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POESIA MUNDIAL EM PORTUGUÊS

Fotografado por Nadar em 1896.

STÉPHANE MALLARMÉ

 

Stéphane Mallarmé, cujo verdadeiro nome era Étienne Mallarmé, (Paris, 18 de Março de 1842 - Valvins, comuna de Vulaines-sur-Seine, Seine-et-Marne, 9 de Setembro de 1898) foi um poeta e crítico literário francês. Fonte: wikipedia

Extraído de 

POESIA SEMPRE – Revista Semestral de Poesia – Ano 2  Número 3 – Rio de Janeiro Fevereiro 1994 - Fundação Biblioteca Nacional. ISSN 0104-0626  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

'SALUT´, DE MALLARMÉ

Por IVAN JUNQUEIRA

 

Como já ocorreu nos dois números anteriores de Poesia Sempre, esta seção tem por finalidade oferecer ao leitor as distintas possibilidades tradutórias de um mesmo texto poético, permitindo assim àqueles que se interessam pela arte de traduzir uma visão multifacetada quanto às suas exigências semânticas, mórficas e fonéticas, bem como quanto às interpretações que esse mesmo texto poderá suscitar.

Escolheu-se desta vez o poema 'Salut', de Stéphane Mallarmé, aqui traduzido, em épocas distintas, por Augusto de Campos (Mallarmé, São Paulo, Perspectiva, 1974), Dante Milano (Poemas traduzidos: Baudelaire e Mallarmé, Rio de Janeiro, Boca da Noite, 1988), José Lino Grunewald (Poemas de Stéphane Mallarmé, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1990) e Cláudio Veiga (Antologia da poesia francesa, Rio de Janeiro, Record, 1991).

Recitado por Mallarmé aos 51 anos de idade, quando, em 15 de fevereiro de 1893, o autor presidiu o sétimo banquete da revista La Plume, 'Salut' é um dos mais famosos de seus sonetos e um dos que mais suscitaram exegeses de críticos e ensaístas. É um poema no qual, de certa forma, já se esboçam algumas das matrizes do texto que, mais tarde, Mallarmé iria desenvolver em uma de suas obras apicais, Un coup de dés, como a viagem, o mar, a página em branco, a busca do absoluto na solidão. Entre os exegetas que tentaram decifrar o texto, lembrem-se Charles Mauron, Wallace Fowlie, Albert Thibaudet, Charles Chassé, Guy Michaud, Pierre-Olivier Walzer, Ezra Pound e Walter Benjamin. Parece-nos particularmente arguta a interpretação de Thibaudet, segundo quem o poeta realiza aqui a conotação que existe entre "verso" e "taça" graças à equivalência quase homófona de duas palavras francesas, verre e vers, sustentando ainda que "o terceiro final não seria bem uma frase, porém uma constelação de 15 palavras em volta da página em branco", como observa Grunewald em comentário ao poema em pauta.

 

Salut

Rien, cette écume, vierge vers
A ne désigner que la coupe;
Telle loin se noie une troupe
De sirènes mainte à l'envers.

Nous naviguons, ô mes divers
Amis, moi déjà sur la poupe
Vous l'avant fastueux qui coupe
Le flot de foudres et d'hivers;

Une ivresse belle m'engage
Sans craindre même son tangage
De porter debout ce salut

Solitude, récif, étoile
A n'importe ce qui valut
Le blanc souci de notre toile.

 

Brinde

            Tradução de Augusto de Campos

 

 

Nada, esta espuma, virgem verso
A não designar mais que a copa;
Ao longe se afoga uma tropa
De sereias vária ao inverso.

 

Navegamos, ó meus fraternos
Amigos, eu já sobre a popa
Vós a proa em pompa que topa
A onda de raios e de invernos;

 

Uma embriaguez me faz arauto
Sem medo ao jogo do mar alto,
Para erguer, de pé, este brinde

 

Solitude, recife, estrela

A não importa o que há no fim de

Um branco afã de nossa vela.

 

 

 

Brinde

 

            Tradução de José Lino Griinewald

 

 

 

Nada, esta espuma, virgem verso
Apenas denotando a taça;
Como longe afogam-se em massa
Sereias em tropa ao inverso.

 

Navegamos, ó meus diversos
Amigos, eu já sobre a popa
Vós a proa que rompe em pompa
As vagas de trovões adversos.

 

Empenho-me em pura voragem
Sem mesmo temer a arfagem
A, de pé, este brinde erguer:
Solitude, recife, estrela,
A não importa o que valer
O alvo desvelo em nossa vela.

 

 

Saudação,

 

Tradução de Dante Milano

 

Nada, esta espuma, virgem verso,
Apenas designando a copa;
tal mergulha ao longe uma tropa
De sereias, uma ao inverso.

 

Nós navegamos, meus diversos
Amigos, eu atrás, na popa;
Vós na proa que alta galopa
Contra o inverno e raios adversos.

 

Nesta bela embriaguez me lanço
Sem mesmo temer o balanço
A erguer a saudação de pé

 

— Solitude, recife, estrela -

Ao que for digno, a tudo que é

O branco afã de nossa vela.

 

 

 

Saudação

 

            Tradução de Cláudio Veiga

 

 

Nada, esta espuma, virgem verso
Tão-só a taça nomeando;
Como além sereias em bando
Se afogam muitas ao inverso.

 

Navegamos, ó meus fraternos
Amigos, eu já estando atrás,
Na altiva proa vós cortais
Fluxos de raios e de invernos.

 

Pela ebriez eu sou levado
Sem recear o seu gingado
A erguer de pé a saudação

 

A toda coisa que revela,

Recife, estrela, solidão,

A inquietação da branca vela.

 

 

MALLARMÉ EM TRADUÇÕES, por  Júlio Castañon Guimarães : http://www.casaruibarbosa.gov.br/escritos/numero04/marllame.pdf

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MALLARMÉ, Stéphane. POEMA. Hum lance de dados jamais não abolirá o acaso, por Stéphane Mallarmé.  Tradução de Augusto Rodrigues da Silva Júnior, Carolina Dias Pinheiro,  Eclkair Antonio Almeida Filho, Josina Nunes Magalhães Roneisvalle.   Natal, RN: Sol Negro Edições, 2018.  Folhas soltas transparentes.  30 x 21 cm.  Editor: Márcio Simões.  Caixa dobrável, 50 exemplares numerados. ISBN 978-85-900068-1-7   Ex. n. 37 bibl. Antonio Miranda




 

 

 

MALLARMÉ, StéphaneBrinde fúnebre e outros poemas.  Organização e tradução Júlio Castañon Guimarães. 
3 ed.  Rio de Janeiro: 7Letras, 2012.  100 p.  ilus.  14,5x21,5 cm.  ISBN  978-85-7577-805-0   Ex. bibl. Antonio  Miranda

 

 

         TOAST FUNÈBRE

O de notre bonheur, toi, le fatal emblème!

 

Salut de la démence et libation blême,

Ne crois pas qu'au magique espoir du corridor

J'offre ma coupe vide où souffre un monstre d'or!

Ton apparition ne va pas me suffire:

Car je t'ai mis, moi-même, en un lieu de porphyre.

Le rite est pour les mains d'éteindre le flambeau

Contre le fer épais des portes du tombeau:

Et l'on ignore mal, élu pour notre fête

Très simple de chanter l'absence du poète,

Que ce beau monument l'enferme tout entier:

Si ce n'est que la gloire ardente du métier,

Jusqu'à l'heure commune et vile de la cendre,

Par le carreau qu'allume un soir fier d'y descendre,

Retourne vers les feux du pur soleil mortel!

 

Magnifique, total et solitaire, tel

Tremble de s'exhaler le faux orgueil des hommes.

Cette foule hagarde! elle annonce: Nous sommes

La triste opacité de nos spectres futurs.

Mais le blason des deuils épars sur de vains murs

J'ai méprisé l'horreur lucide d'une larme,

Quand, sourd même à mon vers sacré qui ne l'alarme,

Quelqu'un de ces passants, fier, aveugle et muet,

Hôte de son linceul vague, se transmuait

En le vierge héros de l'attente posthume.

Vaste gouffre apporté dans l'amas de la brume

Par l'irascible vent des mots qu'il n'a pas dits,
Le Néant à cet Homme aboli de jadis:
«Souvenirs d'horizons, qu'est-ce, ô toi, que la Terre?»
Hurle ce songe; et, voix dont la clarté s'altère,
Despace a pour jouet le cri: «Je ne sais pas!»

 

Le Maître, par un œil profond, a, sur ses pas,
Apaisé de l'éden l'inquiète merveille
Dont le frisson final, dans sa voix seule, éveille
Pour la Rose et le Lys le mystère d'un nom.
Est-il de ce destin rien qui demeure, non ?
O vous tous, oubliez une croyance sombre.
Le splendide génie éternel n'a pas d'ombre.
Moi, de votre désir soucieux, je veux voir,
A qui s'évanouit, hier, dans le devoir
Idéal que nous font les jardins de cet astre,
Survivre pour l'honneur du tranquille désastre
Une agitation solennelle par l'air
De paroles, pourpre ivre et grand calice clair,
Que, pluie et diamant, le regard diaphane
Resté là sur ces fleurs dont nulle ne se fane,
Isole parmi l'heure et le rayon du jour!

 

C'est de nos vrais bosquets déjà tout le séjour,
Où le poète pur a pour geste humble et large
De l'interdire au rêve, ennemi de sa charge:
Afin que le matin de son repos altier,
Quand la mort ancienne est comme pour
Gautier De n'ouvrir pas les yeux sacrés et de se taire,
Surgisse, de l'allée ornement tributaire,
Le sépulcre solide où gît tout ce qui nuit,
Et l'avare silence et la massive nuit.

 

 

 

 

 

BRINDE FÚNEBRE

 

 

Ó tu, fatal emblema de nossa alegria!

 

Saudação à demência e libação sombria,

Não creias que à fé mágica no corredor

Ergo a taça vazia com um monstro de ouro e dor!

Tua aparição não me será suficiente:

Pois em local de pórfiro te pus jacente.

Pelo rito, que a tocha se veja apagada

Contra o ferro espesso das portas de entrada

Da tumba — sabe-se, eleito à discreta

Celebração pela ausência do poeta,

Que o belo monumento o encerra inteiramente:

É apenas o ofício de glória ardente,

Até a hora das cinzas, a comum e vil,

No vitral em que clara, alta noite caiu,

Que retorna às flamas do puro sol mortal!

 

Magnífico, inteiro e solitário, tal
Treme o falso orgulho humano em assomos.
A multidão feroz anuncia: Nós somos
A triste opacidade de espectros futuros.
Mas, o brasão dos lutos nos inúteis muros,
}O lúcido horror de uma lágrima esqueço
Quando, ao sagrado verso, surdo e avesso,
Um passante, hóspede de mortalha vazia,
Soberbo e cego e mudo eis se convertia
Em um virgem herói de póstuma espera.
Vendaval de palavras que ele não dissera
A densa bruma traz o vórtex desmedido,

O nada para este Homem ontem abolido:
"Lembranças de horizontes, dize, a Terra é o quê?"
Urra o sonho; e, voz cuja luz não se vê,
— "Não sei!" — é o grito com que brincam os espaços.

O Mestre, com um olho agudo, em seus passos,
Apaziguou do éden a surpresa inquieta
Cujo tremor final, em sua só voz, inquieta
Para a Rosa e o Lis o mistério de um nome.
Deste destino nada resta, tudo some?
Esquecei, todos vós, uma crença tão turva.
O esplêndido, eterno génio, nada o turva.
A quem desmaiou, ontem, no ideal dever
Pelos jardins deste astro assim a nós imposto,
Sobreviver em honra do desastre posto
Solene agitação de palavras pelo ar,
Ébria púrpura e claro cálice invulgar,
Que o diáfano olhar, chuva e diamante,
Preso a essas flores de viço constante,
Isola entre a hora e o brilho do dia!

É de nossos veros jardins toda a estadia,
Onde o poeta puro tem o gesto largo
De atar o sonho, inimigo do encargo:
Para que na manhã do repouso leal,
Quando, para Gautier, a morte imemorial
É os olhos sagrados fechar, e calar,
Surja, da alameda ornamento ancilar,
Sólida tumba onde jaz o que arrefeça,
E o avaro silêncio e a noite espessa.

 

 

MALLARMÉ, Stéphane.  Um lance de dados. Introdução, organização e tradução: Álvaro Faleiros.
  Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2013.  104 p.  18X23 cm.  ISBN 978-85-7480-664-8    Ex. bibl. Antonio Miranda

 

         / Uma das quatro partes do poema : / 

 

 

TEXTE EM FRANÇAIS

 







 

 

 

 

TEXTO EM PORTUGUÊS









 

 

 

 

Página publicada em dezembro de 2017; ampliada em fevereiro de 2019; ampliada em julho de 2019;

 

 

 
 
 
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