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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


REGIS BONVICINO


Bonvicino was born in Sao Paulo (1955), where he has remained to become a central figure in Brazilian poetics. He graduated frorn law school in 1978, and

works as a judge. But his major energies are devoted to poetry, as a translator—of Oliverio Girondo, Jules La Forge, and several American poets including Michael Palmer, Douglas Messerli, and Robert Creeley—as an editor and poet.

 

 

Não Nada

 

Não nada ainda do outro

semelhante ainda ao mesmo

mínimo ainda o outro

ele mesmo não ainda outro

de um mesmo morto outro

insulado em seu corpo

 

Vincos do mesmo ainda

no íntimo do outro tampouco

cicatrizes unem

tatuagens dissipam

antenas clavadas, em tinta

cacos do outro estilhaços do outro

Uma borboleta fixa encobre

cicatrizes num corpo

 

         (from Outros Poemas, 1993)

 

 

NoNothing

 

No nothing still the other

similar still to the same

minimal still the other

he himself not yet the other

of the same dead another

secluded in his body

 

Traces still of the same

deep inside the other not yet

scars link

tattoos dissipate

bludgeoned antennas, in ink

shards of the other splinters of the other

 

A stilled butterfly screens

scars on a body

 

—Translated from the Portuguese by Regina Alfa

revised by Dana Stevens

 

========================================================================

Quadrado

 

(para Bruna)

 

Uma formiga

picando nuvens

formigas traçam

 

trilhas quadradas

enquanto brancas

nuvens passam

 

o pôr-do-sol

e as girafas

de quatro em quatro

 

         (from Ossos de Borboleta, 1996)

 

Quadrate

 

(to Bruna)

 

One ant

cropping clouds

ants trace

 

quadrate paths

while white

clouds pass

 

the sunset

giraffes

four by four

 

Translated from the Portuguese by

revisions by Robert Creeley

 

================================================================================

Onde

 

Onde eu escrevo

há o ruído

do lixo da cidade depois

de recolhido

sendo triturado

 

ha um abajur

uma cômoda

com espelho

e uma cama

desarrumada

 

o outono está próximo

a janela fechada

 

um cansaço súbito

toma conta das palavras.

 

NYC/29 Set/1994

(from Ossos de Borboleta, 1996)

 

 

Where

 

Where I write

there's the noise

of the city garbage after

it's collected

being ground

 

there's a lamp

a chest of drawers

with a mirror

and a bed

unmade

 

autumn is near

the window closed

 

a sudden fatigue

takes charge ofthe words.

 

NYC/Sept 29 /i994

—Translatedfrom the Portuguese by John Milton

 

 

 

Seleção de poemas publicados originalmente em:

NOTHING THE SUN COULD NOT EXPLAIN: 20 CONTEMPORARY BRAZILIAN POETS, edited by Régis Bonvicino, Michael Palmer and Nelson Ascher. In> THE PIPE – ANTHOLOGY OF WORLD POETRY OF THE 20TH CENTURY.  Vol. 3.  Los Angels, USA: Green Integer, 2003.

Edição com o apoio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e do Consulado Geral do Brasil em San Francisco, California, USA 



ENCOUNTRARIES: 6 poetas brasileiros: 6 Brazilian poets.  Nelson Ascher et al. Projeto e coordenação editorial Josely Viana Baptista, projeto gráfico e desenhos Francisco Faria, versões dos poemas para o inglês Regina Alfarano et al. Curitiba: Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba/ FCC; Associação Cultural Avelino Vieira / Bamerindus, 1995.   158 p. ilus.  “ Josely Viana Baptista “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

Às vezes

(depois de La Fontaine)

 

Às vezes burro

chifre carniça

mosca no corpo

raposa inútil

 

Às vezes corvo

falcão e águia
pavão serpente
pupilas foscas

 

Às vezes lobo
cão e cobiça
o rato mudo
e rosna lorpa

 

Deus e as abelhas
às vezes flores
unhas e dentes l
agoa seca

 

          Quem quer a voz?
          cão sem orelhas
          rã sem orelhas
          rato à Van Gogh

 

                    02-04-95
                        (inédito)

 

 

Sometimes

(after La Fontaine)

 

Sometimes donkey
carrion, horn
fly on the body
useless fox

 

Sometimes crow
falcon, eagle
peacock-snake
glazed pupils

 

Sometimes wolf
dog and greed
mute rat
idiot growl

 

God and bees
sometimes flowers
nails and teeth
a dry lake

 

Who wants the voice?
an earless dog
an earless frog
rat à la Van Gogh

 

               (manuscript
               Translated by Regina Alfarano
              
revised by Dona Stevens)

 

 

            Entre

 

          Entre motores
          e ruídos
          (pio
          dissonante

 

          e seco
          estilhaço)
          o voo do pássaro
          cria

         

          uma hipótese
          de espaço

 

 

                    Among

 

                    Among motors
                    and noises
                    (dry
                    chirp

 

                    and dissonante
                    splinter)
                    the bird’s flight
                    creates

 

                    a new hypothesis
                    of space

 

                              (manuscript)
                                   Translated by Dona Stevens

 

 

Março, no.  2

          (depois de Creeley)

 

No rápido
pôr-do-sol
janela

 

primeira
luz da noite
indistintas

 

árvores
prédios
e o verão

 

          alguém
          dobrando
          a esquina

 

 

                    March, n. 2

                         (after Creeley)
                   

                    In the quick
                    sunset
                    window

 

                    first
                    light of night
                    insdistinct

 

                    trees
                    buiildings
                    and summer

 

                    someone
                    turns
                    a corner

 

                                   (manuscript)

                                   Translated by Dona Stevens

 

 

 

Sombras cúmplices

Sombras cúmplices

silêncio

seres

na cerimónia fúnebre.

 

Obscuro infortúnio
do dia-a-dia:
extinto o corpo,
uma alma se inicia.

 

E a vida persevera
|em sol,

em sol e miséria.
Exéquias

 

Uma nuvem no céu
segue-as.

            (Outros poemas, 1993)

 

Accomplice shadows

Accomplice shadows
silence
beings
at the funeral.

Obscure misfortune
of day-to-day:
the body extinct,
a soul begins.

Life perseveres
through sun,
sun and misery.
Obsequies.

 

A cloud in the sky
like this.


         
Translated by Regina Alfarano

 

 

Olhar de dentro

Olhar de dentro,
tocar de dentro —
só, em si mesmo,
onde em silêncio
adentro,

onde os de fora,

avessos,

me concentro

de estar

dentro

 

que se concentra

numa rajada

de vento

mas está dentro

do dentro —

às vezes, monumento

 

os dos outros e os meus
de fora

com eles entro —
cabelos de dentro,
 unhas de dentro —
miragem-fragmento
de peitos
dentro,

e o de fora me desconcentra

dentro do dentro —

ainda pouco

íntimo para um dentro —

subcutâneo

mas não aonde não mais veias,
onde apenas além âmago

 

dentro sem aparências —
dentro,

por um momento,
extremidades
do dentro

 

          (Outros poemas, 1993)

 

 

Inner look

Inner look,
inner touch —
alone, in itself,
in silence
I go inside,
the outsiders
inside out
|
I concentrate
from being
inside

 

concentrated
in a gust
of wind
the inside

sometimes, a monument

 

other’s and mine
from the outside
with them I go inside —

hair from the inside,
nails from the inside —

niirage-fragment
of breasts
inside,
the outside distracts me
from the inner inside —
still less
than intimate, for inside —
subcutaneous
but not towards where veins end,
where there is only marrow

 

an inside without semblances —
inside,
for one moment
extremities
of the inside

 

          Translated by Regina Alfarano
            (revised by Dona Stevens)

 

 

O tempo

 

O tempo foi de encontro
ao galho da quaresmeira
podre, no chão,
depois da chuva

Folhas murchas
de outra árvore
encurvadas pelo calor
como mãos fechadas

 

Menos vivas,

agora, as cores da estrelítzia

 

O portão da casa,

não lembra seu primeiro dia

 

Um buraco
exauriu

um pedaço de asfalto

O vermelho,

do automóvel na esquina

Os azuis em tons,

na fachada do edifício,

quase invisíveis

Grafites coloridos nos muros,
tampouco

poupados pelo tempo,
tornaram-se ilegíveis

 

          (Outros poemas, 1993)

 

 

 

Time

Time struck

the branch of a glorybush
rotten, on the ground
after the rain

Withered leaves
from another tree
hent from the heat
like closed fists

Less live

now, the colors of the hird-of-paradise

The gate to the house,

not a reminder of the first day

A hole

has exhausted part of the asphalt

The red

of the car on the corner

The blues in shades,
on the huilding façade,
almost invisible

Colored graffiti on the walls,
also unspared by time,
have become illegible

          Translated by Regina Alfarano
            (revised by Dona Stevens)


Dentro

                   (para Michael Palmer)

 

Dentro do túnel
no muro
lapso, térebra?
"vatos locos

 

tamos cheios
de merda"
enquanto lodo
se acelera

 

novos ocos
ante o
céu
pedras

 

Inside

       (for Michael Palmer)


Inside the tunnel
on the wall
a lapse, a drill?
“cra-Z bards


we be full
of shit”
while slime
speed up


new hollows
faciang
the sky
stones

                                   (manuscript)

                                   Translated by Dona Stevens

 

 

Outras palavras do por-do-sol

 

O sol se põe
como quem
o sol se põe
como se não

 

girasse
(a terra)

 

entre pontas côncavas de terra

o sol se compõe

como quem

soletra

estrelas

 

o sol se sobrepõe:
noitessol e sal,
aqui

entre pontas agora convexas
(súbito mergulho da gaivota)
o sol se recompõe
como quem
pesca

 

          (33 poemas, 1990)

 

 

Other words for a sunset

 

The sun sets
like someone who
the sun sets
as if it did not

 

turn (s)
(the earth)

 

between the concave-edges of the earth

the sun settles

like someone

who spells

stars

 

the sun oversets:
nightsun and salt,
here

hetween now-convex edges
(sudden dive of the seagull)
the sun resettles
like someone
fishing

Translated by Regina Alfarano
            (revised by Dona Stevens)

 

Página publicada em novembro de 2009; ampliada e republicada em fevereiro ded 2016

 

 

 

 
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