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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




DENISE EMMER

Poeta, cantora e musicista. Nasceu no Rio de Janeiro. Graduada em física e pós-graduada em filosofia.  Autora de muitos livros de poesia, e compositora com CDs no mercado alternativo.

Os poemas a seguir foram escolhidos da antologia 41 POETAS DO RIO, organizado por Mocyr Félix, publicada em 1998 pela Funarte.

               TEXTOS EM PORTUGUÊS  /  TEXTO EN ESPAÑOL  /  TEXT IN ENGLISH


Vias avessas

Chegas por vias avessas escuto teus passos surdos
Deuses que movimentam a incoerência do mundo
Regem relógios quietos de horas que não existem
Feliz a insanidade das multidões irascíveis

Se há mares em teus abraços mergulho em sóis afundados
Decifro a nova linguagem que inutiliza tratados
E despedaça países fundidos em calmarias
O amor desgoverna os ventos assombros em abadia

Viajo os rumos trocados as ruas que se invertem
Distâncias que se encontram pernas que se perseguem
Olhos que confabulam dentro de rios quentes
Percebo outras cidades nos vãos de uma nova lente

O que me faz alcançar as caravelas aéreas
Andaimes velozes cumes a indizível matéria
São teus incêndios a luz que espalhas pelo Universo
E por meu corpo acendendo meus lampiões submersos.

 

À NOITE

A noite ela se embriaga

e vai bailar nos espaços

usando um traje de pássaros

viaja para o infinito

 

abro a janela do mundo

e já não vejo seu rastro

me leva lagoa lua

à grande festa das águas

 

em que outra madrugada

esconderás teu espelho

 

nas esquinas que não vejo

onde a noite vira asa?

 

         (do livro Teatro dos elementos, 1993)

 

OS ANIMAIS QUE MORREM

Os animais que morrem

viram luzes

assombros tão pequenos

entre escuros

espectro sereno

sobre muros

 

os animais que morrem

são futuros.

 

         (do livro Cantares de amor e abismo, 1995)

 

SINAL DE ALERTA

Faça a noite que faça

as fábricas soltam fumaça

e como avistar quem passa

através de um claro vidro?

 

Os operários levitam

seus espíritos vencidos

ao cume das chaminés;

que flutuam ente os telhados

marés de moços causados

qual uma cinza tristeza.

 

E esta pálida natureza

vai colorindo de morte

os jardins de nossos filhos

os fios de nossos pássaros.

 

E enquanto as mulheres abraçam

crianças de olhos fundos

vão se calando o mundo

como um velho homem com tosse.

 

Tão curvado e solitário

um moribundo canário

canta a manhã da cidade

que a todo dia reage.

 

         (do livro Canções de acender a noite, 1982)

 

AS GALÁXIAS

As galáxias

se expandem

e nem ouvimos

seus gritos

 

os labirintos

se aprofundam

sem que saibamos

seus números

esperamos

que um cão azul

decifre

o infinito

 

e que nos esclareça

a álgebra

do abismo

 

a lógica

do insondável

 

a física

do ilimitado.

 

Por que é tão dramática

a visão de um céu estrelado?

 

         (do livro o Inventor de enigmas, 1998)

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LAMPADÁRIO

De
LAMPADÁRIO
prefácio de Alexei Bueno
Rio de Janeiro: 7 Letras, 2008
ISBN 978-85-7577-477-9

 

 

O BEIJO

 

Levou-me sem feitas frases

Somente passo e camisa

Roubou-me um beijo de brisa

Na quadratura da tarde

 

Jogou-me contra a parede

Rasgou-me a blusa de linho

Roubou-me um beijo de vinho

Diante das aves vesgas

 

Puxou-me para seu fundo

Rompeu a rosa pirâmide

Roubou-me um beijo de sangue

E bateu asas no mundo.

 

 

NOITE MAGA

 

Andei contigo nas dunas

Nas páginas das areias

Pensei avistar sereias

Mas eram sóbrias escunas

 

E ao perguntar quem eras

O mar moveu seus navios

Olharam-se as éguas no cio

Voaram fêmeas sem sela

 

Enquanto me assombravas

Os sais trocavam segredos

Abraçava-me com medo

Torpor, o que me falavas

 

Então comecei morrer

Por rua mão de veludo

Que me levava entre surdos

No tênue amanhecer

 

Desmanches de beijo e vício

Aroma de folha e chuva

Teu sorriso atrás da curva

Na ponta do precipício

 

Longe vai a noite maga

Em seu palácio estranho

Não te decifro és sonho

A povoar minhas águas.

 

 

De
O INVENTOR DE ENIGMAS
Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1989

 

DA MORTE

 

Os mortos não sobem aos céus

nem elevam-se abstratos

tornam-se apenas retratos

lado a lado nas paredes.

 

Retrato do avô imóvel

austero e silencioso

do tio tuberculoso

que esquivo me espia.

 

A avó já está fria

mas me olha com ternura

tece uma colcha escura

para as bodas da família,

 

Mortos não sobem trilhas

de inconsistentes arranjos

não viram anjos nem brisas

nem cristos nem assombrados.

 

Sequer passam dos telhados

sequer vão a outros mundos

quando morrem se enraízam

e se alastram é pelos fundos.

 

Não lhes peço algum milagre

também não lhes rogo bênçãos

de dentro de seus quadrados

não podem mover o Tempo.

 

Quadros em salas quietas

emoldurados cinzentos

memória em fragmentos

— as vezes nem lhes percebo.

 

De
Denise Emmer
A equação do noite. 
Capa: Jú Barros.  Ilus. Kaj. 
Rio de Janeiro: Philobiblion, 1986
85 p.  Coleção Poesia, sempre  8)

 

Neste seu quarto livro Denise Emmer já nos autoriza a anunciar a presença de uma poeta que, com quatro livros, está a reclamar um lugar no quadro global de nossa poesia”.     Pedro Lyra 


Foi no desdobrar do sexo da estrela
outra luz que veio repartiu-se em ondas
elípticas e claras nove pontarias
pariu-se a cor do mundo em nove candeeiros
o brilho veio como se soubesse
ser deste sol o filho coração primeiro
e já engatinhando pelas labaredas
na rotação estranha de um Mercúrio.

---

Coxas entreabertas...
arco-íris que escorre sêmen água
cheiro de peito entre montanhas gordas
canais e larvas menstruadas rosas
mãe solar e círculo sagrado
a dor centrífuga força parideira
pares no cosmo de qualquer maneira,
então, a filha-água fêmea Terra.

 

EMMER, Denise.  Poema Cenário.  Design Marcia Grossmann Cohen.  São Paulo: Editora de Cultura, 2013.  16 páginas em folha única dobrada.  14x21 cm.  Ilus. col.  ISBN 978-85-293-0163-1   Col. Bibl. Antonio Miranda

 

TEXTO EM ESPAÑOL


Vías adversas

         Traducción de Jesús Sepúlveda


Llegas por vías adversas escucho tus pasos sordos
Dioses que mueven la incoherencia del mundo
Rigen los relojes quietos de hras que no existen
La insanidad felz de las multititudes irascibles

Si hay mares en tus brazos me sumerjo em soles hundidos
Descifro una nueva lengua que utiliza los tratados
Y despedaza países fundidos en mares quietos
El amor desgobierna los vientos asombrados de la abadia

Veo rumbos que cambian las calles que se invierten
Distancias que encuentran piernas que se persiguen
Ojos que confabulan dentro de rios calientes
Percibo otras ciudades en el espacio vacío de un nuevo lente

 

Todo me hace alcanzar las carabelas aéreas
Andamios veloces escalan la matéria inefable
Tus incêndios son una luz que se dispersa en el Universo
Y por mi cuerpo ascienden mis lámparas sumergidas

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 TEXT IN ENGLISH

Opposite Ways

         Translated by Steven White

You come by opposite ways I hera your silent steps
Gods that move the world´s incoherence
Still watches rule with hours that do not exist
Happy the insanity of irritable multitudes

If there are seas in your armas I dive into sunken suns
I decipher the new language that nullifies treaties
And tears apart countries casts in calm seas
Love cuts loose the astonished abbey Wind

I see the directiosn changed the streets turned upside down
Directios that meet legs that pursue eache other
Eyes that confabulate in hot rivers
I perceive other cities in the empty space of a new lens

It all makes me reach the airbone caravels
Rapid scaffoldings peak to unsayable material
Your fires are the light you disperse through the Universe
And trough my body ascending my submerged lamps.

 

 

Fuente: HELICÓPTERO. V. 3 – 4. 2000
Página ampliada e re publicada em novembro de 2008  

 




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