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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
POESIA MUNDIAL EM PORTUGUÊS


ALEXANDER POPE

 

 

Alexander Pope (21 de maio de 1688, Londres — 30 de maio de 1744, Twickenham, hoje parte de Londres) foi um dos maiores poetas britânicos do século XVIII. Famoso por sua tradução de Homero. É o segundo mais citado escrito na obra The Oxford Dictionary of Quotations, depois de Shakespeare.

Sua mocidade foi pontilhada de contratempos, consequência de ser filho de um comerciante católico. Foi proibido de frequentar escolas e universidades, mas, apesar disso, educou-se com esmero. Suas doenças e a deformidade física fizeram dele um caráter complicado. A principal contribuição de Pope foi nos ensaios e versos, nos quais expõe suas idéias estéticas e filosóficas. São poemas filosóficos ou didáticos, como Essay on Criticism (Ensaio sobre a crítica), obra de doutrina neoclássica, escrita aos 23 anos, na qual defende seus pontos de vista sobre a verdadeira poesia, e Essay on Man (Ensaio sobre o Homem) (1733—34), na qual discute se é ou não possível reconciliar os males deste mundo com a crença no criador justo e misericordioso. Compôs também uma sátira, Dunciad, em que o poeta declara vago o trono da torpeza, do aborrecimento e da estupidez e propõe o nome de seus inimigos para ocupá-los. Foi como satírico e moralista que se caracterizou na segunda parte de sua vida, quando escreveu The Rape of the Lock (O rapto da Madeixa) em que ridiculariza a extrema delicadeza da corte da Inglaterra.

ra muitos, Alexander Pope foi o satirista mais brilhante da era Augustana. Dentro da literatura satirista foi o sucessor natural de John Dryden e também o primeiro poeta inglês a ter fama internacional.

Fonte da biografia: Wikipedia.

 

 

 

 

POESIA – 1º. Volume.  Seleção e prefacio de Ary de Mesquita.  Rio de Janeiro: W. M. Jackson Inc., 1952.  392 p.  (Clássicos Jackson, volume XXXVIII) capa dura.  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

 

                ENSAIO SOBRE A CRÍTICA

                     Fragmento
       (Tradução da MARQUESA D´ALORNA)

 

 

        Não sei dizer qual mostra menos arte,
Se quem escreve mal, se que mal julga;
Entre ambos menos riscos há, menos dana
O que me cansa que esse que me engana;
Dos primeiros há poucos, muitos destes;
Por um que escreve mal, dez mal censuram:
Um néscio a si somente expõe, rimando;
Mas este em verso, vale dez em prosa.

Como os relógios são nossos juízos;
Nenhum vai certo, e todos creem no próprio.
No vate engenho genuíno é raro;
E mais raro entre os críticos o gosto:
Uns e outros do céu precisam luzes;
Críticos nascem, bem como os poetas.
Os excelentes só, outros ensinem;
E só quem bem compõe, livre censure.
Autores parciais do próprio gênio
Pode haver é verdade; mas é menos
Parcial do que opina quem critica?

Se de perto observamos, acharemos
Que da crítica o germe n´alma existe;
Certo clarão despende a natureza
Linhas ligeiras traça, mas direitas;
Esboço tênue, porém bem traçado,
Que se esperdiça mal iluminado.
Falso saber bom senso desfigura:
No labirinto das escolas quantos
Desvairando se perdem! quantos outros,
Que a natureza fez tolos somente,
Presumindo de si, mais asnos ficam!
Em busca do juízo a razão perdem,
E por desculpa, em críticos se tornam:
Igual fogo os agita, os incendeia,
Ou possam ou não possam sempre escrevem
Coa raiva de um rival, ou co ciúme,
De um custódio de belas do serralho.
Têm comichão de escarnecer os tolos,
De estar da parte de quem ri ou ladra.
Se Mévio escreve contra o jus de Apolo,
Há quem julgue pior do que ele escreve.
Alguns, antes de serem vates, foram
Por homens de juízo reputados;
Deram-se à crítica, e asnos se provaram.
Ó vós, que buscais dar, merecer fama,
Alcançar de censor o nobre nome,
Avistai os limites até onde
O gênio, o gosto, o saber vosso chega:
Não vos lanceia além, sede prudentes;
Fixai bem esse ponto em que se encontram
Senso e tolice, transgredindo a meta.

        As coisas têm limites próprios, todas,
Com as quais sabiamente a natureza
Quebra a esperteza vão do presumido.
Bem como em terras onde o mar, ganhando,
Deixa areais estéreis, noutras charcos;
N´alma aonde a memória predomina,
O poder do intelecto desfalece;
Se a fantasia cálida vagueia,
Da memória as espécies brandas fogem.
Uma consciência pede um gênio inteiro:
Tão vasta é arte e curta a mente humana;
Limitada não só a certas artes,
Mas nessas mesmas só capaz de partes.
Perdemos como os reis, essas conquistas
Que fizeram vaidosos, só guiados
Pela estulta ambição de fazer muitas;
Manda bem cada qual sua província,
Se a acomoda àquilo que entende.

 

        Pelos marcos que pôs a natureza
Formai vossos juízos, segui esta:
É sempre a mesma, certa, invariável;
Com luz universal em tudo brilha;
Vida, força e beleza nos reparte,
Que são origem, fim e prova de Arte.
Não legou, descobriu a antiguidade
Essas regras que estão na natureza:
São natureza, o método a restringe;
Bem como se restringe a liberdade
Coas mesmas leis que liberdade cria.
Vós cujo entendimento bem navega,
Julgai bem dos antigos o caráter;
Em cada folha discerni com gosto
A fábula, o assunto, o fim proposto;
Religião, país, gênio da idade;
Sem ter nisto, a um tempo, os olhos fitos,
Invectivar podeis, criticar nunca.

        Vosso estudo e deleite as obras sejam
Do vate Homero, do Parnaso glória,
Lede-o de dia, à noite meditai-o;
Por ele meditai vosso juízo,
Tirai máximas dele que vos levem
Até à origem da Castália fonte.
Lede, relede o texto; comparai-o
Consigo mesmo, e logo depois seja
A mantuana musa seu comento.
Das causas todas que a cegar conspiram
A mente errante, e a desgarrar senso,
A que domina mais cabeças fracas
E a soberba, dos tolos vício certo.
Quanto em mérito nega a natureza
Suprem remendos de preciso orgulho;
E assim como nos corpos, n´alma achamos
Que onde espírito e sangue falta há vento:
Trepa a soberba onde o juízo é nulo,
E se defende enchendo os vão que encontra.

Se a razão chega, e esse vapor dissipa,
Sobre nós desce e rompe o dia claro
Da Verdade, com luz irresistível.
Não nos fiemos de nós mesmos; quando
Quisermos descobrir nossos defeitos
Consultemos amigos e inimigos.
Saber mesquinho é coisa perigosa;
Saciai-vos na fonte das Camenas,
Ou não proveis das suas águas nunca:
O miolo embriagam curtos goles;
Só bebendo a fartar a razão torna.
Sem medo a mocidade os altos d'Arte
Tenta logo que a musa favorece;
Quando, ao nível de um ânimo pequeno,
Nem vê ao longe, nem o que atrás fica:
Se se adianta mais, com pasmo admira
Novas cenas distantes, sem limite,
Que a ciência levanta e vai mostrando.
Assim primeiro, cometendo alegres
Os terríficos Alpes, nós cuidamos
Pisar o céu, por ter vencido um vale
Que a neve eterna já findou; e as nuvens,
Montes primeiros, últimos julgamos:
Porém chegando lá, susto nos ganha;
Cresce o trabalho, estende-se o caminho;
Os vagabundos olhos não descansam
No crescido prospecto que apresenta
Outeiro sobre outeiro, Alpe sobre Alpe!
Um perfeito juiz há-de ler sempre
Aquelas obras que produz o engenho
No espírito do mesmo autor que escreve:
As faltas não lhe explora, o todo observa;
E, põe esse maligno e vão deleite
Que os reparos inspira, nunca troca
O prazer generoso de encantar-se
Coas belas produções do engenho alheio.
Quem sem defeitos uma peça espera
Quer impossíveis; sem pensar pretende
O que não há, nem haverá, nem houve.
Olhai pois para o fim do autor das obras;
O que não intentou, ninguém o exija:
Se os meios foram bons, se é são, correcto,
Mesmo apesar de triviais defeitos,
É-lhe devido aplauso, aplauso alcance.

 

 

Página publicada em agosto de 2020

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 
 
 
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