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FERNÃO ÁLVARES DE ORIENTE

LABIRINTO
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LABIRINTO
(Século XVI)
 

Embora medíocre como concepção da ideia poética e sem maior brilho de linguagem, o Labirinto é exemplo do que, dentro da conceituação de Umberto Eco, pode-se entender por uma estrutura aberta, por um texto suscetível de várias direções de leitura, isto graças ao artifício do ordenamento de versos e estrofes, da equivalência de sentido das frases e a sua permutável correspondência na organização gráfica do poema. São vinte e cinco estrofes de cinco versos heptassílabos cada, com o esquema rímico a-b-a-b-a, dispostas as estrofes em cinco blocos que podem ser vistos e seguidos vertical ou horizontalmente. As alternativas de leitura se multiplicam, tanto ao nível dos blocos, quanto das estrofes e dos versos, podendo estes concatenar-se de modo compreensível seja em linha horizontal ou vertical, seja mesmo em diagonal, obedecendo-se qualquer | ordem de leitura dos versos, isto é, a ordem natural — versos 1-2-3-4-5, a ordem inversa — versos 5-4-3-2-1, ou ainda, se o leitor se dispuser a aceitar o inteiro desafio do jogo poemático, uma ordem alternada e aleatória — por exemplo, versos 3-2-5-4-1.

Tomando-se a primeira estrofe, essas três possibilidades de leitura assim se resolveriam:

 I — "Virgem de mil graças chea/ Co' Senhor por graça unida/ Sois luz que o ceo fermosea/ Em vos tem certa guarida/ A vida que mais recea";

 II — "A vida que mais recea/Em vós tem certa guarida/ Sois luz que o ceo fermosea/ Co' Senhor por graça unida/ Virgem de mil graças chea";

III — "Sois luz que o ceo fermosea/ Co' Senhor por graça unida/ A vida que mais recea/ Em vós tem certa guarida/ Virgem de mil graças chea".

A sucessão, no primeiro bloco horizontal, dos versos iniciais das cinco estrofes dará a seguinte leitura, que não perderá sentido se feita também em ordem inversa:

"Virgem de mil graças chea — De Deos filha mãi e esposa — Essa luz que os ceos rodea — Minha vida trabalhosa — Descança alegra recrea".

A sequência dos versos iniciais no primeiro bloco vertical oferecerá, por sua vez, esta leitura, passível de variar-se em ordenamento:

 "Virgem de mil graças chea — De estrellas mil coroada — Da divina Mente idéa — A vossa luz inclinada — Já se enxerga a luz phebea".

 Uma leitura diagonal pode igualmente ser obtida, dentro de cada bloco horizontal, alternando-se o primeiro verso da primeira estrofe, o segundo da segunda e, assim por diante, até a quinta estrofe, ou através de outros artifícios de permutação de versos de um para outro bloco, da esquerda para a direita e vice-versa. A exemplificação das inúmeras direções de leitura resultaria extremamente exaustiva, daí não nos estendermos neste enfoque do Labirinto de Fernão Álvares do Oriente, de cuja natureza de jogo compositivo, de estrutura notoriamente aberta fica, no entanto, ao leitor uma noção sucinta mas ilustrativa. 


NOTA: Em visita recente ao poeta Affonso Ávila, um dos nossos expoentes no estudo do Barroco mineiro e brasileiro, ao conversarmos sobre os Labirintos poéticos, ele informou ter publicado um estudo sobre estas composições. Conhecíamos apenas estudos portugueses, espanhóis e ingleses sobre o tema. O referido estudo constitui um dos capítulos (“O poeta é um jogador”, p. 117-138) da obra “O LÚDICO E AS PROJEÇÕES DO MUNDO BARROCO I – UMA LINGUAGEM A DOS CORTES – UMA CONSCIÊNCIA A DOS LUCES” 3ª. Edição, atualizada e ampliada; Rio de Janeiro: Editora Perspectiva, 1994.  (Série Debates / Arte). Os parágrafos acima fora extraídos da obra citada, páginas 122-123.

Página publicada em fevereiro de 2010.

 

 

 

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