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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
POESIA MUNDIAL EM PORTUGUÊS

Busto de Virgílio, na entrada de sua tumba, em Nápoles.

 

VIRGILIO

Nascimento       15 de outubro de 70 a.C.

Andes (atual Virgilio), Gália Cisalpina

Morte   21 de setembro de 19 a.C. (50 anos)

Brundísio

Nacionalidade  Romana

Gênero literário              Poesia épica, poesia didática, poesia pastoral

 

Públio Virgílio Maro ou Marão (em latim: Publius Vergilius Maro; Andes, 15 de outubro de 70 a.C. — Brundísio, 21 de setembro de 19 a.C.) foi um poeta romano clássico, autor de três grandes obras da literatura latina, as Éclogas (ou Bucólicas), as Geórgicas, e a Eneida. Uma série de poemas menores, contidos na Appendix vergiliana, são por vezes atribuídos a ele.

Virgílio é tradicionalmente considerado um dos maiores poetas de Roma, e expoente da literatura latina. Sua obra mais conhecida, a Eneida, é considerada o épico nacional da antiga Roma: segue a história de Eneias, refugiado de Troia, que cumpre o seu destino chegando às margens de Itália — na mitologia romana, o ato de fundação de Roma. A obra de Virgílio foi uma vigorosa expressão das tradições de uma nação que urgia pela afirmação histórica, saída de um período turbulento de cerca de dez anos, durante os quais as revoluções prevaleceram. Virgílio teve uma influência ampla e profunda na literatura ocidental, mais notavelmente na Divina Comédia de Dante, em que Virgílio aparece como guia de Dante pelo inferno e purgatório. Biografia completa em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Virg%C3%ADlio

 

VIRGÍLIO.  Bucólicas.  Trad. de Péricles Eugênio da Silva Ramos.  Introdução de Nougueira Moutinho.  Ilustrações de Marcelo Lima. São Paulo: Melhoramentos;  Brasília: Editora da UnB, 1982.   169 p.  ilus. 
13 x 21 cm.  Capa dura.   Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

I

TÍTIRO

 

 

 

MELIBEU

 

Ó Títiro, deitado à sombra de uma vasta faia,
aplicas-te à silvestre musa com uma frauta leve;

nós o solo da pátria e os doces campos nós deixamos;

nós a pátria fugimos; tu, na sombra vagaroso,

fazes a selva ecoar o nome de Amarílis bela.                         5

 

TÍTIRO

 

Propiciou-nos um deus este lazer, ó Melibeu:

para mim ele sempre será um deus; em seu altar

amiúde um cordeirinho sangrará de nosso aprisco.

Permitiu ele, como vês, que as minhas vacas errem

e aquilo que bem queira eu toque em meu agreste cálamo.  10

 

MELIBEU

 

Por mim, eu não te invejo, antes me admiro: em toda parte

os campos se perturbam tanto! As minhas cabritinhas,

inquieto as tanjo adiante; a custo levo esta, Títiro:

há pouco ela deixou aqui na pedra dura uns gêmeos,

esperança da grei! em meio a densas aveleiras.                    15

Este mal, eu me lembro, ó mente descuidada a minha!

os carvalhos tocados pelo céu tinham predito.

Mas dize-nos, ó Títiro, qual seja esse deus teu.

 

TÍTIRO

 

A cidade que chamam Roma eu, Melibeu, julgava

— mas que tolice! — igual a esta nossa, aonde os pastores    20

costumamos levar as tenras crias das ovelhas;

era igual o filhote ao cão, à cabra os cabritinhos,

e assim eu me habituara a misturar pequeno e grande.

Mas Roma eleva tanto a fronte sobre as mais cidades

como os ciprestes sobreexcedem os viburnos dóceis.             25

 

MELIBEU

 

E que razão de peso tinhas para ir a Roma?

 

TÍTIRO

 

A Liberdade que me viu ocioso, tarde embora,

quando, ao fazer a barba, esta caía já mais branca;

viu-me contudo e me chegou depois de longo tempo,

ao tempo de Amarílis e depois de Galatéia.                          30
Direi que enquanto em seu poder me teve Galatéia

eu não pensava em liberdade nem no meu pecúlio.

Por mais que produzissem vítimas os meus cercados

e gordos queijos eu premesse para a ingrata urbe,

nunca eu voltava ao lar com a mão pesada de moedas.        35

 

MELIBEU

 

Por que tristonha os deuses invocavas, Amarílis,

e para quem nas árvores deixavas pender frutas?

Títiro estava longe. Até estes pinheiros, Títiro,

até as próprias fontes e o arvoredo te chamavam. 

 

TÍTIRO

 

Que fazer? Só assim eu deixaria a escravidão,                     40

e iria conhecer em Roma deuses tão propícios.

Lá vi o jovem por quem ardem os altares nossos

duas vezes seis dias, Melibeu, todos os anos.

De pronto, lá me respondeu ao que eu lhe perguntava:

"Ó moços, como antes pascei bois; e criai touros".              45

 

MELIBEU

 

Velho feliz! Continuarão teus campos a ser teus!

E bastam para ti, embora cubram pedras nuas

e um paul de limosos juncos todos estes pastos!

Não buscarão novas pastagens as ovelhas prenhes,

nem sofrerão o mau contágio de um rebanho próximo.

Velho feliz! Aqui, em meio a rios conhecidos

e entre sagradas fontes, gozarás sombra e frescor!

Ali a sebe, onde na raia do vizinho campo

pousam abelhas de Hibla sobre as flores do salgueiro,

ao sono te convidará com um leve sussurrar.                     55

Junto à alta rocha cantará o desfolhador às brisas,

mas sem que ao mesmo tempo as roucas pombas, teu

[cuidado,

e a rola cessem de gemer no topo dos olmeiros.

 

TÍTIRO

Antes no éter pastarão os rápidos veados

e as ondas depositarão na praia, a nu, os peixes,               60

antes, trocando as terras entre si, irá o germano

exilado beber no rio Tigre, e o parta no Arar,

antes que o vulto dele se esvaeça deste peito.

 

MELIBEU

 

Mas daqui uns iremos aos sedentes africanos,

à Cítia outros, e ao veloz Oaxes rico em greda,                   65

e aos bretões, separados tanto deste nosso mundo.

Verei acaso, após um longo tempo, as terras pátrias

e o teto do casebre meu, coberto pela grama?

Divisarei, mais tarde, espigas pelos meus domínios?

Serão de ímpio soldado estes alqueives tão cuidados?          70

De um bárbaro, estas searas? A discórdia, aonde levou

os pobres cidadãos! Foi para outros que semeamos!

Enxerta essas pereiras, Melibeu, alinha as vides!

Feliz rebanho outrora, ide, cabritas minhas, ide!

Não mais eu vos verei, deitado na caverna verde,               75

pender ao longe de um rochedo cheio de silvados.

Já não mais cantarei; nem mais, sendo eu pastor,

[cabrinhas,

mascareis o cítiso em flor nem o salgueiro amargo.

 

TÍTIRO

 

Poderias contudo aqui passar comigo a noite

sobre a folhagem verde. Doces frutos nós os temos;            80

temos castanha tenra, temos queijo em quantidade;

já das granjas, ao longe, vêem-se fumegar os tetos,
e do topo dos montes caem as sombras alongadas.

 

 

 

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NOTAS

 

2.         musa: poema.

3.         nos (nós): os expropriados, ou Melibeu e seus animais, indaga Saint-Denis, que prefere a primeira opção à vista do v. 72, nos conseuimus agros. Nos, os expropriados, Perret.

 

6.         deus: Otávio, o futuro imperador Augusto, que de fato seria proclamado deus em 29 a.C. Mas Títiro já presta a Otávio honras divinas.

7.         aram (altar): essa palavra dá mais importância a deus, mas presta-se igualmente (Perret) a uma interpretação mo¬desta: alforriado por Otávio, Títiro sacrificará ao Génio de seu patrono, ao mesmo tempo que a seus Lares.

9.         errare (que errem): talvez a palavra seja importante (Perret): Títiro é confirmado num direito de livre pasto.

11.       inicia-se o diálogo, em cuja sequência, assinala Perret, a linguagem de Melibeu é mais castigada que a de Títiro. Terá isso sido voluntário em Virgílio? — indaga Saint-Denis.

19.       da: vale como dic (Plessis e Lejay).

20.       nostrae (a nossa): pensa-se em Mântua, vizinha ao

lugarejo de Andes, onde nasceu Virgílio.

27.         Libertas (Liberdade): erigida em deusa, tinha um tem¬plo no Aventino.

30.         Amaryllis (Amarílis): é uma pastora em Teócrito, e Galatéia uma nereida; mas Galatéia é aqui (e na Buc. III, 64, 72) uma pastora, ao passo que na IX Buc, 39, se mantém como nereida.

36.        o vocativo Amarylli levou G. Ramain a pensar que a moça estivesse presente.

41.       diuos (deuses): para Saint-Denis, plural enfático, desig-nando um protetor todo-poderoso; para Perret, funcionários da administração dominial.

42.       iuuenem (jovem): Otávio estava então com vinte e poucos anos.

43.       nos idos de cada mês, segundo Sérvio, como para os deuses Lares.

45.       pueri (ó moços), vocativo amigável, antes que de co-miseração, segundo Saint-Denis, no plural porque se trata de uma delegação de pobres diabos recebida por Otávio (Perret). Segundo Paulo (Digesto L, 16, 204), o nome puer tem três significados: um, quando mencionamos todos os escravos; outro, quando opomos o nome ao de puella (moça, menina); o terceiro, quando nos referimos à idade pueril. Odorico Mendes empregou "meus filhos". "Moços", aqui, é vocativo que independe de idade; usamo-lo eventualmente quando nos dirigimos a pessoas de nível serviçal ou semelhante.

47.         lápis, palus, pascua (pedra, paul, pastos): segundo Perret indicariam terrenos que não poderiam ser objeto de assignatio (distribuição) a veterano ou soldado; segundo Saint-Denis, os pormenores dos vv. 47/48 são meramente descritivos de certos imóveis da região mantuana.

54.       Hybla: monte da Sicília, famoso por seu mel. Salicti (do salgueiro): segundo R. Billiard, trata-se da Salix caprea, bastante polinífera e portanto procurada pelas abelhas.

59.       os impossibilia ou adynata, conhecidos na poesia anti¬ga, egípcia ou grega, eram frequentes na linguagem familiar latina, afirma Forbiger. Assim Virgílio, arrisca Saint-Denis, provavelmente não imitou ninguém; não é preciso buscar os precedentes de Arquíloco ou Rufino para explicar os seus versos.

62.        Ararim (Arar): rio da Gália Céltica (hoje Saône), tributário do Ródano.

65.        Oaxes: rio desconhecido, mas que deve ser oriental. Rapidum cretae, segundo Perret, permanece inexplicado; Saint-Denis adota a glosa de Sérvio, hoc est lutuosum, quod rapit creiam. "Qui entraine de la craie", Plessis e Lejay, que remetem a Quinto Cúrcio, VII, 40.

71.        barbarus (bárbaro): talvez um gaulês ou germano das legiões de César. Discórdia: trata-se das guerras consecutivas à morte de César, sem poder-se precisar mais, acentua Perret. Ciuis (cidadãos): a palavra, segundo o mesmo autor, é importante para situar Melibeu com referência a Títiro.

74.        pelo que parece, Melibeu reuniu seu rebanho para vendê-lo (Perret).

78.        Cytisum (cítiso): segundo H. des Abbayes, transcrito por Saint-Denis, não se trata no caso do Cytisus Laburnum, que as cabras não procuram, mas do Spartium junceum (gies-ta-da-espanha), ainda hoje planta de forragem.

79        e ss.: cinco versos no final, cinco versos na abertura; outro dado da armação é que a passagem central (vv. 40-45) é precedida de 26 + 13 e seguida de 13 + 25 w., como observa Perret, que toma a écloga como uma das mais solidamente construídas da coleção.

 

 

Página publicada em junho de 2019

 

 

 
 
 
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