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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


R. PETIT

Raimundo de Araujo Chagas, pseudônimo: R. Petit nasceu em 1894 em Belém do Pará e faleceu em Sorocaba, SP, em 1969. 

 

Obra: Ante os abismos (poesia, 1924), Livro Miss Piauí (poesia, 1924), Noitadas (poesia, 1937) e Noite sertaneja (teatro). 

Em 1919, R. Petit escreveu os versos do Hino do Parnahyba Sport Clube, com música de Ademar Neves. E logo se fez popular na cidade. Com o aparecimento do Almanaque da Parnaíba, pólo máximo de incentivo à escrita de poesia no Piauí, na primeira metade daquele século.  Durante anos e anos, escreveu, e publicou no Almanaque, uma série de Cromos, referentes ao calendário de cada mês,; poemas de amor pela cidade; poemas de costumes e uma série de sonetos de humor em versos curtos com temas sertanejos. Por fim, tornou-se o poeta mais cantado na Paranaíba, desde que substituiu alguns versos do antigo Hino do Parnahyba transformando-o em Canção da Parnahyba, que depois oficializou-se como Hino da Parnaíba, obra máxima da poética de R. Petit.

“...não ouviram falar de R. Petit, poeta que nasceu no Pará, mas que se fez o mais parnaibano de todos os poetas de Parnaíba.”  Benjamim Santos.
 

SELEÇÃO DE POEMAS DE

BENJAMIM SANTOS

Publicados originalmente em O BEMBÉM,
Ano 1,  N. 8, N. 8, Parnaíba, Piauí, 21 de agosto de 2008, p. 5


JUDAS

Antes de vir o Sol, a vila já alarmada,
mostra em cada garoto um grande espadachim,
que anda de rua em rua, em louca disparada,
atrás de um Judas vil, de crânio de capim;

De um Judas moleirão de cara amarrotada,
de pança desconforme e cheia de estopim,
que liga um buscapé a uma bomba encerada,
pronta para estrugir, em honra do festim.

Num bulício infernal, a garotada infrene,
espera com prazer, do sino a voz solene
para então reduzir em cinzas o espantalho!...

E os vampiros reais, os judas elegantes,
vivem sempre a cantar, como viviam dantes,
desdenhando do Bem, da Vida e do Trabalho. 

(1924)


O CANÁRIO DE BERTHA


Júlia tinha um canário, tu bem viste,
mas Bertha tinha um outro extraordinário
que muitas vezes o seu canto ouviste
como se fosse um sonho imaginário.

Júlia tratava os dois de modo vário!
Tanto assim que o de Bertha fez-se triste
porque ela dava alpiste ao seu canário
dando arroz ao de Bertha em vez de alpiste.

Como o canário original de Bertha,
estristeci, vendo na vida incerta
esse grupo de cínicos que existe,

que estende a mão de amigo sendo algoz,
vão criando canários com arroz
e alimentando amigos com alpiste...

(1931)


FASES DO ANO


Janeiro! Eleva-se o rio.
Fevereiro — alaga os campos.
Março e Abril! Noites de frio,
bordadas de pirilampos.

Maio! Festa... sacramentos.
Junho — geme o órgão dos ventos,
buscando o luar de agosto.

Setembro e Outubro. É o verão.
Novembro, espalha alegrias
nas praias de Amarração.

Natal! Dezembro. O ano expira.
Trezentos e muitos dias
só de ilusões ... de mentira!

(1934)


SAUDADE

Eu vivo como o mar, bebendo os rios,
rios da Dor que crescem, com certeza,
em meu ser, quando o inverno da Tristeza
chega e vence ao cair dos tempos frios.

Eu vivo como os pássaros sombrios,
dos quais a tempestade em luta acesa
roubou dos ninhos frágeis e macios,
isolando-os da própria natureza.

Eu vivo como as águas das cascatas
que a força eterna de um tremendo fado
desfia em prantos no painel das matas.

Eu vivo sem viver, esta é a verdade,
pois não pode viver um torturado
que se alimenta apenas da saudade!...

(1941)


O HOMEM

Garboso rei supremo das quimeras,
que vieste, por momentos, como eu vim,
a este orbe, onde por grande que pareças,
um dia hás de ter sempre o mesmo fim

que têm as borboletas, os vampiros,
as lesmas, as serpentes e os abutres.
No entanto,à luz de exemplos tão frisantes,
somente de vaidades, enfim, te nutres.

Se comercias, ninguém mais honesto
no serviço do peso ou da medida.
Tens filho? — Hás de supor que os teus parecem
as almas mais perfeitas desta vida.

Contudo és grande: regulaste o tempo,
mediste a terra, devastaste o espaço.
Tudo tens feito aos rasgos do teu gênio
seguido pela força do teu braço.

E assim te elevas, orgulhosamente.
Do mundo gozas todos os conceitos.
Tudo sabes fazer, mas, por desgraça,
não sabes conhecer os teus defeitos!

Baixa, pois, desce até chegar aos vermes.
Busca o teu nível, sofre e te consola.
Não julgues nunca que és alguma cousa
diante do pobre que te pede esmola.

Humilha-te, portanto, ante os humildes.
Sonda tua alma, purga os teus pecados.
“Os que se humilham neste mundo, no outro
serão pelos feitos exaltados”.

(1924)

 


Página publicada em setembro de 2008 a partir de material gentilmente enviado por nosso colaborador Diego Mendes Sousa.
Metadados: Malhação do Judas – folclore;



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