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MARIA DO ROSÁRIO TELES

 

 

TELES, Maria do Rosário de MoraisCristal do tempo. Goiânia: Editora do Cerne, 1982.  90 p.  11x15 cm.  Col. Bibl. Antonio Miranda

 

AGORA, QUE FAZER DESTA TRISTEZA,

 

se estou cansada de buscar no rio

a sombra da memória?

Agora, que fazer dos ombros curvos,

se os olhos se resvalam na paisagem?

 

Esta tarde que acaba me entristece

e ninguém mais me pode devolver

meu sonho muito a medo revelado.

 

Agora, que fazer da minha angústia?

Cai sobre mim a lâmina da tarde

e um desespero fundo se estremece

na minha solidão.

 

QUANDO AMANHECE, ÁRVORE,

 

timidamente sorris

nas tuas mínimas folhas.

 

E quando o sol cai

sobre a tua fronde

e te contempla a beleza

rápida dos pássaros,

o teu sorriso se expande

e balanças loucamente

teus ramos, como remos

nas ondas de luz.

 

Mas quando a tarde

se aninha na tua sombra

e o céu se incendeia

nas tuas frutas amarelas,

quem sabe de teus ramos

e dos rumos que recolhes

na tua solidão?

 

          AS AVES, POR ONDE ANDARAM

as aves nesta manha

de sol, de nuvem, de areia,

de tanto mar de brinquedo?

 

Que céu saíram buscando.

se o voo que elas habitam

se fecham e se aderem ao sonho

que um vago mito criou?

 

Por que saíram as aves,

por que de novo regressam

sobre os rastos que deixaram

nesta praia de brinquedo?

 


TELES, Maria do Rosário.  Cristal do tempo & A Cor do Invisível.   Segunda edição aumentada e A Cor Invisível. Goiânia: Kelps, 2013.  116 p.  14x21 cm.  ISBN  978-85-400-0832-8  “Menção honrosa da União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro, 1975.”  Col. Bibl. Antonio Miranda

 

ESFINGE

 

Braços caídos ao longo do corpo,

assisto calma ao sol sangrando o céu

e sigo rindo o sonho redivivo

e as aves que regressam.

 

Andei passeando ao longo do oceano

para encontrar meu tempo, e agora escuto

este rumor de amor onipresente.

 

Lábios calados, meu pensar de esfinge

nem desconhece as ânsias do atropelo.

Entrego-me ao sonhar — sou plena e viva

e cheia de ternura.

 

 

MATINAL

 

Na brisa que passa,

no pássaro leve,

na manhã perdida

nesses horizontes,

 

no orvalho da serra,

no vapor do rio,

no ramo perdido

 

junto à margem úmida,

eu sinto a beleza

simples de viver.

 

 

NOTURNO

 

Quem será esse pastor

que alegra o canto da tarde

e reinventa o silêncio

nas pontas da música?

 

Mas que me importa o pastor

se é doce a sua música,

se o que ouço arrebata

todas as estrelas da noite?

 

 

A COR DO COTIDIANO

 

Invisível como a rosa sonhada

é a cor do cotidiano

o rastro da estrela infinita,

o sorriso do menino que passa,

que nada busca, nada idealiza

na correnteza dos súbitos

acontecimentos.

Mas alguma rosa brotou
do invisível ideal do homem

que dormia na porta da igreja

e cultivava a sua solidão.

 

 

 

Página publicada em fevereiro de 2014

 

 

 

 
 
 
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