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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

RONALDSON

 

JOSÉ RONALDSON SOUSA, nasceu em Aracaju (SE), aos 19 de novembro de 67.

Participante de algumas antologias locais. Além de poesia, estende suas atividades ao desenho, a música e ao humor.

Vencedor  do 1º. Lugar do IV Concurso Municipal de Poesia  1989.

 

 

 

ANTOLOGIA CONTOS E POESIAS 1989  Coord. Edição Liara Vieira.   Aracaju:  Prefeitura Municipal de Aracaju – Secretaria Municipal de Cultura, Departamento de Difusão e Intercâmbio Cultural, Divisão de Assuntos Literários, Oficina Literária, 1989.  66 p.   12,5 x 22 cm.  
Ex. bibl., Antonio Miranda, doação do livreiro José Jorge Leite de Brito.

 

        IV CONCURSO MUNICIPAL DE POESIAS.

 

 

 ALFOMBRA CASTIGADA

 

       I

No princípio
(meu início muscular
de escrever est)
já principiado
pronto misturado
nos descaminhos
de memóricas visões
era o descampado fosco
e
nenhum gosto na vida
na luz pálida que me consumia
então
o ferro
cravado na carne anêmica:
a palidez entranhada
sob
o açoite selvagem
gume agreste
violentando essa urdidura estéril
dolente rasgando a terra-futuro pão
porque a vida precisa
porque a vida rebenta
porque a vida presa
ou
não digerida
se aniquila
e não rutila
como este prado plácido
que a palavra movimenta e
se inicia
pousada, grave
a lâmina metálica
agride em sua placidez
como câncer
— chega silente instalada
prestes a explodir
neste mar de cal
ilha
que deflora cintilante sua anemia
em dor do desterro da comoção
necessário ao parto
ao engendramento
que me faço e dirijo.
Ah sangrenta dor de palavra
hemorrágica sob a noite
) intempérie
verdadeira e crua (
noite posta sobre meu corpo  (e)
página
diluindo-se: cor do desespero
ah denso relvado
a habitar-se
colonizar-se de canção ácida
relevo de minha andança ardil
sob uma criação revelada
que se revela
dentro e fora da página
num mesmo mundo
misturam-se coração e olhos de
poeta
árido mundo de sobressaltos
na realidade e nas palavras.
palavra
quanta força sua carne revela
às vezes obscura
às vezes clara e pura
diz o inefável
— canção maquinal que escorre
delirando
em enzima bela pelas paredes
da encantação.
Parte do meu mosaico corpo
este de tinta, celulose e dura
lembrança
engendrando esta lavra
de céu esparso e ilusão plena
diante do soturno e do insólito:
o d
e
s
m
a
i
o vertical na página ou
meu êxtase num
— —    —
—    —       —

                    voo

        desvairado-este canto
onde a solidão
e sua asa de vinagre
vomita versos
imponde sua flor de carne viva.


II

tudo nesta hora
é pânico
abis
mo armado rondando
na espreita do possível choro
do possível desencanto
local onde o peito do poeta
se dá como um descampado
vasto para a agonia pastar
chão firme no pouso
da fera arredia
após o salto
ou a desgraça que sobrepassa
as casas telhados
e aloja-se na canção
esquerda,
batendo
esta canção
tanto açucena
quanto excremento
verde
ou cinzento
pluma
ou cimento
rosa
ou sargento
lume
ou sofrimento...
ah perplexa praia
propícia e cúmplice
ao momentâneo desterro
que o mar de tão salgado
apenas salga
e invade meu corpo claro
que pode facilmente diluir-se
sob esse dia que chora
lavando levando rastros
de busca e desencontro
esquecidos
sob luas e neon
ah    dia
feito à margem da rotina
) trágico e inesperado (
ninho dos gestos
dos passos
dos risos
dos versos ainda por
fazer
ainda na porfia suicida
nesta em que me ponho
em busca do pão de palavras
mas que ainda
é algo latente-vesgo
sob monturos (?)
locais es(em)tranhados
dormindo rosnando
com seu focinho trágico
de enigma e ceticismo.
Indecifrável,
´                   esta hemorragia
ainda mistério e
aparição
brota como musgo
silencioso
na prontidão cansada dos
muros
é  algo  sob  um  monturo
úmido
à meia luz
uma begônia vicejante
algo explosivo
rebentando no jardim
uma nova grama
como rebenta o fim de outra
(nada finda por findar)
no pasto
na boca do boi,
trabalhando:
saliva e muco
mós de cal — seus
dentes
uma flora oculta
entre relâmpagos
vermelhos
e escuridão:
o mastigar.
ah suicídio rompendo selvas
esta selva:
alfombra bamba
onde subversivo, busco a ordem
a orquídea das plantas.

                  III

Extático:
o que busco
nesta alfombra em crime?
neste abismo na carne?
na caliça que a criação impõe sobre
mim
— um desmoronamento de palavras
uma crina de luz...
O que traz seu lume de carne
estrelada?
em sua casa: em que casca de
olhar naufraga?
e desata  sua língua  de brasa
no meu corpo
luz que por ser tão tênue
é poderosa e nada te rasga:
existe uma luz além da própria
luz  consumida
além   da   clareza  comum  e
simples das coisas
a  que  ilumina   neste momento  de
encantação
nesta  alfombra castigada.

 

                IV 

Tudo que a vertigem
impõe inviolável
tudo que a quimera
e a possibilidade deste
engendramento
reflete
não reflete
refrata
não refrata
reveste
não reveste
impede não impede
sob o linho que me aquece
— passivo e mole —
este pulsar de bomba
este pulsar de vida
(ferida)
onde
sub-b-b-batendo violento
o poema disforme vagueia
frágil
voraz
e indecifrável:
em que verbena me iludo?
em que vinhas floresço?
em que breu me alumbro:
em que luz escureço?
e feneço num porto
espreitando a mim mesmo
— estranhado —
minha vivência horizontal
e ) sem horizontes (
esperando a morte
ou o "eu" morto...
onde a passagem pra morte?
em que vermute me encanto?
em que canção me esqueço?
em que luz me componho?
em que morte reteço?
...................................
teço este poema
— desespero que agora termino—
futura sobra de mim
casa onde a zombeteira
ri passivamente da minha
fragilidade mortal...
a poesia é uma dama de luto
usando máscara de carnaval!#

 

*

 

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Página publicada em maio de 2021


 

 

 
 
 
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