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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


MEU PRIMEIRO AMOR

MEU PRIMEIRO AMOR

Poema de Antonio Miranda

Foto de Carmen Fulle

A vida que se espera em fim de tudo”
                                   Basílio da Gama (1601)

 

1.
Um corpo ereto, excitado,
na revelação de sua plenitude,
pela primeira vez.
Na puberdade, um susto!

Corpo a corpo, cobrindo-se,
descobrindo-se, brindando-se,
despindo-se: temor, tremor.

Armas ensarilhadas,
virilhas em chamas
— proclamas de amor,
precipitadas;
— fereza da ira, ternura e beleza,
ímpeto.

Acossado, assustado:
arde nas entranhas,
estranhas emoções.

Cego desejo que se nega e renega,
sem remissão nem culpa, engano;
fingimento. Justo quanto belo,
ser-sendo.

Que nome tinha aquele amor de momento?
Aquele encantamento furtivo!

2.
            Como Rinaldo, no “Orlando Innamorato”
(sec. XVI) do conde Matteo Boiardo,
sempre fugi de quem me amava,
só amava quem fugia de mim.

O amor tem faces e disfarces
cruéis.

Amava-se, mas nem era amor.
Fulgor, estertor. Talvez, prazer
e dor, mas tão intenso! Tão forte,
definitivo em sua fatuidade.

Princípio-fim, perquirição: a sorte,
“um golpe de dados não abolirá o azar”.
Fatalidade.

3.
Por que as pessoas se emparelham?
Mas continuam sós. Quanta renúncia!
Que as atrai, que as separa?

Espelho em que outros se vêem
(mas estamos ocultos).

Meu primeiro amor,
rumino e revivo:
é a mente que inflama o corpo,
é o corpo que envilece a mente?
Mas, a certeza
de ser útil pelo prazer.

 

 

Arte gráfica: Edson Guedes de Moraes
– Editora Guararapes – PE - 2016

 

ANTONIO MIRANDA LÊ OS POEMAS
“METAPOEMA” E “MEU PRIMEIRO AMOR” EM SARAU

 

 

 

Página publicada em novembro de 2008

COMENTÁRIO:

 

Bela leitura, jovial ,inteligente,intrigante, ars
AFFONSO ROMANO DE SANT´ANNA – Rio de Janeiro, 19/03/2012

 

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Caro Antonio,

Já me deliciei com a audição de seus poemas no YOUTUBE. 

Seu comentário sobre a originalidade da poesia me parece perfeito.

Lembrei-me de Fernando Pessoa com o seu célebre e aplaudido verso "Navegar é preciso", que, na verdade, não é dele.

Foi dito por um general romano, antes de Cristo. Seus soldados deveriam levantar âncoras no meio de uma tempestade devastadora.

Os legionários em pânico. E como era uma questão de vida ou morte, ou de apoio decisivo a outra legião romana em combate,

o general apenas disse: "Navegar é preciso. Viver não é preciso".

Muito lúcido, Antonio, o seu pensamento sobre a metalinguagem. Penso de igual forma.

E o "Meu primeiro amor", de tocante beleza e de alcance universal.

Parabéns por sua performance no YOUTUBE e pela qualidade dos poemas declamados.

DARCY DENÓFRIO – Goiânia, 17/03/2012

“ Julia Kristeva em sua Introdução à semanálise.

Existe aí uma teorização sobre "o nosso discurso" que acaba não sendo só nosso, ou tão original quanto pensamos.

Exatamente essa questão da originalidade da criação de que você fala com muito discernimento.”  DARCY FRANÇA DENÓFRIO,  20/03/2012

 

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O titulo “Meu primeiro amor” em sua aparente simplicidade faz um flash back existencial muito poderoso. Olha... a estrofe :

“Amava-se, mas nem era amor.

Fulgor, estertor. Talvez, prazer

e dor, mas tão intenso! Tão forte,

definitivo em sua fatuidade.”

Passa a ser para mim uma das mais marcantes da poesia brasileira; densa , concisa, traz uma aula de psicologia em imagens. Aliás, o poema todo. SYLVIA CYNTRÃO- Departamento de Teoria Literária, Universidade de Brasilia, 20/12/2008

 

"Hermoso escucharte, verte, casi en mi casa, una mañana del verano que no se vá , que no quiere irse, aquí en Lima, hoy que trabajo con furor como tu en tu poesía, mi país nunca será feliz, ¿puede ser feliz un país? no sé, pero tú nos enseñaste un camino, hacer todo como si fuese la úiltima vez o como si fuese para siempre, gracias querido Antonio....."  MARIO DELGADO, fundador y director del grupo de teatro CUATRO TABLAS, do Peru, Lima, 15/02/2012

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Quando você falou do subconscinte (backup), me lembrei do meu poema Enigma. Recebi de um poeta friburguense, Irapuan Guimarães, o livro Rituais, de sua autoria. Numa madruga, acordei com esses versos na cabeça: 

ENIGMA 

"Moro dentro
de mim",
numa rua
sem saída;
e nela
habita também
a esperança
e o fim
da vida. 

Autor: Paulo Reis
Nova Friburgo-RJ, 16/10/2006 - 01:09h

Mas parecia que havia lido o verso "Moro dentro / de mim" em algum lugar. Então, preocupado em não plagiar, por respeito a autoria, comecei a procurar de madrugada pelo tal verso. Aí, encontrei em Rituais, o poema “Arquitetura”, que gosto muito: 

ARQUITETURA 

(Irapuan Guimarães) 

Tenho dentro, a casa
Onde me divido, me reparto
Sei que fiz do coração, o quarto
Onde residem as coisas afins
 

Do mais não sei
Moro dentro de mim.

Abraços
Paulo Reis
Nova Friburgo-RJ – 18/03/2012

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Caro poeta e amigo Antônio Miranda, 

parabéns pela leitura dos poemas  no projeto de Anand Rao.

Suas palavras são clara expressão 

da aliança sanguínea que mantém com a poesia.

Gostei da ideia do backup. A poesia que descobrimos, você tem razão,

mora na memória.

É herança de todos os passos e de todas as vozes, de todos os milagres

que revelam o mundo. 

Um abraço.  
AIDENOR AIRES,  19;03/2012

 



 

 

 
 
 
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