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POESIA MUNDIAL EM PORTUGUÊS

GIACOMO LEOPARDI

 

Giacomo Leopardi (Recanati, 29 de junho de 1798 — Nápoles, 14 de junho de 1837) foi um poeta, ensaísta e filólogo italiano. É um dos maiores poetas italianos. A sua obra revela muito pessimismo, melancolia e cepticismo.

 

L'infinito

 

Sempre caro mi fu quest'ermo colle,
e questa siepe, che da tanta parte
dell'ultimo orizzonte il guardo esclude,
Ma sedente e mirando, interminati
spazi di là da quella, e sovrumani
silenzi, e profondissima quiete

lo nel pensier mi fingo; ove per poco

il cor non si spaura. E come il vento

odo stormir tra queste piante, io quello

infinito silenzio a questa voce

vo comparando: e mi sowien l'eterno,

e le morte stagioni, e la presente

e viva, e il suon di lei. Così tra questa

immensità s'annega il pensier mio:

e il naufragar m'è dolce in questo mare.

 

 

 

O infinito

 

        Tradução de Ivo Barroso

 

 

Sempre cara me foi esta colina erma
e esta sebe, que de extensa parte
dos confins do horizonte o olhar me oculta.
Mas, se me sento a olhar — intermináveis
espaços para além, e sobre-humanos
silêncios e quietudes profundíssimas,
na mente vou sonhando — de tal forma
que quase o coração me aflige. E, ouvindo
o vento sussurrar por entre as plantas,
o silêncio infinito à sua voz

comparo: é quando me visita o eterno
e as estações já mortas e a presente
e viva com seus cantos. Assim, nessa
imensidão se afoga o pensamento
doce é naufragar-me nesses mares.

 

 

LEOPARDI, Giacomo.  Cantos.  Tradução de Renato Suttana.  Desterro, SC: Nephelibata,  2014.  160 p.  Edição artesanal de 60 exemplares. Ex. bibl. Antonio Miranda.

 

Obs. Quem quiser adquirir um exemplar do livro, aqui vai o contato com a editora: edicoes.nephelibata@gmail.com

 

 

CANTO XI - O PÁSSARO SOLITÁRIO 

De sobre a agulha dessa antiga torre,
pássaro çolitário, na campina,
cantando vais, até que acabe o dia;
e erra a harmonia pelo vale. Em torno
a primavera esplende,»
nos campos exultando, enquanto, vendo-a,
o coração se acende.
Balem ovelhas, mugem os rebanhos,
e, alegres, outros pássaros competem,
livres, fazendo giros pelo céu,
a festejar sua estação melhor.
Tu, pensativo, à parte, a tudo observas:
nem campinas, nem voos
te dão felicidade: antes, te esquivas
e de tua existência
passas, cantando, a mais bonita flor.
Ai, quanto se assemelha
ao teu estado o meu! Riso e folguedo,
da mocidade doce companhia,
e a ti, amor, que também és irmão
da idade juvenil, suspiro amargo
da provecta estação,
não vos sei procurar; antes vos fujo
e, feito estranho ao meu torrão natal,
passo do meu viver a primavera.
Este dia, que vai anoitecendo,
festejar se costuma em nossa aldeia.
Atravessa o sereno um som de guizos,
de férreos canos soam uns disparos,
que, entre as casas, ao longe, vão morrendo.
Vestida para a festa
a juventude do lugar se apresta:
sai de casa e se expande pelas ruas,
e vê e é vista, e assim muito se alegra.
 

Eu, solitário, nesta
parte remota da campina, adio
alegria e prazer; e entanto o olhar
que dirijo para o ar

me fere o sol, que entre os montes ao longe,
depois de um dia calmo,
lento se apaga, como se a dizer
que a alegre juventude vai morrer.
 

Tu, pássaro sozinho, vindo a noite
da vida, que as estrelas te darão,
por certo o teu costume
não te doerá, que de Natura é fruto
qualquer desejo teu.
A mim, se da velhice
o detestado umbral
evitar não impetro,
quando nada mais digam estes olhos
a um outro coração,
e lhes seja vazio o mundo, e mais
do que os dias presentes os futuros
tediosos e negros, que pensar
deste querer, dos anos, de mim mesmo?
Ai, cheio de remorso, e em desconsolo,
tentarei outra vez
para trás me voltar.

 

CANTO XII - O INFINITO 

Sempre caro me foi este ermo outeiro,
e aquela sebe, que em tão grande parte
do horizonte final o olhar exclui.
Mas sentado, a mirar intermináveis
espaços além desses, sobre-humanos
silêncios e sossegos profundíssimos,
me afundo no pensar, onde por pouco
meu coração não se apavora. E, como
ouço o vento roçar contra estas plantas,
o silêncio infinito comparando
vou a tal voz: e me recorda o eterno,
as mortas estações, mais a presente
e viva, e o seu rumor. Assim, por esta
imensidade o meu pensar se afoga:
e naufragar me é doce neste mar.
 

 

XLI - MESMO ASSUNTO  

O que é dos homens pouco tempo dura,
foi o que, sem defeito,
disse o velho de Quio,
conforme impôs Natura
às folhas e aos humanos.
Mas essa voz no peito
poucos a escutam. À esperança inquieta,
filha dos jovens anos,
todos lhe dão guarida.
Enquanto é rubra a flor
de nossa amarga vida,
soberba, a alma vazia
mil doces ilusões acaricia,
sem na morte pensar ou na velhice;
e a doença não preocupa ao homem são.
Mas tolo é quem não vê
que a juventude tem a asa veloz,
e que é curta a distância
do berço ao fogo atroz.
Tu, preste a pôr o pé
sobre o abismo fatal
da plutônia mansão,
dos deleites presentes
sorve a breve estação.

 

 

 

 

Página publicada em dezembro de 2017


 

 

 
 
 
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