        converte a asa desnuda da morte
        maldosamente
        na balada infecunda
        do vazio

        todo resto
        é susto de deus
        (chave perdida)
        túnica branca
        suspensa
        no nunca que canta
        todos os senões

        entre brechas
        o sermão do sim
        além da porta
        o sono espera

 

 

   R O T A  

um naco de amor segue, à vera, há que não negar, ir

há os que seguem o amor por luas, e não são felizes
há os que seguem o amor por corações, e sofrem
há os que seguem o amor por carnes, e cegam
há os que seguem o amor por medo, e enlouquecem
há os que seguem o amor por sina, e se perdem
há os que seguem o amor por desejos, e se aprisionam
há os que seguem o amor por razões, e sucumbem
há os que seguem o amor por ódios, e se desesperam
há os que seguem o amor por demência, e são

infernizados
 há os que seguem o amor por marés, e são quase

inteiros

 

há os que seguem por seguir, e pulsam, esses sim

 

há os que negam o amor por obediência, e pouco amadurecem

há os que negam o amor por justiça, e sempre tropeçam
há os que negam o amor por castidade, e encalham
há os que negam o amor por frustração, e enrugam
há os que negam o amor por cisma, e não esmorecem
há os que negam o amor por ninharias, e engordam
há os que negam o amor por birra, e estremecem
há os que negam o amor por incoerência, e extrapolam
há os que negam o amor por boniteza, e se abismam
há os que negam o amor por pressa, e quase acertam

 

      há os que negam por negar, e minguam, esses não

 

 

Comentário de Antonio Miranda para R. Leontino Filho:

Sim, é possível, e válido, produzir um poema, inteiramente!, com versos alheios. Construir um discurso poético com textos escolhidos de um autor, ou de vários autores. É o que se segue, a partir de fragmentos do provocativo e contundente livro “Anatomia do ócio”, do poeta R. Leontino Filho. Desencadeando sins nãos senões a partir de combinações aleatórias... Como o próprio poeta vaticinou: “Ócio criativo”!!!: “a não mais/ poder” / “regar paradigmas” e “copular abismos” e até “masturbar anjos”!!! Quem duvida. Vejam, então, o que resultou desse experimento com os versos de Leontino Filho:

 

         “Abrasadas pelos rituais
        hóstias escorrem goela abaixo.”
        “(salmos porosos, somos)”:
        “da carne que dura / no resto que sacia”
        “e se consome, consumido”,
        “em tudo que muda / importa nada
        o que interessa.”

        “o desejo a costurar infinitas falas
        agonia esfacelada pelas falsas identidades”
        — da pedra — tensa expressão do finito.”
        “A pedra e o nada, eu vi
        as eventualidades da matéria”
        “— espelho exilado de mim.”

        “será que foi o que é
        ou
        é assim
        o que foi
        em tudo que será?”
        “enunciação de um céu precário
        (relicário perpétuo” )...

        “ser
        quem sabe
        só
        como
        de viés
        a vida sabe ser”

        “marejando lembranças aladas
        eis o rio no cio
        perene/vadio”

        ”—constelações de etcéteras”
        “fenecida fé” “de . can . ta”
        “cortejo alinhado de sinais”
        “as sentenças   entalhe   assim”
        “dimensão imaginária”:
        “servir é quase comandar.”

        “Pode a palavra
        grafar futuros
        pedir âncoras
        abrir flancos
        singrar mares
        magnificar rios
        apascentar cabras
        grampear guerras
        suportar mortes
                    tudo a ela
                     basta
                    poder”
                       ...

 

    Página publicada em setembro de 2010; ampliada e reeublicada em jan. 2013; ampliada em outubro de 2016. Ampliada em junho de 2018

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