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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

NEIDE ARCHANJO

 

 

Neide Archanjo é autora de uma dezena de livros de poesia. Li alguns, não tive acesso a todos. Agora estou diante do excelente EPIFANIAS (Rio de Janeiro:Record, 1999). Sobre ela escreveu Carlos Nejar: “A poesia de Neide Archanjo, que tem no primeiro livro (Os primeiros ofícios da memória, 1964) a ordenação do caos, caminha para o poema capaz de se encantar na luz. Mas a matéria é a mesma de toda a grande criação. E a poeta pode dizer serenamente: “Tanto andei / que cheguei”. “ Diáfana enquanto concreta, transcendente enquanto memorialista, ela tece um discurso entre lírico e metapoético, de uma tristeza vivificante.    Antonio Miranda, um admirador.

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS  /  TEXTOS EN ESPAÑOL

 

EN FRANÇAIS 

 

*

 

Qualquer coisa se foi.
Agora sei que a carne apodrece
e apenas o destino me concede
a coragem de suportar a vida assim.

A falta cresce
perversa
e eu não sou Catarina de Médicis
em seus jardins.

****

Querida ser uma romã
ou um cais cheio de estrelas
sem este corte ao meio.
Uma coisa inteira.

 

De Tudo é sempre agora, 1994

 

 

BUCÓLICA

 

Ser uma árvore

plena de silêncio

ainda que sob os ramos

o pássaro da infância

ressuscite as tardes brancas

a meninas e as tranças.

 

 

PROFUNDAMENTE

 

Estão todos sentados esta noite.

Estão todos sentados.

 

A velha mesa respira

mas nadas se aquieta.

 

Estão todos sentados

mortos e sentados.

 

E este amor não basta

para carpir os beijos os nomes

os retratos.

 

 

SOMOS NÓS

 

E há que se viver

alguma coisa nova

algo como um vento

sobre o mar

superfície branda

alto navegar.

 

E depois,

sem cortar os pulsos,

suportar o pomo dourado da vida

coisa perigosa

porta sem saída.

 

 

O INESPERADO

 

Estou ficando só

diante do mundo

diante dos amigos

e pior

diante do amor.

 

Estou ficando só

diante de Deus.

 

Mas não era

para isso acontecer

mais tarde

nem mais tarde?

 

 

ESCREVENDO

 

As palavras fenecem

descem à tumba

rejuvenescem.

Enganam a ponta do lápis

o escritor

e o teclado do computador.

 

As palavras são déspotas

exigem escolhas apaixonadas.

 

Corremos ao encalço

mas pronunciadas

ei-las fora do laço.

 

 

AMOR DE PERDIçÃO

 

Era um fluir de formas

essência grave e leve

era a ordenação do caos

a harmonia breve.

 

Era o poema

encostado no muro

qual flor vadia

que entre ramas se esquecia.

 

Era o poeta

lambendo a página

em que o poema

encantado se escrevia.

 

 

 

Página publicada em novembro de 2007.
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De

AS MARINHAS

Rio de Janeiro: Salamandra, 1984

                                              

CANTO 1 - Preamar

(...)

Quero que águas

inundem este poema

como o sangue inunda o corpo

barco que navega.

 

E serão as águas claras

                   dos momentos claros

as águas escuras

                   dos momentos escuros

convulsas turvas aneladas

frias mornas paralisantes

calmas largas salinas

portuárias

águas   águas   águas.

 

Sem estação exata para nascer

as águas nascem:

no céu

                   nuvens

na terra

                   lírios

no ser

                   lágrimas  suor

                   saliva  esperma

                   catarro  urina

                   e sangue.

 

 

         CANTO II – Litorais

 

(...)

 

Olhar amanhecido

inquieta espero

o rosto mítico das palavras

 

Pois existe uma palavra

virgem de sentido

insondável

guardada num regaço que ignoro.

Um nome que custa falar

não sei se veneno

vida

ou a solidão da palavra silêncio

em lápis-lazúli

esculpida e secreta.

 

Não tenho ainda

a linha d´água do poema

nem encontrarei

o conhecimento socrático de mim mesma.

         Apenas sei o que me falta:

         um grande mar sereno

onde o coração pudesse mergulhar em paz.

 

(...)

 

Destas escadas itinerantes

vejo um paquete

que aponta na barra

e logo penetra nas manchas

azuis e verdes que tingem as águas.

Imenso o oceano respira

e é bom estar aqui

junto dele.

 

                   Pastoreio as ondas

                   que, como carneiros, se alçam

                   infantes e brancas.

 

 

Ontem andei pela baixa com Fernando Pessoa.

Chovia e fomos olhar o cais.

As águas do rio que é mar

falavam versos

coisas indizíveis a molhar nossa fantasia.

Escotilhas abertas de navios imaginários

deslizavam e pessoas nos saudavam de longe.

Para onde iam?

No meio do rio seus vultos

apressavam a memória

fazendo vir à tona um rosto coletivo

uma pessoa plural

na qual estávamos incluídos nós

e a nossa pequena solidão.

 

Este cheiro velho

vindo de toda parte

bate contra as palavras.

Não há novas terras nem um novo oceano

O que há é este domingo aflito

Que me põe dentro de mim mesma.

De portas trancadas.

De costas para o mar.

 

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De
CÂNTICO PAR SORAYA
Uma Princesa Sefardita
CANTIQUE À SORAYA
Une Princesse Séfarade

Traduit du brésilien par Vèronique Basset
texte bilíngüe / texto bilíngue
Paris: Eulina Carvalho; São Paulo: A Girafa, 2006.
ISBN85-89876-90-X

 

Após o esperado volume com a poesia reunida, publicado em 2004, Neide Archanjo nos brinda com o Cântico para Soraya -Uma Princesa Sefardita. 0 percurso nos permite identificar os diferentes olhares da poeta, por um lado e, por outro, o amadurecimento, expresso numa economia de recursos para desvelar emoções intensas.

Diria que, em seus últimos poemas, Neide Arcbanjo atinge o ponto mais alto de seu lirismo, na esteira maior da lírica grega:Safo. Sentem-se, contudo, os ecos do Cântico dos Cânticos, quando utilizando processos metonímicos e metafóricos, a autora evoca o corpo da amada, comparando-o aos frutos, flores, cheiros e sabores do jardim das Delícias, num sincretismo com os jardins de Sefarad, cenário dos encontros amorosos por Sevïlha, Córdoba e Granada ou pelos degraus de Jirona.

Esta revitalização lírica dos sentidos pelo olhar feminino nos harmoniza com a mãe Terra, da qual o homem pos-moderno está extraviado.

Leonor Scliar Cabral

 

GÊNESE

segundo versículo

Eis o amor
fenda
 que abre tua alma.

Sustentas
 tesouros
 por tanto tempo guardados.
 Pareciam ouro.

Engano teu.

És uma pequena
princesa sefardita.
Mal sabes da tua estória
das falas da memória.

Mas agora
nomeada estás.

E mais adiante saberás.


sexto versículo

O olhar de Soraya:
ameixas tâmaras damascos.
 Desertos.

E mais adiante
 uma palmeira
 a flutuar

 

ÊXODO

quinto versículo

Queria possuir-te aqui.
 Por certo tua boca
seria outra boca
 e tua cabeleira
 desenharia arabescos
 traços riscos contornos
rendas nas quais
 eu mais me perderia.

 

EVANGELHO

décima parabola

Teu sorriso abre
saudades da infância.

Quisera ser
um dos teus brinquedos
 objeto de beijos
 suspiros
 e orgasmos.

Tua carne viva
à minha espera.

Ah! e eu
que tardei tanto...

Diante do sorriso da menina
meu coração acorda
como se algum azul
acordasse esta manhã.

 

 

 

ARCHANJO, Neide.  Todas as horas e antes.  Poesia reunida. São Paulo, SP: A Girafa Editora, 2004.  504 p.  16x22,5 cm.    ISBN 85-89876-45-4   Apresentação de José Nêumane Pinto. Inclui poemas dos livros “Todas as Horas” (2004), “Epifanias” (1999), “Pequeno Oratório do Poeta para o Anjo” (1997), “Tudo é sempre agora” (1994), “As Marinhas” (1984), “Escavações” (1980), “Quixote, Tango e Foxtrote” (1975), “Poesia na Praça”(1970), “Primeiros Ofícios da Memória” “O Poeta Itinerante” (1968),   “ Neide Archanjo “ Ex. na bibl. Antonio Miranda

 

A mais completa edição disponível com a obra poética da autora. O editora faz aquela advertência de “que não é permitida a reprodução desta obra, parcial ou integralmente, sem a autorização expressa da editor e do autor”, ou seja, de ambos...

 

 

 

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TEXTOS EN ESPAÑOL

NEIDE ARCHANJO

 

TRADUCCIÓN Y NOTA INTRODUCTORIA DE

ADOVALDO FERNANDES SAMPAIO

 

NEIDE ARCHANJO nació em São Paulo (San Pablo), el 15 de septiembre de 1945. Abogada por la Facultad de Derecho de la Universidade de São Paulo. Em 1959, creó y articuló el movimiento Poesía en la Plaza (exposición semanal de poemas en carteles en la  Feria de Arte de la Plaza de la República, em San Pablo). Ha publicado Primeiros Ofícios da Memória (1964), O Poeta Itinerante (1968), Poesia na Praça (1970), Quixote, Tango e Foxtrote (1975). Tiene trabajos incluídos en las antologias Poesia del Brasile d´Oggi (Palermo, 1968) y Poesia Brasileira ModernaA Bilingual Anthology (Washington, 1972). Para Domingos Carvalho da Silva, “el poder de traducir en poesía los sentimientos personales es realmente raro, pero Neide Archanjo parece ser una autora dotada de ese poder mágico”. Parfa Luís Lobo, “Neide Archanjo es um poeta para quien la poesía es necesaria”. Para todo lector de poesía, o para todo poeta, los poemas de Neide Archanjo son indispensables, inevitables. Pues su poesía es densa, tensa, intensa, envolvente, aliciente, apasionada, como en el limite de sí misma.

 

TRES POEMAS

1

Las personas quieren saber

cómo hago poesía.

¿Es inspiración?

¿Escribo fumando

a máquina o a mano?

¿Soy romântica moderna?

Ay, mis amigos

ésa no es la boca

para la confesión.

Poesía es estado de gracia

y el poeta un ángel  exterminador

decidido a cualquier muerte

muerto en cualquier ángulo

pasible de muchas muertes

de aquéllas de corazón

de aquellas claras

lindas muertes

resueltas fulgurantes

donde el amor se cumple

concluso incluído incluso.

Mientras proyecta hondo

la amplitud de su vuelo

el poeta mata y muere

frente a frente

pistola y muerte en la mano.

 

 

         (De Poesia na Praça, 1979)

 

2

 

La carta llegó

ydesde entonces ella está conmigo

en los bolsillos

encima de la mesa

debajo de la almohada

al lado de la cama.

Y este recuerdo me duele.

Las cartas son lentas tardias

porque los correos no aman.

Pero ¿cómo decir, por ejemplo,

que esta carta

es un acontecimiento único

en mi universo

umna cosa linda

que llega interrumpiendo la vida

que me hace sentir feliz

sin que yo sepa

que estoy siendo feliz?

 

 

3

Yo me mataría en Lisboa

mirando el viejo cuarto de hotel

las ventanas ovales

y Allá fuera los tejados descoloridos.

Yo me mataria en Lisboa

pensando en el outro margen

como cosa vivida

y ya perdida

pues el amor pasa

y nosotros nos quedamos.

Yo me mataria en Lisboa

si tuviese que escribir cartas

en una lengua que no sé

cerca de un chafariz

de agua muy antigua.

Yo me mataria en Lisboa

cuando necesitase un diccionario

para componer esas cartas

en si mismas tan complejas

y tímidas ridículas

las cartas de amor.

Yo me mataría en Lisboa

si pasase las tardes en el Rocío.

Y entonces si fuera mayo

o abril

ahí si

seguramente

yo me mataría.

 

                   (De Quixote, Tango e Foxtrote, 1975)

 

Extraído de la obra

VOCES FEMENINAS DE LA POESÍA BRASILEÑA

Goiânia: Editora Oriente, s.d.

 

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CÂNTICO PAR SORAYA

 

De
CÂNTICO PAR SORAYA
Uma Princesa Sefardita
CANTIQUE À SORAYA
Une Princesse Séfarade

Traduit du brésilien par Vèronique Basset
texte bilíngüe / texto bilíngue
Paris: Eulina Carvalho; São Paulo: A Girafa, 2006.
ISBN85-89876-90-X

 


Aprês le volume attendu de ses oeuvres complètes, publié en 2004, Neide Archanjo nous offre le Cantique à Soraya - une princesse séfarade. Nous y retrouvons les différents regards de l'auteure. Mais enrichis de la maturation que dénote l'économie des moyens utilisés pour porter les émotions au mieux de leur inrensité.

Dans ses derniers poèmes, Neide Archanj'o semble avoir atteint au point culminant de son lyrisme, se plaçant dans la lignée de la póète grecque, Sapho. On perçoit, dans le même temps, les échos du Cantique des cantiques, où métonymies et métaphores viennent évoquer le corps de l´aimée, qui se fait fruits, fleurs, saveurs, parfums du Jardins des délices ; mais aussi, par fusion syncrétique, jardins de Séfarade, théatre des rendez-vous amoureux de Séville, Cordoba et Grenade, gradins de Gérone.

Cette revitalisation lyrique des sentiments par un regard de femme, nous met en harmonie avec la Terre mêre, dont procède l'Homme post-moderne.

Leonor Scliar Cabral

 

GÊNESIS

verset 2

Voici l'amour
 fissure
 qui vient ouvrir ton âme.

Tu gardes
 des trésors
 si longtemps préservés.
 
On aurait cru de l'or.

Tu te trompes.

Tu es une petite
 princesse séfarade.
A peine connais-tu ton histoire
 les voix de ta mémoire.

Mais à présent
 tu es nommée.

Et plus tard tu sauras.

 

verset 6

Le regard de Soraya :

dattes prunes abricots.
Déserts.

Plus avant
 palmeraie
 qui ondoie

 


EXODE

verset 5

C'est ici que j'aimerais te posséder.
 Assurément ta bouche
serait une autre bouche
ta chevelure
dessinerait des arabesques
des lignes des traits des contours
 dentelles en lesquelles
 plus encore me perdrais.

 

 

ÉVANGILE

dixiëme parabole

Ton sourire ouvre
 les saudades de l'enfance.

Je voudrais être
 tel de tes jouets
 objet de tes baisers
 soupirs félicités.

Ta chair vive
 a me languir.

Ah! et moi
 qui ai mis si longtemps...

Au sourire de la fillette
 mon coeur s'éveille
 a l'image de quelque azu
 qui eut levé ce matin-là.

 

******

 

Página republicada em junho de 2008, ampliada e republicada em janeiro de 2010

 

 



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