Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


TOBIAS BARRETO
Cartão postal antigo; bilhete postal – old postcard – tarjeta postalantigua –
Editor/publisher M. OROZCO, Rio de Janeiro circa 1904)



TOBIAS BARRETO

(1839-1889)

 

TOBIAS BARRETO de Menezes  - Nascido na villa de Campos, Sergipe, a 7 de junho de 1839 e fallecido em Pernambuco a 26 de junho de 1889. Lente da Academia do Recife. Jurista, philosopho, critico, orador e poeta.

 

BIBIIOG. — Dias e Noites, publicação posthuma dirigida por Sylvio Romero.

 

Não sei! quem é que não sabe

N´uma lagrima sentida

Alliviar-se da vida,

Que pesa no coração!

 

 

(Obs. Conservamos a ortografia original, tal como aparece no cartão).

 

Este exemplar  faz parte de uma coleção de 16 “bilhetes postais” da coleção particular de Antonio Miranda registrada no texto Poesia em Cartão Postal Antigo.

 

 

 

IGNORABIMUS

 

Quanta illusão !... O céo mostra-se esquivo

E surdo ao brado do universo inteiro...

De duvidas crueis prisioneiro,

Tomba por térra o pensai-nento altivo.

 

Dizem que o Christo, o filho de Deus vivo,

A quem chamam tambem Deus verdadeiro,

Veio o mundo remir do captiveiro,

E eu vejo o mundo ainda tão captivo !

 

Se os reis são sempre os reis, se o povo ignavo

Não deixou de provar o duro freio

Da tyrannia, e da miseria o travo,

 

Se é sempre o mesmo engodo e falso enleio,

Se o homem chora e continua escravo,

De que foi que Jesus salvar-nos veio ?...

 

SONETOS BRASILEIROS Século XVII

 

Extraído de SONETOS BRASILEIROS Século XVII – XX. Colletanea organisada por Laudelino Freire.  Rio de Janeiro: F. Briguiet & Cie., 1913

 

 

 

O GÊNIO DA HUMANIDADE

Sou eu quem assiste as lutas
Que dentro d´alma se dão;
Quem sonda todas as grutas
Profundas do coração.
Quis ver dos céus o segredo:
Rebelde, sobre um rochedo
Cravado, fui Prometeu.
Tive sede do infinito:
Gênio feliz ou maldito,
A Humanidade sou eu.

Ergo o braço, aceno aos ares,
E o céu se azulando vai;
Estendo a mão sobre os mares,
E os mares, dizem: — Passai! ...”
Satisfazendo ao anelo
Do bom, do grande e do belo,
Todas as formas tomei:
Com Homero fui poeta;
Com Isaías, profeta;
Com Alexandre, fui rei.

Ouví-me: venho de longe,
Sou guerreiro e sou pastor;
As minhas barbas de monge
Tem seis mil anos de dor.
Entrei por todas as portas
Das grandes cidades mortas,
Aos bafos do meu corcel.
E ainda sinto os ressábios
Dos beijos que dei nos lábios
Da prostituta Babel.

E vi Pentápolis nua,
Que não corava de mim,
Dizendo ao sol: — “Eu sou tua,
Beija-me... queima-me assim!”
E dentro havia risadas
De cinco irmãs abraçadas
Em voluptuoso furor...
Ânsias de febre e loucura,
Chiando em polpas de alvura,
Lábios em brasas de amor!...

Travei-me em lutas imensas.
Por vezes, cansado e nu,
Gritei ao céu: — “Em que pensas?”
Ao mar: — “De que choras tu?”
Caminho... e tudo o que faço
Derramo sobre o regaço
Da história, que é minha irmã.
Chamam-me Byron ou Goethe,
Na fronte do meu ginete
Brilha a estrela da manhã.

E no meu canto solene
Vibra a ira do Senhor.
Na vida, nesse perene
Crepúsculo interior,
O ímpio diz: — “Anoitece!”
O justo diz: — “Amanhece!”
Vão ambos na sua fé...
E às tempestades que abalam
As crenças d´alma, que estalam,
Só eu resisto de pé!...

De Deus ao sutil ouvido
Eu sou como que um tropel,
E a natureza um ruído
Das abelhas com seu mel,
Das flores com seu orvalho,
Dos moços com seu trabalho
De santa e nobre ambição,
De pensamentos que voam,
De gritos d´alma que ecoam
No fundo do coração!...

 

1866

 

De: Dias e Noites. Rio de Janeiro: Industrial — Editora, 1881.

 

MARIA

Nome que as almas sacia,
Que adoça os lábios da flor,
Mística, eterna harmonia
Dos querubins do Senhor...

Grande, profundo mistério
Das crenças da nova lei;
Visão que ao som do saltério
Cantava o profeta rei...

Aroma que o céu aberto
Por toda parte expandiu;
Voz de Deus, que perto, perto,
Miquéias de longe ouviu.

Inspiração de Isaías,
Que disse a Jerusalém:
— Levanta-te, as melodias
Dos anjos caindo veem...

De tudo nada existia,
O caos ponderava a sós;
E disse Deus: — Ó Maria!
E tudo ouviu esta voz.

 

1863

 

 

O CORAÇÃO

O coração também é um metafísico:
Estremece por formas invisíveis,
Anda a sonha uns mundos encantados,
E a querer umas coisas impossíveis...

 

1884


De: Dias e Noites. Rio de Janeiro: Industrial — Editora, 1881.

 

 

Página publicada em junho de 2009

 



Voltar para o topo da página Voltar para a página de poesia Brasil Sempre

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar