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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



JOSÉ PAULO MORElRA DA FONSECA

 

JOSÉ PAULO MORElRA DA FONSECA

(1922-2004) 

 

 José Paulo Moreira da Fonseca nasceu no Rio de Janeiro em 1922 e faleceu na mesma cidade em 4 de dezembro de 2004.

     Em 1945, formou-se em Direito e em 1948 concluiu a Faculdade de Filosofia, mas, afinal, dedicou-se à arte, tornando-se um dos principais poetas de sua geração, com vários livros publicados.

     Na década de 50, fez suas primeiras incursões na pintura, como autodidata. Foram experiências isoladas, com grandes lapsos de tempo entre um e outro quadro, até alcançar, afinal, um ritmo regular de produção.

     Tendo realizado em 1962 sua primeira individual, desde então já efetuou numerosas mostras, em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, como também em Frankfurt, Lisboa, Londres, Viena, Munique, Bonn, Hamburgo e Nova Iorque. É uma pintura agradável, que apela diretamente ao olho tátil e, através dele, ao sentimento do espectador. Fonte: http://www.pitoresco.com.br/brasil/josepaulo/josepaulo.htm

Publicou: Poesia: Elegia Diurna, 1947; Poesias, 1949; Concerto (in Poemata), 1950; Dois Poemas, 1951; A Tempestade e outros Poemas, 1956; Raízes, 1957; Três Livros, 1958; Seqüência, 1962. Prosa: Breves Memórias de Alexandro Apollonios, 1960; Exposição de Arte, 1966. Teatro: Dido e Enéias, 1953; a Mágico, 1963. Antologia poética (Rio de Janeiro: Leitura, 1968). 

Sobre o pintor, ver: http://www.pitoresco.com.br/brasil/josepaulo/josepaulo.htm 

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS  /  TEXTOS EN ESPAÑOL

 

                               TEXTS IN ENGLISH

 

TEXTOS EM ITALIANO

 

 

JOSÉ PAULO MORElRA DA FONSECA
De
CORES E PALAVRAS. 2 ed.
DIÁRIO DE VIAGEM
Rio de Janeiro: Léo Christiano Editorial, 1983


CORAGEM


queixa-te
         mas discretamente
                            há muita aflição na terra
e por vezes se morre exausto de tanto sofrer

não grites a dor
         o silêncio dorme inquieto
                   pelos gemidos
                            rancores            a frieza

é preciso ser vagamente herói
em socorro de ti mesmo e de todo o mundo

vagamente garimpeiro
buscando nas areias da alma
o que ainda seja alegria
                   alvo diamante
                                   neste rio de limo e cinzas


CENAS DE FEIRA

I
os pássaros
(prodígiio)


         os pássaros principiaram a cantar
         talvez porque naquele momento cantassem as nuvens
porque era manhã    porque havia respingos na verdura
eles principiaram a cantar
                   e as gaiolas se fizeram em chamas
         alegrando o canto
quando todos fugiram        transparentes
                                               acesos nos vidros do sol



II
a manga

         a manga       músculo sensual e jovem
         como um dia de verão        a sua polpa    como os prazeres da carne
         nessa hora em que a terra nos abraça     o sol nos tinge
         sem palavras                   apenas uma lenta claridade           uma resina
         um verde      uma transparência no corpo
         algo de sereno e profundo
         deixando        não pensar           não julgar
                                                                  não prever


 III
o limão


         ácido o limão          coisa limpa
         como flor do mar
         ácido           quase ferindo          por bem
         como palavra clara
         sem nódoa ou segunda intenção

 

IV
O mercado dos indigentes


agora quando todas as barracas se desarmam
e tomba o madeirame e há vozerio         caminhões     manobras
agora eles vêm        maltrapilhos e curvados

sobre aquilo que ninguém mais quer:
frutas apodrecidas  legumes murchos
lixos  cores    moscas
                            um odor azedo e doce        morno

vê como correm      gritam
lutam por uma coisa que nem olharias
vê os gestos sôfregos        a antiga figura         a fome
palavra que tuas entranhas pouco dizem
agora quase um remorso             um lanho em teu rosto

 


INDAGAÇAO EXTREMA

em que noite
em que pálido tempo
                   se perde a luz da juventude?

procura a esfinge
                   sem disfarces
sem temor algum     como se fosses
                                      tão incólume
                            quanto os mortos

                   talvez...

 

                 ***********************************

 

NOTURNO DE PETRÓPOLIS

 

Um grilo crepita seu alegre fósforo

invisível acendendo a escuridão da alma,

os mil outros momentos nos quais grilos cantaram

e que longe dormiam entre os vãos do silêncio

agora quase presentes, quase lembrança

mas tão de leve, que nos desenham o próprio esquecimento

como se olhássemos uma janela aberta sobre o jardim noturno

advinhando as rosas na limpidez da brisa.

 

 

ELEGIA

 

Agora que a impaciência do desejo

é lâmpada acesa sobre o teu corpo,

agora que sei decifrar o enigma dos ombros,

os seios de lentas curvas,

agora que és toda flor e vertigem,

não lamento a carência de minhas palavras.

tu me bastas, esquecida sobre a alvura dos lençóis:

um poema sem os enganos, sem o vazio,

um espelho do Mundo

                            que minhas mãos tocam

hesitantes quase

no receio de perder com a saciedade

tão extrema confidência murmurando-me a cifra da noite.

 

                           

AS LEMBRANÇAS

 

Pastoreio minhas lembranças:

triste rebanho à luz da lua.

São fantasmas esses vultos que se movem na escuridão,

esses rumores como um lamento, um socorro.

 

São seres mortos

e seu hálito de gelo

vai crestando a alma.

 

                            A noite é imensa,

povoada de esquecimento e de estrelas.

Quem a desejaria como sua morada?

Que coração encontra no hostil negrume

uma clemência em que repouse o seu bater incessante?

 

Mas elas estão em torno de mim, as lembranças,

seguem-me se caminho, restam imóveis quando repouso,

são a minha sombra, confundem-se comigo,

e o que hoje vivo

amanhã será apenas mais uma ovelha naquele cortejo perdido.

 

 

O ANALFABETO

 

O analfabeto sabe por ouvir dizer,

escuta e confia:

o mundo é grande demais

e tão pouco se vê em torno.

 

O analfabeto desenha seu nome

como já conhece de cor

como a marca posta na carne do gado.

 

 

NOTURNO

 

A primeira estrela acende

a única certeza nesta hora pálida

e transparente neste céu sem cor

                                               puro céu

 

A primeira estrela na alma a Vida

                                      nos contemplando

agora que o traiçoeiro silêncio da tarde

confessou em nossos ouvidos afiados pelo temor

um conciso pressentimento da Morte

 

USCAR A ROSA

Buscar a rosa no cimo dos penhascos,

a rosa supérflua e essencial,

perdida pelos ventos agrestes,

pelas grimpas sem-fim,

uma rosa dádiva —

e desprezares a morte

sob o céu azul.

 

 

MARINHA

 

A onda que se modela

de outras, infindas,

e já adormecendo no mar.

 

Perene palpitação,

verde inquietude

no seu laço entre a vida e a morte.

 

 

QUIETUDE

 

Mulher cosendo,

uma toalha que resvala

pelos joelhos.

 

Mulher inclinada no ofício

e seu olhar agora foge

com os pensamentos,

simples

e que fluem na imobilidade,

na límpida imobilidade,

como a vida o faz.

 

 

 

MORTE MORRIDA

 

Aqueles que morrem no leito

a morte simples e conhecida do médico

e tão igual e tão profunda

quanto a dos camponeses que Átila dizimou

ou a de César entre as colunas.

Tão igual e tão definitiva

apesar dos lençóis, brancos,

que serão estendidos ao sol.

 

 

EM ABRIL DE 1967

 

O anoitecer tão simples,

um ligeiro ruído de crianças, o vento nas árvores,

instantes iguais aos de uma tarde qualquer

                e que para tantos homens como eu

do mesmo sangue e Corpo

são o passo da agonia,

o abismo bruscamente erguido,

                como agora quando me lês

- neste momento preciso -

em que muitos estarão morrendo.

 

 

LAGOA

 

Na água longínqua da tarde

montanhas reclinam sua imagem,

tão rijas

               e agora ao dispor da mais leve brisa.

 

Figuras que a luz envolve inquietamente,

que qualquer barqueiro tardio

fere num sulco de angústia.

 

JOSÉ PAULO MORElRA DA FONSECA

 

De

RAIZES

Poemas JOSÉ PAULO MOREIRA DA FONSECA

Desenhos CÂNDIDO PORTINARI

Rio de Janeiro: José Olympio, 1957.

58 p. (Obra rara)

 

JOSÉ PAULO MORElRA DA FONSECA

 

O CARTÓGRAFO

 

No azul desse mar distante           

Porei uma nau feito as que de lá me trouxeram

                                                        novas

De serpentes entre as algas

Que à sombra dos mastros igualmente vou -

                                                  desenhando

E ainda uma diurna costa com verdes palmas,

Flores rubras, pássaros e lagartos

Que sejam ornamento e nos falem da estranheza.

E porei além, uma póvoa de aborígines

E mais além, porque tudo ignoramos,

Cumpre-me deixar a carta em branco,

Sem palavras nem contornos,

Tâo-só indagação, casta e silenciosa,

Como a do papel em que escrevo.


 

AZULEJOS


Mar e céu jovens
Como esses dias que nos vêm
De cal ainda viva nos muros,
Não há ruínas para medir o tempo.


 

INTERIOR DA IGREJA


Enfim pecamos, bem sabemos pecar,
Mas nesta hora em que se evola o incenso

E desde o coro a música nos chega,
Nesta hora, feito aquela em que o sol da tarde,
Extremos e violáceo, tinge

A viela e os degraus em cores da distância,
Confusos como despertando
De um escuro e longo sonho.

 


OS ESCRAVOS

 

Em seus rudes corpos
O rubor de mil vexações
Salta na carne lacerada
              --- lanhos de uma aflita aurora
Exigindo o fim das sombras.

 

 

 

FONSECA, José Paulo Moreira de.  As Sombras  O Caminho  A Luz.   Rio de Janeiro: Léo Christiano Editorial Ltda, 1998. 64 p.  21x21,5 cm.  capa dura.   Capa: Rubens Faria Santos.  ISBN  85-85020-301-8    Col. Bibl. Antonio Miranda

 

O PERFECCIONISTA

 

exiges — tua bandeira é exigir —

queres o impossível

és tão meticuloso quanto um cálculo algébrico

e esqueces a beleza do jardim

porque viste duas rosas ressequidas —

negas o esplendor do mar

porque há naufrágios tormentas

porque o lodo escurece as águas profundas

és um perdedor
dia e noite perdes

querias ser um anjo   um deus

e não tens coragem de aceitar a vastidão da vida

límpida apesar dos enganos dos ferimentos e da morte

 

 

 

FONSECA, José Paulo Moreira da.  Antologia poética.  Rio de Janeiro: Editora Leitura, 1968.  183 p.  16x23 cm.  Composto e impresso nas oficinas da Empresa O Cruzeiro Ltda.  Col. Bibl. Antonio Miranda

 

O EMBLEMA

 

Se me pedisses um emblema para nosso amor

eu te diria: vidro.

                              É com um intenso fogo

que se forja a transparência

e o brilho de um cálice ou de um gral.

O vidro nada esconde e não se polui

nas águas do tempo; o vidro, todo fiel

                                       à presença das flamas.

 

Talvez confesses que escolhi um exemplo demasiado

                                                                               [frágil;

mas, acaso, nossa figura mortal

resiste com maior triunfo aos golpes da fortuna?

 

 

 

 

 

 

 

 

TEXTOS EN ESPAÑOL

Traducción de Gabino-Alejandro Carriedo

 

 

 

SI PENSARAS LA HISTORIA ...

 

Si pensaras la historia,

Qué apretado vacío en el silencio,

Todo apartándose,

La sonrisa del niño, el ruído del asedio,

Todo yermo-intangiblemente yermo.

 

 

BUSCAR LA ROSA

 

Buscar la rosa en la cumbre del peñasco,

La rosa superflua y esencial,

Perdida en los vientos agrestes,

En las cumbres sin fin,

Una rosa dádiva —

Y despreciar la muerte

Bajo el cielo azul.

 

 

VIENTO NOCTURNO

 

Viento nocturno, que arrebata y salva la primavera,

Viento de nubes perdidas,

De lejanos yermos. iJubiloso Funeral!

Y Keats y tantos otros, perdurando,

Mágicamente perdurando

Allende el oscuro invierno.

 

 

LAS CASAS

 

Las casas, precisas, tiradas a regla,

Equilibrio en el paisaje, tosca geometría

De triángulos siempre rojizos, de cuadriláteros,

Y yentanas apagando el día en sombra difusa.

Las casas, plantadas entre muros, entre la arboleda,

Sonoras— lejana bruma de gritos —

El lloro de un niño,

Melodía de mujer que humilde lava, lejos, como si ya fuera noche,

Y siéndolo, todas fundidas en la tiniebla,  

Solitarias en las puertas, defendiendo una vida,

Mutismo de paredes, yertas al mismo musgo que las cubre,

Inconscientes de horizontes,

En un gesto pasivo de abandono,

Fieles, inagotables, haciendo volver el tiempo

En su ya imprescindible permanencia.

 

                   (De Elegia Diurna, Rio, 1947.}

 

 

 

EL  CARTÓGRAFO

 

En el azul de ese mar distante

Pondré una nave como las que de allá me trajeron nuevas

De serpientes entre las algas

Que a la sombra de los mástiles igualmente voy dibujando

E incluso una diurna costa con verdes palmas,

Flores rojas, pájaros y lagartos

Que sean ornamento y nos hablen de lo raro.

Y más allá pondré un poblado de aborígenes

Y aún más allá, porque todo ignoramos,

Cúmpleme dejar la carta en blanco,

Sin palabras ni contornos,

Tan sólo indagación, casta y silenciosa,

Como la del papel en que escribo.

 

 

LOS SAURIOS

 

¿No os dije que había monstruos?

(Y tantos otros ignorados

O que la vista percibió apenas

Bajo las olas crespas y todavía más allá

De aquellas rocas que nos impiden ver.)

Trinquemos la puerta o hagamos un fuego bien vivo.

 

 

EL FORTíN

 

La ciudad, tranquila,

Subsiste en el comercio, las leyes y en el ocio.

No es porque fallen esos muros tenaces

Ni la artillería de seguro alcance

Por lo que en compartimentos y alcobas muchos mueren.

Tal vez mil años todavía vengan

Hasta que ruinas sean ya las losas.

 

 

HABLA DE LOS VIRREYES

 

Vivimos conforme a nuestra condición

A pesar de la vida deshonesta, la gota

Y otras máculas que suelen bastardear

El poder de que fuimos investidos.

De tal modo vivimos, procurando por encima de todo

Conservar intacta y creciente la virtud de la Corona,

Conscientes de que mucha reverencia debida nos es

Porque lo principal en nosotros

No se encuentra en la flaqueza humana

Ni siquiera cuando se mezcla con el solemne oficio de gobernar.

Así nos sostenemos y mantenemos en alta cuenta

Y por justa exigimos la obediencia,

El séquito y todo aquello que recta voluntad

Pusiese y dispusiese, nos sea concedido.

 

                   (De Raízes, Rio, 1957.)

 

LAS CIGARRAS

 

Siempre vuelven en diciembre

                                      son otras

es otro el verano

entre las ramas que en vano intentan aprisionar la tarde

teñidas de ese rubor de sangre

de antaño de hoy de manaña

                                      cuando nunca oiremos más el canto

agitando el ramaje

y el batir de alas en la sombra del jardín

                                               bajo la traidora calma

que despliega la hora en el mundo exhausto.

 

 

EL CABRITO

 

Poblaste el paisaje griego

                            guardas un timbre c1ásico algo de conciso

ágil y joven —¿quién lo negaría -basta verte sobre los abismos

miedo ni vértigo

                   como la vida.

 

 

LA LECHUZA

 

Los ojos apenas

                   las negras pupilas

ceñidas por vidrio y por oro

                            una pregunta un grito

que reflejase el vértigo de la noche.

 

 

EL BAGRE

 

Eres casi barro

en la sombra de los ríos.

 

Cuando te suben a la superficie

palpitas

         ¿pez o víscera?

 

Eres casi náusea

                   en nuestros ojos

que violaran un secreto.

 

                   (De Bestiário, in «Três Livros», Rio, 1958.)

 

 

LUZ Y TINIEBLAS

 

Es de noche, estamos entre las sombras

y el ardor de la lámpara,

dos granos de arena en el inmenso mundo; la ventana nos muestra

Sirio, Orión, la Balanza—

poco me importan,

tú eres lo que contemplo, tu luz me aclara

el alma envuelta en tan oscuro manto.

                                               Déjame ver tus ojos,

veré en ellos distancia aún más lejana

que la de aquellos fríos y nocturnos fuegos.

Ven a mis brazos,

he de sentir todo el pálpito de la primavera

como quien toca una flor.

 

 

DESPILFARRO

 

Mañana — tal vez la muerte,

                                      mañana. ¿Por qué no?

¿Por qué, pregunto, desdeñar estos momentos?

El tiempo vive de robos,

nuestro tesoro no está tan seguro

que nos permita el despilfarro de no amar.

 

 

EL EMBLEMA

 

Si me pidieses un emblema para nuestro amor

yo te diría: vidrio.

                   Es con intenso fuego

como se forja la transparencia

y el brillo de un cáliz o un mortero.

EI vidrio no oculta nada y no se oxida

en las aguas del tiempo; el vidrio, enteramente fiel

                                                                  ante las llamas.

 

Tal vez confieses que elegí un ejemplo demasiado frágil;

pero, ¿acaso nuestra mortal figura

resiste con mejor éxito a los golpes de la suerte?

 

 

                   (De O Encontro, in «Três Livros», Rio, 1958.)

 

 

 

Paisaje

 

Aún no ha descendido la lluvia. Como un leopardo

el mundo nos acecha en esta lívida luz.

Como un leopardo, los montes

y las piedras del edificio, y puertas y ventanas

denuncian la culpa. Invisibles pupilas,

invisible furia. El árbol poseído por el viento

se inclina hacia el suelo en un vértigo de arena y se crispa

a la manera de una mujer defendiendo el lecho violado.

No toquemos tijeras, agujas

o cualquier utensilio de metal. Un pájaro

en su jaula se debatía entre los pequeños alambres.

 

Jamás atribuyas tu sobresalto

a esta hoja de zinc desenfrenadamente

arrastrada por las calles.

ni al estallido de las vidrieras.

El tren que pasa por las campiñas en la noche,

la despedida en el muelle, la mesa rodante que lleva

al adormecido a la sala de cirugía,

los telefonazos de madrugada,

estos árboles convulsos —no les atribuyas tu sobresalto.

Difícil es oír la radio, lo impide la estática.

Los bichos de la casa buscan nuestra convivencia

se recuestan en la concavidad de algún mueble.

 

Si le damos al perro el juguete acostumbrado

no lo verá, sus ojos fijos en la imperceptible distancia.

 

Una joven procura abrigarse,

otra amamanta al hijo,

y más allá, el canal de aguas muertas,

un caserío silencioso, el follaje amedrentado.

¿Qué intenta guardar este pastor o barquero

de manto morado?

¿Qué intenta guardar Giorgione de Castelfranco?

 

¿Qué vale guardar? ¿Qué nos importa guardar?

¿Qué nos importa?

 

El ruido es de silbidos y bocinas, en breve

escucharemos la lluvia,

su ríspido timbre sobre los tejados;

en breve el arreo de los ríos ha de correr fangoso.

 

No es eso lo que temes, las nubes de fuego

se desvanecerán en el éter, la postrer ráfaga

casi tranquilamente será sorbida por el sordo boyero.

 

 

 

Luz y tinieblas

 

Es de noche, estamos entre las sombras

y el ardor de la lámpara,

dos granos de arena en el inmenso mundo;

la ventana nos muestra

a Sirius, Orión, Libra.

Poco me importan,

es a ti. a quien contemplo, tu luz me aclara

el alma envuelta en oscuro manto.

 

Déjame ver tus ojos,

que la de aquellos fríos y nocturnos fuegos

en ellos encontraré la distancia aún más lejana

Ven a mis brazos,

he de sentir todo el latir de la primavera

como quien tocase una flor.

 

 

Al mar

 

En todo tu cuerpo no hay una cicatriz,

rehaces a cada momento lo que devastó el tiempo,

eres una risa inmensa contra el tiempo,

enséñame tu secreto,

tu vértigo...

 

Embriágame

en tu oscuro vino salino,

yo que me quiero lúcido no para las cosas muertas:

apenas descifrar un poco la vida, su infinito curso

que me inunda el ser, que me transborda, y me pierde,

tú, que te sabes perder en el peñasco, en la amurada,

en las arenas insaciablemente...

 

 

[Traducciones de Helio Orovio]

Arquitrave Nº 61 Octubre-Diciembre 2015

 

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 TEXTS IN ENGLISH
Translations: Richard Spock

From

CORES E PALAVRAS. 2 ed.

A TRAVELER´S LOGBOOK
Rio de Janeiro: Léo Christiano Editorial, 1983

 

COURAGE

complain if you must
         but softly
         there is much affliction on earth
people sometimes weary and die from suffering so

don´t cry out your pain
                   silence sleeps uneasily
                            aware of the groans
                                               rancor         indifference

you´ve got to be something of a hero
aiding yourself and all others tôo

something of a miner
panning the sands of the soul
for what may still be joy
                   pure diamond
                            in this stream of slime and ashes
 

SCENES OF THE STREET MARKET


I
the birds
(strange vision)

rhe birds  began to sing
         perhaps because the clouds also sang at that moment
because it was mornin  because drops of water glistened on the vegetables
   
they bagan to sing   
                   and the cages were consumed in flames
         brightening the song
         then they all took wing       transparent
                                                        aglow in the glass of the Sun


II
the mango


the mango     young and sensual muscle
like a summer day            its pulp         like the pleasures of the flesh
at the moment when the earth embraces us       the sun tinges us
wordlessly     just a slow dawing    a resin
a Green        a  corporal  transparency
something serene and profound
freeing us from thinking     judging
                                               foreseeing


III
the lime

bitter the lime          purê thing
like a flower of the sea
bitter            almost wounding               for our good
like a clear Word
without blemish or second intention


IV
the beggars´ market


now as the stands are being dimantled
and their wooden parts fall to the ground
and there is shouting          trucks                    maneuvers
now they come        ragged and hunched

over what others have scorned:
rotten fruit              wilted greens
garbage        colors           flies
                                      a bittersweet stench                    tepid
see how they run              shout and clamor
argue over things you wouldn´t even look at
see their greedy gestures             the ancient figure     hunger
a word your viscera seldon utter
now almost a remorse         a whipburn on your face



EXTREME QUESTION


on what night
in what pale time
                   is the light of youth lost?

ask the aphnix
                   but undisguised
with no fear  as if you were
                                      as untouchable
                   as the dead

                   perhaps...

 

 


FONSECA, José Paulo Moreira da.  José Paulo PORTFOLIO.  Rio de Janeiro: Leo Christiano Editorial, 1984.  Album de 46x61,5 cm. com 10 estampas  e 10 textos-poemas , um “Jornal” com resumo biográfico do poeta-pintor.  Tradução de Richard Spock. Layout e montagem de Rubem Faria Santos. Impressão Grafiarte sobre papel couchê, 180 gr Suzano Feiffer e “vergê” 180 gr Simão nos textos. Ao final, folha com a “Fortuna Crítica”.  Folhas soltas em caixa de papelão revestida de tecido.  Col. Bibl Antonio Miranda  (EE)

 

 

 

 


II


PORTAS, ESCADAS E AZULEJOS

          A porta — imagem de significados contraditórios e
nesta polivalência, válido emblema da vida.
                                                        A porta fechada:
segurança,  mas, talvez, cárcere:
                                         Aberta: liberdade ou perigo.
          Porém um fato é fato, sem as portas as casas não
seriam casas.
                    E as portas da alma?
                                           Quando seremos carcereiros?
                                           Quando sábios?
                                           Quando temerários?

 

DOORS, STEPS AND TILES

          The door — image of contradictory meanings and in
this polyvance, valid emblem of life.
                                              The closed door?
security, but perhaps, jail.
                                      Open: freedom or danger.
          But a fact is a fact — without doors house would
not be houses.
                      And the doors of the soul?
                                                    When will be jailers?
                                                    When wise men?
                                                    When temerarious?

 

V

A PONTE E A NEBLINA

          Eis-me diante de duas formas que se opõem: o seguro
trânsito sobre o vazio e o triunfo das dúvidas.
                                                            E na vida de
todos nós há a hora da ponte, da ultrapassagem na certeza,
e o momento das indagações.             
                                         O sim e o talvez.
                                                             Uma palavra paira
sobre a paisagem: liberdade.
                                       De fato, as estrelas não duvidam,
porém não escolhem, cumprem um teorema no espaço; mas nós
caniços pensantes hesitamos e podemos, por vezes, decidir
o nosso destino.



THE BRIDGE AND THE FOG

          Here I stand before two opposing forms: safe transit
over the void and the triumph of doubts.
                                                   And in the life
of each of us there is the hour of the bridge, the traversing
in certainty, and the moment of questioning.
                   The yes and the perhaps.
                                                   A word hovers over
the landscape: liberty.
                                Indeed, the stars do not doubt, but
neither do they choose. They fulfill a theorem in space,
while we roseaux pensants hesitate and can, at times,
decide our destiny.

 

 

 

TEXTOS EM ITALIANO

 

 

Textos extraídos de:

 

CHIOCCHIO, Anton Angelo.  Poesia post-modernista in Brasile.  Roma: dell´Arco, s.d.  40 p.  ilus. 12x17,5 cm.  “ Anton Angelo Chiocchio “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

INTERNO

 

È tranquilla la casa. La nostra memoria conferma

                              gli oggetti

Nei luoghi di sempre: questo tavolo, quel como

                              col lume di bronzo,

II posacenere azzurro, le miti tendine.

 

ITimprovviso c'è qualcuno che muore.

E le stesse cose ci appaiono sconosciute,

Senza più alcuna risposta. Se le guardassimo

                              sarebbe come fissare il vuoto.

 

 

IL GALLO

 

Prima che l'aurora rosseggi

II tuo canto vermiglio s'erge in fiamme

Ferendo il paesaggio notturno, ma tanto frenetico

                              e rude,

Che si direbbe tutto perduto. Ma tu lo ripeti

E un nuovo canto da lontano ci rammenta

                              l'immensità delle ombre.

 

 

SERA

 

II tempo per un momento rivela

la sua agonia silenziosa.

 

E inquieto sento

tutta la sconsolatezza

di quelle forme che affondano nell'ombra,

di quelle onde increspate

che raccolgono una luce

già fredda.

 

 

Página publicada em maio de 2014; página ampliada e republicada em dezembro de 2014.


 




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