Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


PASCHOAL MOTTA

 

 

Poeta mineiro, estréia com o Prêmio de Literatura “Cidade de Belo Horizonte”, da Prefeitura Municipal, em 1973, com a obra ´VER DE BOI” que Danilo Gomes, membro do júri, considerou “de primeira grandeza”. Geraldo Reis, na apresentação vai mais longe:”Quando a Poesia é apontada como uma arte sem função social, surge VER DE BOI, com que Pascoal Motta repele qualquer tratado sobre a invalidez do poeta. VER DE BOI é, a um só tempo, um protesto violento contra qualquer opressão a que se expõe o homem moderno, e um tratado lírico da paz, onde Pascoal Motta, `a maneira de um Gandhi, busca as raízes da compreensão e da fraternidade humana. A larga utilização das mais arrojadas técnicas literárias, sem cair nos absurdos praxistas ou vizinhanças de, transparece segundo vários aspectos”, destacando os aspectos lírico-filosóficos da obra.

 

Descartando a crítica aos experimentalismos em voga àquela época – até porque o poeta não representava uma restauração conservadora não obstante seu sólido alicerce na tradição clássica e modernista, é justo o reconhecimento do trabalho inaugural de Motta. “Um livro de muito amarga vivência”, conclui Reis, com propriedade.

 

Mantenho uma correspondência bissexta com o poeta desde que iniciei a difusão de poemas de meu livro “Terra Brasilis”, um poema-ensaio, que não agradou ao poeta, mas de vez em quando ele envia poemas de autores de sua predileção por e-mail, sempre bem-vindos.           ANTONIO MIRANDA

 

 

Poemas extraídos de

VER DE BOI

Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1974.

 

 

ABOIO VIII: O BOICOICE DE VER DE EM FOME

VER DE BOI AH OH

 

         A Carlos Antoninho Duarte

 

                  O boi da minha solidão

                  O boi da minha tristeza

                  O boi do meu cansaço

                  O boi da minha humilhação.

                            (Dante Milano)

 

EU VI NA CARA TÃO TRITE

DO BOI CORTADO NO AÇOUGUE

TINHA A EXPRESSÃO DO QUE FICA

EM DOR DE FINA AGONIA.

 

AI CRA CORTADA AI GUME

AI SANGUE ALI ESQUECIDO

 

AS MATAS QUE NOS CORTARAM

TE DERAM SOL E AMPLIDÃO

A FOICE TE ACUSA O MEDO

DE GOLPE MAIS DERRADEIRO

 

AI VIDA PAZ DE MENTIRA

AI MEDO DA ESCURIDÃO

 

VAMOS MEU BOI TÃO SOZINHO

OLHAR DE FRENTE ESTE AZUL

DE CÉU QUE É NOSSO COMUM

ATÉ NÃO CHEGAR MEU DIA

 

AI FACA SEMPRE AFIADA

NA FOME DAS MULTIDÕES

 

MEU BOI DE VERDES PARAGENS

MEU SEM NOME E DISFARCE

IRMÃO DE MESMO DESTINO

DE OUTRA DECAPITAÇÃO

 

AI BOI SANGRANDO AMARGURA

AI RUMINADA BELEZA

 

MEU BLOI DE PATAS TÃO FRÁGEIS

MEU BOI PERDIDO NO TEMPO

MEMÓRIA PASTANDO NO ESCAMPO

INCONFUNDÍVEL NA INFÂNCIA

 

AI PRADOS AI RIOS DE SOL

AI TEMPO DE NÉSCIA ESPERA

 

TANTO VERDE ESPERDIÇADO 

NA PACIÊNCIA DO BOI

TANTA FRIEZA NOS OLHOS

CORTADOS A TODA LUZ

 

AI CORPO SEM NOME E MARCA

EM PODRE COMPOSIÇÃO

 

EU VI TEUS OLHOS CAIDOS

SEM REFLETIR QUALQUER PAZ

JÁ TINHAM DO LENTO VERDE

VAGA TRISTEZA DO SÓ

 

AI MARES DE GRAMA DENSA

AI PASSAGEIRA INVERNADA

 

SALVE CHORO COAGULADO

EM TUA MUDEZ Ó MEU BOI

A VIDA TEM SEUS PRINCÍPIOS

INEXPLICÁVEIS DE SER

 

AI VIDA PAZ DE MENTIRA

AI MEDO DA ESCURIDÃO

 

 

AVE MORTA

 

AS VIRAÇÕES AZIAGAS

PAIRAM

NAS MINUDEZAS DO VÔO

E ESCAPAM CURTAS TRISTEZAS

DE SER SÓ EM TANTO CAMPO

CORTADO O SALTO RASANTE

E OS RESGATGES DO GIRO

ESTUA EM RAMO EMPALHADO

FERIDA A SEIVA NO CIO

/ HÁ OLHOS PARA A SEARA

HÁ TRINOS PARA RONDAR TRIGO

HÁ BICO PARA QUEBRAR GRÃO

HÁ MUCHAS PÉTALAS PENAS /

 

AS VIBRAC,ÕES APRESSADAS

NAS ASAS DE  FOI O SER

ESPARGEM GRITOS E ORVALHO

NO VÉU DE LONGA SAUDADE

/ HÁ VÔOS PARA O AZUL

HÁ NUVENS PARA PLAINAR

HÁ LEDAS QUEDAS DOS GALHOS

HÁ AVE FLECHADA DE VENTO /

 

A MORTE VIGIA E VASCULHA

AS INCUFRSÕES DE OUTRA SEIVA

SEARA JÁ CURTE NO VERDE

A AVE MORTA EM SAZÃO

/ HÁ ESPANTALHO QUE ESPANTA

AS ROÇAS TIDAS DE HERANC,A

HÁ VIVO QUE PLANTA A MORTE

DE AVES LIVRES DE CANTO /

 

A TERRA ENTULHA NA MESSE

OS BRAÇOS GUARDAM COLHEITA

A AVE MORTA NA PALHA

OCULTA A COR E A PLUMAGEM

/ HÁ COLHEITA PARA A FOME

HÁ RÉMIGES QUIETADAS /

 

 

ELEGIA III

 

HOJE CAMINHAS COM AS NUVENS

QUE JÁ EMUDECERAM AS VOZES NAS RAVINAS

E A PAZ BUCÓLICA CEDEU LUGAR

A CHORO LAMENTO E LÁGRIMA

POR QUE NÃO BRANQUEJAR OS LÍRIOS COMO OUTRORA

OU TRANSMUDAR O SANGUE EM PRANTO E PIEDADE

 

ONTEM VAGAVAS COM OS HOMENS

E EU TEMIA TEU DESTINO

 

 

ELEGIA VII

 

AVES DE ARRIBAÇÃO  ENTOARÃO UM CÂNTICO NOVO

MODULADO EM VOZ DE VENTO E SOLTO NO ESPAÇO

LARGO ESPAÇO

GRANDE TEMPO

E AS VOZES DE OUTRORA

E A LÁGRIMA PRESENTE

E O MANTO DE TERNURA

E OS ESCONDIDOS SEGREDOS

E VIVER NA TUA LUZ

                                                                                                              

 




Voltar para o Topo da Página Voltar para a Página de Minas Gerais

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar