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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

EUGEN GOMRINGER 

De
31 POEMAS
Tradução
PERCY GARNIER
PHILADELPHO MENEZES
(Edição multilíngüe)
São Paulo: Arte Pau-Brasil, 1988

 

Nasceu a 20 de Janeiro de 1925, em Cachuela Esperanza (Bolívia). De nacionalidade suiça, Gomringer estudou economia e historia da arte em Berna e Roma, entre 1946 e 1950.

 

Em 1953 publica seu primeiro livro de poemas ("Konstellationen"), considerado por estudiosos como Emmet Williams e Milton KIonsky o marco inicial da "poesia concreta", ainda que esse nome não tenha surgido aí, mas sim no "Manifesto da Poesia Concreta", do sueco-brasileiro Óyvind Fahistróm, também de 1953. O "movimento" da poesia concreta, no entanto, parece só ter se configurado como tal com as publicações e exposições que se espalharam pelo mundo na segunda metade da década de 50, entre elas, de modo pioneiro, a Exposição Nacional de Arte Concreta (1956/57), realizada em São Paulo e Rio de Janeiro, onde é fundada a poesia concreta brasileira pelos três poetas paulistas do grupo "Noigandres" (Augusto de Campos, Décío Pignatari e Haroldo de Campos) e os três "cariocas" (Ferreira Gullar, Ronaldo Azeredo e Wlademir Dias-Pino).

 

Não é difícil observar nos poemas de "Konstellationen" elementos de uma poética que viria a distinguir o concretismo de outras formas da poesia contemporânea. São poemas com poucas palavras, em sua maioria substantivos ou verbos no infinitivo, organizadas fora da sintaxe linear da frase e alheias á formação versificada. Para instaurar um modo de organização que não deixasse essas rupturas caírem numa desordem causada pela falta de novos parãmetros, os poemas de "Konstellationen" lançam mão de processos racionais de composição semelhantes aos da arte concreta do suíço Max Bill, com quem Gomringer trabalharia de 1954 a 1958. No poema,esses procedimentos são baseados numa matemática do texto, á mostra já no primeiro poema do livro, que abre também esta [a do livro em questão] coletânea. São quatro palavras de quatro letras (baum, kind, hund, haus) que se compõem assintaticamente em quatro blocos pequenos, ligando-se por associação semântica ou por semelhança sonora.

 

 

baum

baum kind

 

kind

kind hund

 

hund

hund haus

 

haus

haus baum

 

baum kind hund haus

 

 

 

árvore

árvore criança

 

criança

criança cão

 

cão

cão casa

 

casa

casa árvore

 

árvore criança cão casa

 


sich zusammenschliessen und

sich abgrenzen

 

die mitte bilden und

wachsen

 

die mitte teilen und

in die telle wachsen

 

in den teilen sein und

durchsichtig werden

 

sich zusammenschliessen und

sicti abgrenzen

 

 

unir-se e

limitar-se

 

fundar o meio e

crescer

 

partilhar o meio e

crescer nas partes

 

estar nas partes e

tornar-se transparente

 

unir-se e

limitar-se

 

das  schwarze  geheimnis

ist                                hier

hier                                ist

das schwaerze geheimnis

 

 

o segredo negro

está            aqui

aqui            está

o segredo negro

 


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Como se sabe, Eugen Gomringer é considerado um precursor da poesia concreta. Suas composições antecedem as composições concretistas, embora os concretistas tenham teorizado e oferecido uma "tecnologia" da composição bem mais sistemática que acabou transformando-se em modelo (considerada ortodoxia pelos críticos mais ferrenhos). Este poema concreto de Gromringer é da fase em que o poeta boliviano-suiço já fazia parte do movimento concretista com os brasileiros Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari.  Note-se que a palavra WIND (vento) conforma um conjunto cujas letras podem ser conjugadas e lidas em diferentes direções.  

 

 

Essa quadrícula de Gomringer é construída pela repetição de uma única palavra: "silencio", em espanhol. O sentido da expressão se faz da relação entre o texto verbal e o vazio deixado por ele no centro. Assim, o branco da página/pausa sonora é explorado frente ao bloco formado pela repetição da palavra, resultando, pelo contraste, a concretização do silêncio. A ausência, desse modo, toma-se presença. (LEITE, p. 40)

 

 

 

Texto extraído de:

 

LEITE, Marli Siqueira.  Ronaldo Azeredo: o mínimo múltiplo (in)comum da poesía concreta.  Vitória (ES): EDUFES, 2013.  132 p.  20x20 cm.  ilus.  Projeto gráfico e diagramação: Isabelly Possatto.  Capa: Isabelli Possatto e Willi Piske Júnior. ISBN 978-85-7772-155-9  Ex. na bibl. Antonio Miranda

 

Página publicada em junho de 2009; ampliada e republicada em fevereiro de 2011., ampliada e republicada em 2014.

 

 

 
 
 
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