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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MARIANA IANELLI

 

 

Nasceu em 1979 na cidade de São Paulo. Poeta, mestre em Literatura e Crítica Literária, é autora dos livros Trajetória de antes (1999), Duas Chagas (2001), Passagens (2003), Fazer Silêncio (2005), Almádena (2007) e Treva Alvorada (2010), todos pela editora Iluminuras. Como resenhista, colabora atualmente para os Jornais O Globo – Prosa&Verso (RJ) e Rascunho(PR).

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS  - TEXTOS EN ESPAÑOL

 

      

   De IANELLI, Mariana
TREVA ALVORADA

São Paulo: Iluminuras, 2010. 127 p  ISBN978-85-7321-324-9

 

 

 

 

DE VOLTA A CASA

 

Dos tremores, antes a púrpura,

Uma febre langorosa

Entre o lampião e os incêndios.

 

Livre de razões e mais inocente

Já desfiadas as culpas,         

As posses, as boas maneiras.

 

Miserável, mas de uma miséria

Tão pródiga, que em menos

Haja graça, e não carência.

 

A saúde dos humores, haja,

O escândalo da nudez displicente

Enquanto houver pouco e mel.

 

 

                  TREVA ALVORADA

 

Absurda leveza que te faz afundar

E não é a morte.

 

Cumpres tua descida calado

(Uma palavra por descuido

Seria amputar a verdade).

 

Náufrago do tempo,

Tuas horas transbordam.

Dentro da lágrima,

Imensidão, já não choras.

 

Estrelas e estrelas,

Copulam a sede e o engenho

De que te alimentas

Como nunca te alimentou

O gosto da carne.

 

Tua face atónita

Se existisse uma face,

Tuas costas nuas,
Se a nudez fosse do corpo.

 

Um sorvedouro
Onde a paz dos contrários,
Treva alvorada.

Fecundado, flutuas.
É a lei da graça.

 

 

 

 

De
Mariana Ianelli
Almádena
São Paulo: Iluminuras, 2007.
102 p.  ilus.

 

 

"Mariana Ianelli — em seu frescor de sombras e quedas d´água, ligeiras desesperações, vozes líquidas, quase serenas, na solfa dos pássaros, no canto de Salomão e sobretudo na ferida noturna e grave de João da Cruz — atinge uma altitude inconteste.  Poesia de uma riqueza, de uma densidade, de uma sutilíssima percepção das coisas que nos cercam."
 
MARCO LUCCHESI

 

"A poesia de Mariana Ianelli apresenta uma rara conjugação entre um registro discursivo de extração clássica e uma inquietação subjacente que tensiona o clássico e o desestabiliza por meio de alta voltagem metafórica." ANTONIO CARLOS SECCHIN

Sitio oficial da autora:

http://www2.uol.com.br/marianaianelli/



 

 

ALMÁDENA

Vive assim como quiseras ter vivido quando morras
                                                        Antonio Vieira

 

Almádena, ensina-me a voltar.

 

Já varri todos os mortos,

Não há restos no chão.

Um quarto branco, uma cadeira,

O meu tempo é o presente,

Não tenho do que me queixar.

 

Está feito, celebrado.

 

Janelas e portas abertas,

Na mesa a fruta matutina,

O lírio, o copo d'água

Uma casa agradável,

Fosse isto uma casa.

 

Eu me traí, Almádena.

 

Agora chove,

E uma tal plenitude,

Império absolvido de história.

Quanta memória vencendo,

Cobrindo, cavando o rosto,

Quantos dias, quanto cinzel,

Quantas horas.

 

Está chovendo ainda.

Eu tenho um rosto sem marcas.

 

A lua do amarelo ao sono

E essa estátua que me olha.

Uma obra merecida, consumada

 

Eu desapareci, Almádena.

 

Nada cumpre dizer

Tanto quanto dizem esses olhos.

Eu vivo como quem ama,

Eu consinto,

É só o que me cabe.

Dar e repartir, fazer que não sei,

No bronze ser o animal que dorme.

 

Há uma única lâmpada,

Há um violino

E a mão que o desata.

O vento de quando em quando,

O terço quadrante e a pedra rolada.

 

Há uma chave que nada guarda.

 

A terra esplandece,
Consorte de quem parte.

Agora amanhece.

 

Eu me perdi, Almádena.

 

Não há rumor nas coisas,

Elas são o que são,

Não desejam explicar-se.

A porcelana, a cambraia, a murta

E a falta de uma asa.

 

Aqui não existe o medo,

Eu planto e eu desbasto.

As paredes ardem,

A erva recende,

O sol vem do leste,

Tudo em perfeita ordem.

 

Está pronto, terminado.

 

Um rasgo, um passo em falso,

Uma sombra,

Agora é tarde.

As cartas não chegam

Nem são enviadas.

A mesa está limpa.

 

Eu me esqueci, Almádena.

 

As cores, como elas vibram,

As auroras.

O verde das baixas altitudes,

O vermelho, o azul,

Como entornam.

 

Eu desço e me arrebento,

Eu despenco, sou forte.

A natureza é forte.

Quatro pilares me suportam.

 

O céu sobre todas as torres,

Todas as luzes, exceto uma.

As nuvens se cruzam,

Juntam-se e se afastam.

Há uma brisa lá fora.

 

O corpo está servido,

O corpo está saciado.

Agora anoitece.

 

Protege-me, Almádena.

 

 

IANELLI, Mariana.  Duas chagas.  São Paulo: Iluminuras, 2001.   119 p  14x21 cm.  Col. Bibl. Antonio Miranda

 

TEXTOS EN ESPAÑOL

 

MARIANA IANELLI

 

Poemas extraídos de:

 

 

 

 

ANTOLOGÍA DE POESÍA BRASILEÑA, edición de Jaime B. Rosa. Organización Floriano Martins y José Geraldo Neres.  Muestra gráfica y portada Hélio Rôla. Edición bilingüe  Português - Español.   Valencia, España: Huerga & Fierro editores, 2006.  247 p   13,5x21,5 cm.   Poetas: Lucila Nogueira, Glauco Mattoso, Adriano Espínola, Beth Brait Alvim, Contador Borges, Donizete Galvão, Floriano Martins, Nicolas Behr, Jorge Lúcio de Campos, Vera Lúcia de Oliveira, Rubens Zárate, Ademir Demarchi, Ademir Assunção, Leontino Filho, Marco Lucchesi, Weydson Barros Leal, António Moura, Maria Esther Maciel, Rodrigo Garcia Lopes, José Geraldo Neres, Viviane de Santana Paulo, Alberto Pucheu, Fabrício Carpinejar, Salgado Maranhão, Sérgio Cohn, Rodrigo Petronio, Konrad Zeller, Pedro Cesarino, Mariana lanelli. Traductores: Adalberto Arrunátegui, Alfonso Pena, Aníbal Cristobo, António Alfeca, Benjamin Valdivia, Carlos Osório, Eduardo Langagne, Floriano Martins, Gladis Basagoitia Dazza, Luciana di Leone, Margarito Cuéllar, Marta Spagnuolo, Paulo Octaviano Terra, Reynaldo Jiménez e Tomás Saraví. Ex. bibl. Antonio Miranda.  

 

Traducciones de Antonio Alfeca

 

[A MÚSICA FALA PELOS QUE FICAM]

 

A música fala pêlos que ficam.

Nenhuma distância é possível

Entre a nítida presença de um corpo

E sua despedida repentina.

Para aquele que viaja em busca do futuro

Eu canto com a impureza do amor

Que me esgota e também me extasia,

Que me leva a produzir o tédio

Com os meus dedos engordurados de vida.

A violência do ódio primitivo canta comigo

E são estas trevas que me acompanham

À dimensão de um tempo sem destino

Em que nada se perde porque nada existe.

 

 

[LA MÚSICA HABLA POR LOS QUE SE QUEDAN]

 

La música habla por los que se quedan.

Ninguna distancia es posible

Entre la nítida presencia de un cuerpo

Y su despedida repentina.

Para aquel que viaja en búsqueda del futuro

Yo capto con la impureza del amor

Que me agota y también me extasía,

Que me lleva a producir el tedio

Con mis dedos engrasados de vida.

La violencia del odio primitivo canta conmigo

Y son estas tinieblas que me acompañan

A la dimensión de un tiempo sin destino

En que nada se pierde porque nada existe.

 

 

 

 

[RETORNA PARA O TÁRTARO]

 

Retorna para o Tártaro,

Não tenhas medo.

Ouvirás a pálida sentença do teu julgamento

E, depois, as Fúrias aprontarão

A marcha do teu declínio por detrás das muralhas.

Os fracos que não puderam viver

A oleosa espera do sono,

A raça dos corrompidos por fome de vingança,

Os partidários do ódio sem culpa,

A hiena dentro dos mais sábios,

Os seres entorpecidos pelo cotidiano da carne,

Os impostores da lei, as mentes ociosas,

Os falsos poetas contemporâneos,

Sacerdotes da palavra inadequada,

Uma nuvem de espíritos errantes

Povoará os bosques de mirto

Para te mostrar na forma de um corpo nu,

Destinado aos recessos do mundo,

A essência dos teus próprios eitos.

Pede esse instante mais que nunca, disseca-o.

Tu te surpreenderás invejando os cegos e os bobos

A quem foi poupada a visão da morte.

Agora esquece.

Já se iniciou o teu funeral —

Não tenhas medo.

 

.  

 

[RETORNA AL TÁRTARO]

 

Retorna al Tártaro,

No tengas miedo.

Oirás la pálida sentencia de tu juicio

Y, después, las Furias aprestarán

La marcha de tu declive por detrás de las murallas.

Los débiles que no pudieron vivir

La aceitosa espera del sueño,

La raza de los corrompidos por hambre de venganza,

Los partidarios del odio sin culpa,

La hiena dentro de los más sabios,
 Los seres entorpecidos por lo cotidiano de la carne,

Los impostores de la ley, las mentes ociosas,

Los falsos poetas contemporáneos,

Sacerdotes de la palabra inadecuada,

Una nube de espíritus errantes

Poblará los bosques de mirto

Para mostrarte en la forma de un cuerpo desnudo,

Destinado a los recesos del mundo,

La esencia de tus propios actos.

Pide ese instante más que nunca, disécalo.

Tú te sorprenderás envidiando a los ciegos y bobos

A quienes fue ahorrada la visión de la muerte.

Ahora olvida.

Ya se inició tu funeral —

No tengas miedo.

 

 

 

FAZER SILENCIO

 

Seja o ar da montanha

Para o sono dos cordeiros.

 

Neve recém-caída,

Puríssimo grão de açúcar,

Duna sob a lua cheia.

 

Tal qual o fruto da terra

Que se da a comer no sexto dia.

 

Jazida inexplorada,

Casa sem mobília,

Vácuo do não-dito,

Êxtase nunca interrompido.

 

Tal como o olho cego

Que percebe o invisível,

Gema de opalina.

 

Seja o restante, o indiviso.

 

Magma transmudado em cinza,

Fóssil na noite da cripta,

O vaivém milenar da água viva,

Líquido momento de sentir

E estar sozinho.

 

Fazer silêncio.

 

 

HACER SILENCIO

 

Sea el aire de la montaña

Para el sueño de los corderos.

 

Nieve recién caída,

Purísimo grano de azúcar,

Duna bajo la luna llena.

 

Tal cual el fruto de la tierra

Que se da a comer el sexto día.

 

Yacida inexplorada,

 

Casa sin mobiliario,

Vacío del no-dicho,

Éxtasis nunca interrumpido.

 

Tal como el ojo ciego

Que percibe el invisible,

Gema de opalina.

 

Sea el restante, el indiviso.

 

Magma transmutado en ceniza,

Fósil en la noche de la cripta,

El vaivén milenario del agua viva,

Líquido momento de sentir

Y estar solo.

 

Hacer silencio. 

 

 

Página publicada em setembro de 2010; ampliada e republicada em agosto de 2011

 

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