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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

JOSÉ EDUARDO DEGRAZIA

 

 

 

Nasceu em Porto Alegre em 1951. Publicou dezenas de artigos e crônicas em jornais e revistas do Brasil e do exterior. Tem publicados os livros de poemas, Lavra permanente, Cidade submersa, A porta do sol, Piano arcano, e A urna Guarani; seus livros de contos são: O atleta recordista, A orelha do bugre, A terra sem males, e Os leões selvagens de Tanganica; recentemente saiu sua novela O reino de macambira.

 

Traduziu livros de Pablo Neruda, poetas latino-americanos e italianos.

Foi premiado em poesia, conto, teatro e tradução.

 

 

JOSÉ EDUARDO DEGRAZIA :  POEMAS EM PERUGIA, ITÁLIA. Ver em:

http://phonodia.unive.it/people/jose-eduardo-degrazia/#prettyPhoto

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS TEXTO EN ESPAÑOL

TEXTS IN ENGLISH   - TEXTOS EM PORTUGUÊS

 

EN ITALIANO

 

 

 

DEGRAZIA, José Eduardo.  Lições de geometria fantástica.  Guaratinguetá, SP: Penalux, 2016.          88 p.  14x21 cm.  (Poesia)  Capa e diagramação: Ricardo A. O. Paixão.  ISBN 9780-85-5833-139-5 

 

         Reflexões sobre um Monturo

 

         1

         As coisas se desfazem lentamente
         faca enferrujada, copo quebrado.

 

         2

         As coisas se desfazem lentamente
         folha de jornal, página de livro.

 

         3

         As coisas se desfazem lentamente
         máquina quebrada, lata de cerveja.

 

         4

         As coisas se desfazem lentamente
         roupa usada, bola furada.

 

         5

         As coisas se desfazem lentamente
         chave que não abrirá mais a Porta.

 

 

         Exercício de rima (Pobre)

 

         1

O andaime da dúvida.
O arcabouço da dívida.

 

2

O apetrecho da razão.
O buçal do alazão.

 

3

Os cacarecos do medo.
O cacarejo do cedo.

 

4

Os mananciais da paixão.
O mancal do caixão.

 

 

Dez pensamentos sobre ideologia

 

1

O átomo não tem ideologia. A bomba atômica tem.

 

2

O rato não tem ideologia. A ratoeira tem.

 

3

O pato não tem ideologia. O pato à Pequim tem.

 

4

O corpo não tem ideologia. O biquíni tem.

 

5

O pescoço não tem ideologia. A gravata tem.

 

6

A garganta não tem ideologia,.A guilhotina tem.

 

7

O papo não tem ideologia. O discurso tem.

 

8

O sexo não tem ideologia. O coito tem.

 

9

O povo não tem ideologia. O Estado tem.

 

10

Deus não tem ideologia. A Igreja tem.

 

 

===================================================

 

 

 

DISCÍPULOS DE EROS

 

Os namorados

são transparentes

quando olhados

de frente

de lado

de perto

ou distante

são diamantes

amantes, amantes

amantes

dão-se as mãos

simplesmente

mentes e olhos

mentem versos

verdades várias

vôos

são pássaros

são peixes

imersos no mar

do amor

esquecidos

de tudo

de nada

de todos

jogam dados

do destino

cantam hinos

são apenas

lábios, lábias

sedução

sábios e vivos

inocentes

e meninos

enquanto amor

os domina

e ilumina.

 

 

A HORA CERTA

 

Quando não se puder

mais olhar uma flor,

quando não se puder

mais amar uma mulher,

quando o mundo for

só aparência de ser

e não permitir alegria,

é a hora certa de plantar,

é a hora certa de cantar,

é a hora certa de amar

é a hora certa de ver,

é a hora certa de viver,

é a hora certa de colher,

a manhã sempre vem,

o amor pode voltar

pra te dizer que a vida

vale a pena ser vivida.

 

É a hora certa de plantar,

é a hora certa de cantar,

é a hora certa de amar,

é a hora certa de ver,

é a hora certa de viver,

é a hora certa de colher.

 

 

RECEITA

 

   Para Sérgio Faraco

 

Não deixe o tempo

passar correntes

em volta de seu corpo,

e que as aranhas

teçam teias

em seus dedos.

 

É preciso impedir

que os olhos acostumem

o olhar pela janela,

na mesma rua

onde homens cinzentos

cruzam maquinalmente.

 

É necessário ter sapatos

bem engraxados,

sem furos nas solas,

para que os pés não cansem

e não se machuquem

nas pedras do caminho.

 

Morar em casas

com porão, sótão e quintal,

onde possamos encontrar

pessoas desconhecidas

e objetos indecifráveis

na soleira da porta.

 

Ter reservas de carinho,

coleções de selos e de moedas,

ter amigos que gostem

de música e poesia,

bolsos e armários embutidos.

 

Ter sempre a esperança

de encontrar o amor

num parque possível,

sábado ou domingo

ou outro dia qualquer.

 

Antes de tudo

e principalmente,

é preciso ter paciência,

crer que os tempos mudam

e que teias de aranha

não crescem sem motivo.

 

 

De
José Eduardo Degrazia
UM ANIMAL ESPERA
Porto Alegre:  Minibuks  Território das artes,              2010.
 63 p.   ISBN 978-8563994-05-9

 

 

LEREI O ÚLTIMO LIVRO

Guardo o desvario

na gaveta da manhã.

São tantos rios a correr,

o mundo é tão grande,

existem trens prontos para partir

a qualquer instante.

Coloco os atavios do dia

no cabelo da mulher

que me ama, o vento sopra,

a chuva cai, os corpos ardem,

as estrelas fazem ninhos no telhado,

navios desfraldam bandeiras no mar,

existem náufragos em perdidas ilhas.

Músicas distantes invadem a janela,

há corpos que dançam, folhas caem.

Em cima de algum morro, um homem solitário

diz versos para a lua, o tempo passa

e a morte vem como um gato que se aninha.

Não tenho compromisso com a morte.

Guardo a morte entre as páginas do livro.

Este livro, eu sei. será o ultimo que lerei.

 

 

O SONHO INSEPULTO

 

O que poderei dizer

do sonho insepulto

no coração do homem?

Sob signos escuros nasci

irmão da lua e dos ciprestes.

Gastei minhas mãos

nos muros das casas fechadas.

Eu, amante da solidão

e na tristeza imerso,

vi a luz da aurora extática.

Na fábrica de tijolo,

no monjolo, em moinhos,

aprendi minha sina.

Plantei cacto no deserto,

colhi o grão do trigo,

amassei o pão.

Viajei na luz da estrela,

bebi a chuva e a torrente.

vivi a neve e o trópico,

eu, menino que queria

crescer além das árvores.

Adolescente fui como os outros,

amante do impossível,

as mulheres impassíveis.

O que mais poderia cantar?

Canto o sonho insepulto

no coração dos homens.

 

 

 

TRÊS LIVROS DE POESIA

(uma seleção)

 


 

DENOMINAÇÃO

 

Com tua fala

noturna

feres o dia

e te refazes.

 

Dentro

da bruma

escalas

nova ressonância.

 

Do fundo

do poço

retiras

a inocência

 

trescalas

a perdidos,

sonho de amuragem

e jardim

 

entre muros.

Pousas em cada

coisa o nome

que lhe cabe.

 

 

GRITO

 

        Poema-grito

         a doer comigo

              na caverna.

 

Guilhermino Cesar

                              

                        Projétil

                            no revólver

                           

                            minha fala

                            aguarda

 

                            meu grito

                            se guarda

 

                            na escura

                            caverna

 

                            que se puxe

                            o gatilho

 

                            e se encontre um peito:

                            a enxada e seu eito.

 

 

                            FORMA DO POEMA

 

                            O poema tem freio

                            de espuma e vento

                            difícil é achar

                            o momento exato

 

                            de contê-lo

                            nas mãos

                            e deixar que via:

                            forma concreta de poema.

 

 

                            CONSCIÊNCIA

 

                            O dínamo ronca

                            o seu maior

                                          de-

                                               feito

                            sobre o mundo.

 

                            A engrenagem

                            tritura       an-

                                                seios

                            téreis.

 

                            Sabes inútil

                            o protesto:

                            ninguém seguirá

                            teu último gesto.

 

                            Cabeça baixa

                            só tua consciência

                            continuará gritando.

 

                            Irás para o matadouro.

 

 

                               POEMA URBANO

 

                            No edifício

                            mil vidraças

                            refletem

                            meu rosto

                            sem graça.

 

                            Na fumaça

                            dos carros

                            meu travo

                            meu nojo.

 

                            No estojo

                            do apartamento

                            meu corpo

                            de cimento.

 

                            No bulício

                            da partida

                            minha ferida.

 

                           

                            CIDADE ESTRANHA

 

                            Caminho pelas ruas

                            da cidade

                            e a tristeza

                            escala os muros

                            das velhas mansões.

 

                            Por trás das árvores

                            uma lua bêbada

                            sorri.

 

                            Entro num cinema

                            para ver gente:

                            está vazio.

 

                            Aos poucos se enche o cinema

                            com todos

                            os meus antigos fantasmas.

 

 

 

DEGRAZIA, José EduardoCorpo do Brasil: poesia.   Porto Alegre: Movimento, 2011.  112 p.  14x21 cm. Prefácio de Maria do Carmo Campos.  Ex. autografado. Col. A.M. (EA)

 

 

SOU BRASILEIRO

 

Por trás da janela

vejo o país

que me condena:

cidades e campos,

rios e ruas

na retina.

Prisioneiros somos

da perspectiva

que nos afasta

do que é em nós

mais terra e sangue.

Por isso nos escondemos

atrás de mesas executivas,

folheamos manuais

de covardia.

Há de chegar o dia

de dizer

com orgulho: brasileiro,

muito prazer.

 

 

 

SOU CANTOR

 

Todas as canções

que eu canto

são as canções

do meu povo.

 

Pois do povo

herdei voz

e pronúncia.

 

Depois de muito cantar

canto a dor e a renúncia.

 

Do povo eu sou cantor

e nisso não me engano

não escondo nas palavras

a minha verdade

como quem se esconde

embaixo de um poncho.

 

Não me escondo em atavios

nem em brilhos de efeito

o meu canto é pranto feito

do que para o povo é direito.

 

DEGRAZIA, José Eduardo.  Cidade submersa.  Poesia.  Porto Alegre: IEL/ Editora Movimento, 1970.  112 p.  14x21 cm.  (Coleção Poesiasul, v. 22)   Col. Bibl. Antonio Miranda

 

 

CALIÇA

 

I

A palavra apronta

a consequência

no que transforma

ou estraçalha;

nela ardo,

em mim arma

a ordem, a cabala

dos frutos.

 

II

Trago o que não consta

nos anais e anuários,

mais os tempos imperfeitos,

verbais: inventário

em dias e anos: amos

de uma casa desabitada.

 

III

Conforme ao dia,

ao cartão ponto,

resumo o cotidiano

na impaciência: o sonho

até a náusea.

Me explico

          no pesadelo.

 

IV

Fortuito o encontro

das mãos nesta casa

de paredes desabadas.

Escuso o rosto no espelho,

o passo na sala.

 

V

Estrutura da face

que se mostra:

 

a fachada da casa

onde se mora.

 

VI

A manha se constrói:

caliça nos dentes,

ódio na fala.

 

Vil

Irrisório é o sorriso

nesta idade de facas:

 

VIII

Albergo a palavra na esperança.


                           

 

JABLONSKI, EduardoDegrazia pinta palavras. 2ª. Edição revista e ampliada.   Porto Alegre, RS:  Editora Bestiário, 2016.   144 p.  14x21 cm.  ISBN 9987-85-98802-68-9  Ex. bibl. Antonio Miranda  Textos sobre a poesia, minicontos, novela, ensaios, entrevistas de “José Eduardo Degrazia”.

“A presente análise não se divide por temas ou recursos de estilo, porque José Eduardo Garacia é tão variado, poético de poema a poema, de iniconto a miniconto, de novela a novela.” EDUARDO JABLONSKI

“La nitidezza delle cose è ciò che cerca il poeta, nel passato como nel presente ed essa si esprime in um verbo chiaro, senza retorica, conciso, denso, melodioso.” VERA LÚCIA DE OLIVEIRA

 

Inclui o seguinte poema de Degrazia na p. 114:

 

 

A FLOR FUGAZ

 

Porque se despe na tarde
e convida ao sortilégio
de sua carnação madura
pétala que apura o tempo

inventando a investidura
de planta formosa e pura,
sendo lírio ou sendo rosa,
ofertada sem mais nada

do que a vida retira
o sumo, a seiva, na selva
de um desejo realizado

em sendo frágil e fugaz,
feito o amor que foi e dura
o esplendor de seu momento.

 

 

 

DEGRAZIA, José EduardoA colecionadora de corujinhas. Minicontos.  Porto Alegre, RS: Editora Bestiário, 2016.  120 p.  ISBN 978- 859-8802-01 Apresentação de Eduardo Jablonski.

 

Minicontos de um poeta, o que são?  Prosa poética, com metáforas e metapoesia...

 

 

 

         FÁBULA

 

         Todo dia arrumava a mesa da mesma maneira. O lugar do marido na cabeceira, os dos filhos de cada lado, pois ela não sentava. Dias tornaram-se semanas, entornaram meses, messes multiplicaram anos. A vida,ccomo de normal.
         Desdisseram os calendários.
         Frugais passaram a ser os dissídios. Dinamitaram porcelanas, corroeram mesa, britaram fotografias, libertaram pássaros.
         Para sempre foram.

 

 

         VELHICE

 

         Jamais conseguiria subir as escadas do Paraíso.
         Mãos bondosas o ajudaram a galgar os degraus.
         Lá em cima viu que estava sozinho.
         Começou o lento descer da escada para...
         Para onde mesmo?
         Não sabia.
         Naquela altura não tinha menor importância.

 

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TEXTO EN ESPAÑOL

 

POEMA DE JOSÉ EDUARDO DEGRAZIA

 

Traducción de Virglilio López Lemus

 

 

 

RECETA

 

         Para Sérgio Faraco

 

 No deje que el tiempo

pase corrientes

alrededor de su cuerpo

y que las arañas

tejan telas

en sus dedos.

 

Es preciso impedir

que los ojos se despierten

al mirar por la ventana,

en la misma calle

donde hombres cenicientos

cruzan maquinalmente.

 

Es preciso tener zapatos

bien amarrados,

sin huecos en las suelas,

para que los pies no se cansen

y no se dañen

con las piedras del camino.

 

Vivir en casas

con portal, sótano y pátio,

donde podamos encontrar

personas desconocidas

y objetos indescifrables

en el umbral.

 

Tener reservas de cariño,

coleciones de sellos y de monedas,

tener amigos que gusten

de música y de poesia

bolsos y armários llenos.

 

Tener siempre la esperanza

de encontrar el amor

en um parque posible,

sábado o domingo

o cualquier outro dia.

 

Ante todo

y principalmente,

es preciso tener paciencia,

creer que los tiempos cambian

y que las telas de araña

no crecen sin motivo.

 

 

 

 

 

CREAR EN SALAMANCA
traducción de Alfredo Pérez Alencart

 

 

 

Crear en Salamanca tiene el privilegio de dar a conocer, por vez primera, algunos poemas de Jose Eduardo Degrazia (Porto Alegre, 1951). Tiene publicados una veintena de libros de poesía, cuento, novela. Entre los poemarios están Lavra permanente (1975); Cidade submersa (1979); A urna guarani (2004); Corpo do Brasil (2011); A flor fugaz (2011) o Um animal Espera/ Un animale aspetta (2011). Como traductor ha publicado catorce libros, entre ellos siete de Pablo Neruda. Ha obtenido premios y reconocimientos en Brasil y en otros países. Su obra aparece en unas 30 antologías nacionales y extranjeras y ha sido traducido al español, italiano, francés, inglés, rumano y esloveno.

Los textos forman parte de “He muerto… y he resucitado”, Antología del XVIII Encuentro de Poetas Iberoamericanos, coordinada por Alfredo Pérez Alencart, poeta y profesor de la Universidad de Salamanca y quien los ha traducido desde el portugués.

Ilustraciones: Miguel Elías

 

 

 

CADA DÍA

 

Vamos muriendo un poco cada día

aunque cada día vamos viviendo un poco más,

y nuestra sangre batiéndose en las venas

es un mar primordial que se derrama en la playa

para alimentarnos con sus sonidos y sus sales.

Cuando ando por el camino o cuando amo,

siento que mi corazón golpea fuerte en el pecho,

como un pájaro en el nido o un rio en el lecho,

convertido en un mar de leche o de vino.

No me importa morir de esa manera,

pensando que la vida siempre vale la pena,

viviendo en cada minuto la vida entera,

viviendo la vida entera en solo un minuto.

Vivir la vida en un ritmo absoluto,

sabiendo que la vida es alegría y luto.

Vivir sabiendo que la vida se desvanece

hace de cada uno de nosotros un ser especial

y no importa si de noche un cuervo

en nuestra sala nos dice nunca más.

Vamos muriendo un poco cada día

aunque cada día vamos viviendo un poco más.

 


ME DEJO LLEVAR

 

Nada como encontrarte, poesía,

cuando el lenguaje de los hombres parece opaco

y toda palabra me agrede.

Yo, que no conozco tus refugios y soy

de los poetas de la urbe el más humilde,

de pronto te encuentro en el autobús

o caminando solito entre la multitud,

y tu me refrigeras el alma con tu canto

al punto de creer que no te merezco.

Y siempre tienes para mí una palabra de afecto,

como si yo fuese tu niño.

Olvido toda agresión sufrida

y me dejo llevar por tus caminos,

igual que un ciego sigue a un perrito.

 


ADORMECIDA

 

Adormecida en mis brazos

la flor del sueño abierta en el rostro

estrellas cuentas despiertas en tu cuerpo

caballos galoparon la planicie del abandono

y atravesaron de escalofríos tu cansancio

y la belleza ardió lentamente

y los cabellos flotaron como nubes encima del bien y del mal

y tus manos detenidas y perdidas en un otro mar

quedaron como aves nocturnas ignorando

que se escapaba la vida.

 


EL CAMINO INVIOLABLE

 

No todos somos malos.

Algunos tienen una cierta ternura.

Nosotros una forma especial de sonreír.

Nos saludamos corteses en la calle,

apretones de manos blandas, leve movimiento de labios.

Y continuamos el camino inviolable.

 

 


MOTIVO DE FUERZA MAYOR

 

A veces me invade

una canción de origen oscuro,

una ventolera de la pampa,

una marina desnudez de caracoles,

un sueno de nube preñada de lluvia.

El habla de la mujer de senos morenos

en medio de la noche con escarabajos zumbando

color azul del cielo o verde césped,

bosque de campanas, campanillas sonoras

y gritos intensos de pasión en la noche del monte,

rituales amorosos de gatos sobre los tejados,

voces aterciopeladas de guitarristas en los bares de barrio,

gemido de niño enfermo tosiendo en la madrugada,

jugadores en el paño verde jugando sus vidas a las cartas,

borrachos improvisando cantos para la luna,

trabajador esperando el autobús al amanecer.

Y yo, atónito y despierto, escribo

por orden perentoria de las musas,

psicografío el mensaje nocturno

de una fuerza mayor que me incendia.

 

 

 


LA NITIDEZ DE LAS COSAS

 

En el silencio de la casa, cuando las maderas crujen,

espero el movimiento del engranaje del tiempo,

la manifestación evidente de la maquina del mundo,

las aspas del molino moliendo la harina de los días,

los dientes mordiendo la piel de la feroz existencia,

el rodar de los minutos en el reloj naufrago de la mañana,

el zumbido de la mosca contra su imagen en el vidrio.

En el silencio de la casa, cuando vibran los móviles

y resuenan los electrodomésticos en los recipientes de cristal,

sonando en semejante canto llano entre las monedas

nítidas del sol y las monedas trituradoras de las emociones,

la polea que cruje la palabra contra la diferencia,

el destino de los platos y cubiertos apilados, lentamente

deshaciéndose en barro y mortal oxido.

Las cosas mueren sin temor mientras miramos

distraídos el viento que levanta las cortinas de la sala.

Solo las cosas son nítidas y tienen alma, y creen

en la vida eterna.

 

 

 


LLUVIA ANTIGUA 2

 

Guardo el límite del sueño y del cansancio.

Los espejos interrogantes esperan

otras imágenes de rosas maceradas

en tu cuerpo adormecido.

Voces callan reticencias y reclamos.

Detrás de la vidrieras es otra lluvia cayendo.

El navío negro sube el rio que desagua

en mi pecho y su bocina apuñala

las acacias y los girasoles.

En reflexiones estéticas voy perdido

mientras tu cuerpo gira al sol

escondido detrás de las nubes y la lluvia

ensaya en el tejado su patética melodía.

 

 

 


ESPERANZA

 

En soledad esperabas.

El flujo del mar golpeaba en tu pecho

llenaba tus ojos de amargor,

las manos de algas, los senos de anemonas.

Envuelta en el silencio poblado de estremecimientos y sombras,

en soledad habitada por sueños, voces y poemas,

esperabas la vuelta del velero que partiera

llevando en las velas el tiempo y la esperanza,

los castillos construidos en la arena.

 

 

 


POEMA DE LA INTIMIDAD

 

          Para Virginia

 

La intimidad es un puente de vidrio,

un mínimo gesto puede astillar

la tenue relación entre dos seres.

Tengan cuidado con las palabras,

pueden ser duras como el acero.

Cuidado también con los ojos

que pueden destillar llamas de odio.

Tengan especial cuidado con las manos.

Es necesario que estén siempre listas

para el cariño, pero llenas de melancolía,

como si fuesen a partir para siempre.


QUE LA VIDA NO TE SEA MALA

 

Que la vida no te sea mala.

Que la vida no te de cuchillas.

Que la vida suele ser puñal

marcando en tu pecho la llaga.

Que la vida suele ser amarga

si en tu pecho habita el dolor.

 

 


TEXTS IN ENGLISH   - TEXTOS EM PORTUGUÊS

 

 

DEGRAZIA, José Eduardo.  Nova Iorque: Poema e Fotos. New York: Poem and Pictures. Tradução para o inglês / Translation Portuguese-English: Daniela Damaris Neu.  Santa Cruz do Sul, RS: Editora Gazeta, 2014.  54 p. 21x21 cm.   Impresso em papel couchê 150 g/m2 (miolo) e cartão Supremo 250 g/m2 (capa).  “ José Eduardo Degrazia “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

(fragmentos)

 

factoides,

andróides

de um novo tempo

em que os homens

não importam

além da pedra

e do mármore

de cúpulas

em cópula

e

formas

de naves e barcos

em arco

sobre o abismo

onde a barca

do sentido

mergulha suicida

em busca de ideias e discursos de paz e guerra e democracia

e jaz petrificado o espírito atónito diante da imensidão do cosmo

que se manifesta na miséria de ser apenas homem no discurso da pedra

e da perda da alma e de deus que se cala diante de um deus maior,

o dinheiro,

que cai do andar mais agudo do edifício num suicídio possível,

mas indesejado pelas gentes que mascam chiclete e comem moscas e hambúrgueres

e bebem Coca-Cola e descolam sonhos perdidos da engenharia do espírito,

onde tudo faz sentido ou se perde no esquecimento da máquina

que te convida a aderir à sua beleza terrível

 

ó Manhattan de pétalas de concreto,

ó Manhattan de pássaros de metal e vidro,

ó Manhattan de sonhos alcançados e perdidos,

ó Manhattan de pomos dourados e de deicídios,

ó Manhattan de garganta indecifrável que me devora,

ó Manhattan esfíngica

que me fornece o fio de Ariadne,

que me fornece o fio e o prumo,

que me fornece o fio e o rumo,

que me fornece o fio e o sumo,

que me fornece o rio e a ilha,

que me fornece o sizo e a loucura,

ó Manhattan que me desafia

para uma leitura apaixonada

e me perde onde tudo fala a língua do futuro,

onde tudo é nada ou um peixe que nada num mar de alta voltagem

 

como a nova Roma,

o império que reina soberano sobre o mundo

e me transtorna a fala,

e me contradiz o discurso,

e me confunde entre o escuro e o lume,

como saber para onde caminha a humanidade

se a vejo tão pequena e desvalida,

mas ao mesmo tempo tão soberba e orgulhosa

feito uma rosa de granito

que despetala sonhos e desditas

sobre as palavras caladas ou ditas

 

(...)

 

TEXTS IN ENGLISH

 

(fragments)

 

factoids,

androids

of a new time,

where men

do not matter

further on the stone

and the marble

of cupolas

in copula

and

forms

of ships and boats

in arc

over the deep

where the barge

of the sense

dives suicidal

in search of ideas and speeches of peace and war and democracy

and the astonished spirit lies petrified before the immensity of the cosmos

manifested in the misery of being only man in the discourse of stone

and the loss of the soul and of god that is silent before a higher god,

money,

falling from the keenest floor of the building in a possible suicide but unwanted by the people who chew gum and eat flies and burgers

and drink coke and find out lost dreams of the spirit engineering

where everything makes sense or is lost in the oblivion of the machine

that invites you to join its terrible beauty

 

oh Manhattan petals of concrete,

oh Manhattan birds of metal and glass,

oh Manhattan achieved and lost dreams,

oh Manhattan of golden sinus and doom

oh Manhattan of indecipherable throat that devours me,

oh Manhattan sphinx shaped

that gives me the Ariadne's thread,

that gives me the clue and plumb,

that gives me the clue and the direction,

that gives me the clue and lushness,

that gives me the river and the island,

that provides me prudence and madness,

oh Manhattan that challenges me

to a passionate reading

and loses me where everything speaks the language of the future

where everything is nothing, or a fish swimming in a sea of high voltage as the new Rome

the empire that reigns sovereign over the world

and upsets my speech,

and contradicts my discourse,

and confuses me between the dark and the candle,

how to know where humanity walks to

if I see it so small and helpless,

but at the same time so wonderful and proud
like a rose of granite

that limbs dreams and misfortunes

on silent or spoken words

 

(…)

 

 

 

EN ITALIANO

Trad. Iris Faion

 

O MENDIGO E O CÃO

 

O cachorro e o mendigo comem na calçada.

O cão é preto e morde um osso,

o dono veste trapos e come um pão.

Restos de papelão: sinais da cama onde passaram a noite.

A garrafa no cordão da calçada: o homem toma

um gole, e ri para os carros que passam.

O sol de inverno é fraco, mas esquenta.

O mendigo se encosta na parede, parece feliz.

O cão pula no seu colo: um olho aberto, o outro fechado

Controla o movimento, cão de guarda que é.

O mendigo fecha os olhos e dorme.

O cão lambe a mão.

 

IL MENDICANTE E IL CANE

 

Il cane e il mendicante mangiano per terra.

Il cane è nero e morde un osso,

il padrone vestito di stracci mangia del pane.

Pezzi di cartone: tracce del letto dove hanno passato la notte.

La bottiglia sul bordo del marciapiede: l’uomo beve

un sorso, e ride alle macchine che passano.

Il sole invernale è debole, ma scalda.

Il mendicante s’appoggia al muro, sembra felice.

Il cane gli salta in grembo: un occhio aperto, l’altro chiuso,

controlla i movimenti, come un bravo cane da guardia.

Il mendicante chiude gli occhi e dorme.

Il cane gli lecca la mano.

 

 

 

A FORÇA DO POEMA E/OU SUA SEM-CERIMÔNIA

 

O poema

entrou em mim

 

como se

derrubasse a porta

de uma casa

 

ou simplesmente

enrolasse os pés

no tapete

 

e caísse

sobre o peito

de um homem.

 

Só arestas,

seco, ácido

de um lado,

 

duro: pedra,

afiado: faca,

explosivo: obus,

 

não deixou

alternativa: detoná-lo

no branco da página.

 

 

LA FORZA DELLA POESIA E/O LA SUA INFORMALITÀ

 

La poesia

entrò in me

 

come se

abbattesse la porta

di una casa

 

o semplicemente

avvolgesse i piedi

in un tappeto

 

e cadesse

sul petto

di un uomo.

 

Soltanto margini,

secca, acida

da un lato,

 

dura: pietra,

affilata: coltello,

esplosiva: obice,

 

non dette

alternativa: farla esplodere

sul bianco della pagina.

 

 

OS BÊBADOS

 

Sábado à noite

os ônibus que vêm dos bairros

viajam num mar de álcool.

Os bêbados vão entrando,

alguns são triste, calados,

sentam num canto e ficam.

Outros são contadores de histórias,

xingam, brigam

e embrabecem se ninguém

brinca com eles.

Há os que choram

não sei que mágoas de amor.

Aprofundam os túneis da madrugada.

 

 

GLI UBRIACHI

 

Sabato notte

gli autobus che passano per i quartieri

viaggiano in un mare d’alcol.

Gli ubriachi salgono,

alcuni sono tristi, silenziosi,

siedono in un angolo e lì rimangono.

Altri raccontano storie,

bestemmiano, bisticciano

e s’infervorano se nessuno

gioca con loro.

Alcuni piangono

non so quali pene d’amore.

Sprofondano nei tunnel dell’alba.

 

 

TOMO CAFÉ

 

Entre restos da última

refeição e xícaras sujas,

aqueço o café para a longa

espera dentro da noite.

Talvez alguém sinta

o homem esvair-se

e bata alucinadamente à porta,

uma chuva caia repentina.

Provavelmente alguém estará rezando.

Algumas pessoas mostrarão indiferentes

mais um dia passado no calendário.

Abrirei a porta e a janela

para que os fantasmas entrem na sala.

O café esfria.

Quem me fará companhia?

 

 

PRENDO IL CAFFÈ

 

Tra gli avanzi dell’ultimo

pasto e tazze sporche,

scaldo il caffè per la lunga

attesa della notte.

Forse qualcuno ascolta

l’uomo svenire

e bussa allucinato alla porta,

una pioggia cade improvvisa.

Magari qualcuno starà pregando.

Alcune persone si mostreranno indifferenti

un giorno in più è passato sul calendario.

Aprirei la porta e la finestra

per far entrare i fantasmi nella stanza.

Il caffè raffredda.

Chi mi farà compagnia?

 

 

SILÊNCIO

 

Não penses que este silêncio

é simples ausência de vozes,

 

há o espanto da flor nascendo

abismo de pássaro noturno

 

riscando o espelho furtivo da memória.

(O silêncio é semente de algo mais antigo.)

 

No silêncio a vivência adelgaça

uma realidade de fruto.

 

Não penses que este silêncio

é simples ausência de vozes.

 

 

SILENZIO

 

Non pensare che questo silenzio

sia semplice assenza di voci,

 

c’è lo stupore del fiore che sboccia

abisso del passero notturno

 

che gratta furtivo lo specchio della memoria.

(Il silenzio è il seme di qualcosa di più antico.)

 

Nel silenzio l’esistenza attenua

una realtà di frutto.

 

Non pensare che questo silenzio

sia semplice assenza di voci.

 

 

A MESA DA FAMÍLIA

 

Madeira crestada de tempo.

Resina impregnada de tempo.

Assim a mesa e a família reunida,

e os riscos de faca no cerne da madeira,

e o vinho derramado, a mancha,

o sal, a lágrima, sol na madeira.

A mão que alisou o sulco, o veio,

a mão gretada de tempo: madeira.

Árvore noturna caída, pelo machado abatida,

árvore do tempo plantada.

À volta da mesa sentados, o pai,

a mãe, os filhos: álbum de retratos.

A mesa permanece no meio da sala:

o mais: sombras.

 

 

IL TAVOLO DELLA FAMIGLIA

 

Legno invecchiato dal tempo.

Resina impregnata di tempo.

Cosi il tavolo e la famiglia riunita,

e i rischi del coltello nella carne del legno,

e il vino versato, la macchia,

il sale, la lacrima, sole sul legno.

La mano che levigò il solco, la vena,

la mano graffiata dal tempo: legno.

Albero notturno caduto, abbattuto dall’ascia,

albero piantato dal tempo.

Seduti attorno al tavolo, il padre,

la madre, i figli: album di ritratti.

Il tavolo rimane in mezzo alla stanza:

o di più: ombre.

 

 

MOTIVO DE FORÇA MAIOR

 

Às vezes uma canção

de origem obscura me invade,

uma ventania da pampa,

uma nudez marinha de caracóis,

um sono de nuvem bojuda de chuva.

 

A fala da mulher de seios morenos

no meio da noite com besouros zumbindo,

cor azul de céu ou verde céspede,

floresta de campânulas, campainhas sonoras,

e gritos intensos de paixão na noite da mata,

ritos de gatos de amores violentos em cima dos telhados,

vozes veludosas de violeiros nos bares de subúrbio,

gemido de menino doente tossindo na madrugada,

jogadores no pano verde jogando suas vidas no carteado,

bêbados improvisando cantos para a lua,

operários esperando o ônibus na madrugada.

E eu, atônito e desperto, escrevo

a ordem peremptória das musas,

psicografo a mensagem noturna,

de uma força maior que me incendeia.

 

 

CAUSA DI FORZA MAGGIORE

 

A volte una canzone

di origine misteriosa mi invade,

una tempesta della pampa,

una nudità marina di conchiglia,

un sonno di nuvole gonfie di pioggia.

 

Le chiacchiere di una donna dai seni scuri

nel cuore della notte mentre insetti ronzano,

azzurre come il cielo o verdi come zolle,

foreste di campanule, campanelle sonore,

e urla intense di passione nella notte della boscaglia,

riti di gatti in calore in cima ai tetti,

voci vellutate di violinisti in bar di periferia,

gemiti di bimbo dolente per la tosse all’alba,

giocatori d’azzardo che si giocano a carte la vita,

ubriachi che improvvisano serenate alla luna,

operaio che aspetta il bus all’alba.

E io, attonito e sveglio, scrivo

sotto ordine delle muse,

psicografo di messaggi notturni,

di una forza maggiore che mi incendia.

 

 

AOS POETAS MENORES

 

Pequenos poemas perdidos

por poetas menores,

poetas sem sorte,

sem porte de arma,

sem coldre, sem calma.

 

Eu os apanho, são rebanho,

estão à mercê, à porfia,

poemas de avós e de tias,

que rimam em ão e anho.

 

Eis que sã poetas a brilhar

em versos brancos da província,

poetas menores, sem polícia,

e que sabem de amor rimar.

 

 

I POETI MINORI

 

Piccole poesie perdute

di poeti minori,

poeti senza fortuna,

senza porto d’armi,

senza fondina, senza calma.

 

Io li raccolgo, sono gregge,

sono sopraffatti, di nicchia,

poesie di nonni e di zie,

che fanno rima in ore e one.

 

Quelli che brillano

nei loro versi bianchi di provincia,

poeti minori, senza polizia,

e che sanno le rime d’amore.

 

 



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