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Os candangos

 

  Poema de Antonio Miranda

Fotografia de Radilson Carlos*

 

Homens-árvores

enraizando

na terra vermelha

de sangue e sol

 

como cactos

araucárias

seringueiras

do norte, do sul

brotando, vicejando

no Núcleo Bandeirante

na Vila Planalto

nas cidades-satélites

nas quadras,

invasões.

 

Guerreiros

de Ceschiatti

na Praça dos Três Poderes

nos alojamentos das construtoras:

profetas mestiços

de Bruno Giorgi

no bronze votivo

da Catedral.

Tenazes,

curtidos.

 

*

 

Na cidade-invenção

que construíram

que os consumiu.

 

*

 

Paisagem já memória

carcomida

recriada

como a floração de habenárias,

como as canelas-de-ema

(candelabros)

que atestam a origem da terra,

que exaltam florindo,

anteriores à devastação.

 

Mármores oxidados,

metais azinhavrados,

com as impressões

de heróis-candangos

marias josés severinos

empilhados em barracões

apinhados em paus-de-arara

no êxodo da pátria

em construção.

 

Agora una fotografia

em preto-e-branco.

 

Mas ainda pulsa

ainda lateja

na alma escarificada

sob a pele estratificada

na memória

da poeira depositada

sobre sonhos e projetos

de vida.

 

Um canteiro de obras

com hortaliças transplantadas

em estufas hidropônicas.

 

Sertanejos urbanizados

fotógrafos mambembes

missionários

caminhoneiros de estradas

infindáveis

consolidando relações

demarcando aproximações

– migrações intercelulares.

 

Quando o Brasil se viu

pela primeira vez

de corpo inteiro.

De dentro,

do centro para as beiradas marinhas

e fronteiras ignotas, ignaras.

 

Cerne.

 

Constelações humanas

numa rede de fábulas, cantares,

esperanças, promessas,

futurismo.

 

Urbanismo

centrifugado, como brita e calcário,

como cimento armado,

pensamentos,

juramentos,

ecumenismo.

 

Linhas paralelas,

trilhos, betoneiras, guindastes,

estandartes, baluartes,

figas-de-guiné.

 

Poeira e lama.

 

Auriflama.


* Vejam a página do fotógrafo Radilson Carlos e seu projeto de livro:
 http://www.brasiliaem3x4.com.br/


 


 

 

 
 
 
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