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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 





GONÇALVES DIAS

(1823-1864)

 

 

Antônio Gonçalves Dias nasceu no dia 10 de agosto de 1823, nos arredores de Caxias, no Maranhão. Filho natural de português e mestiça, com a morte do pai, que entretanto se casara regularmente, é enviado pela madrasta a estudar Direito em Coimbra (1838). Durante o curso, escreve seus primeiros versos e participa do grupo de poetas medievistas que se reunia em torno do o Trovador. Formado em 1844, regressa ao Maranhão, e conhece Ana Amélia Ferreira do Vale, que lhe inspiraria mais tarde o poema "Ainda uma vez — adeus!".

 

Em 1846, muda-se para o Rio de Janeiro, onde se dedica ao magistério (professor de Latim e História do Brasil no Colégio Pedro II), ao jornalismo (redator da revista Guanabara) e à elaboração de sua obra poética, teatral e etnográfica e historiográfica, a última das quais relacionada com as várias missões que lhe são destinadas, aqui e no estrangeiro. Faleceu ao regressar de uma viagem à Europa, no naufrágio do "Ville de Boulogne", já próximo do Maranhão, a 3 de novembro de 1864.

 

Escreveu: Primeiros Cantos (1846), Leonor de Mendonça, teatro (1847), Segundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão (1848), Últimos cantos (1851), Os timbiras (1857), Dicionário da Língua Tupi (1858), Obras Póstumas, 6 volumes; organizadas por Antônio Heriques Leal (1868-1869). Primeiro poeta autenticamente brasileiro, na sensibilidade e na temática, e das mais altas vozes de nosso lirismo, dele foram selecionadas três composições, amostra expressiva de sua duas "maneiras fundamentais, a lírico-amorosa e a indianista.  Fonte: www.e-biografias.net

 

Veja também: GONÇALVES DIAS EM CARTÃO POSTAL ANTIGO

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS  /  TEXTOS EN ESPAÑOL

 

TEXTO EN ITALIANO

 

TEXT IN ENGLISH

 

 

CANÇÃO DO EXÍLIO

 

         Kennst du das Land, wo die Citronen blühen,

            Im dunkeln die Gold-Orangen glühen,

            Kennst du es wohl? - Dahin, dahin!

            Mocht ich ... ziehn.

                                               GOETHE

 

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

 

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

 

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá,

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

 

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar, —sozinho, à noite—

­Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

 

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu'inda aviste as palmeiras,

Onde cantei o Sabiá.

 

            Coimbra - Julho 1843.

 

 

DESEJO

 

         E poi morir.

            METASTÁSIO

 

Ah! que eu não morra sem provar, ao menos

Sequer por um instante, nesta vida

         Amor igual ao meu!

Dá, Senhor Deus, que eu sobre a terra encontre

Um anjo, uma mulher, uma abra tua,

         Que sinta o meu sentir;

Uma alma que me entenda, irmã da minha,

Que escute a meu silêncio, que me siga

         Dos ares na amplidão!

Que em laço estreito unidas, juntas, presas,

Deixando a terra e o lodo, aos céus remontem

         Num êxtase de amor!

 

            (De Primeiros Cantos)

 

 

NÃO ME DEIXES!

 

Debruçada nas águas dum regato

         A flor dizia em vão

A corrente, onde bela se mirava ...

         "Ai, não me peixes, não!

 

"Comigo fica ou leva-me contigo

         "Dos mares à amplidão,

"Límpido ou turvo, te amarei constante

         "Mas não me deixes, não!"

 

E a corrente passava; novas águas

         Após as outras vão;

E a flor sempre a dizer curva na fonte:

         "Ai, não me deixes, —não!"

 

E das águas que fogem incessantes

         A eterna sucessão

Dizia sempre a flor, e sempre embalde:

         "Ai, não me deixes, não!"

 

Por fim desfalecida e a cor murchada,

         Quase a lamber o chão,

Buscava inda a corrente por dizer-lhe

         Que a não deixasse, não.

 

A corrente impiedosa a flor enleia,

         Leva-a do seu torrão;

A afundar-se dizia a pobrezinha:

"Não me deixaste, não!"

            (De Novos Cantos

 

 

I JUCA-PIRAMA

(fragmentos)

 

 IV

Meu canto de morte,

Guerreiros, ouvi:

Sou filho das selvas,

Nas selvas cresci;

Guerreiros, descendo

Da tribo tupi.

 

Da tribo pujante,

Que agora anda errante

Por fado inconstante,

Guerreiros, nasci:

Sou bravo, sou forte,

Sou filho do Norte;

Meu canto de morte,

Guerreiros, ouvi.

 

Já vi cruas brigas,

De tribos imigas,

E as duras fadigas

Da guerra provei;

Nas ondas mendaces

Senti pelas faces

Os silvos fugaces

Dos ventos que amei.

 

Andei longes terras,

Lidei cruas guerras,

Vaguei pelas serras

Dos vis Aimorés;

Vi lutas de bravos,

Vi fortes — escravos!

De estranhos ignavos

Calcados aos pés.

 

E os campos talados,

E os arcos quebrados,

E os piagas coitados

Já sem maracás;

E os meigos cantores,

Servindo a senhores,

Que vinham traidores,

Com mostras de paz.

 

Aos golpes do imigo

Meu último amigo,

Sem lar, sem abrigo

Caiu junto a mil

Com plácido rosto,

Sereno e composto,

O acerbo desgosto

Comigo sofri.

 

Meu pai a meu lado

Já cego e quebrado,

De penas ralado,

Firmava-se em mi:

Nós ambos, mesquinhos,

Por ínvios caminhos,

Cobertos d'espinhos

Chegamos aqui!

 

O velho no em tanto

Sofrendo já tanto

De fome e quebranto,

Só qu'ria morrer!

Não mais me contenho,

Nas matas me embrenho,

Das frechas que tenho

Me quero valer.

 

Então, forasteiro,

Caí prisioneiro

De um troço guerreiro

Com que me encontrei:

O cru desasossego

Do pai fraco e cego,

Em quanto não chego,

Qual seja, — dizei!

 

Eu era o seu guia

Na noite sombria,

A só alegria

Que Deus lhe deixou:

Em mim se apoiava,

Em mim se firmava,

Em mim descansava,

Que filho lhe sou.

 

Ao velho coitado

De penas ralado,

cego e quebrado,

Que resta? —Morrer.

Em quanto descreve

O giro tão breve

Da vida que teve,

Deixai-me viver!

 

Não vil, não ignavo,

Mas forte, mas bravo,

Serei vosso escravo:

Aqui virei ter.

Guerreiros, não coro

Do pranto que choro;

Se a vida deploro,

Também sei morrer.

 

 

 

DIAS, Antonio Gonçalves.  Obras posthumas de A. Gonçalves Dias precedidas de umanoticia da sua vida e obras pelo Dr. Antono Henriques Leas. Poesias posthumas.  I. Versos modernos  II. Versos antigos  III. Poema americano  IV. Hymnos  V. Voltas e mottes glosados  VI. Satyras    Paris: H. Garnier, Livreiro-Editor, 1909.   352 p.   

(mantendo a ortografia da época)

 

 

 

SE MUITO SOFFRI JÁ, NÃO M´O PERGUNTES

 

Se muito soffri já, se ainda soffo
          Por teo amor ?!
Não m´o pergunte ! que do inferno a vida
          Não é pior !...

Eu ! vegetar da terra entre os felizes !
          Que faço aqui ?
Sonhos de amor, de glória, — lá se forão
          Atrás de ti !

A ver se encontro d´esperança um raio
          Ólho em redor,
E nada vejo, e mais profunda sinto
          No peito a dôr !

Que faço aqui ? Dias cançados, anos
          Sem fim — durar !
Depois que te perdi, viver ainda,
          Viver ! pensar !...

Eu, não! Quem for feliz que prese a vida,
          Tema perdel-a !...
Por mim, não tenho horror, nem tedio á morte,
          Clamo por ella !

Bedicta  seja pois a que mandada
          Me for — por Deos.
Matar-me, não ; que quero, ver-te ainda
          Feliz nos céos !

Mas no pego da dôr, em que me abysmo,
          — Nesta afflicção
Negra como a do cego que na estrada
          Esmóla o pão !

Como a do viajor que pelas trevas
          Sem tino vae,
E, errado o trilho, se empenhou nas matas,
          Nem delas sae !

Neste viver sofrendo, errante, louco,
          Misero Job,
Que amigos e inimigos á porfia
          Pungem sem dó !

Às veses, da amargura no remanso,
          Ao Creador
Minha alma eleva cânticos de graças,
          Hymnos de amor !

Que se estivesse em mim renascer hoje,
          Soffrer o que soffri...
Eu quisera viver para inda amar-te
          E amado ser por ti!

 

Manáus – 16 de Junho de 1861

 

 

 

CONSENTE-ME ESCREVER AUI MEO NOME!

 

Ao teo livro uma pagina roubando,
Consente-me escrever aqui meo nome.
É talvez quanto resta de um amigo.
Quando a terra o seo corpo já consome.

Isto apenas! que o homem — fragil barro,
A vida frue apenas um momento,
Bem feliz quando lega uma saudade,
Ou deixa atrás de si um pensamento !

Vive tu, vive feliz, enquanto
O meo destino sigo caprichoso.
Fará tua ventura a de um amigo,
E a dita de ambos me fará ditoso.

 

Rio de Janeiro – 17 de Março de 1851

 

 

 

SONETO VI

Baixel veloz,que ao húmido elemento
A voz do nauta experto afoito entrega,
Demora o curso teo, perto navega
Da terra onde me fica o pensamento !

Enquanto vais cortando o salso argento,
Desta praia feliz  não se desprega
(Meos olhos, não, que amargo pranto os rega)
Minha alma, sim, e o amor que é meo tormento.

Baixel, que vais fugindo despiedado,
Sem temor dos contrastes da procela,
Volta ao menos, qual vais tão apressado.

Encontre-a eu gentil, mimosa e bella !
E o pranto qu´ora verto amargurado,
Póssa eu verter então nos lábios d´ella!

 

 

Rio de Janeiro – 17 de Junho de 1847

 

 

 

MONTELLO, Josué.  Para conhecer melhor Gonçalves Dias. Rio de Janeiro, RJ: Bloch Editores, 1973.  138 p.  14x20,5 cm.  Capa de Vera Duarte.  “ Josué Montello “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

"Convém assinalar que a parte melhor da lírica de Gonçalves Dias produziu-a ele entre os vinte e os vinte e seis anos. A famosa Canção do Exílio é de 43. Os Últimos Cantos foram impressos em 51, quando o poeta tinha vinte e sete anos. Foi portanto tão precoce quanto os outros nossos grandes românticos. As poesias póstumas não lhe aumentam a glória. O prefácio

dos Últimos Cantos mostra que o poeta se sentia desanimado e esgotado.

 

Se não foi mais precoce do que os outros, teve mais do que eles o senso da sobriedade e da harmonia. Tudo se equilibra em sua poesia: o sentimento

amoroso e o religioso, o gosto da natureza, o patriotismo, a simpatia pela raça indígena dizimada. A desventura amorosa ajuntando-se à humildade do nascimento, e esta foi causa daquela, encheu-lhe o coração de uma melancolia incurável, que dá a tantas de suas poesias um acento de funda desesperação.

 

Se não foi o introdutor do índio na poesia brasileira, todavia foi o único que soube insuflar grande vida no tema tão caro ao sentimento nacional. Pouco

importa o que haja de artificial nos seus índios: há sempre emoção e da melhor em todos os seus poemasindianistas — I-Juca-Pirama, Marabá, Leito de Folhas Verdes, Canto do Piaga, etc." CLARINDO SANTIAGO

 

 

 

CANÇÃO DO TAMOIO

(Natalícia)

 

Não chores, meu filho;

Não chores, que a vida

É luta renhida:

Viver é lutar.

A vida é combate,

Que os fracos abate,

Que os fortes, os bravos,

Só pode exaltar.

 

II

 

Um dia vivemos!

O homem que é forte

Não teme da morte;

Só teme fugir;

No arco que entesa

Tem certa uma presa,

Quer seja tapuia,

Condor ou tapir.

 

III

 

O forte, o cobarde

Seus feitos inveja

De o ver na peleja

Garboso e feroz;

E os tímidos velhos

Nos graves conselhos,

Curvadas as frontes,

Escutam-lhe a voz!

 

IV

 

Domina, se vive;

 

Se morre, descansa

Dos seus na lembrança,

Na voz do porvir.

Não cures da vida!

Sê bravo, sê forte!

Não fujas da morte,

Que a morte há de vir!

 

 

V

 

E pois que és meu filho,

Meus brios reveste;

 

Tamoio nasceste,

Valente serás.

Sê duro guerreiro,

Robusto, fragueiro,

Brasão dos tamoios

Na guerra e na paz.

 

VI

 

Teu grito de guerra

Retumbe aos ouvidos

D'imigos transidos

Por vil comoção;

E tremam d'ouvi-lo

Pior que o sibilo

Das setas ligeiras,

Pior que o trovão.

 

VII

 

E a mãe nessas tabas,

Querendo calados

Os filhos criados

Na lei do terror;

Teu nome lhes diga,

Que a gente inimiga

Talvez não escute

Sem pranto, sem dor!

 

VIII

 

Porém se a fortuna,

Traindo teus passos,

Te arroja nos laços

Do imigo falaz!

Na última hora

Teus feitos memora,

Tranquilo nos gestos,

Impávido, audaz.

 

IX

 

E cai como o tronco

do raio tocado,

Partido, rojado

Por larga extensão;

Assim morre o forte!

No passo da morte

Triunfa, conquista

Mais alto brasão.

 

X

 

As armas ensaia,

Penetra na vida:

Pesada ou querida,

Viver é lutar.

Se o duro combate

Os fracos abate,

Aos fortes, aos bravos,

Só pode exaltar.

 

 

 

[ DIAS, Antonio Gonçalves gonçalves dias 1864-1964.  Manaus, AM: Clube da Madrugada; Editôra Sérgio Cardoso, 1965.  73 p. ilus. fot.   Inclui: "Gonçalves Dias no Amazonas – Cronologia levantada por Geraldo Pinheiro", Ö poeta Gonçalves Dias no centenário do seu falecimento", por Agnello Bittencourt; e os "Poemas de Gonçalves Dias escritos em Manaus".

 

 

ESTÂNCIAS

 

I

 

O nosso índio errante vaga;
Mas por onde quer que vá,
Os ossos dos seus carrega;
Por isso onde quer que chega
Da vida n'amplo deserto,
Como que a pátria tem perto,
Nunca dos seus longe está !

 

 

II

 

Tem para si que a poeira
Daquele que choram morto.
Quando a alma já descansa
Da eternidade no porto,
Nenhures está melhor
Do que na urna grosseira
Que a cada momento enxergam,
Que de instante a instante regam
Com seu prantear de amor !

 

 

III

Ando como ele incessante,
Forasteiro, vago, errante,
Sem próprio abrigo, sem lar,

Sem ter uma voz amiga
Que em minha aflição me diga
Dessas palavras que fazem
A dor no peito abrandar !
 

         ——————————

E sei que morreste, filha !
Sei que a dor de te perder
Enquanto eu fôr vivo, nunca,
Nunca se há de esvaecer !
 

Mas qual teu jazigo ?  e onde
Jazem teus restos mortais?...
Êsse lugar que te esconde, |
Não vi : — não verei jamais !

 

 

         IV 

Não sei se aí nasce a relva,
Se algum arbusto s'inflora
A cada nova estação;
Se a cada nascer da aurora
O orvalho lágrimas chora
Sobre êsse humilde torrão !
Se aí nasce o triste goivo,
Ou só espinhos e abrolhos,
Ou se também de alguns olhos
Recebes pia oblação.

 

         V

Sei que o pranto, que se verte
Longe do morto, não basta :
E' pranto que a dor não gasta,
Que nenhum alívio traz !
Sei que ao partir-me da vida,
Minha alma andará perdida
Para saber onde estás !

 

VI

 

Irei beijar teu sepulcro,

Chorar meu último adeus,

Depois, remontando aos céus,

Direi a Deus : "Aqui estou !"

Tu, dentre o côro dos anjos,

— Dos Serafins resplendentes —

Então — as asas candentes,

Que a vida não maculou,

Desprega ! — e meiga, humilhada,

Ao trono do Eterno vai,

E na linguagem dos anjos,

Dize a Jesus :   "E' meu pai !"

VII

 

Êle humanou-se ! — quis ser

Filho também de mulher;

Mas id'homem, não; porque os céus

Não têm espaço bastante

Para um homem — pai de Deus !

 

 

VIII

 

Bem sabe êle quanta glória
Sente o pai, que um anjo tem !
Julgará que, pois perdida
Teve uma filha na vida,
Não a perca lá também !

 

Manaus, 1.° de maio de 1861.

  

 

 

 

TEXTOS EN ESPAÑOL

Traducción de Washington Delgado

 

 

CANCIÓN DEL EXILIO

 

         Kennst du das Land, wo die Citronen blühen,

            Im dunkeln die Gold-Orangen glühen,

            Kennst du es wohl? - Dahin, dahin!

            Mocht ich ... ziehn.

                                               GOETHE

 

Mi tierra tiene palmeras

En donde canta el sabiá;

Las aves que aquí gorjean,

No gorjean como allá.

 

En nuestro cielo hay más luces,

En nuestras vegas más flores,

En nuestros bosques más vida

Y vida con más amores.

 

Al pensar, solo, en la noche

Más placer encuentro allá;

Mi tierra tiene palmeras

En donde canta el sabiá.

 

Mi tierra tiene primores

Como no las hallo acá;

Al pensar -solo y de noche­

Más placer encuentro allá;

Mi tierra tiene palmeras

En donde canta el sabiá.

 

No permita Dios que muera

Sin que vuelva para allá;

Sin que goce los primores

Que no encuentro por acá;

Sin que vea las palmeras,

En donde canta el sabiá.

 

 

DESEO

 

¡Que no me muera sin gustar, al menos

Por un breve momento, en esta vida

         Amor igual al mío!

Permite, Dios, que en esta tierra encuentre

Una mujer, un ángel, la obra tuya

         Que sienta como yo.

¡Un alma afín, hermana de la mía

Que mi silencio escuche, que me siga

         Por la amplitud del aire!

¡Que estrechamente unidas, nuestras almas

Dejen la tierra y hacia el cielo suban

         En éxtasis de amor!

 

 

!NO ME DEJES!

 

Asomada a las aguas del arroyo

         Dijo en vano la flor

A la corriente donde se miraba ...

         "iAy, no me dejes, no!

 

"Quédate aquí o trasládame contigo

         A la amplitud del mar.

Límpida o turbia, te amaré por siempre.

¡No me dejes jamás!"

 

La corriente pasaba, iban las aguas

         Tras otras siempre en poso

Inclinada la flor, decía en vano:

         "!Ay, no me dejes, no!"

 

A las aguas que huían incesantes

         En igual sucesión,

Siempre hablaba la flor, en vano siempre:

         "!Ay, no me dejes, no!"

 

Por fin desfallecida, ya en el suelo,

         Marchita y sin colar,

Busca el arroyo aún para decirle

         Que no la deje, no.

 

La impiadosa corriente la envolvía

         Y, mortal, la arrastró.

AI hundirse decía, pobrecita:

         "!No me dejaste, no!"

 

 

I JUCA-PIRAMA

(fragmentos)

 

IV

Mi canto de muerte,

Guerreros, oíd:

Hijo de la selva,

En selvas crecí;

Guerreros, provengo

De tribu tupí.

 

EI hado inconstante

Ha tornado errante

La tribu pujante

En la que nací.

Norteño, por suerte,

Soy bravo, soy fuerte,

Mi canto de muerte,

Guerreros, oíd.

 

Ví en guerras e intrigas

Tribus enemigas,

Las duras fatigas

Guerreras probé.

En ondas falaces

Sentí los mordaces

Silbidos fugaces

Del viento que amé

 

Corrí luengas tierras,

Luché en duras guerras,

Vagué por las sierras

De los Aimorés.

Ví lides de bravos,

Ví fuertes esclavos

De hierros cargados

En manos y pies.

Ví campos talados,

Arcos vi quebrados

Y brujos cuitados

Sin sus maracás.

Vi a tiemos cantores,

Sirviendo a señores,

Que fingen traidores,

Amor a la paz.

 

Sin hogar ni abrigo,

Al golpe enemigo,

mi mejor amigo

¡Cayó junto a mí!

Con faz como ajena,

Plácida y serena,

Tan amarga pena

Callado sufrí.

 

Mi padre a mi lado,

Ciego y quebrantado,

De penas calado,

Se apoyaba en mí.

Entrambos, mezquinos,

Por malos caminos,

Cubierto de espinos,

Llegamos aquí.

 

El viejo, entretanto,

Sufría ya tanto

El hambre y quebranto

¡Que ansiaba morir!

Ya no me contuve

Al bosque me atuve,

Las flechas que tuve

Me iban a servir.

 

Luego, forastero,

Caí prisionero

De un grupo guerrero

Con el que topé.

Los trágicos ruegos

De mi padre ciego

Al ver que no llego,

Triste imaginé.

 

Era yo la guía

En su hora sombría,

La única alegría

Que Dios le dejó.

En mí se apoyaba,

En mí se afirmaba,

En mí descansaba,

¡Hijo suyo soy!

 

¿Qué resta al cuitado

Viejo quebrantado,

Ciego, abandonado?

Tan sólo morir.

El tiempo tan breve

Que su vida leve

Acabarse debe,

¡Dejadme vivir!

 

Yo, sin menoscabo,

No vil sino bravo,

Seré vuestro esclavo,

Volveré hasta aquí.

Corre sin desdoro

EI llanto que lloro,

La vida no imploro:

¡También sé morir!     

 

Extraído de TRES POETAS ROMÁNTICOS: GONÇALVES DIAS, CASTRO ALVES, SOUSÃNDRADE. Prólogo de Luis Jaime Cisneros. Traducciones de Washington Delgado, Arturo Corcuera y Javier Sologuren.  Lima: Centro de Estudios Brasileños, 1984.  109 p.

(Tierra Brasileña. Poesía, 20)

 

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TRADUÇÕES DE JAIME TELLO


De CUATRO SIGLOS DE POESÍA BRASILEÑA
Caracas: Centro Abreu Lima de Estudios Brasileños, Instituto de Altos Estudios de América Latina, Universidad Simón Bolivar, 1983

 

 

LECHO DE VERDES HOJAS

 

¿ Por qué tardas, Jatir, que con demora

A la voz de mi amor mueves tus pasos ?

La brisa nocturnal mueve las hojas

y en las ramas del bosque rumorea.

 

Bajo la copa del altivo mango

Nuestro lecho gentil cubrí celosa

Con mimoso tapiz de blandas hojas,

Donde un rayo lunar salta entre flores.

 

La flor de tamarindo abrióse, ha poco,

¡ Ya exhala el jazmín más dulce aroma!

Como una prez de amor, con estas preces,

En nocturnal silencio el bosque exhala.

 

Brilla la luna, brillan las estrellas,

Corren perfumes al correr la brisa,

A cuya magia aspírase un quebranto

De amor, ¡ mucho más dulce que la vida!

 

Sean valles o montes, lago o tierra,

Doquiera que tú vayas, noche o día,

Va siguiendo tras tí mi pensamiento;

 

Soy tuya, tu eres mío: ¡ nunca amé a otro!

 

Mis o jos otros ojos nunca vieron,

No sintieron mis labios otros labios,

Ni otras manos, Jatir, sino las tuyas

Ciñeron a mi cuerpo la arasoia.

 

La flor del tamarindo está entreabierta,

Ya exhala el jazmín más dulce aroma;

 

También mí corazón, como estas flores,

Mejor perfume ante la noche exhala.

 

¡ No me escuchas, Jatir, ni tardo acudes,

A la voz de mi amor que en vano llama!

¡ Tupã !* ¡ Ya nace el sol! ¡ Del lecho inútil

La brisa matinal barre las hojas!

 

* Denominación Tupí del trueno, empleada

por los misioneros jesuítas. (N. del T.)

 

 

MARABÁ*

 

Vivo sola; ¡ nadie buscarme procura!

Pero, ¿acaso hechura

No soy de Tupã?             

Si algún hombre acaso de mí no se esconde,

    '”Eres", me responde,
    "¡Eres Marabá!".

" Mis o jos son garzos, color de zafiro,

Tienen luz de estrellas, y tierno brillar;

Imitan las nubes de un cielo de añil,

¡ Sus colores copian las ondas del mar!".

 

Y si algún guerrero no huye a mi paso;

"Tus o jos son garzos",          

Responde enojado: "Eres Marabá".

Prefiero unos ojos bien negros, lucientes, ;

    '”Ojos refulgentes,

    “Negros y retintos, ¡ no como anajá!. **;

 

"Oh, mi rostro tiene blancura de lirios ,

Color de la arena pulida del mar;

Las aves más blancas, lasconchas más puras

Nunca son más blancas, nunca brillan más".

Y si aún me escuchas mis acres delirios:

"Blanca como lirios,

Eres", me responde; "pero Marabá: ,

"Prefiero una cara color de guayaba,

'”una piel tostada

“Del sol del desierto, ¡ no flor de cajú !".***

 

'”Mi cuello tan leve se curva agraciado,

'Pecíolo pendiente del cactus en flor;

“Mimosa, indolente, me tiendo en el prado,

“ ¡ Como un sollozante suspiro de amor!".

“Amo la estatura flexible, ligera,

“Cual una palmera",

Me responden: “Pero eres Marabá:

“Más prefiero el cuello de la ema**** orgullosa,

“Que anda vanidosa,

“Reina de los campos que cruzando va."

 

“Mis rubios cabellos en ondas descienden

“Nunca el oro puro tuvo un brillo así;

“Las brisas del bosque de ellos se prenden,

“Al verlos tan bellos como un colibrí".

 

Pero me responden: "Tus largos cabellos

“Son rubios, son bellos,

“Pero son rizados; eres Marabá:

“Prefiero cabellos bien lacios, bien lisos

“No pelo de rizos,

“Color de oro fino, como curajá''.

 

¿ Y las dulces voces que tenía aquí dentro

A quién las diré?

El ramo de acacia en la frente de un hombre

Jamás ceñiré;

 

Jamás un guerrero de esta arasoia

Me despojará:

Vivo solitaria, llorando mezquina,

¡ Que soy Marabá!

 

(  *) Mestiza de blanco e indio. (N. del T.)                    i

( **» Maximiliana regia Mart., una especie de palmera. (N.delT.l

( ***) AnacardiumoccidentaleL.elmarañónomerey (N.delT.).

{****) Rhea americana (L.) el avestruz ema. o ñandú suramericano

(N.delT.)

 

 

SI TE AMO, ¡NO SE!

 

¡ Amar! si te amo, no sé.

Oigo por ahí pronunciar

Esa palabra de modo

Que no sé lo que es amar.

 

Si amar es soñar contigo,

Si es pensar, despierto, en ti,

Tenerte en mi alma presente

¡ Todo olvidado de mí!

 

Si es codiciarte, quererte

Como bendición de Dios.

Solamente a ti en la tierra ¡

Como allá, arriba, al Señor;

 

Si es dar la vida, el futuro,

Para decir que te amé;

 

Amo; aunque si te amo

como oigo decir —¡ no sé !.

 

 

 

TEXTO EN ITALIANO

 

Extraído de

 

MIRAGLIA, TolentinoPiccola Antologia poetica brasiliana.  Versioni.  São Paulo: Livraria Nobel, 1955.  164 p.  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

IL CANTO DEL "PIAGA"

 

0 Guerrier delLa Tribo sacrata,
0 Guerrier delia Tribo "Tupi",
Gli dei parlan nei canti dei "Piaga"
Pei Guerrieri il mio canto s'udi.

 

Questa notte, la luna già morta,
"Anhangá" mi vietava sognar;
Nell’orribile antro ove dormo,
Rauca voce comincia a chiamar.

 

Apro gli occhi, inchieto, pauroso,
"Manitòs" che prodígio qui c'è !
Arde il legno, resina fumosa,

Che non fu oggi acceso da me !

Ecco sorge ai miei piedi un fantasma,
Un fantasma che sembra uno stuol;
Liscio craneo riposa al mio lato,
S'attorciglia una serpe nel suol.

 

Il mio sangue gelò nelle vene,
Tut’intiero il mio corpo tremò;
Fredd’orror s'infiltrò nelle membra,
Freddo vento il mio volto sfiorò.

 

Cosi brutto, pauroso, tremendo,
 O Guerrier, quello spettro apparí,
Gli del parlan nei canti dei "Piaga",
Pei Guerrieri il mio canto s'udí.

           

     ----o----

         

Piaga — Sacerdote e mago degl'indiani del Brasile
Tribo — Sta per tribu (pron. brasiliana)
Tupi — Uno del gruppi indiani dei Brasile
Anhangá — Pron. agnangà-spirito cattivo
Manitò — Spirito cattivo degl'indiani del Sud America.

 

CANZONE DELL'ESILIO

 

La mia terra ha delle palme
Ove conta il "sabiá",
L'uccello che qui gorgheggia
Non gorgheggia come là.

Il nostro cielo ha più stelle,
I nostri campi, più fiori,
I nostri boschi, più vita,
La nostra vita, più amori.

Nei sognar, solo, di notte,
Più piacere io trovo là;
La mia terra ha delle palme
Ove canta il "sabiá".

La mia terra ha bellezze
Ch'io non trovo mai di qua;
Nel sognar, solo, di notte,
Piu piacere io trovo là.

La mia terra ha delle palme
Ove canta il "sabiá".
Non permetta Dio ch'io muoia,
Se non torno prima là

E non goda le bellezze
Che non trovo mai di qua;
Senza ch'io veda le palme
Ove canta il "sabia".

 

---o---

 

Sabiá — passero dei Brasile.

 

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TEXT IN ENGLISH

 

 

THE OXFORD BOOK OF LATIN AMERICAN POETRY: a bilingual anthology   edited by Cecilia Vicuña and Ernesto Livon-Grosman. Agawam. MA, USA: Oxford University Press, 2009.  561 p.  16x24,5 cm. Contracapa, capa dura.  ISBN 978-0-19-512454-5  Ex. bibl. Antonio Miranda

ANTONIO GONÇALVES DIAS - Poet, dramaturge, and essayist, Dias was a prominent figure in Brazilian Romantic poetry. Orphaned at a young age, he had dual interests in both literary and scien­tific subjects. In the end, his writing efforts were influenced by his scientific work as ethnographer, linguist, and historian. The theme of the Brazilian native is prevalent in his writing, as is the humanistic nature of the characters of his plays. In addition to his writing career, Dias was a member of the Instituto Historico y Ceografico Brasileiro. PRINCIPAL WORKS: Primeiros cantos (1846), Ultimos cantos (1850), Brasil e Oceania (1852)

 

 

Song of Exile / Canção do exilio

 

Odile Cisneros, trans.

 

 

My land has swaying palms
Where the
sabid bird sings;
The song of birds in this land
Is a very different thing.

Our fields have lovelier flowers,
Our skies have more stars above,
Our forests are more full of life,
Our lives are more full of love.

If alone at night I ponder,
More delights my country brings;
My land has swaying palms
Where the
sabid bird sings.

My land is full of charm;

Of which I find nothing here;

If alone at night I ponder,

More delights my country brings;

My land has swaying palms

Where the sabid bird sings

May the Lord forbid I die
And allow me to return
And allow me enjoy the charms
Of which I find nothing here;
May I sight the swaying palms
Where the
sabid bird sings.

 

Extraído de

THE OXFORD BOOK OF LATIN AMERICAN POETRY: a bilingual anthology   edited by  Cecilia Vicuña and Ernesto Livon-Grosman. Agawam. MA, USA: Oxford University Press, 2009.  561 p.  16x24,5 cm. Contracapa, capa dura.  ISBN 978-0-19-512454-5

 

 

 

 

 

Página ampliada e republicada em junho de 2009; ampliada e republicada em abril 2015; ampliada em janeiro de 2016. Ampliada em julho de 2017



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