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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 






ANTEPASTO


Poema de Antonio Miranda

Ilus. José Campos Biscardi


Tudo o que o Poeta escreve
está resumido
numa única palavra: Solidão.

 

Escrever é distanciar-se do mundo

para poder entendê-lo

é uma forma de morrer.

 

Viver é outra coisa

ainda que alienada.

 

Eu trocaria mil rimas

por uma noite de amor.

 

E trocaria um belo poema

sobre a fome

por um singelo prato de comida.

 

 

 

 

Arte gráfica: Edson Guedes de Moraes
– Editora Guararapes – PE - 2016



 

 

“O título reporta-se à alimentação, especificamente, à entrada que é anterior ao prato principal. É uma comida que vem antes para abrir o apetite, um gosto prévio que provoca a degustação imediata do prato. O título dialoga com o que é sugerido pelo último terceto. O singelo prato de comida é referente anafórico do signo antepasto. Princípio e fim interligam-se dando um efeito cíclico à mensagem do poema, sugerindo, com isso, uma ação alimentar ininterrupta. Daí entendermos que o antepasto, neste texto, é o prato principal, evocando alimento no lugar de poesia. É possível também deduzirmos que centralização dos versos na página não apenas coloca o poema no meio, mas também o núcleo da discussão — o antepasto que está graficamente centralizado, com letras maiúsculas e em negrito. Reportamo-nos ainda à forma, vemos que um poema formado por três tercetos e dois dísticos é um texto pequeno e isso interage com o tamanho da quantidade servida na entrada que é menor que o prato principal. Conteúdo e forma fundem-se proporcionando não somente o isomorfismo, mas a ação sígnica interagida pelos mencionados signos. Ambos aproximam-se por suas dimensões.

 

Estas são algumas das possibilidades da dinamicidade sígnica despertadas por um poema mirandiano e ela estende-se pelo texto como um todo. A primeira estrofe é introduzida por uma sequência de elementos indexicais endofóricos, o pronome indefinido “tudo”, o demonstrativo “o” e o relativo “que”. O primeiro relaciona-se sintaticamente e cataforicamente com os segundo e terceiro versos e o mesmo sintetiza toda a ideia contida na oração subordinada adjetiva “o que o Poeta escreve”. Os índices citados, necessariamente, determinam e orientam o leitor a prender-se ao signo que está sendo indicado o Poeta, que se encontra com a inicial maiúscula par realçar a palavra a qual já estava bastante sinalizada. A estrofe é finalizada pela iconicidade metafórica da palavra “Solidão” pelo fato de ter sido posta em similaridade com a escritura do poeta. A presença da palavra poeta já nos remete à natureza metapoética do texto, pois este artista discute sobre si.  Na segunda instância, a voz poética, novamente por metáfora, justifica que “escrever é distanciar-se do mundo”, “para poder entende-lo”, ou seja, “é uma forma de morrer”. Destacamos dessa fala que este isolamento não significa ignorar o contexto sob o qual o mundo se encontra, como pregava a estética do Parnasianismo, mas afastar-se para analisar suas ações ante a pluralidade sociopolítica e econômica que envolve sua existência.

 

O eu enunciador amplia suas explicações construindo uma antítese ao expor que escrever é morrer e “viver é outra coisa”. Aquele que se reporta ao isolamento e este sugere pelas entrelinhas uma coletividade maior. As duas últimas estrofes vêm praticamente materializar este nosso entendimento, quando o eu assevera que “trocaria mil rimas”, “por uma noite de amor”. A primeira proposição sígnica, ou na linguagem peirceana decissigno, reportar-se-á à condição de enclausuramento e a segunda à de interação e intimidade com o outro. A antítese gerada entre os numerais “mil” e “uma” demonstra quão prazeroso e mais valoroso é estar em companhia do que estar sozinho. Além disso, essa substituição explora uma das mais importantes características da antipoesia — a literatura de negação. Repelir o individual em nome do social; o abstrato pelo concreto; principalmente, o texto literário pelo objeto de que este poderia tratar. Na última instância, essa ideia é intensificada quando a voz poética afirma: “trocaria um belo poema”, “sobre a fome”, “por um singelo prato de comida.” Estes versos consubstanciam metapoesia e antipoesia, devido, respectivamente, à autorreferencialidade do poema falar de si próprio e de ele se autonegar. Estruturas estas assaz recorrentes na poética mirandiana.”

 

In: DIAS JUNIOR, Valter Gomes. A poesia de Antonio Miranda e suas intersemioses. João Pessoa, PB: Universidade Federal da Paraíba, Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Departamento de Pós-graduação em Letras, 2014.  268 p. Tese de doutorado defendida com Louvor.  (p. 207-208)

 

 

 

Marcador de livro, impresso como cortesia pela
Editora Guararapes,
de Edson Guedes de Morais, em 2015.

 

 

 


 


 

Arte gráfica: Edson Guedes de Moraes
– Editora Guararapes – PE - 2016

 


 



 

 

 
 
 
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