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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

LUIZ F. PAPI


Nasceu em Minas Gerais, em 1922, mas vivia há décadas no Rio de Janeiro, onde construiu sólida carreira jornalística. Trabalhou na lendária agência de notícias UPI e foi editor internacional de O Globo. Para além de uma eficiente carreira de jornalista, Luiz F. Papi, como preferia assinar, poeta metódico e de poucos livros ao longo da maior parte de sua vida, depois que se aposentou de fato na imprensa surpreendeu setores do ambiente das letras, com uma produção vertiginosa. Seus soito livros (dos quais cinco exclusivamente de sonetos) lançados nos últimos dez anos receberam críticas altamente favoráveis. Cada um deles é dedicado a um tema específico. A saber: Escultura, Lapa, Ipanema, Circo, Almanaque, Tempo, Vinho e Bestiário...

O sétimo e penúltimo de sua fase dos sonetos, Vinilírica, já numa resignação ou cansaço do autor, saiu apenas numa edição caseira, esmerada, que Papi fez para os amigos mais próximos. O último, Bestialógico, também saiu assim, só para os amigos, tiragem em torno de algumas dezenas de exemplares...

Antonio Carlos Secchin, membro da Academia Brasileira de Letras e professor da UFRJ, escreveu: Foi uma bela surpresa descobrir uma poesia que mescla, com tanta sabedoria e competência, elementos populares e finas sutilezas da arte poética.

No livro Irreparabile Tempus, lançado em 2006, Papi mereceu crítica excelente do poeta Marco Lucchesi, um dos mais eruditos do Brasil - domina fluentemente meia dúzia de idiomas. Mas disse Lucchesi sobre Irreparabile Tempus: Poesia metacrítica, voltada para as grandes questões da literatura (...) Poesia multilíngüe, ilimitada, com ressonâncias eliotianas, leopardianas, numa paisagem de alusões, citações e remissões tornadas suas, pela demanda de uma síntese que se espraia nesse amplo conjunto de sonetos. Poesia cosmológica, varada de cordas e supercordas, onde se atualizam o verso e o universo, marcados pelo desvio para o vermelho (...)

Texto de Alfredo Herkenhoff extraído de: http://correiodalapa.blogspot.com

 

 

 

PAPI, Luiz F.  Parlapedra.  Poesia escultura.   Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2000.  96 p.  ilus. p&b   14x21 cm.  ISBN 85-86276-17-17-0    Ilustrado com imagens de  esculturas de pedras e arames.  Col. A.M. 

 

Linguagem muda

 

código de estrias

e fria contextura

a pedra

hostil

insólita

estranha

da caldeira do caos

à concreção da terra

decifra-se em templos

totens

túmulos

masmorras

e revela ao olho

humano o cosmo

indecifrado.

 

 

6

 

Plasmada em falo

amuleto

               magem

do lastro do sagrado

a pedra

peça comum do trivial

feroz da natureza

escala o cume do mito

e estende a ponte

terra-infinito.

 

 

16

 

Ao bafo do sagrado

a pedra

ossatura do verbo

feito metáfora

ensaia o seu clamor

e habita

salmos

provérbios

homilias

hinos

vaticínios

cânticos

parábolas

ofertórios

prédicas

epístolas

e vitupérios.

 

 

Extraído de:
2011 CALENDÁRIO   poetas     antologia
Jaboatão dos Guararapes, PE: Editora Guararapes EGM, 2010.
Editor: Edson Guedes de Morais

 

/ Caixa de cartão duro com 12 conjuntos de poemas, um para cada mês do ano. Os poetas incluídos pelo mês de seu aniversário. Inclui efígie e um poema de cada poeta, escolhidos entre os clássicos e os contemporâneos do Brasil, e alguns de Portugal. Produção artesanal.

 

 

PAPI, Luiz Fos olhos potáveis da noite. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1999.   59 p.  14x21 cm.  ISBN85-7388-133-X    Ex. bibl. Antonio Miranda.

 

"Forte verbalização do verso e riqueza vocabular, nesta era de ícones e exclamações desarticuladas."  FÁBIO LUCAS

 

 

CARPE DIEM

Irmãos que somos nesta humana teia

a loura espiga, o grão, uma tulipa

nos bastam, como ao céu basta uma pipa

bailando ao sol e ao vento que rastreia

a crista de uma nuvem. Usuários

compulsórios que somos desta vida

a ela nos damos na justa medida

do sopro de sua essência. Os armários

das futuras ossadas pouco pesam

no dia-a-dia desta caminhada

já no passo 2000. Na escalada

do tempo, corpo e copo se revezam

com deuses complacentes que sorriem

ao grão, à loura espiga, ao carpe diem.

 

 

 

BAR LUIZ

 

É o Bar Luiz. Avisto em meio ao

etílico vapor da levedura,

ao rés de certa mesa, na postura

devota de quem curte um ritual,

os amigos libantes, copo em punho,

reeditando idos e mais idos.

As lembranças fermentam. São vertidos

barris de evocações: o testemunho

que a espuma do tempo sobre a espuma

do chope retempera em emoção

mais que cinquentenária. O calendário

no entanto já não conta, é apenas bruma

que se desfaz no malte em suspensão

no ar. E resta o mijo solidário.

 

PERMANGANATO

Sapato bicolor, camisa preta,
a ginga, a finta, a capoeira, a palha
da aba do chapéu contra a navalha
demarcam a fronteira da mutreta.
Tudo azul no Danúbio e no Capela,
a fauna vária vai de cafetinas,
otários, travestis e dançarinas.
E a Lapa vira palco e passarela
de porres e michês, da garra e marra
de madame Satã, até o sol
nascer anunciando em novo ato
que uma receita vale após a farra:
a ressaca, curar com hidrolitol,
e a gonorreia, com permanganato.

 

LA NAVE VA

Ficaram para trás alguns decênios,
rumos perdidos, dispersões sem conta,
acidentes de vulto ou pouca monta,
até o limiar dos três milênios.
A sede humana multimilenar
reidratada em nossa confraria,
redime o seu ardor sem heresia
indo ao encontro do bramir de um bar
fremente ao escurecer. O bruaá
que sobe do salão recita o ofício
santificado de exorcismo ao vício
da sobriedade. E la nave va.
Ruminantes da líquida ração,
um cereal nos une em comunhão.

 

PAPI, Luiz F.   Ipanema la douce: sonetos.  Rio de Janeiro: Galo Branco, 2002.  64 p.   14x21 cm.   Fotografia e capa:  Luiz F. Pai. Editor: Waldir Ribeiro do Val.  ISBN 85-86276-32-4  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

“De acento próprio, a revelar conhecimento vivo das possibilidades de expressão poética, em harmonia com o ser, e não como simples exercício... (...) Fiel ao valor significante do verbo, ao seu poder de cantar, emocionar, transmitir vida e sentimento de vida.” CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

 

                  LA DOUCE

                             (...)Assim é Ipanema la Douce,
                            onde tranço desde tempos imemoriais.
                           
VINICIUS DE MORAES

                   Ipanema la Douce, o estrelismo
                   em roxo de ciclâmen tinge a saga
                   perdida nos sessenta e consagra
                   o veludo amassado. O ipanemismo
                   se veste de feitiço e aviva as cores
                   da estação do sol em desbotados
                   terninhos de butique e tacheados
                  indigo´s jeans puídos. Os sabores
                   do sorvete Babuska dão um nó
                   de cica na garganta. O indecifrado
                   travo do tempo ativa o olvidado
                  barril de pergaminhos. Uma só
                   faísca leva fogo ao calendário
                   zodiacal da mística de Aquário.

 

                   PASQUIM I

                   Ladeira Saint Roman, voz injetada
                   na flauta sem trinados da folia
                   de um velório em pânico, sadia
                   sacanagem da troça envenenada
                   na garrafa sem grife da retórica
                   do vinho contra a rolha, parolagem
                   desencapada na alta voltagem
                   de fintas e firulas, alegórica
                   mensagem, ratos náufragos, alerta
                   de bóia em falta, falta descoberta
                   no suprimento líquido, ancestral
                   coturno na garganta do arsenal
                   da fala e sífu, escancarada
                   no brinde à redimida pátria amada.

 

                   PASQUIM II

                No Pier, a estética da fome
                   em rito grave faz do amendoim
                   liturgia do altar de botequim,
                   ao lado da tulipa. Em codinome
                   de rato ou homem, Sig e Ivan Lessa
                   a tese enxugam no Bar Zeppelin,
                   na tira Os Chopinics e na peça
                   montada a goles de vermute e gim.
                   Degrau, Veloso: velas do Pasquim
                  
ao mar alviamarelo. A oficina
                   primal da fonte vela a serpentina
                   que leva à espuma halo de marfim.
                   Na apoteose do barril sangrado,
                  o jorro explode, carnavalizado.

                  

 

Página publicada em fevereiro de 2011; ampliada em dezembro de 2017; ampliada em junho de 2018.



 

 

 
 
 
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