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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ADELMAR TAVARES

 

 

Adelmar Tavares da Silva Cavalcanti (Recife, 16 de fevereiro de 1888 — Rio de Janeiro, 20 de junho de 1963) foi um advogado, professor, jurista, magistrado e poeta brasileiro. Ocupou a cadeira 11 da Academia Brasileira de Letras, onde foi eleito em 25 de março de 1926. Era considerado o Príncipe dos Trovadores Brasileiros.

 

Filho de Francisco Tavares da Silva Cavalcanti e de Maria Cândida Tavares.

Ainda como estudante de Direito pela Faculdade de Direito do Recife manifestou interesse pela imprensa colaborando como redator no Jornal Pequeno. Formou-se no ano de 1909. No ano seguinte mudou-se para o Rio de Janeiro, que na época era a capital do Brasil, onde veio a ocupar importantes cargos, como os de professor de Direito Penal na Faculdade de Direito do Estado do Rio de Janeiro, de promotor público adjunto (1910), de curador de resíduos e testamentos (1918), de curador de órfãos (1918 a 1940), de advogado do Banco do Brasil (1925 a 1930), de desembargador da Corte de Apelação do Distrito Federal (1940) e finalmente o de presidente do Tribunal de Justiça (1948 a 1950).

 

Mesmo exercendo a magistratura, Adelmar Tavares sempre colaborou com a imprensa, tornando-se conhecido em todo o país por suas trovas. É considerado, até hoje, aquele que mais se dedicou a esse gênero poético no Brasil. Suas trovas sempre mereceram referência na história literária brasileira. Sua obra poética caracteriza-se pelo romantismo, lirismo e sensibilidade. Os temas mais comuns estão relacionados à saudade e à vida simples junto à natureza.

 

 

TEXTO EN ESPAÑOL

 

 

 

GÓES, Fernando. Panorama da poesia brasileira.  Volume V: O Pér-Modernismo. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1960.   386 p.  14x20 cm.

Poesia de Adelmar Tavares:

 

Uma Barquinha Branca... Uma Cabana...

Uma barquinha branca... Uma cabana...
E em volta da cabana, — coqueirais...
O mar em frente... A vida soberana
De ser pobre e pescador...
          Viver feliz com o teu amor
          E — nada mais...

Ou no cimo de um monte — uma choupana
E em volta da choupana — laranjais...
Soprar a frauta quérula, de cana,
Ter um rebanho, e ser pastor...
          Viver feliz com o teu amor
          E — nada mais...    

 

                    Março 1912 (Myriam – Luz dos meus olhos...)

 

Francisco, Meu Pai

Como que o vejo... O chapelão caído
Sobre a cabeça branca de algodão...
Buscando o campo, — o dia mal nascido,
Voltando à casa, o dia em escuridão.

Lavrador, fez da terra o ideal querido.
“Meu filho, a terra é que nos dá o pão”.
Dizia-me. E cavava comovido,
A vázea aberta para a plantação...

Mas um dia, eu, pequeno, vi, cavando,
Sete palmos de campo, soluçando,
Uns homens rudes... Tempo que já vai!

“Francisco, adeus”! Diziam repetindo.
Meu pai desceu de branco... Ia dormindo...
Fechou-se a terra... E não mais vi meu pai!...

          (Noite cheia de estrelas. 1923)

 

 

REZENDE, Edgar.  O Brasil que os poetas cantam.  2ª ed. revista e comentada.  Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos, 1958.  460 p.  15 x 23 cm. Capa dura.   Ex. bibl. Antonio Miranda  

 

MILAGRES

 

 

        Aquela praia linda,
De "Milagres" plantada à beira-mar de Olinda,
Ao pôr do sol, é como um sonho que se esfuma...

        Como um lençol de bruma
Estendida às alvíssimas areias,

 

— Ninho branco de ninfas e sereias...

Fica entre coqueirais, a igreja pequenina,
         Alva, como uma lágrima do céu !
        Como uma noiva de capela e véu,
        Que estivesse a esperar

O noivo que se foi para não mais voltar !...

 

        Pelas tardes serenas,
        Em surdina,

        Passa um rumor de penas...
São elas — são as tristes andorinhas,
Que vão falar de amores marinheiros

        E de fadas marinhas,
Aninhadas às folhas dos coqueiros.
O sino tange, O som do sino é como um ai

        Que pela praia vai
A se perder
... Do alto da tarde desce...

        Qualquer coisa de prece...

        — são as aves marinhas
É a canção outonal dos jangadeiros,
Que levaram assim... dias inteiros

        de pescarias...

 

Minha história de amor ficou também contigo,
        Branco recanto amigo;
Na água do mar, na luz do sol, na voz do vento,
Hás de sentir que está meu pensamento.
Ninguém te entende mais do que a minha alma,

        Que em sonhos, noite calma,

        Como um fantasma errante,
Vai te beijar distante...

 

Agora és muito linda...
Alva praia de Olinda,

Coalhado todo o mar de vigas e batéis !...

        — Mar que escravo de ti, vem te beijar os pés !

        — Milagres — que é que tem teus coqueirais sombrios Que estranhas emoções ao pôr do sol revelas ! ?
Quanta esperança vem no fumo dos navios !...
Quanta saudade vai no côncavo das velas !...

 

("Luz dos Meus Olhos — Míriam")

 

 

 

        DIA LINDO DE TERESÓPOLIS

 

                                       A Goulart de Oliveira

 

 

Dia lindo de Teresópolis !...
Ânsia de que os Espíritos Eternos
Dos Grandes Poetas de minha Pátria,
Dêem-me um beijo de Consagração !...

 

E eu possa clamar o verso que estua na minha alma.

 

Dia lindo de Teresópolis !

Desejo de ser átomo dessa luz gloriosa

Que entontece as cigarras que rechinam,

Que jaz noivos os pássaros nas árvores,

E, milagrosamente,

Espumeja e transborda

Nas almas que eram cântaros vazios...

 

Dia lindo de Teresópolis !

Vontade de jazer versos de ternura,

De ter mãos de mulher muito amada entre as minhas

E, ombro a ombro, a cabeça encostada à cabeça,

Ler páginas líricas... Pervagar os caminhos

Estrelados de hortênsias e quaresmas abertas...

 

Dia lindo de Teresópolis !

Divino vinho azul de minha taça!

Dá luz aos olhos tristes que te procuram !...

Sara os enjermos !...  Cura os desenganados !

E ouve os convalescentes,

Que cantam como pássaros contentes !

 

Dia lindo de Teresópolis !

As roseiras estão quebrando de rosas maduras... As águas mais jrias... Os montes mais altos...
E os eucaliptos, — cacheados de asas de todas as cores

Cheirando !... Cheirando como incensórios que o vento[balança !...

 

Dia lindo de Teresópolis !
Se houvesse uma mulher que fôsse o meu amor, Eu mandaria na asa branca do meu verso,
Tudo quanto de bom, puro, alto e glorioso,
Hoje me dás,

Em luz, em tinta, em som, em vida, em sonho, em flor!.,.

 

           ("Poesias Escolhidas")

 

 

CHEGANDO A RECIFE

 

 

Lá vêm as jangadas, de velas inchadas,

Bojando de vento, branquinhas, no mar...

Meu Deus, minha terra ! Meu Deus, vou chegar !

 

Olinda, distante, lá longe, aparece...
Lá está uma torre... Diviso um farol...
Lá vêm as jangadas branquinhas de sol...

 

Que céus diferentes ! Tão verdes as águas!
Que leves os ares, que gozo aspirar!
Escuto umas vozes que vêm das jangadas,
Conheço essas vozes que vêm das jangadas,
São dêsses
Antonhos e dêsses Messias,
Lourenços e
Jocas, Bastiões, Mizaéis,
De falas cantantes, mas pulso de ferro,
Que pulam de tigre na ponta da faca,
E arrulham na viola que fazem chorar...

Meus Deus, minha terra ! Meu Deus, vou chegar !

 

Vocês, jangadeiros, já não me conhecem ?
Não me reconhecem ? Mudei tanto assim ?

        — Você, João da Penha, que nova me traz ?
Aquela morena dos olhos magoados,

        Se lembra de mim ?

        me espera no cais ?
Que lenço querido me espera no cais ?

 

Mas, vão as jangadas bojando de vento...
Tal como a minha alma bojando ansiedade.
Gritando tão alto, que abala a amplidão !

Alô, Pernambuco da minha saudade!

Recife, querida, do meu coração !

 

("Poesias Escolhidas")

 

 

 

TAVARES, Adelmar.  Poesias completas.  Luz dos meu olhos – Noite cheia de estrelas– O caminho enluarado. – Calam-se os ninhos. Rio de Janeiro: Editora A Noite, s.a. 232 p.  14x19 cm.  Autografado pelo autor em 1953. 

 

 

MAIO

 

Que sensações estranhas, esquisitas,

como um desejo de também ter asas,

para ser como os pombos sobre as casas,

toda vez, Maio em flor, que me visitas !

 

Tu, minh'alma, na dor em que te abrasas,

dentro da escuridão em que te agitas,

és um solar de aparições malditas,

uma lareira onde morreram brasas.. .

 

Maio, carregas mágoas e venturas,

flores aos laranjais e às sepulturas,

fecundas cravos e fecundas goivos...

 

Atêas tanto das paixões as chamas,
quanto de fria solidão derramas,
dentro dos corações que foram noivos...

 

 

TROVA


Ora, a Vida!  Deixa-a andar..
Não queiras da Vida ter,
o que ela não possa dar,
nem tu possas merecer...

 

 

PRIMA AMPARO

 

Ela não viu a imagem na corrente,

quando ao rio, em S. João, se foi banhar,

e voltou para casa, descontente,

com os lindos olhos baixos, a chorar...

 

"Morrerei o outro Junho, certamente...

Como as "sortes" enganam ! ... "Vais casar" .

— Prima Amparo, não creia.. . Pode a gente

nessas superstições acreditar ? ...

 

O outro Junho chegou... E ela partia

morta, no seu caixão, magoado o rosto,

o meu primeiro amor, a flor de um dia! ...

 

Por isso, quando Junho vem chegando,

choro esse esquife azul, pelo sol posto,

com seis moças de branco, carregando...

 

 

 

TAVARES, Adelmar.  Poesias completas.  Luz dos meu olhos – Noite cheia de estrelas – O caminho enluarado. – Calam-se os ninhos. Rio de Janeiro: Editora A Noite, s.a. 232 p.  14x19 cm.  Autografado pelo autor em 1953.  Col. A.M.

 

Para acabar a porfia
de não ser o amor, perfeito,
o coração deveria
ficar do lado direito...


Seria a glória das glórias,
se um dia alguém me dissesse,
ter chorado neste mundo
lendo um verso que eu fizesse.

 

Tu censuras de minhalma,
este alvoroço, este ardor...
Quem tem amor e tem calma.
tem calma... não tem amor...

 

Se eu pintasse minha infância,
pintava: num sol de estio,
a sombra de uma ingazeira,
debruçada sobre um rio.

 

 

 

Extraído de:
TROVAS.
  [Seleção de Edson Guedes de Morais]  Jaboatão dos Guararapes, PE: Editora Guararapes EGM, 2013.  3 v.  14x9,5 cm.  edição artesanal, tiragem limitada, circulação restrita. Col. bibl. A. Miranda

 

TEXTO EN ESPAÑOL

 

FIGUEIRA, Gaston.  Poesía brasileña contemporânea (1920-1946)  Crítica y antologia.   Montevideo: Instituto de Cultura Uruguayo-Brasileño, 1947.  142 p.   18x23 cm.  Col. A.M.

 

 

Este escritor pernambucano, que desde hace mucho reside en Río y formaparte de la Academia Brasileña de Letras, es autor de varios libros, entre losque se destaca el titulado "O caminho enluarado". Expresa su emoción, sobretodo, en la cuarteta breve, en la trova jugosa» de tono popular, a veces de sen-

tido filosófico.

 

 

CANCIÓN

 

Yo vi a la estrella de la mañana

tomar la forma de una mujer

y venir a bañarse en el río...

Vi sus ojos verdísimos

y su cuerpo blanquísimo

flotando en el agua como una flor...

Ma,s como entonces yo era muy niño,

nadie en el hecho creyó...

 

¡Oh amor mío, de los ojos verdes,

del cuerpo blanco, abierto en lirios,

dueña gentil de esta canción!

Mi lindo ensueño hecho mujer:

 

Bien sabes que no mentí...

bien sabes que te vi... que te vi...

 

 

 

 

 

Página publicada em março de 2012. ampliada em maio de 2013, ampliada e republicada em janeiro de 2014. Ampliada e republicada em julho de 2015.

 

 

 

 

 

 
 
 
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