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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

HAROLDO DE CAMPOS

(1929-2003)

 

 

Nasceu em São Paulo em 1929. Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo em 1952, e no mesmo ano fundou, com o irmão Augusto de Campos e Décio Pignatari, o Grupo Noigandres de poesia concretista. Trabalhou como tradutor, crítico e teórico literário e foi professor no curso de pós-graduação em Comunicação e Semiótica da Literatura da PUC-SP. Em 1992, recebeu o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano e, em 1999, o Jabuti de poesia, com o livro Crisantempo: No Espaço Curvo Nasce Um.

 

Principais obras: Auto do Possesso (1950), Servidão de Passagem (1962), Xadrez de Estrelas (1976), Galáxias (1984), A Educação nos Cinco Sentidos (1985), Finismundo (1990), Os Melhores Poemas (1992), Crisantempo (1998), A Máquina do Mundo Repensada (2000).

 

Veja sitio: http://www2.uol.com.br/haroldodecampos/

 

 

 

FRAGMENTO metapoético de GALÁXIA: (1963-1973) livro de ensaio:

 

e começo aqui e meço aqui este começo e recomeço e remeço e arre-

messo e aqui me meço quando se vive sob a espécie da viagem o que

importa não é a viagem mas o começo da por isso meço por isso começo

escrever mil páginas escrever milumapáginas para acabar com a escritura

para começar com a escritura para acabarcomeçar com a escritura por

isso recomeço por isso arremeço por isso teço escrever sobre escre-

ver é o futuro do escrever sobrescrevo sobrescravo em milumanoites

milumapáginas ou uma página em uma noite que é o mesmo noites e   V

páginas mesmam ensimesmam onde o fim é o começo onde escrever

sobre o escrever é não escrever sobre não escrever e por isso começo

descomeço pelo descomeço desconheço e (...)

 

 

 

Ver também: Poesia concreta e visual de Haroldo de Campos.

 

 

 

TEXTO EM PORTUGUÊS  / TEXTO EN ESPAÑOL /

TEXTS IN ENGLISH

 

 

THALASSA THALASSA

 

I

 

Não sabemos do Mar.

O Mar varonil com seus testículos de ouro

O Mar com seu coração cardial de folhas verdes

E suas imensas brânquias de peixe aprisionado

O Mar, não esse que dá às nossas costas

Pantera de espuma que as mulheres domesticam

Em suas redes de látex

Rei de bizâncio e ungüento movendo entre as esposas

As mãos manicuradas.

 

Não sabemos do Mar.

O dia nos confina entre a pobre matéria a madeira calada

Entre os pássaros ocos, os cavalos de força e a mucosa eletrônica

E à noite adoramos o Sol de Galalite e o Poderoso Az de Espadas

Enquanto os cinocéfalos correm sobre os nossos telhados

Aguardando a Mulher-Nua que há de aparecer com seus pequenos seios

Bela como o almíscar que rói as pituitárias E as zibelinas mortas em torno de suas nádegas de prata.

 

 

A obra inclui VII partes e apresentamos a I como representativa do longo poema.

 

Extraído de De NOIGANDRES I: Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos.

Prólogo y selección de Hilda Scarabótolo de Codima; traducción de Antonio Cisneros.

Lima: Centro de Estudos Brasileiros, 1983.

================================================================

 

De
Denise Milan / Haroldo de Campos
metapoemas / metapoems
tradução Regina Alfarano
São Paulo: DCL Difusão Cultural do Livro
patrocínio: Grupo Votorantim


a escultura da voz a pedra

uma voz que brilha e tem forma

uma voz que tem volume

voztactil

 

a pulsão do cristal

quer

a vocação do cristal

quer       a forma

 

o cristal quer cristalografar-se

 

gramática do cristal:

         a língua que falta ao minério

         é o cristal             

         o cristal é o poeta do minério

         descarna os corpos solidos

         e chega ao ectoplasma

         do sol        

o cristal aclara     

o sol ensolara

a escultura transmuda a pedra

a pedra muda fala

escultura: metáfora da tradução

 

====================


o seccionar do mundo

 

o circunlóquio do círculo

o circum-volver do cérebro

a escultura

o círculo     a cesura

 

labirinto de ranhuras

 

=====================


o sol das entranhas

rebenta

no ventre da vida

 

olho polifêmico

pólen

de um girassol roxo

 

labareda

oclusa

numa gruta

azul

 

na calota urbana

acesso ao mundo subterrâneo

 

=====================

 

Denise Milan (escultura) Urbe Cristalina,l995

Photos: TV Cultura - Metropolis - instalação / installationn

 

são paulo

urbe multilingue

sob o signo taumatúrgico de anchieta

escrevendo na areia

versos de areia

para o ouvido do vento

português espanhol latim tupi

signo poliglota da origem

 

são paulo

orquidário de arranha-céus

mandíbula carbonária

movendo mós de cimento

no trópico entrópico

 

migração de línguas

nestiçagem de línguas

mastigação de línguas

português tupi iorubé

italiano alemão

francês inglês   

espanhol árabe hebraico

japonês chinês coreano

russo armênio grego

ecumênico de línguas
a areia

se concreta

 

denise urbaniza

um polipeiro de formas

cristais multitudinários

 

 

 

CAMPOS, Haroldo de; MANSUR, Guilherme. Gatimanhas & Felinuras.  Colaborações           especiais de Paul Klee, Christopher Middleton, Kurt Schwitter.  Ouro Preto, MG: Gráfica Ouro Preto, 1994.  33 p.  ilus. p&b  15,5x22,5 cm  autógrafo de Guilherme Mansur.  Edição da katze Caderno nonada.  “Poemas gatemáticos, ou seja, sobre os gatos, paixão dos autores.”  Col. A.M.

Poema de Haroldo de Campos, extraído do livro:

 

 

breve elegia para um gato

 

      em memória do gato-samurai lesma

 

os olhos

esvaecem

num perdido brilho

de vida:

jade no ocaso

 

tanta beleza

arrefece

numa cota de

 

 

 

caligrama do gato zen” de JULIO PLAZA

 

 

 

 

 

 

HAROLDO DE CAMPOS _ HOMENAGEM DA TV BRASIL 
com Antonio Miranda, Gilberto Mendonça Teles, Lucia Santaella e Omar Khouri. Entrevistadora: Vera Barroso, em dezembro de 2013. 
http://tvbrasil.ebc.com.br/delapraca/episodio/haroldo-de-campos-e-o-homenageado-deste-de-la-pra-ca

 

 

 

CAMPOS, Haroldo de.  o anjo esquerdo da poesia: poética e política.  São Paulo: Dulcineia Catador, 2007.  36 p.  16x22 cm.  Inclui um prólogo de Gonzalo Aguiar. Capa pintada à mão, feita com papelão comprado de cooperativas de materiais recicláveis. 

 

neobarroso: in memoriam

 

"hay

 

cadáveres" — canta néstor

perlongher e está

 

morrendo e canta                         

"hay..." seu canto de

 

pérolas-berruecas alambres boquitas repintadas restos de unhas

lúnulas — canta — ostras desventradas um

olor de magnólias e esta espira

amarelo-marijuana novelando pensões

baratas e transas de michè (está

morrendo e canta) "hay..."

(madres-de-mayo heroínas-car-

pideiras vazadas em prata negra

lutuoso argento riopiatense plangem)

"...cadávares" e está

morrendo e canta

néstor agora em go-

zoso portunhol neste bar paulistano

que desafoga a noite-lombo-de-fera

úmido-espessa de um calor serôdio e on-

de (o sacro daime é uma - já então - un-

ção quase extrema) canta

 

 

seu ramerrão (amaríssimo) portenho: "hay    .

(e está morrendo) cadáveres" 

 

 

 

refrão à maneira de brecht

 

contra

o bloqueio de

cuba

mas também

contra

a contumácia "dinossáurea"

de — mário soares dixit-

fidel

contra o bombardeio do

golfo

(guerra de mísseis teleterríveis

sob as estrelas pasmas de nínive)

mas também

contra

a empáfia loucoloqüente de

saddam hussein

 

contra

o fundo monetário

internacional fundo

usurário

no

inferno mais profundo

de geryon (dante; inferno)      

 

mas também contra

a corrupção voraginosa de burocratas e políticos

(políticos venais mandarins-tecnocratas

de colarinho branco

assentados sobre nádegas ociosas)

brasileiros

 

contra

os ensandecidos xiitas

palestinos

mas também

contra

a surdez míope dos judeus

fundamentalístas

 

ó favônio

vento que favorece

divino na rosa-

dos-ventos

quando poderemos

ser inteiramente

a favor?

 

 

 

 

 

TEXTO EN ESPAÑOL

 

 

El poeta y ensayista brasileño Haroldo de Campos (São Paulo, 1929) es una de las más relevantes figuras de la actual literatura latinoamericana. Fundador, en los años 50, del movimiento de la poesía concreta, su obra lírica – ya traducida a numerosas lenguas – abarca – ya traducida a numerosas lenguas – abarca desde Auto del  poseso (1949-1950) hasta el reciente La educación de los cinco sentidos (1985). Autor, asimismo, de una ya larga y decisiva obra crítico-ensayística, Haroldo de Campos representa en la literatura de nuestro tiempo la más lúcida y comprometida recepción del legado de la modernidad literária, a la que há contribuído, a su vez, con la aportación de una radicalidad y una amplitud de miras que han supuesto una redefinición de lo moderno mismo.

 

 

Traducción de Antonio Cisneros.

 

 

THALASSA THALASSA

 

I

 

Nada sabemos del Mar.

EI Mar varonil con sus testículos de oro

El Mar con su corazón cardial de hojas verdes

Y sus inmensas branquias de pez aprisionado

EI Mar, no el que da a nuestras costas

Pantera de espuma que las mujeres domestican

En sus redes de látex

Rey de ungüento y bizancio que entre esposas agita

Las manos maquilladas.

 

Nada sabemos del Mar.

EI día nos confina en la pobre materia de madera calada

Entre los pájaros huecos, los caballos de fuerza y la mucosa

electrónica

Y llegada la noche adoramos el Sol de Galalite y el As de Espadas

Poderoso

Mientras los cinocéfalos recorren nuestros tejados

A la espera de la Mujer-Desnuda que habrá de aparecer con sus

pequeños senos

Bella como el almizcle que roe las pituitarias

Y las cibelinas muertas en torno a sus nalgas de plata.

 

 

[POEMA]

 

         Traducción de Jorge Boccanera
         y Saúl Ibargoyen

 

1.

poesía en tiempo de hambre

hambre en tiempo de poesía

 

poesía en lugar del hombre

pronombre en lugar del nombre

 

hombre en lugar de poesía

 

nombre en lugar del pronombre

 

poesía de dar el nombre

nombrar es dar el nombre

nombro el nombre

nombro el hombre

en medio del hambre

 

nombro el hambre

 

2.

de sol a sol

soldado

de sal a sal

salado

de paliza a paliza

apaleado

de jugo a jugo

chupado

de sueño a sueño

soñado
sangrado
de sangre a sangre


Haroldo de Campos

De
Haroldo de Campos
LA EDUCACIÓN DE LOS CINCO SENTIDOS
Traducción, prólogo y notas complementarias de
ANDRÉS SÁNCHEZ ROBAYMA

Barcelona: AMBIT, 1990
ISBN 84-87342-57-4

 

 

esses trigênios’ vocalistas

/ que idéia é essa de querer plantar

ideogramas no nosso quintal

(sem nenhum laranjal          Oswald)?

e (Mário) desmanchar

a comidinha das crianças?

 

poesia pois é

poesia

 

te detestam

lumpenproletária

voluptuária

vigária

elitista piranha do lixo

porque não tens mensagem

e teu conteúdo é tua forma

e porque és feita de palavras

e não sabes contar nenhuma estória

e por isso és poesia

como Cage dizia

 

ou como

há pouco

augusto

o augusto:

 

que a flor flore

 

o colibri colibrisa

 

e a poesia poesia

 

 

a esos trigenios vocalistas

/ ¿ qué Idea es esa de querer plantar

ideogramas en nuestro corral

(sin ningún color local          Oswald)?

y (Mario) estropear

la comidita de los niños?

 

poesía pues si

poesía

 

te detestan

lumpenproletaria

voluptuária

falsaria

elitista piraña de la basura

porque no tienes mensaje

y tu contenido es tu forma

y porque estás hecha de palabras

y no sabes contar ninguna historia

y por eso eres poesía

como Cage decía

 

o como

hace poco

augusto

el augusto:

 

que la flor flora

 

el colibri colibriza

 

y la poesía poesía

 

 

 

 

JE EST UN AUTRE: AD AUGUSTUM

 

irmão

neste re / verso do ego

te vejo

mais plus que mim

plusquanfuturo poetamenos

mais

e no trobar clus

desse nó de nós

a poesia

sister incestuosa

prima pura impura

em que

siamesmos

uni-

somos

outro

  

 

JE EST UN AUTRE: AD AUGUSTUM

 

hermano

en este re/verso del ego

te veo

más plus que mi

plusquanfuturo poetamenos

más

y en el trobar clus

de esa nuez de lo

nuestro

la poesía

sóror incestuosa

prima pura impura

en que

siamismos

uni-

somos

outro

 

 

MINIMA MORALIA

 

já fiz de tudo com as palavras

 

 

agora eu quero fazer de nada

 

 

 

MINIMA MORALIA

 

 

ya hiced de todo con las palabras

 

 

ahora quiero hacer de nada

 

 

 

LE DON DÚ POÈME

 

um poema começa

por onde ele termina:

a margem de dúvida

um súbito inciso de gerânios

comanda seu destino

 

e, no entanto ele começa

(por onde ele termina) e a cabeça

grisalha(branco topo ou cucúrbita

albina laborando signos) se

curva sob o dom luciferino –

 

domo de signos: e o poema começa

mansa loucura cancerígena

que exige estas linhas do branco

(por onde ele termina)

 

 

 

LE DON DÚ POÈME

 

un poema comienza

allí donde termina:

el margen de la duda

súbito inciso de geranios

ordena su destino

 

sin embargo comienza

(allí donde termina) y la cabeza

grisácea (blanca cima o cocúrbita

albina laborando signos)

se curva bajo el Don luciferino –

 

domo de signos: y el poema comienza

mansa locura cancerígena

que exige estas líneas al Blanco

(allí donde termina)

 

 

EX/PLICAÇÃO

 

não há um

sentido único

num

poema

 

quando alguém

começa a ex-

plicá-lo e

chega ao fim

en-

tão só fica o

ex

do ponto de

partida

 

beco

 

(tente outra

vez)

 

sem saída

 

 

EX/PLICACIÓN

 

no hay un

sentido único

en un poema

 

cuando alguien

comienza a ex-

plicarlo y

Ilega hasta el fin-

al entonces

sólo queda el

ex

del punto de

partida

 

callejón

(inténtelo de

nuevo)

 

sin salida

 

 

 

O HOMEM E SUA HORA

(IN MEMORIAM: MÁRIO FAUSTINO)

 

 

é o demônio de Maxwell

deus termodinâmico?

 

é o diabo na garrafa

lançada no oceano?

 

é a bruxa solta no vento

ganhando no olho mecânico?

 

é o acaso todo de branco

na curva do meridiano?

 

é o anjo com seu archote?

é o demo com seu fagote?

é o homem com sua sorte?

 

é a morte com seu serrote

é a morte – serra de lima

é a morte – e serra de cima

 

 

EL HOMBRE Y SU HORA

(IN MEMORIAM: MARIO FAUSTINO)

 

¿es el demônio de Maxwell

dios termodinámico?

 

¿es el diablo en la garrafa

lanzada en el oceano?

 

¿es la bruja suelta en el viento

que gana en el ojo mecânico?

 

¿es el azar todo de Blanco

en la curva del meridiano?

 

¿es el Angel con su na antorcha?

¿es el diablo con su fagot?

¿es el hombre con su suerte?

 

es la muerte con su serrucho

es la muerte – sierra de lima

es la muerte – sierra por cima

 

 

 

===========================================================

 

TEXTS IN ENGLISH


De
Denise Milan / Haroldo de Campos
metapoemas / metapoems
tradução Regina Alfarano
São Paulo: DCL Difusão Cultural do Livro
patrocínio: Grupo Votorantim


 

the sculpture bestowb voice to the stone

a voice that glistens and bears a shape

a voice that carries volume

tactile voice

 

the pulsing of the crystal

searches for

the urging of the crystal

searches for         form

 

 

the crystal in its search for crystallography

 

the grammar of crystal:

         the language minerals lack is

         crystal

         crystal is the poet among the minerals

         it strips solid bodies

         and reaches the ectoplasm

         of the sun

the crystal cleans

the sun beams

the sculpture transforms the stone

the silent stone speaks

sculpture: translation's metaphor

 

====================

the sectioning of the world

 

the circumloquium of the circle

the circum-volution of the brain

the sculpture

the circle   the caesura

 

labyrinth of grooves

 

====================

 

 

the sun from the bowels

bursts out

in the womb of life

 

polyphemic eye

pollen

of a purple sunflower

 

sheltered

flame

in a blue

cave

 

in the urban calotta

access to the underground world

 

=====================


Denise Milan (escultura) Urbe Cristalina,l995

Photos: TV Cultura - Metropolis - instalação / installationn

 

 

são paulo

multilingual city

under the thaumaturgical seal of anchieta

writing on sand

verses of sand

for the ears of wind

 

portuguese spanish latin tupi
polyglot sign of origins

 

são paulo

orchid bed of skyscrapers

carbonary mandible

stirring chunks of cement

in the entropic tropic

migration of languages
blending of languages
mastication of languages
portuguese  tupi Yoruba
italan  german
french  english

Spanish  Arabic  hebrew
japanese  chinese  Korean
russian  armenian  greek
ecumenism of languages
sand
solidities
info mineral

         denise urbanizes
         a polypary of forms
         multitudinary crystals

         polis of prisms

 

 

 

 

POEMS IN ENGLISH

 

 

DESCONTRÁRIOS – UNENCOUNTRARIES: 6 poetas brasileiros: 6 Brazilian poets.  Nelson Ascher et al. Projeto e coordenação editorial Josely Viana Baptista, projeto gráfico e desenhos Francisco Faria, versões dos poemas para o inglês Regina Alfarano et al. Curitiba: Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba/ FCC; Associação Cultural Avelino Vieira / Bamerindus, 1995.   158 p. ilus.  “ Josely Viana Baptista “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

 

Signantia: Quasi Coelum

1,1

 

 

      Glande de cristal
      desoculta
      ramagem de signos
                                        soa
      o acorde do uni
      verso

                              campana estimulada
                                                            rútilo
último
              coere                 cúpula radiosa
                                                           
                                                             um sino
               sim

 

 

 


 

   Signantia: Quasi Coelum

   1,1

            Crystal acorn
            dis-hidden
             branchery of signs
                                                  strikes
             the chord of the uni
             verse

                                          stimulated chime

                                                                       shining

        final
          
              coheres            radiante cupola

        spells                                                a bell

 

 


 

         1,2

          amígdalas de esmalte
          percutindo o
          tingido silêncio

          fanos       fanopéia     teopfania
                                                                um sol

          o átimo das coisas

          se ensolara no sol

          como a luz na lente

           lucilada                        os nervos de vidro
                                              do vermelho

                                              o núcleo

 

            1,3

           
frases
            no papel

             arestas
             de grafite

                                      sub
                                      tendendo

             a umbela
             arfante

                                                     e soa

             teofania de signos      limalha de cristal      vibrada

 

 

 

                                     

              1,2

              
enamel tonsils
               percussing the
               tolling-tinged silence

               phanos    phanopeia            theophany
                                                                        a sun
               the    flicker    of    things

               sunstreaks   itself   in   the   sun

               light   in   the   luminious

               lens                                            the glass nerves of
                                                                 red

                                                                 the nucleus

 

               1,3

               phrases
               on paper

               graphite
               tips

                                             sub
                                             tending

               the heaving
               dome

                                                           and strikes

               theophany of sings    feather-filings of cristal

 



 

               1,4

              
semência
               pó de luz

                                             grafo
               estalante                                      mas: palabras

 

               simples
               como este
               agora
               todavía
               aqui

                                      partículas
                                      sonoras
                                      dígitos de
                                      tempo
                                      dúvida
                                      lugar
                                      ad

                                                                 versáteis

 

 

 

 

               1,4

                seeding
                light-dust
                                        starry
               grafo                                       but: words

 

                plain
                like   this
                now
                however
                here

                                         sonorous
                                         particles
                                         digits  of
                                         time
                                         doubt
                                         site
                                         ad

                                                                   versatile

 

 

 

                  1,5

                   alvéolos
                   do globo diamantino

                   gomos
                   do  grande  copo  de  som:      consopros

                   do respiro total

 

                    assim me
                    assino

 

 

 

 

                    1,5

                    honeycomb cells
                    diamantine globe

                    segments

                    of  the  great  sound  globet:          conrespirations

                    of the total breath

 

                    so                 my chime
                    I sign

 

                                                           (Signantia: Quasi Coelum, 1979)
                                                            Translated by Jean R. Longland

       


     
de Galáxias

 

e começo aqui e meço aqui este começo e recomeço e remeço e
arremesso e aqui me meço quando se vive sob a espécie da
viagem o que importa não é a viagem mas o começo da por isso
meço por isso começo escrever mil páginas escrever
milumapáginas para acabar com a escritura para começar com a
escritura para acabarcomeçar com a escritura por isso recomeço
por isso arremeço por isso teço escrever sobre escrever é o futuro
do escrever sobrescrevo sobrescravo em milumanoites
milumapáginas ou uma página em uma noite que é o mesmo
noites e páginas mesmam ensimesmam onde o fim é o comêço
onde escrever sobre o escrever é não escrever sobre não escrever e
por isso começo descomeço pelo descomêço desconheço e me
teço um livro onde tudo seja fortuito e forçoso um livro onde tudo
seja não esteja seja um umbigodomundolivro um
umbigodolivromundo um livro de viagem onde a viagem seja o
livro o ser do livro é a viagem por isso começo pois a viagem é o
comêço e volto e revolto pois na volta recomeço reconheço
remeço um livro é o conteúdo do livro e cada página de um livro é
o conteúdo do livro e cada linha de uma página e cada palavra de
uma linha é o conteúdo da palavra da linha da página do livro um
livro ensaia o livro todo livro é um livro de ensaio de ensaios do
livro por isso o fim-comêço começa e fina recomeça e refina
se afina o fim no funil do comêço afunila o comêço no fuzil do fim
no fim do fim recomeça o recomêço refina o refino do fim e onde
fina começa e se apressa e regressa e retece há milumaestórias na
mínima unha de estória por isso não conto por isso não canto por
isso a nàoestória me desconta ou me descanta o avesso da estória

 

que pode ser escória que pode ser cárie que pode ser estória tudo
depende da hora tudo depende da glória tudo depende de embora
e nada e néris e reles e nemnada de nada e nures de néris de reles
de ralo de raro e nacos de necas e nanjas de nullus e nures de
nenhures e nesgas de nulla res e nenhumzinho de nemnada nunca
pode ser tudo pode ser todo pode ser total tudossomado todo
somassuma de tudo suma somatória do assomo do assombro e
aqui me meço e começo e me projeto eco do comêço eco do eco
de um comêço em eco no soco de um comêço em eco no oco eco
de um soco no osso e aqui ou além ou aquém ou láacolá ou em
toda parte ou em nenhuma parte ou mais além ou menos aquém
ou mais adiante ou menos atrás ou avante ou paravante ou à ré ou
a raso ou a rés começo re começo rés começo raso começo que a
unha-de-fome da estória nào me come nào me consome não me
doma não me redoma pois no osso do comêço só conheço o osso
o osso buco do comêço a bossa do comêço onde é viagem onde a
viagem é maravilha de tornaviagem é tornassol viagem de
maravilha onde a migalha a maravalha a apara é maravilha é
vanilla é vigília é cintila de centelha é favila de fábula é lumínula
de nada e descanto a fábula e desconto as fadas e conto as favas
pois começo a fala              

                                                                         (Galáxias, 1984)         
                                                                                     
,


 

 from Galaxies

 

 

and here I begin I spin here tbe beguine I respin and begin to release
and realize life begins not arrives at tbe end of a trip whicb is why I
begin to respin to write-in tbousand pages write thousandone pages
to end write begin write beginend witb writing and so I begin to
respin to retrace to rewrite write on writing the future of writing’s
the tracing the slaving a tbousandone nights in a thousandone
pages or a page in one night tbe same nights the same pages same
semblance resemblance reassemblance wbere the end is begin where
to write about writing's not writing about not writing and so I begin
to unspin tbe unknown unbegun and trace me a book where all’s
chance and perchance all a book maybe maybe not a travel
navelof-the-world book a travel navelof-the-book world wbere
tripping's the book and its being's the trip and so I begin since the
trip is beguine and I turn and return since the turning's respinning beginning realizing a book is its sense every page is its sense every
line of a page every word of a line is the sense of the line of the page
of tbe book wbich essays any book an essay of essays of the book
whicb is why the begin ends begins and end spins and re-ends   and
refines and retunes tbe fine funnel of tbe begunend spun into the
runend in the end of the beginend refines the refined of the final
where it finishes beginnish reruns and returns and the finger
retraces a tbousandone stories an incey wince-story and so count of
no account I don't recount tbe nonstory uncounts me discounts me
the reverse of the story is snot can be rot maybe story depends on the
moment the glory depends on the now and the never on although
and no-go and nowbere and noplace and nibil and nixit and zero
and zilch-it and never can nothing be all can be ali can be total
sum total surpriseing summation of sumptuous assumptiosn and here
I respin I begin to project my echo the wreck oh recurrent echo of the
echoing blow the hollows of Moreaus the marrow that’s beyonder the
 over the thisaway everywhere neverwhere overhere
overthere forward more backward less there in revers vice verse
prosa converse I begin I respin verse begin vice respin so that
summated story won’t consume consummate saltimbocca bestride
me barebackbonesberide me begin the beguine of the trip where the
travel’s the Marvel the scrabble’s the marble the vigil’s the travel the
trifle’s the sparkle the embers of fable discount into nothing accounts

 

for the story since spinning beginning I’m speaking

 

                              Translated byy Jill Levint
                               (from a basic versin by Jon Tolman)

 

de Galáxias

 

passatempos e matatempos eu mentoscuro pervago por este
minuscoleante instante de minutos instando alguém e instado além
para contecontear uma estória scherezada minha fada quantos
fados há em cada nada nuga meada noves fora fada scherezada
scherezada uma estória milnoitescontada então o miniminino
adentrou turlumbando a noitrévia forresta e um drago dragoneou-
lhe a turgimano com setifauces furnávidas e grotantro cavurnoso meuminino quer-saber o desfio da formesta o desvio da furnesta só
dragão dragoneante sabe a chave da festa e o dragão dorme a sesta entãoquào meuminino começou sua gesta cirandejo no bosque deu
com a bela endormida belabela me diga uma estória de vida mas a
bela endormida de silêncio endormia e ninguém lhe contava essa
estória se havia meuminino disparte para um reino entrefosco
que o rei morto era posto e o rei posto era morto mas ninguém lhe
contava essa estória desvinda meuminino é soposto a uma prova
de fogo devadear pelo bosque forestear pelo rio trás da testa-de-osso
que há no fundo do poço no fundo catafundo catafalco desse poço
uma testa-de-morto meuminino transfunda adeus no calabouço mas
a testa não conta a estória do seu poço se houve ou se não houve
se foi moça ou foi moço um cisne de outravez lhe aparece no sonho
e pro cisnepaís o leva num revôo meuminino pergunta ao cisne pelo
conto este canta seu canto de cisne e cisnencanta-se dona sol no-que-espera sua chuva de ouro deslumbra meuminino fechada em sua torre dânae princesa incuba coroada de garoa me conta esse teu conto pluvial
de como o ouro num flúvio de poeira irrigou teu tesouro mas a de ouro princesa fechou-se auriconfusa e o menino seguiu no empós do contoconto
seguiu de ceca a meca e de musa a medusa todo de ponto em branco todo de branco em ponto scherezada minha fada isto não leva a nada princesa-minha-princesa que estória malencontrada quanto veio quanta volta quanta voluta volada me busque este verossímil que faz o vero da fala e em fado transforma a fada este símil sibilino bicho-azougue serpilino machofêmea do destino e em fala transforma o fado esse bicho malinmaligno vermicego peixepalavra onde o canto conta o canto onde o porquê não diz como onde o ovo busca no ovo o seu oval rebrilhoso onde o fogo virou água a água um corpo gasoso onde o nu desfaz seu nó e a noz se neva de nada uma fada conta um conto que é seu canto de finada mas ninguém nemnunca umzinho pode saber de tal fada seu conto onde começa nesse mesmo onde acaba sua alma não tem palma sua palma é uma água encantada vai minino meuminino desmaginar essa maga é um trabalho fatigoso uma pena celerada você cava milhas adentro e sai no poço onde cava você trabalha trezentos e recolhe um trecentavo troca diamantes milheiros por um carvão mascavado quem sabe nesse carvão esteja o pó-diamantário a madre-dos-diamantes morgana do lapidário e o menino foi e a lenda não conta do seu fadário se voltou ou não voltou se desse ir não se volta a lenda fechada em copas não-diz desdiz só dá voltas

                                                                     (Galáxias 1984)

 

from Galaxies

 

passtimes and killtimes i wendaway darklingfor mindamends through this minimeandering instant of minutes instancing somebody and instanced beyond to telltale a scheherazade thistory my fairy how many fates are there in each nullitywee thread discard nines leaving nought scheherazade scheherazade a nightstory a thousandtimes overtold then the sonnyboy soulumbering into this nightdark florest carne and a drago sevensnouted dragoned bis swellhand into a fernavid and cavernish grottohollow my hoy wants knowhow to unpick this threadform how to sideslip this cavem only the dragon ali dragoning knows the key to this festival and now the dragon at bis siesta is asnoozing then when myhoy began bis ringawinnow round a rosaromanorum gesta in the bosk he stumbled on the sleepy beauty bellabella tell me a life thistory but sleepy beauty in the silence sleepeyed on and nobody told him if there was any forthgoes myhoy to a kingdom interlunar where the dead king was up and the upwas king is dead but nobody told him the sideslip thistory myhoy is only so posed now to suffer the firetrial to for d the bosk and florrage through the river for the headbone that is there in thetwelVs depth in the depth of pickatomb and catafalque in this well is a caput mortuum myhoy doth to godhye suffer a seachange in the cahoose but the head does not tell the thistory of its well if there was or if there was not if it was girl or hoy a swan of anothertime appears to him in a dream and to the swan country takes him swirling in a hird flock myhoy asks the swan ahout the thistory he sings his swansong and swanenchants himself and how is Mrs Sun in the One-Who-Waits and her golden rain illuminates myboyshe is in herdanaê tower incubus princess crowned by a shoiver tell me yourpluvial tale bowit iras thegold in a torrent of dust made spawn your treasure bui auriconfused the princess ofgold clammed up and for tofind the taletale myboy wend on bis wayfrom post to pillarfrom muse to medusa ali dot in white and white in dot scheberazade myfairy tbis is aligoing nowhereprincess myprincess what a thistory of mazeunderstanding bom many more veins and volutes and volutions find me a verysintil that will make of speech the verity and transform infate afairy tbis sybilline sim d of destin e s mercurianimal serpentine malefemale and in speech transforms thefatefind me tbis wickedworking blindworm fishword where the song sings the tale of the song where the why does not tell how where the egg searches in the eggfor its retribrilliant ovalty where thefire heeame mater the mater a body of vapor where the nade unmakes its not and the nut suoms itself witb nothing afairy tells a tale that is her deathsong but nobody not even a tiny one can know of tbis fairy her tale where it begins indeed where itfinishes there is no soul to face for to be told it she is a/l enchanted mater go boy my tinyboy to unimagine this fatamorgana is fatiguising a malefelonious sentençe you dig mi/es doumunder and come out in the well where you dig you work three hundred for three cent you change diamonds myriands for a crude coal irbo knows if this

 

coal might be the diamondiferous dust the mother-of-diamonds morgana ôf the cbarmstones and the boy meut and the legend does not tell of bis ongoing if be carne back ordid not iffrom bis going one does not come back the legend pokerface does not say only unsays only keepsgoing arpund and around and around

                                       Translated by Norman Potter and Christopher Middleton

 

 



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