Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
POESIA MUNDIAL EM PORTUGUÊS

GREGORY CORSO

(1930-2001)

 

CORSO, Gregory.  Antologia poética.  Seleção, tradução e notas: Márcio Simões.  São Pedro de Alcântara, SC: Edições Nephelibata, 2013.   130 p. (Coleção O Começo da Busca)   15x20,5 cm.   Capa, vinhetas internas e revisão: Floriano Martins.  Exemplar n. 20 de uma tiragem de 60 exemplares.  Ex. bibl. Antonio Miranda

Obs. Recomendamos aos interessados na leitura completa do livro, a aquisição direta pela editora: https://edicoesnephelibata.blogspot.com.br/

          

"É um dos poetas mais importante da Geração Beat. Integrou o núcleo nova-iorquino do movimento, ao lado de Jack Kerouac, Allen Guinsberg e William Burroughs. Seus poemas mais destacados sobressaem-se pelo humor delirante, a imaginação desenfreada e o espírito libertário. Poeta paradoxalmente bastante conhecido e não canônico, não teve o mesmo reconhecimento que coube aos seus companheiros de geração. Escreveu a maior parte de sua obra entre os meados dos anos 50 e 60, continuando, no entanto, lúcido e ativo até sua morte, em 2001, aos 70 anos de idade."   MÁRCIO SIMÕES

 

         NAS PAREDES DE UM QUARTO DE MOBÍLIA VULGAR

         Penduro fotos antigas de namoradas de infância —
         com o coração partido sento, cotovelo na mesa,
         Queixo na mão, observando
                   o cabelo loiro de Edjane,
                   os olhos altivos de Helena,
                   a boca débil de Suzana.

 

         ONTEM À NOITE DIRIGI UM CARRO

         Ontem à noite dirigi um carro
                   sem saber dirigir
                   sem possuir um carro
         Dirigi e atropelei
                   pessoas que amava
                   — indo a 120 pela cidade.

         Parei em Hedgeville
                   e dormi no banco de trás
                   ... excitado com minha vida nova.

 

         NOTAS APÓS APAGAR

         Dama do mundo sem-pernas recusei-me
                   a ir além da autoanulação
         Caio na cama do magro cônscio de minhas pernas
                  preservadas por uma brisa fresca
         Com e sem serventia isto significa
         Tudo é resposta não preciso saber a resposta
         A poesia é buscar a resposta
         A sorte é saber a resposta
         (O brilho abatido no ventre da Iluminação
                  é o morto vertendo suas respostas)
         Senhora dos aleijados a juventude
                   não soa necessária
         Os velhos são reticentes com O que sabem
         São somas recorrentes a essa grande
                   mentira não-autorizada
         Ainda que o autor da Verdade seja o nada
                    desabe
         Nada existe.
         Nada nunca foi
         Nada é uma casa nunca comprada
         Nada surge após a Piada de brilho selvagem
         Nada senta no nada em um nada de muitos nadas
                   um rei de nada

 

         ELA NÃO SABE QUE ELE ACHA QUE É DEUS

         Ele é Deus
         João Reis é Deus
         De pé à janela sorrindo
         observando uma criança passar
         "Eu sou  Deus!" ele grita. Ele sabe

         Sua esposa bate no seu ombro
         "João o bebê tá doente vai morrer
         A febre tá alta. Chame o médico."

         João Reis pára como se estivesse morto
         com o vigor e saúde da vida
         realçados em sua morbidez
         Para um homem paralisado com a constatação
         de que é Deus. Ele é Deus!

         Sua esposa pede grita bate os pés
         esmaga os punhos na parede
         "João o bebê vai morrer!"

 

         PERIGO

         Por causa de mim os narcóticos são —
         Inútil o esforço de segurança
         armando maneiras e modos de manter distância de mim;
         não existe saída, só existe dentro,
         e todos estão em perigo —

         Inútil cerca o mundo com:
         Cuidado. Não Ultrapase, Caveiraossoscruzados,
         É Pericoloso Sporgersí —
         Minha proprieda é o sofrimento!
         Nenhuma cerca
         Nenhum aviso por lá — 

 

         O LAMENTO DA CAMA

                                               1962

            Certa vez muito tempo atrás
         recebi um casal real
         eu era firme era forte
         e todos os dias as moças exultavam no meu asseio —

         E agora
         E agora habito um quarto úmido
         com pernas bambas e costas curvas
         e sobre mim dia e noite
         um viciado ossudo urina e sonha —

 

Página publicada em dezembro de 2017

        

 

 

        

        

        

                  

 

 

                  

                  

                  


 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar