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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 


FOED CASTRO CHAMMA

 

 

Nasceu em, Irati, Estado do Paraná, em 1927. Residiu no Rio de Janeiro desde 1941 até o seu falecimento em 2010. Fez parte do grupo do "Jornal de Poesia". Publicou Melodias do Estio, 1952; Iniciação ao Sonho, 1955 e O Poder da Palavra, 1959. Premiado no concurso de Poe­sia do Instituto Nacional do Mate, em 1965. Incluído por Manuel Bandeira e Walmir Ayala na ANTOLOGIA DOS POETAS BRASILEIROS – Fase Moderna, Edições de Ouro, 1967.

 

 

SEM TÍTULO

 

Áries investe para a minha face

mas domino-o com três pedras de sorte,

derramo-lhe nos olhos o rubim

e um signo mais propício me renasce.

Desfaço o que me habita — o secundário ­—

e caminho empunhando o belo facho

de luz que me revela sempre março

aberto para todo itinerário.

Meu é o silêncio, minha a madrugada

e as vozes que se acordam nestes versos

vou tangendo inspirado no precário:

Escutai-me, ó feridos da beleza,

­para salvar-vos tanjo o louro pássaro,

invento em minha boca este canário.

         De O Poder da Palavra. Rio, 1959.

 

 

XXV

 

Exata como o número

a sombra é a medida

a sombra no rigor

do corpo no rigor

da sua geometria.

 

Solitária à figura,

se estende toda e vai

atrás dos próprios pés

como a correr parada.

 

É a medida do lápis

na folha do papel,

o fogo liberado

do carvão quando escreve.

 

Ela é o vácuo e se move ­

no chão, com a constância

de serva presa às pernas

sonâmbulas do amo.

 

É a réplica ao visível,
claro contra o escuro,

o abismo aberto ao corpo

levantado do muro.

 

Seu tecido é maleável

e foge à tentativa

de reter-se nos dedos

como a água fugitiva.

 

A sombra é o silêncio

das coisas transformadas

audíveis é o vazio

na cor manifestado.

 

Como encadear o ar?

Como encadear o fogo?

Como encadear a água?

Como encadear a sombra?

 

Os animais se curvam

ao domínio do rei,

assim como as paixões

são as forças sem lei.

 

Ela é o peso da inércia

disposta em movimento,

a cor negra do abismo,

o retrato do vento.

 

 

VESTÍGIOS DE MAGIA

 

I

Leia os traços cruzados neste rosto

cercado de silêncio: pedra viva

em movimento. A boca cresce esquiva

e ri branca e despida para dentro

no rumo dos seus lábios. São os dentes

a cerca protegida, são a vida

as sombras de cabelo derramadas

pelo corpo calado. Leia os traços

da fala - a mão repele, vibra, grita

no barbante seu nó para outra boca

acesa em pensamento: porta aberta

às grades do sorriso, cerca estreita

ao alcance da recta ameaçada

e o rumor pelo susto sacudido.

 

 

II

Este vôo de cor vôo caído,

pano guardado no ar preso por mãos

perdidas de sua forma: vôo ruído,

que traços traz, que letras, que mistura

que nem chega a compor-se nos sentidos?

Atrás desse tremor coloco o ouvido,

atrás do ouvido as mãos, busco a figura

do súcubo no escuro. Qual seu dom?

de assaltar-me e fugir, de ser perdido

acúmulo de sombra, assombração?

 

Vejo os dedos; agulhas distribuídas,

multiplicam-se quietas, trazem linha

nas unhas - aparecem resguardadas

no enleio derramado dos sorrisos.

 

 

III

De que curva das trevas, de que ponta

o negro vôo treme e o ar trespassa

e bate nos sentidos suas asas

para acordar o canto, vil presságio

de sujo enigma, este susto e espanto?

Uma treva sem trégua, uma perdida

face escondida se desprende e foge

atrás de si para encontrar-se ao lado

de quem renega e aceita. Ser sem nome,

cujo dom é nutrir-se de seus passos

como o corvo se nutre com seu vôo

da solidão que o habita, sem receio,

rompe com o bico a negridão e surge

nas páginas abertas deste espaço.

 

 

IV

Não é do sono que nasce

nem de obscuras palavras

mas da luz que me ilumina

os braços, olhos e face.

 

Nasce de estranhos presságios

submersos nos meus sentidos

esta encantação de pássaros

que voam da minha fala.

 

Nasce talvez dos meus gestos

de recônditos segredos

e são as minhas secretas

alegrias e meus medos.

 

São meus transes, meus instantes

que me possuem com a beleza

de extrair corpos e plumas

das tábuas da minha mesa.

 

São minhas múltiplas horas

de alucinados prazeres

em que me assistem transidos

o anoitecer e as auroras.

 

Ah dom de inventar-me alado

e voar com os meus vocábulos

sem espaços que limitem

meus pés no chão repousados.

 

 

De Narceja - antologia de poesia. São Paulo, 1959

 

 

 

CHAMMA, Foed CastroAntologia Poética.  Prefácio, seleção e notas de André Seffrin.     Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 2001.   144 p.  (Coleção Brasil Diferente)   

 

 

Hino ao sol

 

I

 

Ladras da luz,

as sombras ignoram

a liberdade.

 

São máscaras

de um teatro

que nos representam.

 

Do que dizem

somos o eco, a curar-nos

com a língua

das alegorias.

II

 

Sobre as ruínas do tempo
a luz é matéria
em movimento,
o sangue
é pensamento.

 

 

De
O PODER DA PALAVRA
Rio de Janeiro: Edições Jornal de Poesia, 1959

O PODER DA PALAVRA

Articular o verbo até medir-lhe o som,
a extensão de suas cordas, suas arestas,
as potências contidas no ritmo
interior
o colorido
seu poder de fuga
e apreensão, seu fogo
e ouro, sua hora
inflamada,
as vibrações diluídas nos dentes,
sua fluida aparência
de poliedro disfarçado,
sua aritmética de pedra
e explosão,
seu trânsito na escala rarefeita
da audiência à voz que o emite,
condensando-o em cargas — símbolos
lançados — dardo


O VERBO

ar ao touro
não a flor para sua fúria
barbante atando os gestos
barro entre pedreiro e muro

liberto

como um risco
no corpo, como um risco
de faca, como um risco
de bala, como um risco
de espelho, como um risco

de ouro
que se queima nas folhas
rubras do fogo
se consome nas dobras
sujas da mente, não crepita
nem freme, sim
acende o grito
da fome

                   FOGO E OURO

corcel violento com jatos
de cor
sua meta, a linha
do ar
                  seu pasto

 

EXERCÍCIO

Despir-se do olhar
como quem se despe
de uma realidade.

Despir-se da fala
como quem se despe
de seus pensamentos.

Despir-se dos gestos
como quem se despe
de sua própria essência.

Ser dentro do vácuo
raro como o íntimo
de qualquer distância.

Como a água despida,
ser raso no leito,
longe como o sono,

Como corpo ou tempo,
formar-se por dentro
de seu próprio espaço.

Tempo ou movimento,
durar existindo
fora de seu trânsito.

Ser imperceptível,
a sombra invadida
pela loura luz

o avesso dos trajes
largos, a medida
exata da ausência,

Tão leve na estrada,
caminhar no rumo
deserto dos passos.

Fio dágua ou linha
agulha molhada
que em si caminha:

Vácuo e plenitude,
ser flecha e ferida
o servo e senhor.


ÁRVORE QUEBRADA

Vinha do tempo o brilho
traçando com seu lastro
rota insuspeitada
da hora, acesa aurora
de pedra, pedra e astro.

Vinha da linha reta
e presa pelos ângulos
era a árvore quadrada
nos limites do triângulo:

ou árvore despida
ou musa, musa oclusa,
era ela com sua boca
exata, séria era
a flor, o vinho, a terra.

Vinha de si nos passos
dobrada — para achar-se
trazia só a face
a senha, era o dia
o guia que a trazia.

 

Página ampliada e republicada em maio de 2008

 



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