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Fonte: http://www.musarara.com.br/


E. M. DE MELO E CASTRO

 

Ernesto Manuel de Melo e Castro é nome consagrado na poesia visual e experimental, atuante em Portugal e no Brasil onde já publicou uma série considerável de títulos tanto de poemas como de teoria e crítica literárias. Os poemas deste livros foram compostos entre 2003 e 2010, em Lisboa, Porto, Algarve e São Paulo. Edição primorosa, caprichosa, inventiva. Pioneiro no uso do computador nas suas composições poéticas, em infopoemas, E. M. de Melo e Castro ainda consegue surpreender com sua inventividade.

 

Veja também o ensaio: ENTRE O ORAL E O VISUAL: UMA REDE INTERSEMIÓTICA, por E. M. de Melo e Castro

 

CASTRO, E. M. de Melo e.  Poética do ciborgue – antologia de textos sobre tecnopoiesis.  Rio de Janeiro: Confraria do Vento, 2014.  196 p.  15x23 cm.  ISBN 978-85-60676-72-9 .” E. M. de Melo e Castro “  Ex. na bibl. Antonio Miranda

E.M. de Melo e Castro é o nosso Mestre, há várias décadas. Poeta experimental, teórico e artífice, vem publicando muitos livros em que cria e desconstrói, especula  e se reinventa.  E pergunta: “Existirá uma poética do complexo, ou a complexidade é em si própria, uma nova poética que sempre esteve entre nós, mas que os computadores conseguiram revelar, tal como aconteceu com os “atratores estranhos” de geometria não euclidiana  fractal criada por Benoit Mandelbrot. Mas também, programas como o Photoshop possuem possibilidades inventivas de imagens complexas sempre renováveis, muito para além dos usos pragmáticos para que foram originalmente feitos. Ou, reciprocamente, ambas estas hipóteses se interativam, porque toda a complexidade é poética, mas também toda a poética é, sempre foi, complexa” (...) Mas a poética exige níveis objetuais do fazer, enquanto a complexidade é do domínio conceitual. No entanto, ambas são categorias diferenciadas, mas indissociáveis do conhecimento e das manifestações comunicativas.  Digamos então que a poética é um fazer, enquanto a complexidade é uma condição ou estado de energia. Mas quando essa energia é a própria matéria do fazer poético, como no caso da infopoesia e das poesias digitais, então a complexidade torna-se uma poética das transformações  só probabilisticamente  previsíveis. Já Haroldo de Campos falava da arte no horizonte do provável, título de um dos seus livros de ensaios”(CASTRO, p. 10-11)

E. M. de Melo e Castro sempre viveu no futuro.  ANTONIO MIRANDA (2014)

...

LÍRICA DO CIBORGUE*

          E. M. de Melo e Castro


o ciborgue habita
debaixo da tua pele

pouco a pouco
ele toma conta
de todos os teus
sentidos e não sentidos

com os olhos ele vê
as cores que não há

nos ouvidos
músicas silenciosas

pela pele os toques
tocam nas coisas
imponderáveis
na boca os sabores
sabem de cor
os desgostos do gosto
no nariz
os odores são
as dores que sobem
desde a raiz
e no todo teu corpo
eles inauguram
os movimentos
que são teus pensamentos
na mágica do leve
levitarás em breve
nos espaços
abstratos
de todos os teus atos

trilhões das tuas células
serão sutilmente alteradas
e as funções
dos teus órgãos
serão novas

quando já não terás
um só eu

mas vários eus
que nem sequer
serás

é com eles
que para sempre
viverás
para além do óbvio

Homo Sapiens Ciborgue
irmão de mim próprio

 

* Um Ciborgue é um organismo cibernético, isto é, um organismo dotado de partes orgânicas e cibernéticas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia artificial. (wikipedia)

Poema do livro Néo-Poemas-Pagãos.  SP: Selo Demônio Negro, 2012. 2ª ed.

 

 

 

De

e.m.de melo e castro
Neo-Poemas-Pagãos
São Paulo: Annablume, 2010.  156 p. ilus.
(Coleção Demõnio Negro,).
Edição de 200 exs. numerados capa dura  com tecdo alemão

 

Escolhemos duas peças pra dar ciência da variedade de sua criação, uma em que deforma e monta um poema visual a partir de um texto mallarmáico, com tipos 'tipográficos" variados que são distorcido pelo aplicativo computacional para chegar a uma contradição notável: transformar em imagem o texto para dar-lhe o sendo. O visual é que efetivamente amplia a significação semântica do discurso. Em outras palavras, o texto discursivo, com as intervenções "tipográficas" em sua arquitextura, se concretiza ou coisifica na intervenção digitalizada.


O segundo trabalho é um "soneto" nada convencional, sem desprezar as rimas...

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"The cryptic eye is an approach to infopoetry. / Infopoety is made with the use of the computer thus adding the virtual reality of the poetic images to the virtual, dematerialized of the synthetic imagery and writing produced by the computer. / Infopoetry is metavirtual, bringing with it the difficult reading of the non obvious." E. M. DE MELO E CASTRO, in  "FINITOS   MAIS INFINITOS"  (Lisboa: Hugin Editores, 1996). De onde extraímos o seguinte exemplo

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CASTRO, E. M. de Melo eQuatro cantos do caos.  São Paulo: 2009.   20 p. (Selo Demônio Negro)   13x19 cm.  Capa em papel artesanal de fibras de sisal e bananeira  Tiragem: 100 exs.  “ E. M. de Melo e Castro “ Ex. 026 na bibl. Antonio Miranda.

 

SEGUNDO CANTO DO CAOS

 

e por isso que somos os segundos

nesta segundidade dilatada de seguros

nos segredos dos sempre dilatados

 

conjuntos fragmentados eis como

sendo um discurso disfarçado do

medo refarçado do estrídulo

 

correr por neves quentes na anterior

angústia de rever o visto como isto

dos braços amoutados de montes

 

ou outra sempre subsequente ária

requentada de sons cerúleos e sequentes

meloria na melodia melhorada deste

 

segundo dia de caos imentalmente ignoto

como se como estes forem os sumários

distantes argumentos da vida retinida

 

numa retina tida como precisa e bela

quando nunca se esgueira a sombra

da poeira do pó e da sequela tonta

 

a iluiminaçao da luz fundida para dentro

como que para fora da destituída hora

em que só ver não via os segundos caírem

 

nem as mãos maiores que os pés mas

os avanços sinestésicos incluem uma vaga

sensação de nunca visto isto e aquilo

 

é como assim que nada se define

pela cor dos submersos influentes

antes sobram os dedos manigantes

 

em toda a construção intensa outra

que lentamente ergue-se de si tonta

e ferente com o fogo logo inceso e tanto

 

da labareda frente de sonhar intensos tensos

vinagres de sobro a tempo e vento istos

de auroras e de luzes tensas apagadas

 

logo perdidas logo descontadas nas dobras

moveis substancias desdobradas onde

se para dentro ou fora ou cima ou dentro

 

tudo no larborinto fosse um foço de antro

ou entro no que sai de dentro da caverna

e tempros desmenbrarda relembrada

 

sombras de erros pelos dertos astros

reinflectidos no reflrexo ausente em

todras as partres fixas artes artes

 



Comentário de Jayro Luna

(Doutor em Literatura Portuguesa, USP)

 

Em Portugal, a poesia concreta também prosperou, e embora seja tributária inicialmente dos experimentos inovadores do grupo Noigandres, logo tratou de seguir caminho próprio, associando características com a herança cultural e literária portuguesa (Barroco, Futurismo, Surrealismo) que acabaram por configurar não só um paideuma caracteristico, mas elementos estruturais diferentes da produção brasileira, dando como resultado uma poesia concreta singular.

 

Tal fato se deve em parte ao desenvolvimento da chamada poesia experimental portuguesa, que já nos primeiros anos da década de 60 encontrava uma preocupação formal que aEbriria o campo para a simbiose com o Concretismo vindo de além mar.

 

No caso da utilização de elementos estatístico-probabilisticos na poesia concreta portuguesa, tomemos como exemplo um poema de E.M. de MeIo e Castro, "Soneto Soma 14X", do livro Poligonia do Soneto, 1963.

É um soneto que se insere naqueles que farão a crítica do soneto como forma poética.

O soneto "Soma 14X" é composto de números e, nesse sentido, conhecendo algumas da regras compositivas do soneto, e observando, que no caso deste poema, a soma dos números de um verso devam totalizar 14, é possível subtrair-se alguns versos c pedir a alguém que complete os versos faltantes, num raro exercício de análise matemática da forma.

O soneto em questão, apresenta rimas numéricas, assim, no caso da reconstituição é possível, sabendo-se com qual determinado verso rima, já saber de antemão qual o último dos cinco números que compõem o verso. Os outros quatro números do verso, resultaram de uma soma baseada no fato do total do verso dar 14, e de que não há um só verso repetido neste soneto. Observe-se ainda, que o último verso deste soneto, o verso "chave de ouro" dá soma 28 (duas vezes 14), como que a querer dizer que é um verso que vale mais do que os outros.

Numericamente, portanto, é possível neste nosso exercício de reconstrução produzir variantes do soneto, mas que funcionalmente, exerceram o mesmo papel desempenhado pelo original de Meio e Castro, que crítica justamente a forma padrão para o fazer poético.

Cabe observar ainda, que se retirássemos não um verso, mas somente um número de cada verso, a possibilidade de reconstrução integral do soneto em relação ao original, seria de 100%

 

Extraído de LUNA, Jayro.  Caderno de Anotações. Belo Horizonte/São Paulo: Signos/Editora Oporetuno, 2005. p. 74-75


 

Na visão do autor E. M. DE MELO E DCASTRO:  “Aqui o poema tende, de fato, a ser um objeto que a si próprio se mostra. Estabelece-se assim uma ligação direta com a poesia visual  e concreta, em que a substantivação de todos os seus elementos é total. Melhor: existe uma sintaxe espacial em que os elementos constitutivos do poema se articulam no espaço pelas suas posições relativas na página, como objetos formando um edifício. Por isso através da substantivação e coisificação se passa simultaneamente ao plano estrutural da experiência humana e ao campo visual e objetivo da informação e ainda ao pode sintético das escritas ideogramáticas. Assim num poema concreto, um reduzido número de palavras o até uma só palavra, decomposta nos seus elementos de formação, sílabas, fonemas, letras, pode adquirir uma ressonância sugestiva de tipo sinestésico imediato, muito diferente do que a linguagem descritiva conseguiria alcançar.”

In> MELO E CASTRO, E. M. de. O Próprio Poético.  São Paulo: Quiron, 1973.   p.67

 

“Padrões de interferência: efeitos cinéticos interativos obtidos por sobreposições sucessivas de elementos sígnicos. A sobreposição de textos como princípio de abstração resultando em imagens não necessariamente verbais (literais) de geometria variável, propondo diferentes possibilidades de leitura: a ilegibilidade como leitura visual-visual. No mesmo passo as interferências podem abrir lapsos de legibilidade literal aleatórios, de sentidos inesperados (?). Signos verbais se potenciam outros.”

 

“Estamos perante a desleitura nas suas infinitas formas por sobreposição e interferência sígnica, criptovisual e talvez mesmo subliminar, abrindo-se para os transentidos. A ilegibilidade que aqui se escreve não é efetivamente nem do texto nem do leitor, mas sim de ambos, interativando a opaci(vi)dade de um com a negolucidez do outro. Não existe a ilegibilidade do sentido porque ele sempre se lê em todos os sinais (não há sinais inocentes) mas sim a constante variabilidade e oscilação entre sentido literal, sentido metafórico, sentido visual-visual e transentido, tendendo para o tanszero da mensagem: transliteralidade da desleitura, para o próprio poético.”

 

 

“Os poemas resultam portanto da interação de três elementos: o indivíduo operador, o hardware e o software, interação sem a qual estes poemas não seriam possíveis. Se a noção convencional de autor é assim relativizada, deve salientar-se que é do autor que depende a condução e intencionalidade do processo criativo, tal como a aceitação ou recusa crítica dos resultados obtidos.”

 

A tentação da pergunta — mas afinal onde fica o eu do poeta? deve responder-se — fica onde sempre esteve, isto e, no eu do poeta. Mas agora esse eu se encontra potenciado pela sinergia com a máquina, o que vai marcar não só a dinâmica do processo criativo como as características estéticas das imagens assim obtidas.”

 

E. M. DE MELO E CASTRO

   em ALGORITMOS infopoemas 1998

São Paulo: Musa Editora, 1998. 

 

 



CASTRO, E. M. de Melo eO caminho do leve.  The way to lightnessPorto: Museu Serralves – Museu de Arte Contemporânea, 2006. Catálogo da exposição: 10 de Fevereiro de a 30 de Abril de 2006.  Ilus col.  22x31 cm. 

Fragmentos de uma entrevista concedida por E. M. de Melo e Castro, em maio de 2001, a Jorge Luiz Antonio que está no Catálogo às páginas 219 a 228, e na versão em inglês de 229 a 237. 

“Mas, de fato, a minha atitude criativa, minha atitude mental, emocional, se quiserem, é exatamente a mesma: eu tanto escrevo um soneto como faço um videopoema, ou faço, digamos um storyboard para um videopoema: é uma criação, se quisermos dizer, textual que, para o meu sistema de produção, não tem diferenças. Evidentemente que os meios de trabalho são diferentes, mas eu me refiro à atitude mesma.”  (...) Eu insisto na palavra “poema”, justamente porque todo este processo, para mim, é um complexo processo de poiésis, no sentido grego mais rigoroso, isto é, o de fazer aquilo que ainda não foi feito.”

(...)”Não abdico da palavra “arte”, não abdico da palavra “artista”, nem abdico da palavra “poema”. Mas, simplesmente, talvez se possa dizer, um tanto ironicamente, que eu seja um artista “turbinado” (...)” (,,,) “Mas, entretanto, é necessário redefinir a palavra “arte”, redefinir a palavra “artista”, redefinir a palavra “poema” porque hoje o que está em jogo nessa produção dita criativa ou inventiva é realimente uma provocação à própria fruição estética.” p. 219

“Bom, a passagem da poesia visual gráfica, jogada no papel, para a poesia visual que só existe nas telas das máquinas informáticas é uma passagem, digamos, drástica, porque se passa do peso do peso do átomo do papel e do átomo da tinta e até do peso dos instrumentos escreventes, digamos assim, para a virtualidade dos bits e a virtualidade dos pixels, ou seja, passamos da matéria para a energia e isso dá uma transformação radical, de fato.”  (...) “E se me perguntar especificamente quais são os elementos gramáticos, digamos assim, que são diferentes do trabalho de Mallarmé e mesmo da poesia concreta ortodoxa, isto é, quais os elementos de diferenciação da infopoesia, da videopoesia ou da holopoesia, direi que agora estamos a trabalhar com o movimento e a própria transformação das formas, e por isso dos significados, em dimensões que podem ser até fractais.” (...) “Como o Jorge Luiz Antonio se referiu, num de seus textos, estamos talvez perante um gênero novo. E deverá ou não deverá continuar a chamar-se poesia? Bem, eu acho que sim (...)”  p. 220.

 

Uma das peças desdobráveis contidas na caixa ”OBJECTA” (1061-1968) com “poemas cinéticos” / “kinetic poems”.


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