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MACIEL MONTEIRO (1804-1868)

MACIEL MONTEIRO
 
(1804-1868)



Antonio Peregrino MACIEL MONTEIRO, Barão de Itamaracá, nasceu em Recife, Pernambuco, e morreu em Lisboa. Poeta, orador, jornalista, formado em Letras, Ciências e Medicina, estudou em Paris. Ocupou vários cargos públicos. Além de sua tese de doutorado em Medicina, não publicou nada em vida. Um dos poetas indicados por Silvio Romero, ao lado de Álvares Machado e João de Barros Falcão, como de transição para o Romantismo. Obras:Poesis (1905);Poesias (1962). 

Poema extraído de ANTOLOGIA DE ANTOLOGIAS: 101 poetas brasileiros “revisitados”. Org. de Magaly Trindade Gonçalves, Zélia Thomaz de Aquino, Zina Bellodi Silva. Prefácio de Alfredo Bosi.  São Paulo: Musa Editora, 1995.   540 p. (Ler os clássicos: 4)             ISBN 85-85653-05-1

 

TEXTO EN ITALIANO



SONETO

Formosa, qual pincel em tela fina
Debuxar jamais pôde ou nunca ousara;
Formosa, qual jamais desabrochara
Na primavera a rosa purpurina;

Formosa, qual se a própria mão divina
Lhe alinhara o contorno e a forma rara;
Formosa, qual jamais no céu brilhara
Astro gentil, estrela peregrina;

Formosa, qual se a natureza e a arte,
Dando as mãos em seus dons, em seus louvores,
Jamais soube imitar no todo ou em parte;

Mulher celeste, oh! anjo de primores!
Quem pode ver-te, sem querer amar-te?
Quem pode amar-te, sem morrer de amores?!
 

 

Poema extraído de OLIVEIRA E SILVA.  COLETÂNEA DE POETAS PERNAMBUCANOS.  Rio de Janeiro: Editora Minerva, 1951.  239 p.
 

                   SONETO

                   Era já posto o sol. A natureza
                   Em ondas de perfume se banhava;
                   Aqui, pendia a rosa, além brilhava
                   Alguma flor de virginal pureza.

                   Nuvem sutil, de pálida tristeza,
                   Pelo cândido rosto lhe vagava.
                   Nas negras tranças do cabelo estava
                   Murcha e mais triste uma saudade presa.

                   Oh! pintor que a pintaste! Era mais bela
                   Que a lua deslumbrante de fulgores,
                   Surgindo dentre as sombras da procela!

                   Ao vê-la, aos meus olhos matadores,
                   Voou meu coração aos lábios dela,
                   Minh´alma ardente se banhou de amores.

 

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 UM VOTO

 

Enfin, pauvre feuille envolée,

Je viendrais, au gré dês mês voeux,

Me poser sur son froiit, mêlée

Aux boucles de sés noirs cheveux.

 

VICTOR HUGO.      Orienlales.

 

Se eu fora a flor querida, a flor mais bela

De quantas brilham no matiz, na gala;

Se o meu perfume fora mais suave

Que êase que a rosa no Oriente exala;

Se em volta a mim os zéfiros traidores

Sussurrando viessem bafejar-me,

E com moles blandícias, brandos mimos

Tentassem de minh'haste arrebatar-me;

 

Se o vário beija-flor tão feiticeiro,

Desprezando uma a uma as demais flores,

Em meu virgíneo, delicado seio

Depusesse seus beijos, seus amores;

 

Num vaso de esmeralda eu não quisera

Os aposentos decorar brilhantes

Do soberbo Nababo de Golconda,

Que pisa em per'las, topa nos diamantes.

 

Tão pouco eu cubiçara ornar o seio

Dessa jovem britânica princesa;

Em quem o brilho do diadema augusto

Luz menos que os encantos da beleza.

 

Pousar, senhora, fora o meu desejo

Em vossa fronte tão serena e bela,

E fazer que cm seu voo o tempo rápido

A asa impura não ouse roçar nela.

 

Como um raio da vossa formosura

Refletiria em mim seu fogo santo

Como a fragrância dos cabelos vossos

Dera a minha fragrância novo encanto!

 

Aí como vaidosa eu ostentara

Todo o meu esplendor. E qual rainha

Num trono de ouro ousara disputar-me

Minh'alta condição c a glória minha?

 

Mas já que a flor não sou apetecida

(Que o não consentem fados meus adversos)

Não recuseis, senhor, a flor silvestre

Que o bardo vos of´rece nestes versos.

 

Recife, 1846.

 

            ODE

Ao nascerdes, senhora, um astro novo

Vos inundou de luz, que inda hoje ensina,

No fogo desses vossos olhos belos

          Vossa origem divina.

 

O ar que respirastes sobre a terra,

Foi um sopro de Deus embalsamado

Entre as flores gentis que vos ornavam

          O berço abençoado.

Ao ver-vos sua igual, no empíreo os anjos

Hinos de amor cantaram nesse dia;

E o que se escuta, se falais é o eco

          Da angélica harmonia.

 

Gerada para o céu, que o céu somente

Da criação a pompa e o brilho encerra,

Das mãos do criador vos escapastes;

          Caístes cá na terra.

Um anjo vos seguiu para guardar-vos;

E, quais gêmeos, um noutro retratado,

Quem pode distinguir o anjo que guarda

          Do anjo que é guardado?

 

Só um raio do céu arde perene

Sem que o tempo lhe apague o furor santo!

Por isso os vossos dons são sempre os mesmos,

          O mesmo o vosso encanto.

 

Em vós é tudo eterno. E, se na fronte

(Tão bela sempre em tempos tão diversos)

Uma c'roa murchar-vos, é decerto

          A coroa de meus versos,

 

Dos meus versos! Ah! Não! Que inextinguível

É o incenso queimado à divindade:

E ao canto que inspirais, vós dais, senhora,

          Vossa imortalidade.

 

 

Recife, 1846

 

Extraídos de  GRANDES POETAS ROMÂNTICOS DO BRASIL. São Paulo: Editora LEP, 1959. Tomo I, p. 28

 

UM SONHO

 

Ela foi-se!... E com ela foi minh´alma

N´asa veloz da brisa sussurrante,

Que, ufana do tesouro que levava,

Ia... corria ... e como vai distante!

Voava a brisa e no atrevido rapto

Frisava do Oceano a face lisa;

Eu, que a brisa acalmar tentava insano,

Com meus suspiros alentava a brisa.

No horizonte esconder-se anuviado

Eu a vi; e dous pontos luminosos

Apenas onde ela ia me mostravam;

Eram eles seus olhos lacrimosos!

Pouco a pouco empanou-se a luz confusa

Que me sorria lá dos olhos seus;

E dalém ondulando uma aura amiga

Aos meus ouvidos repetiu — adeus!

Nada mais via eu, nem mesmo um raio

Fulgir a furto de esperança bela;

Mas meus olhos ilusos descobriram

Numa amável visão a imagem dela.

Esvaiu-se a visão, qual nuvem áurea

Ao bafejar da vespertina aragem:

Se aos olhos eu perdia a imagem sua,

No meu peito eu achava a sua imagem.

Ela foi-se!... E com ela foi minh´alma

N´asa veloz da brisa sussurrante,

Que, ufana do tesouro que levava,

Ia... corria... e como vai distante!

 

          Rio, 1851.

 

Extraído de:

BANDEIRA, ManuelAntologia dos poetas brasileira da fase romântica por Manuel Bandeira. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1937.  314 p.  16,5x24 cm. 

TEXTO EN ITALIANO

 

Extraído de 

MIRAGLIA, TolentinoPiccola Antologia poetica brasiliana.  Versioni.  São Paulo: Livraria Nobel, 1955.  164 p.  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

S O N E T T O

 

Formosa, qual pittore in tela fina
Sbozzare mai pote o non osò;
Formosa come tale mai sbocciò,
In primavere, rosa porporina.

 

Formosa, delia quale man divina
La forma ed i contorni modellò;
Formosa, come mai nel ciei brillò
Astro gentile, stella peregrina.

 

Formosa, tale che, natura ed arte,

Unendo i loro pregi, al cesellare,

Mai seppero imitar, nel tutto o in parte.

 

Donna celeste. Oh ! angelo del cuore,
Chi può vederti e non volerti amare ? !
Chi può amarti e non morir d'amore ? !

 

 

 

 


Página publicada em janeiro de 2009; republicada em abril de 2009.; ampliada e republicada em agosto de 2015, ampliada em janeiro de 2016.

 

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