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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Fonte: http://alfarrabio.di.uminho.pt

 

GONÇALVES CRESPO

(1846 - 1883)

 

Antônio Cândido Gonçalves Crespo nasceu no Rio de Janeiro em 1846, sendo filho de um negociante português e de uma negra. Foi estudar em Coimbra aos catorze anos de idade, onde publicou poemas na revista Folha em que também publicavam notáveis da época como Guerra Junqueira e Antero de Quental. 

Veja também:  CARTÃO POSTAL ANTIGO COM POEMA DO AUTOR

 

 

Ver também: POÈMES EN FRANÇAIS

 

 

MATER DOLOROSA

 

Quando se fez ao largo a nave escura,

na praia essa mulher ficou chorando,

no doloroso aspecto figurando

a lacrimosa estátua da amargura.

 

Dos céus a curva era tranquila e pura;

das gementes alcíones o bando

via-se ao longe, em círculos, voando

dos mares sobre a cérula planura.

 

Nas ondas se atufara o Sol radioso,

e a Lua sucedera, astro mavioso,

de alvor banhando os alcantis das fragas...

 

E aquela pobre mãe, não dando conta

que o Sol morrera, e que o luar desponta,

a vista embebe na amplidão das vagas...

 

 

       *****

 

AS VELHAS NEGRAS

 

As velhas negras, coitadas,

Ao longe estão assentadas

Do batuque folgazão.

Pulam crioulas faceiras

Em derredor da fogueira

E das pipas de alcatrão.

 

Na floresta rumorosa

Esparge a lua formosa

A clara luz tropical.

Tremulam pirilampos

No verde-escuro dos campos

E nos côncavos do Val.

 

Que noite de paz! Que noite!

Não se ouve o estalar do açoite,

Nem as pragas do feitor!

E as pobres negras, coitadas,

Pendem as frontes cansadas

Num letárgico torpor!

 

E cismam: outrora, e dantes

Havia também descantes,

E o tempo era tão feliz!

Ai que profunda saudade

Da vida, da mocidade

Nas matas de seu país!

 

E ante o seu olhar vazio

De esperanças, frio, frio

Como um véu de viuvez,

Ressurge e chora o passado

— Pobre ninho abandonado

Que a neve alagou, desfez...

 

E pensam nos seus amores

Efêmeros como as flores

Que o sol queima no sertão...

Os filhos quando crescidos,

Foram levados, vendidos,

E ninguém sabe onde estão.

 

Conheceram muito dono:

Embalaram tanto sono

De tanta sinhá gentil!

Foram mucambas amadas.

E agora inúteis, curvadas,

Numa velhice imbecil!

 

No entanto o luar de prata

Envolve a colina e a mata

E os cafezais em redor!

E os negros, mostrando os dentes,

Saltam lépidos, contentes,

No batuque estrugidor.

 

No espaçosos e amplo terreiro

A filha do Fazendeiro,

A sinhá sentimental,

Ouve um primo recém-vindo,

Que lhe narra o poema infindo

Das noites de Portugal.

 

E ela avista, entre sorrisos,

De uns longínquos paraísos

A tentadora visão...

No entanto as velhas, coitadas,

Cismam ao longe assentadas

Do batuque folgazão...  

 

 

 

CRESPO, Gonçalves.  Obras Completas.   Prefácio de Afrânio Peixoto da Academia Brasileira. Capa de Maria HelenaVieira da Silva.  Rio de Janeiro: Edições Livros de Portugal Ltda,  1942.  221 p.  14x21,5 cm. capa dura. Foto do poeta no frontispício. “Deste livro foram tirados 250 exemplares em papel Bufon de 1ª qualidade, numerados de 1 a 250 e rubricados pelo Diretora literário desta Editora”.   Col. A.M. 

 

CONSOLAÇÃO

 

Quando à noite no baile esplendoroso

Vais na onda da valsa arrebatada

Com a serena fronte reclinada

Sobre o peito feliz do par ditoso...

 

Mal sabes tu que existe um desditoso

Faminto de te ver, oh minha amada!

E .que sente a sua alma angustiada

Longe da luz do teu olhar piedoso.

 

Mas quando a roxa aurora vem nascendo,

E a cotovia acorda o laranjal,

E os. astros vão de todo esmorecendo;

 

Eu cuido ver-te, oh lírio divinal,

As minhas cartas ávida relendo

Semi-nua no leito virginal.

 

1869.

 

 

 

ODOR Dl FEMINA

 

     A ALBERTO PIMENTEL

 

Era austero e sisudo; não havia
Frade mais exemplar nesse convento:

No seu cavado rosto macilento

Um poema de lágrimas se lia.

 

Uma vez que na extensa livraria

Folheava o triste um livro pardacento,

Viram-no desmaiar, cair do assento,

Convulso, e torvo sobre a lágea fria.

 

De que morrera o venerando frade?

Em vão busco as origens da verdade,

Ninguém ma disse, explique-a quem puder.

 

Consta que um bibliófilo comprara

O livro estranho e que, ao abri-lo, achara

Uns dourados cabelos de mulher...

 

 

 

POÈMES EN FRANÇAIS

 

GONÇALVES CRESPO

 

POÈMES FRANÇAIS D´ÉCRIVAINS BRÉSILIENS. Choix et notes biographiques de Luz Annibal Falcão – Président de l´Alliance Francaise de Rio.  Préface de Francis de Miomande.   Pèrigueux, France: L´Atelier de Pierre Fanlac, Près Tour de Vésone, 1967.  118 p.  14,5x19,5 cm.  Inclui poemas de autores brasileiros escritos originalmente em francês. 

 

C'est en 1846 que naquit, aux environs de Rio, Antonio Candido Gonçalvès Crespo. Il vit le jour dans une modeste propriété appartenant à son père, le petit commerçant portugais Antonio Gonçalvès Crespo. Sa mère, Francisca Rosa était noire et le petit Antonio vécut à la campagne jusqu'à l'âge de 8 ans.

Son père l'envoya faire ses études à Rio puis au Portugal et Gonçalvès Crespo dédia à ce père son pre¬mier ouvrage « Miniaturas » en 1871. Encore étudiant au Portugal, il publia quelques poèmes dans des revues, et épousa Amalia Vaz de Carvalho, fille d'un noble portugais. En 1882, il publiait un second volume de vers « Noturnos », après avoir réussi cette chose éton¬nante pour un métis brésilien : être élu à la Chambre portugaise comme Député de Goa, aux Indes. (1878). Réélu Député en 1882, il entre à l'Académie de Lis¬bonne l'année suivante, mais il meurt en 1883 à 38 ans.

Le poème suivant est adressé à Karl Hermann. Celui-ci était un prestidigitateur d'une adresse telle qu'il éveillait partout l'étonnement et l'admiration. Sa renommée était universelle. Il vint au Brésil, recom¬mandé à l'Empereur par le Tzar en 1858 et y revint en 1866 et 1880.

 

 

A KARL HERMANN

 

Eh bien, le voyez-vous ce cajoleur Satan,
Aux moustaches en croc, et superbe vainqueur ?
Mesdames, le voilà : c'est Merlin, l'enchanteur !
Jeunes filles, tremblez, cet homme c'est Hermann !

S'il eut vécut au temps divin, charmant et beau,
A l'âge où souriait la reine Antoinette,
Les marquis, les abbés, et les traitants en fête
Eussent vite oublié ton nom, Cagliostro !

On nous dit qu'il connait les choses du Malin,
Qu'on sent auprès de lui la forte odeur du soufre.
Qu'il a ses doigts crochus, qu'il est sorti d'un gouffre,
Et qu'il brave l'Azur, et qu'il nous fait, enfin,

Oublier le Bon Dieu... Mais non, oh ! chose étrange !
Il est doux, il est bon, la Charité l'admire ;
Et donc que je célèbre aux accents de ma lyre
Ce Satan dont les bras sont les ailes d'un ange.

 

Coimbra, 1876.

 

 

 

Página publicada em março de 2008, Ampliada e republicada em julho de 2013; PÁGINA ampliada em agosto de 2016.

Metadados:  Poesia Negra Brasileira – Negro na Poesia – Escravatura (na Poesia)



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