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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

Retrato do poeta por Tarsila do Amaral

 

SÉRGIO MILLIET

(1898-1966)

 

 

Sérgio Milliet da Costa e Silva nasceu em São Paulo, em 20 de setembro de 1898. Em 1913 segue para a Suiça onde prossegue seus estudos na Escola de Comércio de Gnebra e freqüenta um Curso de Ciências Econômicas e Sociais. É em Genebra que publica seus primeiros livros de poesia, em francês, e com seu nome afrancesado, Serge. Na Europa, naturalmente, tomou contato com os primeiros movimentos de renovação literária e começa o aprendizado modernista.

Voltando ao Brasil, pouco antes da “Semana de Ar te Moderna”, engajou-se no movimento, sendo mesmo um dos declamadores da noite de 15 de fevere3iro. Colaborou na primeira revista do grupo paulista posterior à Semana, Klaxon, com seus poemas em francês e, mais tarde, como crítico literário, e dos mais respeitados por seu equilíbrio, em Terra Roxa.

 

Desempenhou em São Paulo vários cargos de destaque: Diretor da Biblioteca da Faculdade de Direito, Secretário da Universidade de São Paulo, Presidente da Sociedade Paulista de Escritores, da União Brasileira de Escritores, além de membro a Academia Paulista de Escritores. Sua atividade artística não se limitou à poesia: foi também crítico literário e das artes plásticas (“um dos mais hábeis exegetas do modernismo”, no dizer de Alceu Amoroso Lima), ensaísta, ficcionista, professor e jornalista.

 

Obra poética: Par le Sentier (Genebra, 1917); En Singeant, em colaboração com Charles Reber (Genebra, 1918); Le Départ sou la Pluie  (São Paulo, 1920); L´Oeil de Boeuf (Antuérpia, 1923), Poemas Análogos (São Paulo, 1927), Poemas (São Paulo, 1937); Oh! Valsa Latejante (São Paulo, 1943); Poesias (Porto Alegre, 1946, reunindo produções de volumes anteriores), Poema do Trigésimo Dia (São Paulo, 1950); Alguns Poemas entre muitos (São Paulo, 1957).

 

Textos e Poemas extraídos da obra POETAS DO MODERNISMO, organização geral de Leodegário A. de Azevedo Filho, edição comemorativa dos 50 anos da Semana de Arte Moderna de 1922, obra em 6 volumes, editada pelo Instituto Nacional do Livro (Brasília, 1972).

 

 

TEXTOS EM INGLÊS – TEXTS IN ENGLISH

TEXTES EM FRANÇAIS

 

 

PARIS

 

         “Crepúsculos longos impressionistas

         A luz não cai

                   escorrega

         sobre os patins das nuvens

         O Sena foge

         Levando o gosto da posse”

 

LISBOA

 

         “A cidade tomou banho

         Água suja do Tejo

         A Torre de Belém

         no poente decadente

         sonha com impossíveis caravelas”

 

OBERLAND

 

         “Lagos

         Vaquinhas bem pintadas

         Neves eternas para inglês ver

         Palace Hotel”

 

HAVRE          

 

         Mastros... guindastes... armazéns

         Canção dos caminhões

         sobre os paralelepípedos anárquicos

         Apitos taciturnos... Velas ao vento

 

GENEBRA

 

         “Longe dos olhos perto do coração

         A nostalgia cresce como meu bigode”

 

NOVA YORK

 

         “Fui a Nova York

         Não de avião ou transatlântico

         Nem com ajuda de Orfeus hoje impotentes

         Fui de cinema.”

 

Comentário: Tendo estudado na Europa e tomado contato direto com os movimento europeu, Sérgio Milliet apresenta uma poesia das mais avançadas no que concerne à técnica cubo-futurista, como podermos ver (...): falta quase total de pontuação, superposição de idéias e imagens em lugar da seqüência lógica, técnica analógica, simultaneidade, versos elíticos, independentes, dando idéia de descontinuidade”. Leodegário A. de Azevedo Filho

 

 

         POEMA IX

 

         Viajante, fecha os olhos para os campos dromedário, para o espanto

                                                        emplumado dos coqueiros...

         Abre-os para dentro de tua alma!

         Porque não importa a forma da paisagem nas tão-somente o reflexo

                                                        que ela projetou dentro de ti.

         Os poetas de minha terra sonham o eterno feminino.

         Este diz que os lábios dela são como a taça do rei de Tule.

         Outro, que os seios dela cabem entre os cinco dedos da mão.

         Os poetas da minha terra cantam os choros do coração.

         Este diz que a vida inteira a mágoa brilhou em seus olhos.

         Outro, que seus desejos são orvalho ao sol da manhã.

         Outro comenta a saudade roxa com seu sabor de Fernet no fundo...

         Mas nenhum poeta da minha terra fixou

         sobre aquela gravidez esfarrapada

         um olhar apiedado.

         Nenhum condescendeu ainda em catar o rito amargo

         daquele homem vestido de oleado

         que pacientemente

         vazio

         vencido

         cata detritos pelas ruas

         oh poeta de minha terra

         abre os braços bem abertos para que venha a ti

         a voz profunda do mundo...

 

Comentário: “Não é esta a missão do poeta: o poeta dever ser o receptáculo da dor do mundo, a caixa acústica, através da qual o mundo tome consciência dessa dor (...)”  Leodegário A. de Azevedo Filho

 

 

         COVARDIA

 

         Eis o veneno, eis o punhal, que esperas?

         O horror à terra, de repente,

         o passo atrás,

         o apego ao quadro, ao livro,

         que sei mais!

         O apego à própria miséria...

 

         Há que buscar a solidão

         entrar no reino do silêncio,

         à espera,

         à espera...

 

         Mas ainda aí a nossa própria voz ecoa.

         Não queremos confissão,

         eu vos digo, porém,

         em verdade vos digo:

         existir, embora surdo,

         olhos abertos, apenas, para a vida;

         embora cego,

         ouvidos atentos aos ruídos misteriosos;

         embora mudo,

         mãos ávidas em reconhecimento;

         ainda que imóvel,

         boca e narina percebendo

         o gosto e o cheiro do mundo!

        

         Existir...

         Em que pese o absurdo!

 

 

Comentário: “Para finalizar, o poeta nos mostra que o desejo de existir é tão arraigado em nós, que desejamos qualquer partícula de vida, por menor que seja; sejamos surdos, cegos, mudos, imóveis, só tomemos conhecimento do mundo através da olfação e da gustação, importa-nos existir, apesar do absurdo que isso representa (...)”.

 

“À guisa de conclusão, podemos dizer que Sérgio Milliet é um poeta que está a merecer uma valorização crítica no conjunto. Evoluindo do parnasianismo para o modernismo, não cedeu a todas as imposições do movimento, que aliás nunca foi uniforme, procurando uma linguagem própria para sua mensagem, o que conseguiu magistralmente com sua poesia vanguardista na utilização de novas técnicas cubo-futuristas. Não se filiou a nenhuma corrente em que se fragmentou o movimento modernista brasileiro, conservando-se eqüidistante e equilibrado, o que lhe valeu o respeito de todos na crítica literária que também exerceu com brilho”.

         Leodegário A. de Azevedo Filho

 

 

From

         REVISTA DE POESIA E CRÍTICA. Ano XIV no 15 Brasília, 1990. Diretor responsável: José Jézer de Oliveira.

 

LONGITUDES DESENCONTRADAS

Ainda as praias vos pertencem, e as ondas
enquanto a minha tarde já se finda,
eis que as horas se desencontram
na vida de nossos hemisférios.

Eu envelheço mais depressa do que vós
e vincado de amarguras já estou
quando a vossa jornada principia.
Vosso prazer, para que eu o sinta,

Terá de perturbar-me o sono,
e, ainda na tarefa diurna,
não percebereis o meu.

Minha solidão e a vossa também se ampliarão
até o soluço, o desespero, a lágrima,
sem que jamais nos aproxime a coincidência.

 

 

TEXTOS EM INGLÊS – TEXTS IN ENGLISH

 

AN INTRODUCTION TO MODERN BRAZILIAN POETRY. Verse translations by Leonard S. Downes.  [São Paulo]: Clube de Poesia do Brasil, 1954.  84 p.   14x20 cm.  “ Leonard S. Downes “ Ex. Biblioteca Nacional de Brasília. 

         

POEM

The adolescent sun
bathes the rectangular fields.
The wind blows with care
lest the leaves fall.
And the frivolous stream plays
plays leap-frog with the smooth stones.
The branches of the pirtes
fan each other gently
an on the hill-sides
cherry blossom springs from black vases.

I hold this village in my open hands
but the church tower
hurts my palms
like a thorn of homesickness.

 

TEXTES EM FRANÇAIS

 

POÈMES FRANÇAIS D´ÉCRIVAINS BRÉSILIENS. Choix et notes biographiques de Luz Annibal Falcão – Président de l´Alliance Francaise de Rio.  Préface de Francis de Miomande.   Pèrigueux, France: L´Atelier de Pierre Fanlac, Près Tour de Vésone, 1967.  118 p.  14,5x19,5 cm.  Inclui poemas de autores brasileiros escritos originalmente em francês. 

 

Né en 1898 à São Paulo où il vient de mourir, Sergio Milliet da Costa e Silva, après avoir fait ses études dans sa ville natale, entre à l'Université de Genève. Ces pre¬miers ouvrages sont écrits en français : « Par le sentier » et « Le départ sous la pluie ».

En 1922, il rentre au Brésil et prend part au mou¬vement de rénovation littéraire des « modernes » de Sao Paulo. En 1923, il publie « L'œil de bœuf » à Anvers. Après deux ans de séjour à Paris, il rentre définitivement et publie de nombreux ouvrages comme « Poemas analogos » (1927), « Terminus Sêco » (1930), un roman, « Roberto » (1935), « Marcha a rè » et « Roteiro do Café » (1937), « Ensaios » et « Poemas » (1938), « Pintoras e pinturas » (1940), « Duas cartas no meu destino » (1941), « Marginalidade da pintura Mo-derna » et « A pintura norte-americana » (1943). En 1937, il avait représenté le Brésil au Congrès de Popu¬lation à Paris.

Professeur à l'Ecole Libre de Sociologie et de Politique, journaliste, traducteur de nombreux ouvra¬ges français ayant trait au Brésil, comme ceux de Jean de Lery, de J.B. Debret et de Claude d'Abbeville, il est le président de l'Association des Ecrivains Brésiliens.

Les deux poèmes que l'on va lire et dont on goûtera la saveur, figurent dans « L'œil de bœuf ».

 

 

MISERE

 

Saluons l'épicier du coin

Car toutes les platitudes sont légères

sont légères

Des amis m'offrent l'apéro

 

 

IRONIE

 

Inconsciente des bourses pleines

Qui croient qu'on dîne tous les jours

Mais je danse le soir au bar

et je tends la main au patron

et je m'intéresse à la politique internationale

et le Ministre du Japon

me prend souvent

pour le danseur de la maison

 

Je remonte le fleuve intérieur

l'eau sale se purifie

Trop encaissé

Redescendons

 

 

 

AVANT

                 APRES

 

Je crains la mort
le néant
Est-ce possible

 

Tous les moyens sont bons
Passons

 

Chambre sarcasme
Le tuyau de la pipe

devait passer
par ce trou bouché avec du papier
Egoût des escaliers

40 francs par mois
changement de décor
Il y a une alcôve où tu viens
et un chromo qui te fait sourire
Je n'aime pas que tu ouvres ta bourse

Tous les cerisiers sont en fleurs
un bruit de ferraille qui tombe
et c'est un pont et c'est
Reignier Ici finit la misère misérable

Beaucoup de jeunes filles sous les sapins
Je m'habille convenablement
Elles aiment que je leur dise l'avenir
D'après la forme et le goût
de leurs lèvres
C'est une immense comédie
Je veux écrire aussi un D. Juan
et l'abandon de Tune c'est l'abandon de toutes
Geste sec
pli des lèvres
non je n'ai pas de remords

Cette âme sœur voudrait changer

ma destinée
me simplifier
Bah ! je connais toutes les ficelles

  

 

ICI J'AI REVU L'ESCALIER QUI MONTAIT TUNNEL

vers une cave hypothétique

On me prend encore
pour un millionnaire américain
avare

Dans une cabine à six places
avec dans la tête
tout le soleil du nouveau monde

et des expédients inavouables

 

 

         PRINTEMPS

J'étais assis près de la porte
et la fumée de mon cigare
se perdait dans le ciel avec
ma rêverie intermittente.

Le chien se couchait à mes pieds,
me regardant de ses bons yeux
comme un homme mélancolique
et les arbres avaient séché
leurs larmes
sous les baisers du vent

J'étais assis près de la porte
et voici que tu es venu


Printemps, printemps, que me veux-tu ?

Les champs dorés de pissenlits,
le sourire des cerisiers,
l'odeur verte des sapinières
et les bourgeons gonflés de sève,
les toilettes s'éclaircissent
les rires brisent le silence
chargé de l'odeur des lilas
et le chien court sur le gravier
après la balle de tennis

Printemps, printemps, que me veux-tu ?

Et voici que tu es venu,
alors les brunes et les blondes
qui cousaient ou lisaient chez elles
les romans de René Bazin
se ruèrent avec leurs jupes larges
et leurs corsages blancs
vers le gazon
et une odeur de Chypre
et d'ambre
vint jusqu'à moi

Printemps, printemps, que me veux-tu ?

Je rêvais, fumais mon cigare
Je bénissais le Dieu des choses
et des gestes quotidiens,

Mais mes veines se gonflent d'une sève nouvelle,
Je jette mon cigare avec mes rêves
et je m'en vais, ivre d'air pur
et de désir,

         briser mes muscles au tennis
         et plonger mon regard brillant
         dans le regard brillant ades girls,

 

         Printemps, printemps, quem me veux-tu?

 
        

 

 

Página publicada em janeiro de 2008; ampliada e republicada em agosto de 2015.; ampliada e republicada em agosto de 2016.



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