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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

EDGARD BRAGA


(Maceió, Alagoas 1897 - São Paulo SP 1985)

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS    /   TEXTOS EN ESPAÑOL

TEXT IN ENGLISH

 

vive              morto           vive 
morto           vive             morto
                    vivo
                    vive
                    morto
                    vive
                    morto
                    vivo
viva                o                  morto
 

EDGARD BRAGA

EDGARD BRAGA

EDGARD BRAGA

 

De DESBRAGADA/ org. Régis Bonvicino
São Paulo: Editora Max Lomonad, 1984

 

 

Cabe aqui pequena digressão, embora eu não queira aventurarme em interpretações críticas. Não considero concretista o trabalho de Braga, sobretudo "Algo" e "Tatuagens". Os poemas concretos, dos outros, das décadas de 50 e 60, são cuidadosamente pensados, feitos à base de um "racionalismo sensível"; já os de Braga são, digamos, casuais e inspirados: o que nele sente, pensa depois.

 

Augusto de Campos e Décio Pignatari, organizadores de seus três livros mais importantes *, sempre me apontaram, em papos, certo amadorismo no traço do desenho de Braga. Esse amadorismo, real, é, a meu ver, a face visível de sua opção — até certo ponto inconsciente — pela estética do provisório, que acabou funcionando como contraponto (complementar) ao racionalismo sensível da Poesia Concreta. Creio que, para Braga, a Poesia Concreta serviu como droga libertadora, que o encorajou a abandonar o passado e o verso tradicional na busca de um universo novo de formas interinas e precárias. Precariedade aqui entendida em seu duplo sentido: de coisa pouco durável, mas também rara e difícil. Ou seja: o rigor formal do concretismo evitou que os tatoemas de Braga — anteriores à onda de grafite que invadiu São Paulo — descambassem numa graforréia poética.

 

Rozélia insistia em me dizer que Braga era punk: rabiscos em qualquer pedaço de papel, economia de signos gráficos, utilização de material barato, truques (à Orson Welles) ao redatar, várias vezes, cópias de um só poema. O punk não deixa de ser uma tradução/diluição industrial de Dada, o movimento modelo de toda a arte do

provisório e do precário deste século. As coisas fazem sentido. Se Kurt Schwitters inventou a genial arte MERZ, Braga, forçando um pouco a barra, inventou o TATOEMA, grafite de câmera (feito para o papel, não para os muros da cidade), bricolando o verso curto, descontínuo, o desenho e a pintura de palavras na pele do poema.

 

(...)

Além dos poemas em si, o que especialmente me impressiona em Braga é ele ter começado a revolucionar sua poesia numa idade (60 anos) em que os poetas brasileiros costumam entregar os pontos.

*Os poemas de "Soma" foram selecionados por Augusto, Décio e Haroldo. A

diagramação é de Décio. Os tatoemas de "Algo" foram escolhidos por Augusto e Décio, que também os diagramou. Em "Tatuagens" Augusto e eu selecionamos os trabalhos e Júlio Plaza fez o projeto gráfico.

                              Régis Bonvicino

“Há poesia sim, mas não poesia tal como a elaborada a partir dessa máquina-infernal-digital que chamamos de linguagem, mas poesia a partir das pulsões e ritmos enérticorporais, que conseguem criar palimpsestos com vitalismo. É na troca do tipo-gráfico pelo topográfico que a poesia de traços-desenhos (como substitutos primários) urde a textura que indica (em todo seu frescor) o Braga. Assinatura.
Julio Plaza


De
Edgar Braga
TATUAGENS
São Paulo: Edições Invenção, 1976
Projeto gráfico: Julio Plaza
Folhas soltas  em portfolio acartonado.

 

POEMA ESPELHO
Edgar Braga

 

De
ANTOLOGÍA BÁSICA CONTEMPORÁNEA
DE LA POESÍA LATINOAMERICANA

Selección y apresentación Daniel Barros
Buenos Aires: Ediciones de la flor,1973.  254 p

 

Vive          muerto      vive 
muerto      vive           muerto
                 vivo
                 vive
                 muerto
                 vive
                 muerto
                 vivo
viva             el            muerto 

 

            De Soma, 1963

 

TÉRMINO DE LA GUERRA
 

Cruces.
Caminos muertos.
Siete palmos.

¡Sólo a dos passos del sauce!

La luna aparece.
Trae en el rostro
vigílias de preces:

Fantasmas de madres en el extranjero.

Son tres sueños
(juventude),
son tres ansias
(mocedad),
son tres suspiros
(vejez)
sobre el mar.

Alas perdidas:
tres caricias,
tres heridas.

Son tres almas
entre espumas;
son tres almas
ya sin vida
sobre el mar…


                        (De Lâmpada sôbre o Alqueire, 1946)

 

CARTA ATLÁNTICO NÚMERO 1

yo te acompañaré en el desierto,
tú me darás tus manos,
yo volveré a vestir la túnica
de la infancia, seré tu passo;
tú me darás la sonrisa de un dios,
yo seré nube, pájaro horizonte
tú, el regazo materno y el rostro inmóvil,
yo  ~ canto

                           
De Subúrbio Branco, 1959

TEXT IN ENGLISH

“THE PACKAGE POEM IN THE LATE POETRY OF

EDGAR BRAGA” 

Extraído de  

MENEZES, Philadelpho.  Poetics and visuality: a trajectory of contemporary brazilian poetry.  Translated by Harry Polkihorn.  San Diego, California: San Diego State University Press,  1994.  230 p.  ilus.  15x22,5 cm.  Contents: Concretism, Neoconcretism, Semiotic Poetry, Intersign Poetry.  “ Philadelpho Menezes “ Ex. bibl. Antonio Miranda 
 

(...)  from page  120 – 123: 

We have a special case of the package poem in the late poetry of Edgard Braga.20 In place of a certain constructive, asceptic rigor of the manual arts of the examples seen, Edgard Braga produced poems in which the gesture itself of creation is part of the result, in a "fauvism" of lines that disfigure the word. The poet seems to find a way which is the inverse of packaging: he no longer tries to equate figurality with the text, image with word, but does try to equate the text with an image that bursts with the destructive force of automatic gesturality. An impetuous writing is rendered in brute traces, and the design becomes the packaging of a quasi-text where there are no signifieds to mold, whether to make explicit or to illustrate. Figurality determines the word it will design.

 

An example is seen in the untitled Figure 24 where the eyes- whirlpools-galaxies cross the page to play on the initial O's of "O caos" and "Ocaso”,21 as if to suggest that visuality itself is summarily deconstructed and a chance feature of the work projecting itself on a writing that stutters.

 

Returning to the main subject, we notice a substantial difference between the type analyzed (package-poem) and semiotic poems such as Pedro Xisto's "Logogramas." Whereas in these the poet is a creator of logotypes of the poetic idea, in package-poems the poet is a discoverer of graphic types armonized with the text

 

Independent of a greater or lesser felicity in the choice of the graphic type, or the use more of visual resources to make explicit or illustrate the verbal signifieds, another point of contact is established with other avant-garde movements, for example, with neoconcretism (whose name, if it did not designate an already existing movement, would be a good term for package-poem). In "non-object theory," Ferreira Gullar proposes—in an attempt to elaborate something more flexible and alternative to the rigidly mathematical construction of the Noigandres concrete poem based on the exclusive use of the Futura typeface—the use of non-verbal elements for the creation of poems: "the elements that here are married to it (the word) have the function of making explicit, of intensifying, of concretizing the multivocality which the word encloses."22 This explains the verbal dominant and the subsidiary function of visuality in the neoconcrete poem, bringing out its dose ties with package-poem.

 

If in collage-poem syntactic dysfunction poorly articulates image and word—leaving out of creation links of reading between them, and leaving doubts as to the validity of the classifying as "poem" of a work realized in such a scheme—in package-poem the same problem is not present. However, the verbal dominant and the absence of signifieds themselves of visuality/ treated as an optics of an illustrative sensoriality (and not as what we might call a "semanticized sensoriality")/ make package-poem a manifestation of a remodeled verbal poetry, whose denomination as “visual poetry” is imprecise”.

 

21  Ocaso = sunset; o caos = the chaos.

 

22  GULLAR, Ferreira. “Teoria do não-objeto” in: Projeto construtivo na arte, 1962., p. 112.

 

Página publicada em janeiro de 2009, ampliada e republicada em março de 2010.; página ampliada e republicada em abril de 2011; ampliada e republicada em maio de 2015.

 



 

 

 
 
 
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