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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 





THEREZA CHRISTINA ROCQUE DA MOTTA

 

Poeta e advogada nascida em São Paulo , residente no Rio de Janeiro. Livros publicados: Relógio de Sol (1980), Papel Arroz (1981), Joio & Trigo (1982), Areal (1995), Sabath (1998), Alba(2001), Chiaroscuro – Poems in the dark (2002), o pôster-poema Décima lua (1983) e Lilacs – Lilases; poems/ bilingual edition (2003). Fundou a editora Íbis Libris, ativa desde 2000.

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS - TEXTS IN ENGLISH

 

IRREAL

a cidade avança sobre a planície.

antes tivéssemos ouvido

o canto dos rios

andado descalços

sobre as fendas

bailado

como déspotas esclarecidos.

Seremos sempre aqueles

que trazem as novas,

os que buscam

sem encontrar.

Estaremos sempre buscando

e não precisaremos encontrar nada.

 

17

VOLTO-ME E OLHO-ME NOVAMENTE AO ESPELHO .

Recomponho o cabelo com as mãos

e apago as marcas do rosto.

Eu fui o que fui, porque quis,

mas não preciso carregá-lo comigo.

Esquece.

 

22

CAMINHO AO TEU LADO .

Mesmo que não me vejas,

eu caminho ao teu lado.

Passos sem som,

água sem música,

luar a deslizar sobre as florestas,

vento úmido contra paredes ruídas.

Por isso temos sido o que somos:

vastos sem termos partido,

infinitos sem abandonar nosso íntimo,

comovidos, mesmo sem encontrar as respostas.

Eu teria te respondido,

mas não me ouvias mais.

Sentei-me perto de ti

e pus minha mão sobre a tua –

tua mão fria dentro da minha.

Por trás de mim, outra tarde terminava.

Nenhum de nós saberá.

Te darei o que é teu.

O que é meu, eu não possuo.

 

Extraído de Lilacs – Lilases. Rio de Janeiro: Íbis Libris, 2003.

 

MOTTA, Thereza Christina Rocque da.  Lilacs = Lilases: poems – poemas.  Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2003.  64 p.  12x21 cm.  ISBN 85-89126-09-9  “Thereza Christina Rocque da Motta”  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

O QUE PASSA DEIXA RASTROS,

o que passa deixa marcas,

suspiros, antes de nos envolvermos

em cartas,

papéis, mantas, traços, riscos,

palavras colhidas na penumbra

de outra manhã prenunciada.

Depois retornamos aos jardins,

onde passeiam as senhoras,

as crianças,

os homens encasacados,

com seus chapéus altos e bengalas escuras,

lenços, mangas bordadas em linho,

o silêncio pairando sobre os bancos de pedra,

secando ao sol,

iluminados,

pousados no eterno.

 

 

PASSING THINGS LEAVE TRACKS

 

passing things leave marks,

sighs before wrapping ourselves

in letters,

sheets, blankets, Unes, traces,

words picked out in the dim

of a new anticipated morning.

Again we enter the gardens

where ladies and children

stroll,

men dressed up in coats,

wearing tall hats, holding dark canes,

handkerchiefs, embroidered linen sleeves,

the silence hovering over the stoae beaches,

drying in the sun,

enlightened,

leaning on eternity.

 

MOTTA, Thereza Christina Rocque de.  As Liras de Marília.  Fotos de Vitor Vogel.  Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2013. 188 p. ilus.  capa dura    21,5x22 cm.  ISBN 978-85-7823-155-8  Design da capa e miolo: Romildo Gomes.  !...no 246 aniversário de Maria Dorothea Joaquina de Seixas, a Marília de Dirceu, e 160 anos de sua morte, em Ouro Preto, em 10 de fevereiro de 1853”.   Col. Bibl. Antonio Miranda. (EE)

Um fragmento do livro: 

 

 

 

LIRA III

 

Tu vences, Barbacena, aos mesmos Titos

Nas sãs virtudes, que no peito abrigas:

Não honras tão somente a quem premeias,

          Honras a quem castigas.

TAG - Lira XXIII - Parte II

 

 

Quem são os pecadores?

Quais são os pecados

de quem somente amou?

 

Quem são os acusadores?

Quais são os acusados

de um crime que não se cometeu?

 

Quem estava de tocaia?

Quem foi o traidor?

Quem era o embuçado?

 

Que palavras foram ditas

para se derramar a desdita,

e arrancar de mim o meu amor?

Eu só quis minha prenda,

 

só ler meu poema,

só aguardar junto à porta

a tua carta florida.

 

Mas, ao pé do chafariz,

corria a voz do povo:

"Prendei-o!”

"Prendei o poetar

 

Dirceu era tão nobre,

tão amado noivo,

mas o destino quis

que ele partisse.

 

Corri ao pé da rainha,

supliquei ao príncipe João,

mas nem este me ouviu.

 

Minhas liras já tinham

corrido o mundo,

e chegaram antes de mim

aos seus ouvidos.

 

"É ela, é ela", diziam,

"a mulher mais bela

e mais amada do Brasil".

 

E a vista já turva

e o olhar perdido

me trouxeram de volta

à casa que me acolheu.

 

 

MOTTA, Thereza Christina Rocque da. Joio & trigo. Poemas.  Prefácio de Claudio Willer. Apresentação crítica de Olga Savary, Elaine Pauvolid e Manuel Graña Etcheverry.  3ª. edição.  Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2004.  88 p. 20,5x15,5 cm.  ISBN 85-89126-08-0  “ Thereza Christina Rocque da Motta “  Ex. Biblioteca Nacional de Brasília

 


          GUIRLANDA
                                                                        
Uma tarde
                                                             é suficiente para ficar louco

                                                                                Roberto Piva

                                                                                                                                I

          Dedos infringem a noite,
          tatuando espécie de guizos
          no hemisfério.
          Norte e sul cruzam-se atônitos,
          bocas profanando o templo.
          Languidez perpassando
          o peito de sussurros,
          projetando-se
          no espaço redescoberto.

          II

          Somos tais pássaros noturnos,
          vagando feito loucos.
          Asas abertas,
          reatando nós invisíveis.
          E, transeuntes do presente,
          vivemos, corpos dados,
          almas dadas,
          no silêncio.

 

          CORPOS SUBMERSOS

                                       Para Claudio Willer
         

                    Dorso arcado
                              bramindo no ar.
          Face esculpida
                              mar estendido sobre corpos imersos:
                              Beijo em haste
                                            cálice, corola e pétalas.
                              Metamorfose noturna, antigo motivo,
                                                 movimento.

          Tempo, ausência, palavras.
                              Momento disperso, fonte alpina,
                                       Asas perdidas em voo.
          Canto de pássaro, floresta,
                    árvores murmurantes e dialéticas.
          Negritude.
                           Claridão.

 

ALENCAR, Celso de; PAULA, João Ricardo Scortecci de; MOTTA, Thereza Christina Rocque da.  Papel arroz.   Posfácio de Dora Ferreira da Silva, Mário García-Guillén.  São Paulo: Grupo Peco – Só Poesia, 1981.  88 p. ilus. 

 

AZIMUTE

Moldura
extravasada.

Vidraça partida
pulso cerrado.

Lume em meio-dia
difluindo a hora
em claras gotas de cristal.

Morte súbita
no dorso pálida
da antemanhã
murmurando
a insensível prece
noturna.


VERSO TORPE

Verso amargo
na boca do tempo
tragando o infinito.

Luz aguda
louca ansiedade
vertendo os sentidos.

Escuta-me a falar de mim.

Vaidade crivando ausência
deitando ao chão
tão indignas
tão estranhas palavras.

 

Página ampliada e republicada em julho de 2015.



 


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